A Distopia de Jenny

1 Capítulo 1 - Jenny


Notas iniciais
Essa é a primeira parte da saga distópica de Jenny. Espero que vocês gostem deste começo um pouco peculiar :D

Olá! Você sabe quem eu sou, não? Digamos que sou eu que mantenho a ordem no lugar onde você vive, sou eu que dito o que é certo e errado e injustamente sou o culpado dos seus problemas. Ora, sou apenas uma criação humana como qualquer outra e, como tal, sirvo a vocês como bode expiatório para seus crimes. Se você pensou que sou Deus, está enganado. Apesar de ser parecido com Ele em alguns aspectos, temos funções diferentes. Além do mais, ele sempre aceita passivamente as escolhas de vocês, eu, por outro lado, me adapto as suas decisões e enfraqueço ou fortaleço dependendo dos seus desejos sujos. Para aqueles que não descobriram ainda, eu sou o que enoja você em certas situações, sou aquele que o faz lutar por mim quando preciso. Você provavelmente me contraria e me odeia, mas lá dentro sabe que nunca escapará de mim, nem na vida e nem na morte. Eu sou o que você chama de Estado e contarei a história de uma garota que alterou as engrenagens do sistema. Alterou a mim.

*

Eu estava lá no nascimento dela. Seus pais eram funcionários de uma das fábricas de equipamentos eletrônicos do país. As fábricas eram um dos meus órgãos principais. Mantinham o povo ocupado demais para pensar em algo como revoltas ou pensamentos desnecessários. O tempo em que elas trabalhavam era o suficiente para minhas pequenas “células” formulassem planos para manter e aumentar meu poder.

As células eram como outros humanos, fisicamente iguais aos humanos comuns que vivem dentro de mim. A diferença aparece no âmbito psicológico. Enquanto os humanos normais vivem a par da realidade em que vivem e aceitam passivamente os meus anseios, as células se distanciam desse comportamento e são agentes ativos no meu corpo. Elas sabem do seu papel, sabem dos seus antecedentes, sabem da sua realidade e sabem que podem mudá-la. A maioria das células aceita o mundo em que vivem, quase nenhuma delas se atreve a se opor a mim e, com medo, muitas delas optam por trabalhar por mim como políticos, mantendo a ordem e me alimentando mais e mais. Os cidadãos comuns e minhas células são o que me mantém vivo e consciente. Eu sou forte e fraco ao mesmo tempo perante elas. Graças a isso sou forçado a ser autoritário, não conivente com as pessoas e, primordialmente, manter os cidadãos afastados de ideais revolucionários. Não há nada mais perigoso do que um germe revolucionário.

Como disse, dentro de mim haviam pessoas comuns e as células e, como dentro de todo corpo, existem células malignas. Células que sabem do seu potencial para mudança e que podem me destruir com um apenas um sopro de revolta. Para essas células cancerosas eu forneço a mais forte repressão e não as dou tempo de divulgarem seus pensamentos doentios de paz e liberdade. Entretanto, sempre algumas passam despercebidas. Esse foi o caso da protagonista de nossa história. Seus pais, funcionários comuns que não possuíam nenhum desejo ou vontade para mudar suas vidas, cometeram um crime irremediável de reproduzirem-se e não darem o cuidado recomendável a seus filhos. Mas não vamos nos apressar.

O nome que os dois lhe deram foi Jenny, o porque deste nome ridículo e feliz eu não entendo, mas presumo que tenha sido pelo motivo do nascimento da garota ter sido o momento mais feliz da vida do casal. É muito possível que este nome tenha sido o primeiro a vir na cabeça dos pais quando a menina deu seu primeiro choro. Pena que no futuro, o aspecto feliz do nome não teria muitas semelhanças com a personalidade da garota.

Para os dois mais novos pais, foi difícil a criação da garota. Jenny não demonstrava emoções, não sabia sorrir e nem demonstrar tristeza. Sua única marca de emoções até então foi o seu primeiro choro quando nasceu, entretanto nada de parecido apareceu novamente. Seus pais presumiam que seria alguma doença, mas os médicos afirmavam o contrário: Jenny tinha seu corpo e mente em perfeitas condições. Os pais e os médicos não entendiam aquilo, mas eu entendia: Jenny era como eu. Ela não transparecia emoções e sabia que não era necessário. Para seres fortes como eu e ela, emoções são sinais de fraqueza. Isso é perceptível em qualquer relação humana, o mais emotivo sempre sai desfavorecido e o mais apático é sempre o mais forte; Pois bem, Jenny não sentia necessidade ou desejo de mostrar suas emoções e desejos. Ela era uma célula perigosa, aquela pequena... desde seu nascimento eu pressentia isso. A maior fraqueza de uma célula era esconder suas ambições, mas Jenny, tão magnífica como era, não possuía essa desvantagem.

Jenny cresceu como uma garota comum que amava seus pais, apesar de não demonstrar esse amor. Era incrível como sua apatia combinava tão bem com seus cabelos negros e sua pele pálida como neve. Seus olhos verdes penetravam o horizonte e destruíam o coração de qualquer homem ou mulher. Sua pose elegante e natural colocava qualquer mulher num degrau mais baixo que o dela. Jenny era uma criança linda. Mas quando cresceu e as peculiaridades do corpo a atingiram ela se tornou uma mulher que até Deus desejaria... Jenny sabia de sua beleza, mas não tinha nenhum orgulho por ela. Aquelas feições sem emoções, aquela aura de poder que ela demonstrava, a sua pureza imaculada no olhar... já não tinha mais jeito. Eu estava apaixonado por ela.

Notas finais
E aqui termina o começo desta aventura. A saga de Jenny está longe de terminar e eu espero que vocês, leitores, apreciem o enredo e comentem me ajudando a sempre evoluir!
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.