A Discursão

1 "Me escute..."


Era o dia de folga de Henri. Ele combinou de sair com o seu amigo do trabalho, Jack.
Após tomar banho, por volta das 6h da tarde, Henri foi avisar sua noiva de que ia sair, até ser surpreendido...

– Lívia! – ele a chama enquanto põe suas calças. Lívia chega à porta do quarto e fica encarando-o.

– Diga. – ela diz.

– Essa noite eu vou sair com o Jack, então não vou jantar em casa. – ele fala já pondo a sua blusa.

– Jack? – ela o questiona – Por que no único dia de sua folga nesse mês você vai sair com um cara que vê todo dia? Você mal para em casa! – ela o olha com certas faíscas de ira nos olhos.

– Lívia... Calma. A gente já veio planejando essa saída. Então não dá pra cancelar, amor. Eu prometo que mês que vem eu faço um programa contigo, tá? – ele fica um pouco pensativo, mas como sempre, dizia cada palavra com muita tranquilidade – Ah não... Próximo mês não dá...

– Como assim não dá? Espera ai, não me diga que você também combinou de sair com esse tal de Jack!?

– Pelo que estou lembrando aqui... Parece que sim... – ele a observa ficar vermelha de raiva “Droga! Não devia ter comentado do próximo mês... Mas agora já foi.” – Bom, o do próximo mês posso cancelar. – “Vou ter que me virar!” ele pensa.

Ele saiu, e Lívia ficou em casa, emburrada com o gesto do noivo.

O mês passou e veio o próximo dia de folga. Já era de tarde, Henri e Lívia estavam assistindo um filme de comédia, chamado O Estagiário. Riram bastante, depois do filme ficaram conversando como sempre faziam enquanto preparava o jantar depois de um filme.

– Você acha que isso pode realmente acontecer? Justo na Google? Kkk – Lívia esnoba um pouco o filme.

– Nunca se sabe né, amor? Vou até me inscrever pra fazer um estágio lá... kkk – ele brinca com a ideia do filme.

– Se você for eu vou também! – ela sorri.

E continuaram assim até o jantar estar pronto.

– Haha! Macarronada com lasanha... É o que temos para hoje! – Lívia se empolga, pois a combinação desses dois pratos forma o prato preferido dela.

Quando se puseram à mesa pra jantar o celular de Henri toca, e ele atende:

– Alô... Sim, é ele sim... Eae cara! ...O que? Tem que ser hoje? ...Cara, prometi pra minha noiva que ficaria em casa hoje... Não, não vai dar... O que? Sério? – Henri é chamado pra ir a um local pegar alguns ingressos, quem o convida é Jack.

– Quem era? – Lívia pergunta assim que ele desliga o telefone.

– Era o Jack.

– O que ele queria?

– Ele me chamou para ir com ele na loja do Bill pegar os ingressos do show d... – ela o interrompe.

– Você vai? – Lívia começa a encará-lo a fim de conseguir um sinal negativo.

– Vou... – ele murmura.

– O quê? Fale mais alto, Hen-ri! – toda vez que Lívia fala silabicamente o nome dele, já sabe que algo ruim está prestes a acontecer.

– Eu vou... Mas eu volto rapidinho, é só ir ali, pegar os ingressos, e volto. Olhe pelo lado bom, a gente irá para o show do Gun’s! – ele fala rapidamente, quase gaguejando, e tenta mudar de assunto.

Ele se levantou, pegou as chaves do carro e saiu. Ela num disse uma palavra antes dele sair, mas fez um cara de “Como assim? Você fará isso mesmo?”. Quando ele voltou, viu a casa vazia.

– Amor, onde você está? – Ele a procura pela casa toda, sobe até o quarto e a vê arrumando as malas – Lívia, o que está fazendo?

– Acabou, Henri. Não tem mais noivado, não mais “nós”. – ela diz com um tom de voz bem sério.

– Mas o que você está dizendo? O que é isso, uma brincadeira?

Ela para o que está fazendo e vira para ele.

– Não suporto mais você sair correndo pro seu amiguinho! Toda vez que acontece isso, me sinto como uma idiota sendo trocada! Agora basta!

– Está falando do Jack? Se estiver, eu não diria que estaria trocando você por ele.

– Mas parece! – ela fecha a mala – Agora me dê licença, não quero mais te ver na vida. – enquanto ela tentava passar por ele, sentiu algo o segurar pelo braço.

– Você num vai não! – Henri pega a mala dela e coloca no canto da porta, e puxa-a para cama.

– O que você está fazendo?! – ela cai sentada na cama.

– Me escute. Eu sei que esta zangada por toda vez, desde que conheci o Jack, estou saindo nos dias de folga, mas tente ver pelo meu lado, a maioria é para ajeitar as coisas pendentes no trabalho ou acertar as contas dos projetos... Raramente me divirto com ele ou faço algo como, por exemplo, hoje, ele me chamou para ir numa loja que estava vendendo vários ingressos. – ele diz andando pra lá e pra cá na frente da sua noiva.

– O-oh... Eu não sabia desse detalhe. – ela se sente um pouco mal.

– Para você não achar que estou trabalhando demais, falo que estou saindo para me divertir... – ele se ajoelha em frente da noiva – Amor me desculpa.

Ela evita encará-lo, sabendo que estava errada.

– D-desculpo sim... Mas... – ele a interrompe.

– Você achava que estava trocando você por ele? – ele ri – Mas como você é bobinha. – ele bagunça o cabelo dela, se levantando e sentando ao seu lado.

– Eu tinha motivos! Queria que eu pensasse o que? Que você era gay?

– Isso seria bem engraçado. kkkkk – ele cai na gargalhada a ponto de se deitar na cama.

– Você não está rindo desse jeito por causa da situação né... É por causa da cara que ia fazer quando descobrisse que você era gay. – ela fica encabulada.

– Isso mesmo kkk – terminando de rir, ele a puxa para o seu lado, fazendo com que deite em seus braços – Mas sabe, eu nem morto te trocaria por mulher alguma nesse mundo, imagine por um homem. Você é a mulher que mais amo, e não tem como deixar de amar... É por isso que quero que case comigo. – ele a imaginava em um vestido de noiva, enquanto estava olhando para o teto.

– Eu também num te tocaria por ninguém nesse mundo... — Ela o acariciava.

– Amor? – ele se levanta.

– O que foi?

– Você num tinha dito que tudo acabou?

– Foi...

– Me dê seu anel.

– O quê? Pra quê?

– Só me dê. – ele estende a mão.

Ela se levanta e tira o anel, depois entrega para ele.

– Lívia, quer se casar comigo?

– O-o quê... Q-quero sim, sempre quis! – ela pula no pescoço dele.

Notas finais
Que lindinho... Quero que meu namoro fosse assim *-*
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!