A Dimensão dos Sonhos.

22 Separação e Desafios.


Notas iniciais
Não me matem!! Eu sei que esse capítulo superou todos os caracteres imagináveis, é o capítulo mais comprido da fanfic, mas também um dos mais legais, espero que gostem!

Sem perceber, o pessoal foi cercado por uma neblina turva e a visão de um para o outro desapareceu completamente, Fernanda estava sozinha e foi a primeira a se dar conta disso, olhando para os lados só enxergava névoa quando uma silhueta apareceu bem na sua frente, Alexandre? Alexandre! Ela correu para perto dele mas quando colocou seu braço no ombro do amigo, este o arrancou brutamente e deu um golpe que a jogou de costas deitada no chão.

Os ossos de Fernanda doíam e uma lágrima escorreu do seu rosto, Alexandre a havia atacado, sua mente começou a se fechar e seu coração se comprimiu quando ouviu as palavras que ele falou:

–Imbecil, idiota, você pensa que me preocupo com você? O que sinto por você é ódio, você não é nada para mim, Fernanda!

Nada, nada, ela começou a chorar, seu melhor amigo, o garoto por qual estava se sentindo atraída tinha falado isso em sua cara, o garoto que lhe dera o maior apoio antes agora dizia que não se importava? Que preferia morrer a namorar ela?

Seu sofrimento se dissolveu em lágrimas que começaram a abafar a névoa assim como a Alexandre.

*

Alexandre tinha sido envolvido pela névoa, estava cego e não enxergava nada, sua maior preocupação era com Fer, onde ela estaria, estaria bem? Alguém a havia pego? Perguntas rondavam sua cabeça e ele só percebeu que a própria estava atrás dele quando se virou e deu de cara com o seu belo rosto, quando foi pegar na mão dela para juntos encontrarem o caminho de volta, ela o bateu e começou a lhe dar uma série de chutes que com habilidade ele desviou, quando agarrou os seus pulsos e não deixou ela se desvencilhar, olhou em seus olhos, mortos, sem vida quando ela começou a dizer coisas que pela primeira vez retiraram lágrimas dos olhos do feroz e jovem lutador.

Ela dizia que não o amava, que só estava o utilizando, que para ela,ele não significava nada mais que um objeto, o coração de Alexandre se partiu em dois e ele caiu de joelhos aos pés daquela garota que roubara seu coração, deixando lágrimas caírem ofuscando a névoa e a imagem de Fernanda.

*

Sem escolha quando tudo ficou cinza, Gabi começou a andar em busca de algum vestígio dos amigos, se mantendo sempre no mesmo caminho ( ou pelo menos que parecia o mesmo ) ela andou durante um tempo antes de sentir uma mão em seu cotovelo e ser forçada com certa hostilidade a virar, atrás de si estava Miguel, o tão lindo príncipe Miguel, com suas mesmas roupas brancas e capa vermelha, ela o abraçou mas logo foi forçada por ele a parar e se afastar, sem entender nada, Gabi se afastou dando espaço e tempo suficiente para que Miguel pegasse a espada da bainha e a atacasse com violência, mesmo sendo rápida quando desviou, a espada deixou um rasgo de sangue na lateral do corpo que ardia, palavras e risos debochados saíram da boca de Miguel fazendo Gabi se afastar ainda mais sobre a mira da espada.

Lágrimas rolaram dos seus olhos, se misturando ao sangue do corpo, imagens de quando viu ele beijando Sarah, os olhos que refletiam como vidro, refletiram a cena e milhões de lágrimas rolaram de seus olhos.

*

Miguel se viu envolto sem nenhuma possibilidade de saída, diferente do que acontecera com os outros, ele estava preso coma mesma garota que sempre arrancava sonhos belíssimos de si, ela avançava e em sua mão, um canivete bem afiado, falando palavras com violência e debochando de Miguel, ela começou a apontar o canivete para o coração do amigo, que a essa hora não entendia nada,quando a frase escapou de sua boca, seu coração se quebrou como vidro caído de uma altura de vinte andares:

–Eu nunca me importei com você.

Lágrimas e mais lágrimas rolaram de um pensativo e triste rosto, sua Gabi, seu amor, não se importava com ele, o que isso resultaria para seus sentimentos?

*

Carol andava, ou melhor corria gritando pelos nomes dos amigos, olhava para todos os lados mas não via o mínimo sinal de vida, quando uma figura se materializou em sua frente, Vitor! Que alívio Carol sentiu ao ver o paquera, porém quando ela correu para cima dele exasperada, ele desviou rapidamente e a fez cair no chão ralando todo o seu rosto, ela olhou para ele confusa e os risos ecoaram da boca do menino:

–Imbecil! Achou mesmo que eu a pegaria, achou que eu abriria minhas mãos para recebe la? Se vire sozinha.

Carol nunca gostou da solidão, quando o garoto a que ela passara horas conversando animadamente e disputando falou para ela se virar e a deixou cair no chão e ralar o rosto falou isso, a dor, a confusão e a tristeza se misturaram, mais lágrimas caíram sobre os efeitos daquela névoa.

*

Vitor ainda esfregava a cabeça quando a névoa cobriu tudo, a névoa era fria, congelante, ele se virou em 360° para observar tudo enquanto tentava se aquecer, quando voltou ao ponto inicial, Carol estava na sua frente, sorriu ao ver a amiga e tentou perguntar para ela o que estava acontecendo quando ela lhe deu um tapa na cara e começou a rir dizendo:

–O que está acontecendo é que eu não quero mais saber de você, seu molenga!

O menino olhou para ela e sua imagem se refletiu, mesmo se esforçando demais para não derramar, uma lágrima caiu e sua força de vontade também.

*

Kelly estava desesperada, em um mundo estranho, cercada por uma névoa, perdida dos amigos, entretanto fez a escolha de ficar onde estava tentando encontrar alguém, Lucas começou a entrar na névoa de forma monótona, andando calmamente, Kelly ao reconhece lo saiu correndo e caiu no chão quando este lhe passou uma rasteira, com o corpo doendo, seus olhos se focaram nos do menino que não demonstrava emoção.

Um sorriso saiu do rosto de Lucas e logo depois gargalhadas, ele estava se divertindo vendo Kelly caída no chão, gemendo de dor? O que estava acontecendo, porque ele estava fazendo isso? Fungando, Kelly colocou as palmas das mãos nos olhos e chorou baixinho, uma dor nunca sentida antes a não ser na hora do beijo!

*

Lucas andava tentando manter a calma, olhando para os lados, o branco cobria tudo, derrepente ele se deparou com um lago, a névoa se espalhou o possibilitando enxergar um monte além, no meio do lago, havia uma ilha e alguém estava preso lá. Kelly!

Disposto a salvar a amiga, ele mergulhou na água gelada e subiu na ilha, a menina se virou e riu quando o empurrou na água, que estava ainda mais congelada, ele tremia e espirrava, ela ria, lágrimas de dor e decepção aqueceram um pouco aquele lago.

*

Duda realmente estava nervosa, os livros tinham fantasiado muito sua cabeça, ela virava para todos os lados como se monstros fossem pular para pega la a qualquer momento, sabia que o silêncio era essencial em uma hora dessas mas não conseguiu ficar quieta, ela gritava, chamava, e chorava os nomes dos amigos mesmo sabendo que eles não iriam aparecer( Como na maioria dos livros de terror que isso acontecia ) sem escolha ela caiu no chão chorando desesperada quando pés apareceram na sua frente, pés de... Pedro. Que alívio ao ver o amigo mas ao mesmo tempo vergonha, Duda não exibia seus sentimentos abertamente mas sempre enrubescia quando Pedro chegava perto demais dela.

O amigo diferente do que ela pensava que ele ia fazer ( dar lhe a mão para levanta la) empurrou ela com o pé, e a deixou presa ao chão contra sua vontade com ajuda das botas de ``príncipe encantado ´´ ela não entendia nada, mas estava bem claro que ele a estava desprezando que não queria alguém fraca ao seu lado, fraca como uma nerd que nem ela que só estudava e conseguiu ter uma relação de amizade no colegial, mesmo tentando se conformar e tentando não demonstrar ainda mais fraqueza, ela chorou baixo e somente para ela.

*

Pedro andava olhando para os lados em vão, seu coração batia forte e aquela fumaça parecia se fechar entre ele e consequentemente seus pulmões, tentando encontrar uma saída, ele lembrou da mão de Duda na sua enquanto caminhavam no dia anterior, como ela se mostrou ingênua e feliz, e isso era o que mais ele admirava em Duda, toda hora ela sempre se mostrava inteligente e alegre, mesmo nas piores das situações, mesmo lógica ( Até demais, segundo Kelly) Duda tinha o seu encanto que hipnotizava Pedro.

Enquanto pensava no sorriso da garota, ele não percebeu que ela estava na sua frente, quando se deu por si, ele sorriu aliviado e envergonhado em ser pego pensando em Duda, mas para espanto do garoto, ela retirou alguma coisa pontuda e bem afiada do bolso, um canivete, em que ela tentou acertá lo bem no peito, ele desviou e acabou sendo acertado de raspão no braço, a menina continuou atacando e ele desviando, ela estava raivosa quando gritou:

–Poupe me desse seu show de demonstrações, poupe me de ter que te olhar novamente.

Lágrimas escorreram, Duda estava sendo fria, cruel? Estava querendo tirá lo para sempre de sua vida?

*

Quando a névoa que encobria todos se dissipou, eles estavam feridos tanto por fora quanto por dentro, não se olhavam apenas choravam, quando os primeiros olhares se levantaram, raiva e dor era somente o que demonstravam, uma grande briga começou:

– O que ainda está fazendo aqui? Pensei que tivesse fugido depois do que me fez. Fernanda gritava com lágrimas de raiva nos olhos para Alexandre.

–Eu? A única coisa que fiz foi tentar pegar em sua mão e você me bateu com brutalidade, eu deveria ter ido embora? Você me machucou! Alexandre acusou.

–Eu não fiz nada, minhas costas estão machucadas e é um milagre eu andar, seus golpes deixaram ela assim.

–Você pode não ter me ferido fisicamente mas me feriu psicologicamente com aquelas palavras!

–As únicas que me lembro são as que você me disse e me ofendeu.

Eles não eram os únicos que brigavam, Gabi e Miguel discutiam pelos ferimentos sangrentos que um causara ao outro, Carol e Vitor pelas agressões leves mas que doeram em seus corações, Kelly e Lucas pelas palavras, empurrões e rasteiras que um tinha dito e feito ao outro e Duda e Pedro por fim não tinham coragem de brigar, eram o casal que menos estava zangado mas o que estava mais decepcionado.

Quando as brigas terminaram, meninos e meninas carrancudos seguiram por diferentes estradas que haviam aparecido como mágica, a profecia tinha acertado mais uma vez, separações, dez cavalheiros, caminhos, montes e desafios, cada um para seu lado para depois se reencontrarem na décima primeira montanha totalmente oculta.

*

Fernanda seguia brava, irritada com tudo, com o vestido longo, com o modo como Alexandre a havia tratado, até com a bela ave que seguia ao seu lado estava a irritando, por mais que a enxotasse, Floco não deixava Fernanda, até que de súbito ele subiu até os céus gritou o seu magnífico kiai e desapareceu, na mesma hora um macaco com o pelo liso apareceu no caminho dela, ele fazia palhaçadas e pela primeira vez desde o rompimento, ela sorriu.

O macaco pulou em seu ombro assim como a ave tinha feito e permaneceu lá, parado olhando para ela, ela continuou o caminho um pouco oculto até chegar aos pés de uma montanha, pelas flores e gramíneas ao lado, Fernanda já sabia que era a montanha da terra, Ela ficou feliz em encontrar uma parte suficientemente boa para escalar, ao mesmo tempo em que ela escalava, ela tinha a forte sensação de que todos os outros faziam o mesmo.

Quando terminou de escalar a montanha, Fernanda se viu em outro belo vale, muito maior do que parecia lá debaixo, flores e árvores o cobriam, Fernanda olhou para sua figura, estava limpa, com um vestido verde, seu cabelo tinha um tiara feita de flores, a única coisa que permanecia era o macaco ao seu lado, começou a andar para o meio da floresta, quando chegou ao centro, um muro coberto com plantas que se estendia além da visão de Fernanda apareceu, ela relou na parede com muco verde e na hora ela se afastou revelando uma passagem, calculando os prós e contras de entrar naquilo, percebeu que atrás de si, por incrível que parecesse, a floresta estava começando a ser encoberta por uma fumaça negra que parecia matar a vegetação.

Sem perder tempo, entrou naquele muro e fechou a pequena porta atrás de si, mesmo zangada com Alexandre, ela estava preocupada com ele, como saber se ele estava bem, e suas amigas? Como estariam? A dor de não saber o que acontecia com os outros era ainda mais alucinante do que a dor que tinha em sua perna que... Sangrava?

Fernanda olhou para baixo, afastando a mente dos amigos e viu que sua perna tinha sido envolta por folhas com pequenos espinhos e que estava causando perfurações em sua perna, que sangravam muito, ela desvencilhou a perna com força e saiu correndo com o macaco a seguindo, que lugar maluco era aquele que ela tinha entrado?

*

Alexandre estava mais do que irado, ela tinha ferido seus sentimentos e ainda a acusara, maldito dia em que viu Fernanda Montique no lago! Enquanto escalava a montanha do fogo no ponto mais frio que encontrara, seus pensamentos não largavam dela, metade estava mais do que zangado com ela, a outra mais do que preocupado, onde ela estaria? Com quem estaria? Quando chegou ao ponto mais alto, olhou em volta e era bem como Fernanda descreveu em sua visão. Uma estrada de lava que não queimava os pés, brilhante e ativo em baixo de si porém sem qualquer queimação, era extraordinário!

Alexandre deu um passo para testar a segurança e na hora sua roupas se transformaram, ele vestia calças jeans com uma espada amarrada na cintura, uma blusa vermelha escura que se encaixava certinho em seu corpo musculoso, ele estranhou mas continuou andando dessa vez levando a espada na frente do corpo para se qualquer ataque surpresa acontecer.

Enquanto seguia para uma caverna que era única coisa que tinha lá, ele foi observando em volta, mesmo com as montanhas alinhadas perfeitamente, ele não via mais nada além do chão e da caverna.

Quando adentrou o buraco escuro, ele conseguiu distinguir pedras quentes, estavam perto de onde havia fogo de verdade e Alexandre sabia que estava se arriscando, quando ouviu uma voz terrivelmente sedutora falar as suas costas:

–Olá!

Virando se se deparou com uma garota da sua idade, que vestia roupas parecidas com as dele só que com toques mais femininos, seus cabelos eram ruivos e seus olhos vermelhos amendoados, ela se aproximou dele e perguntou:

–O que um rapaz tão bonito faz aqui? Há séculos não recebo uma visita.

Ela passou as mãos provocantes pelo peito de Alexandre que permaneceu imóvel sobre seu toque, era quente na superfície mas ele jurava poder identificar frieza de onde ele vinha, diferente do de Fernanda tão quente nas profundezas demonstrando realmente afeto, a garota que se encontrava na sua frente tinha um sorriso provocador e o abraçou pela cintura puxando mais para perto quando ele se desvencilhou e disse:

–Desculpe, mas mal nos conhecemos, você é bem apressada não é ?

–Hora essa, , você é cheio de surpresas, nunca ninguém até hoje havia resistido, e sim sou sim, afinal esperei por séculos, a mulher tirou uma língua de serpente da boca e a esticou na direção de Alexandre que em um movimento de defesa, pegou a espada e a arrancou, vendo cresce la rapidamente logo após, ele olhou sério para ela e perguntou:

–Que tipo de criatura das sombras você é?

–Sou a tentação, uma mulher bonita, glamorosa, porém com o coração mais frio que gelo, portanto, lá atrás você não ouviu falar dos desafios eu sou o seu, Alex –falou ela em tom debochado – Se conseguir me vencer, ganhará uma verdade e uma carona para o outro lado do vale senão vai morrer tentando ou seria melhor dizer tentado. A língua escapou para fora da boca dela novamente enquanto ele corria pelo corredor escuro: Tentação, como a enganarei?

*

Gabi escalava a montanha da água com força e muita dificuldade, o ferimento do lado do corpo ainda sangrava e doía muito em contato com o vento forte que batia, quando finalmente chegou ao topo, desabou naquelas pedras na ponta de um lago e respirou profundamente, o machucado ardia e gotas de sangue se misturaram a água límpida do lago, ela fechou os olhos e lágrimas escorreram ao lembrar do motivo que seu corpo doía tanto, a mira da espada, podia ser de qualquer um menos dele, ele era muito importante para ela, mas pelo visto ela não era mais do que um incomodo para ele, a prova estava do lado de seu corpo.

Tomando fôlego, levantou da pedra e olhou a sua volta, não parecia mais do que um lago comum com pedras e gramíneas em volta como qualquer outro, aproximando o pé da margem, suas roupas se transformaram em uma leve regata verde água e calças confortáveis e leves, analisando sua roupa, percebeu que não teria mais escolha do que para baixo ( mais ainda do que já estava) ela caiu na água gelada e mergulhou, uma força poderosa a puxou para baixo, a agarrando pelo pulso, ela tentou se afastar mas quando finalmente aquilo a soltou, ela olhou nos olhos dele, estavam muito abaixo e ela respirava, era um garoto muito belo, de olhos arco Iris, ele olhou para ela e sorriu ao mesmo tempo em que ela se afastou, não conseguia sequer perceber naquela Iris algo tranquilo era como o mar, calmo mas furioso, ela se afastou até bater em algo sólido, um coral? Outro coral?

O menino riu e chegou até ela com uma velocidade anormal a prendendo contra a parede, seus olhos focaram os dela e ela sentiu tudo ficar tranquilo, ele a prendeu contra a parede e ela perguntou:

–Quem é você?

–Sou o medo, aquele que parece fácil de lidar mas nunca é, que consegue tirar uma pessoa da paz e tranquilidade assim como devolver elas, você mesma e o seu amiguinho lá embaixo insinuaram sobre os desafios, me apresento como o seu, caso consiga me vencer, receberá uma verdade e uma passagem para fora da montanha, caso contrário, você simplesmente ficará morando comigo, será minha nova rainha para esse lugar abandonado.Ele acariciou o pescoço dela com o nariz e disse com um sorriso:

–Está com medo? Ela estava!

*

Miguel estava com os dedos chamuscados, seria possível que não conseguiria chegar até lá em cima sem ter os dedos espetados por eletricidade a cada segundo?

–Ai. Ele gritou quando outro desses o atingiu ao colocar a mão em uma pedra – Acho que não. Pensou Miguel em resposta a sua pergunta silenciosa.

A montanha da eletricidade era um lugar difícil de escalar, quando Miguel chegou lá em cima verificou os dedos, totalmente chamuscados, ele olhou em volta, um monte de pedras com os mesmo efeitos de eletricidade, começou a se dirigir até uma pedra central a maior de todas, quando suas roupas se transformaram, vestia algo parecido com uma camiseta amarela canário, calças jeans, tênis e a espada na cintura, mesmo sabendo que estava arriscando seus dedos, ele botou a mão completamente na rocha, sentindo um puxão forte e em seguida caindo no chão incapaz de reagir naquele momento. O choque era extremamente forte, não tinha a mínima possibilidade de escalar aquilo para ver melhor lá de cima.

–Tentando escalar?

Ele se virou, ninguém, olhou para baixo,nada, quando olhou para o topo de um pico mais alto, ele viu uma ave que olhava para ele, ela repetiu:

–Tentando escalar?

A resposta ficou presa em sua garganta, estava conversando com uma ave? Oficialmente estava ficando louco, falou mentalmente para si mesmo antes de responder:

–Sim. Por curiosidade, quem é você?

A ave voou até ficar cara a cara com Miguel e respondeu:

–Sou a dor, aquela que incomoda a muitos, que faz a saúde e o bem estar serem ainda mais bem apreciados, sou o seu desafio, caso consiga me vencer, terá uma passagem e uma verdade, senão, precisará ficar encarando a dor para toda a eternidade.A ave pousou no ombro de Miguel dando um choque mais do que intenso, ele se forçou ao máximo e conseguiu resistir, a ave disse:

–Muito bem, já mostrou ser mediano, vamos ver se atura o que mais precisa!

Miguel engoliu em seco, se aquilo era o começo e quase o fez se tacar de joelhos quais seriam os próximos desafios?

*

Carol estava no pé da montanha do ar, a brisa soava forte e ela mal conseguia abrir os olhos, ela começou a apalpar as cegas tentando ao máximo abrir os olhos, quando começou a escalar, teve a sensação de que uma brisa se formou a sua volta, chocalhando seus cabelos e sua roupa, sua pele estava gelada, depois de meia hora escalando, ela conseguiu chegar ao topo totalmente congelada, olhou em volta, um vale como o que havia lá embaixo só quem com muito mais vento, começou a andar com os braços em volta do corpo em uma tentativa inútil de dispensar o congelar do corpo, chegando perto do que parecia o centro da montanha, suas roupas mudaram, a protegendo contra o frio, ela tinha um cachecol de caxemira, blusas de mangas compridas e calças bailarinas forradas, com botas country nos pés, estava bem quentinha.

Parando de se concentrar somente no frio finalmente, ela olhou em volta tentando reparar em algum ponto inicial para a aventura, quando dedos tocaram seu ombro e antes que ela pudesse sair, a agarraram com força prendendo a sobre um musculoso peito, ela virou, um garoto de uns dezessete anos sorria para ela, era maravilhoso, a fazia lembrar de Vitor, ela tentou se afastar mais o garoto era forte demais, seus músculos eram esculpidos e ele parecia um modelo fotográfico, ela quase derreteu sobre seu olhar, quando disse em seu ouvido com voz sedutora:

–Carolina, certo? Eu sou a vaidade. Ele inflou o peito. – Me vencer parece fácil para muitas pessoas, mas duvido que será para uma menina tão bela como você, se conseguir ganhará a verdade e a passagem, senão – Ele riu- Bem, senão, vai perder toda a beleza exterior e interior, toda a sua vaidade.

Ela engoliu em seco, nunca se preocupará muito com beleza, mas com toda certeza se achava uma garota linda, que ganhava muitas vantagens por causa disso, perder sua beleza interior e exterior era como perder todas as oportunidades que conseguia para melhorar seus talentos.

*

Vitor estava simplesmente congelando, apesar das roupas de príncipe serem mais do que charmosas e se encaixarem certinho em seu corpo musculoso, não eram forradas e isso sem nenhuma dúvida não era vantagem para quem estava tentando subir a montanha do gelo.

A neve era escorregadia, e o gelo não era exatamente feito para subir, sem contar o fato de que ele estava quase se incorporando a montanha, lá em cima, não era muito diferente quando chegou.

Vitor agradeceu muito quando suas roupas se transformaram em roupas para neve, quentes e aconchegantes, analisando o ambiente, ele viu primeiramente um lago congelado e fortes de neve onde crianças brincam no inverno, depois identificou um pouco mais atrás algo parecido com um castelo todo de gelo, era magnífico, mesmo congelando, ele conseguia apreciar toda a beleza a sua volta, maravilhado com tudo aquilo começou a andar tomando o máximo de cuidado para não escorregar, quando algo cobriu o sol acima da sua cabeça e uma voz masculina forte disse:

–O que faz em meu reino?

Ele se virou um... Boneco de neve gigante falava com ele sério e carrancudo.

–O que faz aqui?

–Vim procurar meu desafio. Falou cobrindo o riso

–Pois bem, eu sou ele, sou a desilusão, caso me vença, a passagem e a verdade senão ficará preso em um mundo completamente avulso totalmente sozinho, em uma morte para a eternidade com palavras ecoando em sua mente.

Ou o boneco estava maluco ou ele estava em uma dimensão onde tudo é possível. Segunda opção sem dúvida, pensou Vitor.

*

Kelly escalava a montanha da fauna, era fácil de escalar, a grama não era escorregadia e o clima estava quente, quando chegou lá em cima, uma floresta densa cobria tudo, era estranho estar na montanha da fauna sem nenhum animal, logo depois do primeiro passo, suas roupas de princesa assumiram um ar mais esportivo, um verdadeiro uniforme de caçador de filmes, com até tranquilizantes do lado, era muito maneiro, interpretando uma Indiana Jones feminina, era extremamente engraçado, ela só não imaginava ser pega de surpresa por trás.

Um tigre a atacou ferozmente, a prendendo contra o chão, ela se debatia, mas o tigre não se mexia até começar a falar com ela em tom de irritação:

–Quem é você – Ele rugiu – O que faz aqui?

–Eu não quero problemas só vim procurar meu desafio.

–Pois bem, aqui estou- Novamente ele rugiu- Sou a Ira, se me vencer, passagem e verdade, se perder vai ser minha serva para sempre se, eu deixar você viver.

O tigre rugiu novamente e saiu de cima de Kelly, em posição de ataque ele se preparou enquanto Kelly corria mata adentro.

*

Lucas subia lenta e vagarosamente a montanha pensando em tudo o que aconteceu, era o único que conseguia raciocinar depois de todas as brigas que tinham acontecido, primeiro uma névoa aparece do nada, depois Kelly o ataca e por fim ela nega tudo e o acusa de tê la maltratado, tudo isso era muito estranho, ele tinha uma teoria mas era absurda demais para acreditar nela.

Quando alcançou o topo, finalmente descobriu o ápice da montanha das sombras:

–Que legal. Pensou ele. Somos dez e eu venho parar nesse lugar.

Tomando ainda mais cuidado por estar na pior das montanhas, ele começou a caminhar olhando para todos os lados, não era bem como ele imaginava, tinha sombras e tudo era escuro com algum terror maléfico, mas nada de monstros, fedor, ou qualquer outra coisa que as mentes humanas corruptas criaram sobre a imagem das sombras, ele até se sentiu normal quando travessou um chão seco, era como qualquer outra montanha, derrepente ele ouviu uma voz:

–Lucas aqui é onde vai encontrar a verdadeira resposta para suas inquisições, foi mandado aqui porque conseguiu deixar a razão no lugar da emoção e vai conseguir descobrir o verdadeiro mistério, antes porém o desafio precisará ser vencido.

Um homem coberto pelo que parecia uma gosma negra feito a noite saiu de uma sombra e disse:

–Eu sou seu desafio, a dúvida, precisará me solucionar para passar, se não conseguir ficará vivendo comigo senão sua mente será aberta para novas possibilidades que antes pareciam impossíveis, hora do desafio!

Olhando para aquilo, Lucas se sentiu enjoado mas percebeu que precisaria continuar se não quisesse virar o melhor amigo daquela coisa, então simplesmente disse:

–Que comece o desafio!

*

Duda escalava uma montanha branca, era maravilhosamente esculpida e trazia paz, claro que era a montanha da luz, no topo, suas roupas se transformaram em, segundo as imaginações, seriam roupas de anjo, um vestido branco, maravilhosamente macio, pantufas felpudas e confortáveis, ela se permitiu um pouco de tranquilidade antes de ouvir uma voz:

–Bem Vinda a Montanha.

Ela se virou, uma anja vestida como ela se diferenciando simplesmente pelas belas asas atrás do corpo falava com ela e disse:

–Está aqui pelo seu desafio, meu nome é Tranquilidade, pareço bem normal, um sentimento do bem mas posso causar vários outros sentimentos, sou o seu desafio, precisa me encarar para receber a passagem e a verdade. Está pronta?

Respirando profundamente Duda respondeu:

–Estou!

*

Pedro tentava conter as lágrimas, lembrando de todos os seus amigos encarando os interesses amorosos daquela maneira, ele não conseguiu sequer olhar para Duda, era fraco, poderia ter músculos e outras coisas físicas, mas era fraco no sentimentos, a montanha a ser escalada era como qualquer outra montanha comum, quando chegou lá em cima, sem qualquer aviso suas roupas se transformaram, ele vestiu agora algo parecido com uma túnica bege antiga, aquelas que monges usavam, com o único diferencial que tinha cabelo.

A montanha tinha uma névoa cobrindo suas margens e ele se sentiu arrepiado, quando imagens lhe apareceram na névoa, ele se surpreendeu, eram seus amigos cada um enfrentando uma pessoa ou criatura( Vitor estava enfrentando um boneco de neve?! ) Pedro sorriu mas logo retornou o arrepio quando ouviu uma voz:

–Aqui são onde são criados tudo o que vocês estão enfrentando. Cada sentimento que precisam encarar para realizar a jornada. Sou a timidez.

Ele se virou uma menina de não menos que nove anos o observava, ela vestia uma túnica parecida com a dele só que cor de rosa e seu cabelo azul descia até os pés, ela disse:

–Sou o seu desafio Pedro, sua timidez o impede em vários quesitos, diferentes dos outros sentimentos, eu vou avaliar seu nível de superação, se conseguir me superar em parte poderá passar senão ficará preso comigo. Vamos começar?

Ele engoliu em seco, seu pior defeito era a timidez mas ele precisava continuar por todos então disse:

–Vamos!

Notas finais
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