A Deusa Esquecida
1 Prólogo
Notas iniciais
Até mais, Quengas :D
Os mortos sibilavam e murmuravam para Nico di Angelo.
Seria absolutamente normal para ele -sempre que caminhava pelo submundo, exercia esse poder sobre os espectros, como se todos eles pudessem sentir o sangue do senhor dos mortos correndo pelas veias do garoto — mas dessa vez parecia... diferente.
O Estige passava, majestoso e suntuoso, entre as elevações e choupos. Os fragmentos de sonhos esquecidos dos mortais flutuavam sobre as aguas negras do rio e, ao longe, Caronte acenava para Nico de dentro de seu barco, ora um homem de terno italiano, ora um ghoul envolto num manto negro.
Nada diferente da ultima vez, pensou. Está tudo exatamente do mesmo jeito.
Então porque Nico tinha a sensação de que havia algo errado?
O garoto deu um passo a frente, suas pernas pesavam como chumbo, e a espada negra de ferro estige tilintava embainhada em seu cinto. Mesmo assim, decidiu olhar direto para o rosto dos mortos ali presentes. Nunca tentara olhar tao de perto, era perturbador demais sequer pensar em encará-los. As feições pareciam tremular e mudar sempre que Nico tentava ver com mais clareza procurando algo sobre seu passado, entao ele somente desistia.
Dessa vez, estavam tão nítidas que ele cambaleou, e desejou na mesma hora ter seguido sem olhar para os espiritos.
Conhecia cada rosto sofrido, cada alma que o observava. O torpor o pegou, e seus olhos marejaram.
Errado, muito errado. Você nunca chora. Ele disse a si mesmo.
Mas vendo aqueles rostos, aquelas feições de terror... Nico queria tirá-los dali, salvar cada um deles, mas sabia que nao podia.
Estavam mortos. Annabeth, Clarisse, Rachel, Quiron, Percy. Todos os seus amigos, as pessoas da vida que Nico estava finalmente conseguindo construir. Todos engolidos pela escuridão eterna.
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