A Deusa Esquecida
7 Capítulo 6 - Cassie
Notas iniciais
Enjoy :D
Cassie estava sentada na cadeira ao lado da cama de Bianca, encarando Quiron como se a qualquer momento fosse levantar, sacar sua espada e transformá-lo em pó.
Felizmente, a expressão do centauro era a mesma.
Cassie sabia que não podia culpá-lo – ele havia perdido muitos aprendizes semideuses durante os milênios que vivera – , e sabia que era perigoso demais, mas algo dentro dela dizia que precisavam de uma missão.
Você pretende sair em uma busca. Tem seus companheiros? Era o primeiro tópico que Quiron havia levantado. Cassie pensara em levar Amy consigo, a garota era realmente durona, e sabia como sair de uma enrascada, mas se perguntou se conseguiria suportar as crises de loucura dela. Sério, Amy não conseguia agir normalmente. Parecia mais um foguete ambulante. Poderia ser, em parte, culpa de seu TDAH, mas sempre que a encontrava, ela estava quicando, ou comendo, ou batendo em alguém. Cassie pensara em levar Bianca, porém, a garota estava tão alheia à tudo que deixou a ideia de lado. Por mais que não quisesse admitir, precisava de mais alguém naquela missão, alguém que fosse capaz de encarar tudo sem perder a compostura.
Entao, Nico voltara ao acampamento. Ela sabia que podia contar com ele. Cassie sempre confiara em Nico. Agora, que havia descoberto todas aquelas coisas que ninguém mais sabia sobre as visões de Bianca, e sobre o grande problema que o Acampamento Meio-Sangue estava prestes a enfrentar, precisava contar a alguém, precisava completar seu time. E ele surgira na hora exata.
Você não sabe o que está buscando. Quiron lhe disse, quando pela segunda vez tentou solicitar a ele uma missão.
E isso era verdade, até algumas horas atrás. Agora, Cassie sentia que poderia facilmente encontrar o lugar. Cada palavra dita por Cash enquanto descrevia a cena fazia a pele de Cassie formigar. Ela precisava de uma missão. Quiron estava escondendo alguma coisa.
Depois de alguns desconfortáveis minutos de silencio, o centauro lhe disse a mesma coisa que dissera na ultima vez: “Você não tem nenhum motivo concreto para sair em uma busca, Cassie”. Ele lhe advertira sobre mais algumas coisas, mas sua mente estava carregada demais para prestar atenção em algo, até mesmo em Nico, parado a seu lado, apenas escutando Quiron adverti-los sobre “o perigo iminente”. Ele ainda usava aquela jaqueta de aviador de quando Cassie o havia encontrado pela primeira vez, mas o rosto parecia menos endurecido, ele carregava um semblante quase...feliz. Cassie sorriu involuntariamente enquanto lembrava do dia em que o conhecera. Era apenas uma garota assustada, e ele, mesmo tendo quase a mesma idade que ela, parecia tão maduro e seguro de si que ela não hesitou em segui-lo quando o mesmo se ofereceu para ajudar. Agora, ela sentia a mesma aura de poder sob a pele dele. Um misto de confiança e tranquilidade que ela desejava ter.
Depois de alguns minutos, ela levantou-se e saiu. Sabia que Jake não precisava de nenhuma ajuda com as ferramentas ou sei lá o que, aquilo era apenas uma desculpa criada por Quiron para que ele pudesse conversar com Nico em particular. Era um jeito mais legal e decente de dizer publicamente: Porque não esquece essa coisa de missão e sai da minha frente?
Por mais que quisesse ficar, avançou a passos largos para seu chalé.
Vazio e frio.Ela pensou. Como sempre.
Começava a abrir a porta, quando percebeu que ficar ali não faria nada mudar. Seu passado não poderia ser reescrito. Precisava ocupar sua mente com alguma coisa. Deu meia volta e caminhou em direção à arena.
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O dia correu sem muitos acontecimentos.
Entre um nocaute e outro, Cassie acabara esquecendo seus problemas e dedicando-se apenas a treinar. Sua espada desenhava arcos no ar. Ela movia-se rapidamente, desviando e desferindo golpes, quase no modo piloto automático. No almoço, não conversara muito com as pessoas, e à tarde, ajudara os novos campistas com as aulas de Mitologia e de Luta com Monstros. Vez ou outra, aparecia nos estábulos para verificar como estava seu pégaso, Sombra. Ele era cinzento e arredio, Cassie era a única que conseguia montá-lo. Nem mesmo Percy e seu incrível dom de falar... Cavalês haviam conseguido domar Shadows. O pégaso havia grunhido e relinchado de forma tão estranha que não era preciso ter nenhum poder sobre ele para entender a sequencia de palavrões que ele dissera para Percy.
As horas passaram rápido, e Cassie se viu em seu chalé, depois do treino, esperando por Nico, pronta para o jantar.
Enquanto aguardava, caminhou até um canto do chalé, onde um saco de dormir estava estendido no chão, e a parede era coberta de fotos de uma menina e um menino, ambos louros. O rapaz era mais alto, e bem mais velho. Tinha um sorriso meio louco, mas parecia feliz. A menina o encarava em muitas das fotos, os olhos cinzentos tomados por um certo orgulho, ou admiração.
Em algumas poucas das fotos, havia mais uma pessoa.
Uma garota, pouco mais nova que o menino de cabelo cor de areia, porém muito mais velha que a menininha. Suas roupas eram pretas e bem maiores que ela. O cabelo era preto e curto, cortado de forma aleatória e desalinhada. A maquiagem em volta dos olhos era escura, o que ressaltava mais ainda seus olhos azuis elétricos.
Era sua irmã. Thalia.
Cassie ouviu batidas insistentes na porta e assustou-se, voltando à realidade. Deu uma ultima olhada nas fotos e correu para encontrar Nico, que já batia o pé no chão repetidas vezes.
Os dois saíram em silencio. O acampamento estava tranquilo.
– Há algo errado aqui. – Nico disse, por fim.
– Errado? Como?
– Ora, vamos, Cassie. O acampamento está praticamente deserto.
Ela olhou para os lados. Não havia uma só alma viva.
– O que Hades está acontecendo? — Nico perguntou.
Então, o som de vários campistas gritando e rindo ecoou, vindo do refeitório.
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Cassie poderia ter explodido de rir no momento em que entrou no refeitório e viu um filho de Afrodite correndo atrás de Amy com uma panela.
Não, o problema não estava nessa cena. O problema estava no garoto, que estava com o cabelo completamente rosa bebê.
Depois de olhar ao redor, percebeu que TODOS os campistas de Afrodite tinham uma coloração estranha nos cabelos. Eles gritavam e corriam, enfurecidos, atrás dos irmãos Stoll e de Amy. Um dos campistas de Apolo começara a dizer gracinhas para uma garota de cabelo violeta, e acabou levando um pedaço gigantesco de torta na cara.
Foi o suficiente para que se iniciasse a maior guerra de comida do século.
A algazarra estava completa: os campistas levantavam seus pratos de comida, atirando cupcakes e macarronada uns nos outros. Cassie correu até uma mesa e pegou um prato com purê de batatas, que foi parar na mesma hora no rosto de Nico. Amy passava por ali e despejou um pote de molho no garoto. Ela e Cassie sorriram e bateram as mãos, enquanto corriam para o meio da guerra, espalhado comida por todo lado.
Repentinamente, um grito estridente veio da entrada do refeitório. Todos pararam, como se estivessem congelados naquela posição, mas começaram a rir quando avistaram Drew na entrada, acompanhada por Quiron. Seu cabelo estava completamente arruinado. As ondas haviam sumido, dando lugar à uma massa emaranhada de fios vermelhos, amarelos, cinzas e laranjas, que se embolavam como dreadlocks. Até mesmo seus companheiros de chalé não conseguiram segurar o riso quando a viram daquele jeito, e Cassie logo deduziu que nenhum deles havia alertado-a sobre seu estado. Cassie estava sentindo pena? Não mesmo, ela queria ter sabotado Drew com as próprias mãos, mas agora, preferia apenas rir da garota, mesmo sabendo o que ela podia fazer.
Drew começou a falar, mas foi interrompida por Quiron.
– Quero saber – ele disse, pacientemente – quem foi a mente por trás de tudo isso. Ou as mentes, por assim dizer.
Todos os olhos voltaram-se para Travis, Connor e Amy. Eles apenas riram e ficaram estáticos. Estava na cara que por mais que fossem pegos, ficaram felizes por tudo ter saído perfeitamente como planejado.
Estavam prestes a se entregar quando Quiron adicionou:
– Espero que saibam que os responsáveis serão punidos com o castigo escolhido pela conselheira do Chalé de Afrodite.
Drew abriu um sorrisinho de vitória e olhou para os três, parecendo estar imaginando as piores torturas possíveis.
Então, uma ideia passou pela cabeça de Cassie. Ela deu um passo à frente.
– Eu fui a responsável.
Todos olharam para ela. Drew espantou-se, mas manteu-se inalterada.
– Eu ajudei. – Nico havia andado para o lado de Amy.
– Nós três armamos tudo isso. – Travis, Connor e Amy disseram em coro.
Lentamente, todos os presentes no refeitório tomaram parte da culpa na sabotagem. Drew abriu a boca. Quiron parecia estar contendo um sorriso.
– Eu... Perdoe-me, Drew, mas não há como punir TODO o acampamento.
A garota ficou vermelha, e gritou, correndo para seu chalé.
Todos explodiram em risadas. Eles levantaram os quatro: Amy, Travis, Cassie e Connor, e começaram a comemorar. Até mesmo os filhos de Afrodite que haviam sido sabotados aderiram ao coro.
Quiron ainda estava parado na entrada. Antes de virar-se e seguir para a Casa Grande, lançou um olhar aos campistas.
– Espero que isso tudo esteja limpo até a hora da fogueira – ele decretou, dando um leve sorriso e galopando de volta à sua varanda.
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Depois de limparem todo o refeitório – era fácil quando se tinham dois filhos de Poseidon para fazer o trabalho duro – ,os campistas seguiram para a fogueira. Naquela noite, ela estava especialmente bonita, dançando num tom vermelho brilhante e alegre. Num determinado ponto, a coluna de fogo estendeu-se a quatro metros de altura. Quiron havia voltado, após inspecionar o local que há pouco fora cenário de uma das maiores guerras de comida do acampamento. Após alguns minutos, ele pediu a palavra aos filhos de Apolo que dirigiam a musica e deu os avisos do dia.
– Bem, felizmente nossos carregamentos de morango estão sendo convocados em mais lugares, a demanda aumenta a cada semana. Devo agradecer aos campistas de Deméter pelo apoio que estão dando aos sátiros. Se continuarmos assim, breve Annabeth terá o aval para construir o templo do Acampamento – todos aplaudiram, fazendo comentários positivos e encorajando a filha de Atena. – O que houve hoje não se repetirá, eu tenho certeza. Peço desculpas ao chalé de Afrodite em nome dos St... bem, da pessoa que os sabotou.
Cassie percebeu que Amy e Annabeth trocaram um olhar cúmplice, mas não sabia a razão. Não importava a ela.
O centauro já estava voltando à sua posição inicial quando alguém do chalé de Ares gritou:
– O que aconteceu com a garota de Hades hoje de manha?
Quiron hesitou. Cassie sabia que ele não havia contado a verdade a ninguém, somente a ela. Agora, mais do que nunca, precisava de uma boa história.
– Bem, – ele começou – Bianca está bem agora. Ela apenas está tendo alguns vislumbres sobre algo que poderá vir a ser uma missão um dia, porem de um maneira diferente. Amanhã, ela estará de volta às atividades. Não creio que isso irá implicar em nada no momento, os vislumbres podem demorar a acontecer, ou podem até não serem reais, porém...
O grupo de semideuses arfou. Aproximando-se lentamente da fogueira, estava uma sombra escura. Enquanto se aproximava, a sombra foi tomando a forma de uma garota. Seus olhos estavam vidrados e havia uma grossa névoa verde a seu redor.
O Oráculo viera fazer uma visitinha.
Rachel postou-se ante ao grupo, que estava chocado demais para dizer qualquer coisa, e recitou, numa voz cortante:
Cinco semideuses de sangue real
Navegarão em direção ao fúnebre coral
A dona das cores atada ao espinho
Levará à desgraça, ou mostrará o caminho
O ultimo suspiro de um ocorrerá
Para a deusa esquecida de uma vez despertar.
Depois da ultima linha, a névoa se dissipou, e ela caiu.
Notas finais
(posso demorar um pouco pra postar porque nao tenho mais nenhuma ideia. pode ser que tenha uma ideia hoje e poste tudo. quem sabe, hihihi)
Até logo
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