A Deusa Esquecida

9 Capítulo 8 - Bianca


Notas iniciais
Terminei mais um capítulo, dessa vez ficou mais corpulento :D kkk devo dizer que estou me empolgando tanto com essa fanfic, que vai acabar virando quase um livro '-' eles ainda nem sairam do acampamento e ja fiz oito capitulos, imaginem!
Gostei bastante desse, apesar de ser meio dificil tentar pensar como Bianca.
Enjoy :D

Bianca encarava o teto da enfermaria de forma inquieta, bebendo chá gelado e imaginando como seria bom ter o Senhor Bigodes esquentando seus pés com toda aquela banha e pelos curtos.

Senhor Bigodes era o gato de Bianca. Ela o encontrara vagando pelas ruas escuras carregando uma almondega de tofu na boca e um saco plastico enfiado na pata esquerda quando tinha nove anos. Era um gato gordo, preto, peludo e vegetariano que miava como se estivesse morrendo afogado. Ou seja: era perfeito para Bianca.

Ela riu, lembrando de como havia colocado o gato, que deveria estar com muita preguiça para fugir dela, dentro de uma sacola plástica azul e levara para casa. Passava pelas ruas sendo encarada por uma multidão, já que era uma criança com roupas caras e sujas carregando um gato num saco de compras, mas nem ao menos se dava ao trabalho de ligar para as pessoas. Seu dia havia melhorado significativamente.

Quando chegou à mansão da família, já sabia o que iria acontecer. Passou pelos portões e pelos guardas que não disseram uma só palavra, pelo jardim, pela piscina e entrou. Sua mãe estava em uma viagem, mais uma vez. Sua babá deu-lhe uma bronca por ter saído sem permissão, mais uma vez. Bianca seguiu para o seu quarto, aceitando um castigo qualquer ao qual não dera atenção, como em todas as outras vezes. Mas nessa situação, não estava só, pela primeira vez. E gostava dessa sensação.

Ela saiu de seus devaneios ao ouvir uma gritaria acalourada e som de pratos se quebrando oriundos do refeitório do acampamento. Precisou de alguns minutos para registrar o momento e o local onde estava. Tentou pôr-se de pé, cambaleou algumas vezes e muitos minutos depois, estava vestida com sua camisa do Acampamento e suas botas amarelas para dias de chuva.

- Tsc, tsc. Eles começam a festa da uva e nem ao menos aparecem para nos convidar. Muito lisonjeiro. — Bianca resmungou, dando passos lentos em direção à porta de saída — Mas eu não ligo. Vamos lá, Bigodes. Vamos mostrar para eles como se dá uma festa de verdade.

Ela pôde ouvir um miado rouco e familiar viajando pelo vento e sorriu. Realmente sentia saudades do Senhor Bigodes. Ainda se lembrava do fatídico dia em que ele havia morrido.

Bianca não entendia como o refeitório podia estar totalmente vazio e cheirando a Pinho Sol se ha menos de trinta minutos parecia estar havendo uma batalha digna de narnianos lá dentro.

De certa forma, estava grata por não ter encontrado ninguém naquele lugar. Podia parecer lenta e avoada às vezes — quase sempre — , mas sabia que, se alguem a encontrasse vagando por aí, com certeza contaria a Quiron. Ou pior, a Amy. Ela faria Bianca voltar para o leito na enfermaria arrastando-a pelos cabelos. Era o jeito dela de cuidar dos amigos, mas convenhamos, não era nada agradável.

Bianca teria que ser cautelosa e investigar sorrateiramente.

Sutil como um ninja. Ela pensou, e camuflada como um mafagafo.

Bem, o conceito de sutil e camuflado parecia ser diferente para Bianca. Ela caía a cada dez segundos e fazia mais barulho que uma manada de elefantes selvagens bêbados, mas felizmente ninguem notou sua presença no caminho para a fogueira. Quando chegou a seu destino, seu cabelo parecia um porco-espinho, e as roupas estavam sujas de lama e ela tinha vários cortes causados por galhos pelos braços, tornozelos e testa.

Escondeu-se atrás do tronco de uma árvore velha que ficava nos arredores da fogueira e depois de um tempo decidiu escalá-la. Teria visibilidade melhor e estaria mais segura de sua, hã, camuflagem num dos troncos, além de haver a possibilidade de encontrar alguma coruja lá em cima. Ela gostava de encarar corujas, eram animais fantásticos e nunca fugiam de Bianca, – diferente dos cachorros, que nutriam uma espécie de ódio por ela nunca dividir sua comida com eles, mesmo quando faziam aquela carinha, com olhos brilhantes e orelhas caídas, os chantageadores baratos – o que fazia delas companheiras admiráveis para noites onde não havia nada melhor para se fazer.

Um feixe de luzes peroladas atraíram a atenção de Bianca. Até o momento, ela não havia prestado atenção à cena a sua frente. Elizabeth Dare, o oráculo, estava sentada no seu banquinho pós-profecia, meio tonta, mas encarava as luzes com a mesma admiração que todos os outros campistas. Até mesmo os filhos de Afrodite — era imaginação ou todos tinham cabelos com cores de canetinha marca-texto?? — pareciam não perder as luzes de foco. Amy estava ao lado de Cassie e Nico, e parecia desconfortável em focar sua atenção àqueles sinais no céu que agora formavam uma figura, como se estivessem aplicando uma pressão gigante em todos, e até Amy, mesmo sendo... bem... Amy, e tentando resistir, não conseguia.

Alguma coisa estava muito errada.

Quiron não parecia melhor que os outros. Se o próximo passo dele era tentar acalmar os campistas e inventar uma desculpa bem formulada sobre o assunto, fingindo que sabia com o que estava lidando, parecia que não faria mais que trotar de volta à casa grande e ter uma grande dor de cabeça. Bianca queria até descer e tentar acalmá-los.E conseguiu, mais rápido do que queria.

O galho no qual ela estava se partiu, e com um AAAAAAAAAAAAH rouco, ela foi ao chão, dando adeus a qualquer tentativa de uma saida discreta.

- Por Zeus, Bianca! O que diabos você... — Quiron começou a falar, mas foi interrompido por uma Amy revoltada que o empurrou para o lado. Se não tivesse um traseiro de cavalo, teria sido arremessado até o outro lado da colina pela força que a garota tinha aplicado.

- SANTO POSEIDON! NÃO SE PODE DEIXAR VOCÊ SOZINHA POR UM MINUTO QUE ACABA CAINDO DE ÁRVORES E ESPIONANDO PESSOAS, BIANCA! — Amy a levantou do chão pela gola da blusa, visivelmente preocupada e furiosa. — Queria se matar? Você não está em condições de fazer coisas desse tipo. — então resmungou, prendendo um sorriso que se formava no canto da boca — Foi totalmente legal, mas ainda estou brava. Vai ter que me ensinar a subir em árvores desse jeito.

- Impossível. Você provavelmente se jogaria lá de cima ou começaria a comer a madeira. — Bianca disse, e foi atingida por um soco leve no ombro, que ainda a fez cambalear. Amy gargalhou por um bom tempo, até que a atenção se voltou para Quiron. Todos esperavam uma desculpa na qual não iriam acreditar, mas ao menos, alguma coisa para acalmar os que passavam a ligar a profecia às luzes e à crise de Bianca. Era muito para uma noite, e o centauro sabia como mentir.

- Sei que estão esperando uma resposta para isso, – Quiron começou – o problema é que não a tenho. O pouco que sabia está claro para todos agora, que Bianca é parte de algo grande. Ela é essencial, e será como a navegadora em um plano muito maior. – ele apontou para a garota suja e machucada. A ideia de Bianca sendo essencial quase fez o acampamento inteiro rir, principalmente devido à sua aparência, que não estava em seus melhores dias. Depois disso, Quiron andou pelo aglomerado de semideuses e parou, com um olhar triste, na frente de Cassie. – Conseguiu. Finalmente é sua. Está feliz agora?

E, com essa frase acalentadora e um suspiro, ele deixou o lugar e centenas de campistas confusos para trás.

Todos se contentaram em voltar para seus chalés. Estavam cansados demais, perplexos demais para sequer interrogar Cassie sobre as palavras de Quiron.

Todos, exceto por seis campistas que rodeavam a garota no caminho para os dormitórios.

- O que significa....

- Mas por que Quiron disse...

- Você parecia saber de alguma coisa...

- Será que...

- ... ver como uma ameaça a...

- Ah, vocês querem por favor calar a boca? — Amy disse, visivelmente revoltada. Por um segundo, Bianca pareceu perceber seriedade na menina. Ela parecia prestes a recitar um discurso sobre trabalho em equipe, lealdade e confiança. Invés disso, ela disse — Eu estou tentando comer, e vocês estão me atrapalhando.

- VOCÊ ESTÁ SEMPRE TENTANDO COMER, AMY! — Bianca, Cash, Percy, Annabeth e Cassie disseram, em uníssono. Amy resmungou algo sobre sua natureza ser daquele jeito e sobre deixá-la em paz. Nico prendeu um risinho.

- De certa forma, agradeço, Amy. Sei que está tudo muito confuso, mas peço que me deixem explicar.

- Seja bem objetiva. – Percy disse a Cassie. Ela respirou fundo, então começou.

- Quando ainda vivia com minha mãe, Zeus procurou por ela uma vez. Eu estava escondida em um armário, pretendia fazer uma surpresa a ela, quando o vi entrar. Ele disse que seria preciso que eu recebesse treinamento adequado desde pequena. Disse que seria difícil ser filha do outro lado do Grande Zeus naqueles tempos, principalmente em San Francisco, onde morávamos. Disse que, se eu viesse para cá, iria me assumir e cuidaria para que eu nunca soubesse do outro Zeus Minha mãe era uma mortal diferente, ela podia enxergar através da névoa que esconde os seres que viviam por lá. Ela sabia dos riscos, mas mesmo assim, não abriu mão de me ter por perto. Ela me treinou, me preparou para o mundo desde pequena. Minha espada, — ela apontou para um colar – foi um presente de minha mãe. Ela disse para usá-la sem mais perguntas. Agora eu sei, ela veio do próprio Zeus. Eu sabia que existiam forças alem da compreensão humana, sabia que não podia dizer não a ela. Entao eu treinei. Frequentei academias, colégios militares femininos, mas sempre era expulsa por conta dos... acontecimentos estranhos. Pode parecer impossível, mas eu vivi bem, me defendendo e defendendo minha mãe até os quinze anos. Foi quando nossa casa foi atacada.

"Eram mais monstros do que eu podia lidar, então fiz a coisa mais racional que me veio à mente: eu saí de lá. Talvez, se eu fosse embora, os monstros deixariam minha mãe em paz. Não deu certo. Ela estava lá dentro quando toda a nossa casa explodiu.

"Depois disso, vaguei sozinha em direção ao acampamento. Eu via uma pessoa em meus sonhos, um homem que me dizia para onde deveria seguir. Ele me disse que eu estava destinada a sair e lutar por uma causa. Me mostrou coisas horríveis que aconteceriam se falhasse. Me mostrou pessoas, disse que precisaria delas. Disse que encontraria alguém que me guiaria para o lugar certo. Para a minha casa. Era meu pai.

"Alguns dias depois, Nico saiu de uma sombra e me trouxe para o acampamento, então treinei mais e mais. Tenho esperado por uma missão há muito tempo, e dessa vez sinto que veio para mim. Sinto muito por não poder explicar tudo. Tudo o que sei está nessa profecia, e tenho um palpite sobre para onde ela vai me levar.

- Espera... "me" levar? — Cash disse, reunindo sua pouca coragem, que, Bianca percebeu, parecia estar tentando fugir pelas pontas de seus cabelos ruivos.

- Idiota. – Amy deu um tapinha na nuca de Cassie e abriu um sorriso largo para todos, pondo um dos braços nos ombros dela. – Achou que nos deixaria de fora da festa?

- É perigoso, Amy. Arriscado, provavelmente vai acabar em morte. Veja só a profecia. – Annabeth, que até agora escutava tudo atentamente, disse a ela.

- Arriscado é o meu nome do meio. São seis, não é? Cassie, comigo nós já somos duas. E vocês, vêm ou não?

Agora Bianca tinha a confirmação. Amy era totalmente louca, não tinha noção de perigo, e encarava missões, desafios e uma provável morte iminente como um bom exercício. Mas também era uma das pessoas mais bravas que já havia conhecido.

- Eu estou dentro, – Bianca sorriu, e pouco a pouco, os sete semideuses reuniram coragem e foram até a Casa Grande.

Precisavam de uma reunião com Quiron.

Notas finais
Enfim, espero que tenham gostado, recomendem a fic! minha auto-estima vai lá no Olimpo quando recebo recomendações ou reviews e Luiza, desculpe pelo Senhor Bigodes D: nao me mate! kkk Estarei escrevendo mais pra voces :D
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.