Notas iniciais
Mais um cap

Emily sentia que seus olhos conspiravam contra ela, minutos atrás uma líder de torcida tinha se transformado em um monstro e se não fosse por sua irmã ela teria sido devorada, o problema era que só ela e Dj estavam surpresas. Andavam rapidamente pelos corredores da escola, Dj não largava o braço de Emily, como se ela ainda fosse uma criança que correria direto para o perigo.

Percy e Grover pareciam atentos a qualquer movimento, como diria... Suspeito.

–Sente mais algum?- Percy perguntou para o garoto que farejava o ar.

–Sim, mas é difícil dizer, o cheiro de vocês juntos está muito forte- Ele da uma farejada de segurança ao virar no corredor.

Eram tantas dúvidas rodando a cabeça da garota que sua vontade era gritar por explicações, como, o que era a líder de torcida? Onde sua irmã tinha arranjado uma espada? Mas uma pergunta Emily não conseguiu deixar para depois.

–Esperem! Porque ela quase tentou me matar?- Ela puxa seu braço das mãos de Dj.

–Emily não tem tempo — A irmã a segura novamente.

–Não! Eu quero saber!

–Vamos explicar no caminho- Percy diz suavemente- Mas agora precisamos ir...

–Não podemos- Emily não sabia o motivo por ter dito isso, ela só sabia que tinha que esperar por alguém, havia uma voz dentro de sua cabeça que a mandava esperar.

–Nós temos que ir Emily- Grover emitiu um grunhido estranho- Percy, estão se aproximando.

–Eu prometo que te explico tudo no caminho, mas agora temos que ir.

–Não podemos!

–Emily!- Dj tentava convence-la, porém a voz em sua cabeça era mais forte, Emily só queria a obedecer. -Temos que esperar a garota.

–Que garota?- Grover mastigava as mangas de sua blusa.

–Essa garota.

A menina corria como se sua vida dependesse disso, os cabelos cacheados grudavam no rosto com o suor e sua pele branca aparentava estar mais pálida que o normal. -Corram! Ele está vindo!

Todos seguiram a garota dos cachos castanhos, a pele dela era clara.

A essa altura já estavam todos fora da escola.

Percy lembrou-se de algo que poderia ajuda-los, alcançou a menina ficando na frente de todos, puxando-a pelo braço até uma esquina vazia sendo seguido por todos.

– Stêthi. Ô hárma diabolês! – ele gritou em grego antigo. O estranho de tudo foi que Elena, Emily e Donna Jo conseguiram entender o que o dono dos olhos verdes dizia: Pare Carruagem da Danação!

Ele soltou uma moeda dourada e ela foi absorvida pelo chão. Logo depois um carro todo preto parecendo que tinha tiras das sombras pendendo de si apareceu. Três velhas o dirigiam.

– Entrem no carro — Percy disse e todos obedeceram.

Ao entrar no carro, as três velhas começaram a dirigir e discutir.

– Vespa! É minha vez de ter o olho! – gritou a que ficava no meio das três.

– Não Tempestade, é meu o olho hoje! – berrou a da direita, devia ser Vespa.

– Nada disso é meu o olho hoje! – berrou a que estava dirigindo.

– Ira! Deixe este olho comigo entendeu? – disse Tempestade.

–Eu estou dirigindo, suas idiotas! O olho deve ficar comigo! – Ao dizer, Ira pegou o olho da mão de Vespa e o colocou.

Grover ficou atrás do bando do motorista, ao seu lado ficou Emily que parecia estar prestes a vomitar, Donna, a menina de cabelos cacheados e Percy.

– Elas estão indo muito rápido... – Disse Donna – Alias como você se chama? – Perguntou olhando a garota desconhecida.

– Elena Martinez, eu estava na sua turma Emily... – Elena, disse olhando para a menina.

– Do que você estava correndo? – Percy perguntou observando o caminho pela janela.

–Eu não sei, parecia ser um minotauro – Ela encarou Percy esperando algum deboche, essas coisas pareciam ser ridículas.

– Pensei ter matado ele alguns dias atrás... – Sussurrou.

–Claro, agora a mitologia esta saindo dos livros de história e vindo para a realidade?- Perguntou DJ, ainda sem acreditar nas coisas que via, principalmente naquelas três doidas que dirigiam o taxi.

Por um longo tempo ninguém falou nada a não ser as três mulheres que não paravam de brigar, o mais estranho era que elas brigavam por um olho, nojento, gosmento e sinistro.

DJ conseguia segurar seus gritos quando o táxi passava raspando em arvores ou fazia manobras impossíveis, no entanto Elena e Emily por pouco não esperneavam.

–Para onde vocês estão nos levando?- Emily perguntou tremendo.

–Para um lugar seguro- Grover respondeu grudado no banco.

Um lugar seguro, para DJ era difícil acreditar em tais palavras, nunca houve um lugar realmente seguro, se ela ou a irmã estivessem lá, algo daria errado. Dj não queria ser mal agradecida, mas que lugar seguro ficava no meio do nada? Sempre que pensava em algo seguro imaginava murros enormes, homens armados e alguns canhões prontos para disparar, nunca se quer passou em sua mente um lugar aberto e vazio.

–Chegamos crianças- Ira virou olhando para o banco de trás.

DJ, Emily e Elena saíram em um pulo, quase caindo de cara na terra.

– Ela só tinham um olho?!

Quase não deu para ouvir a pergunta de uma das meninas, pois um urro cortou o vento atravessando as arvores, parecia um animal selvagem ou pior...

–Ele esta nos seguindo- Elena sussurrou.

O animal surgiu de trás das folhas, era alto, muito alto, com tantos músculos que parecia um lutador de MMA, parecia estar com uma manta enrolada pelo corpo, mas ao se aproximar perceberam que sua pele era coberta de pelos.

–Grover, leve-as para o acampamento, eu vou tentar ganhar tempo- Percy segurava sua espada novamente.

–Tome cuidado Percy. – Pediu Grover.

Percy chamou a atenção do monstro pra si, mas o mesmo não estava interessado nele, correu em direção a Emily que corria mais lentamente comparando com os outros.

O minotauro corria, Percy vinha logo atrás dele, mas não iria alcança-lo a tempo de impedir que acertasse Emily. Elena vendo a situação empurra a garota para o que parecia um portal, fazendo-a sair rolando colina abaixo, não conseguindo se salvar, a menina dos cabelos encaracolados é atingida por um murro do monstro ficando desacordada.

– ELENA! – Grover gritou, voltando alguns passos e pegando a garota no colo. – Ai meu santo Pã, o que eu vou fazer?

Grover saiu desengonçado carregando a menina até o Pinheiro de Thália, onde estava Donna junto com a irmã caçula que agora estava cheia de arranhões. Percy desviou de alguns golpes e contra-atacou com outros, mas não conseguiu mata-lo.

– Percy venha! –Gritou Dj.

Percy percebeu o tom de preocupação em sua voz, não sabia o porquê, mas sentia um enorme carinho por ela, Annabeth não podia saber disso, não iria ficar muito feliz. Percy sorriu com esse pensamento, fazia tanto tempo que não via a namorada, estava feliz por voltar ao acampamento meio-sangue.

O garoto voltou do transe assim que ouviu outro urro do monstro, saiu correndo em direção ao pinheiro, assim que passou pelos limites ouviu o barulho do minotauro batendo na defesa invisível do acampamento.

–Bem-vindas ao Acampamento Meio-Sangue! –Percy disse.

–Percy! Precisamos de um filho de Apolo- Grover falou, Elena em seus braços respirava com dificuldade, mas seus olhos se abriam com muita dificuldade.

–Eu vou ficar bem, é impressão minha ou tudo esta girando?

–Vamos — Grover não deixou a menina tocar o chão.

–Ai! Não encosta- Todos se voltaram para as irmãs, olhando para Emily ela estava coberta de sangue, mas as feridas pareciam superficiais, nada sério comparados ao estado de Elena. Emily se levantou e começou a andar com os outros.

Uma casa enorme surgiu na frente do grupo, ela tinha uma varanda incrível, olhando para os lados, todos podiam concordar que todo o lugar era incrível, porém eles não tinham tempo para ficar fantasiando.

–Quíron!- Grover entrou na sala gritando o nome de alguém. Um homem, bom... metade de um homem apareceu.

–Você é um centauro?- DJ se surpreendeu.

–Sim- O centauro sorriu e respondeu tranquilamente.

–Quíron- Grover mostrou a garota que desmaiará por uma segunda vez.

–Vamos para a enfermaria.

Eles correram até lá. DJ, não conseguiu parar de encarar o centauro, tudo estava ficando cada vez mais confuso, entretanto, ela sentia estar no lugar certo e parecia mais perto de descobrir quem ela verdadeiramente era. Na enfermaria um garoto loiro os esperavam, ele parecia tão jovem, mas tinha tanta certeza de seus movimentos que transmitia confiança.

–Ele vai cuidar das duas- Percy queria se encontrar com Annabeth, mas precisava mostrar o acampamento para DJ, ele sabia o quanto era importante- Eu vou mostrar o acampamento.

Donna estava ansiosa, no caminho até a enfermaria ficou curiosa, vira vários chalés diferentes um do outro, alguns campistas de blusa laranja e um refeitório grande, com certeza seria a parte favorita de Dj.

Percy explicou que os meio-sangues vivem em chalés de seus respectivos pais, e aqueles que não foram reclamados ainda vivem no chalé de Hermes, que como deus dos viajantes aceita a todos, disse também que todos fazem suas refeições no pavilhão de jantar enquanto passavam pelo campo de tiro com arco, seguiram depois para a arena de luta de espadas, uma parede de escalada com lava para o treinamento, um anfiteatro, estábulos, um arsenal, riacho, campos de morangos e o lago. Percy guiou Dj por todo o acampamento. Menos por uma parte.

–E os chalés?

–Depois do jantar, eu te mostro os chalés. –Percy disse sentando-se na beira do lago assim que terminou a frase.

–Certo você é filho de quem mesmo?

–Poseidon. O Deus do mar.

–Interessante você conviveu com seu pai?

–Não... Os deuses não podem interferir na vida de seus filhos mortais...

–Faz sentido... Minha mãe nunca falou muito sobre o meu só dizia que eu sou muito parecida com ele. Inclusive no jeito e a mania de não seguir regras.

Ambos riram.

–Não somos tão diferentes então. –Comentou Percy observando a menina-Minha mãe sempre falou bem de meu pai, dizendo que um dia eu chegaria a conhecê-lo. Você tem alguma ideia de quem seja filha?

–Bom, não sou boa em socializar, não tenho dons artísticos, não construo nada que sirva para algo, odeio festas, não sou autoritária, nem agressiva, não curto muito o escuro e, bom, gosto de mar, mas se for para ser filha de algum deus acho que eu seria de Hipnos -A menina riu, sendo seguida por Percy, sentou ao lado dele dedilhando a água, que ao receber o toque ganhava um leve brilho azul, fazendo-a parar rapidamente. – Você deve ser bem popular aqui, quando chegamos todos cumprimentaram você.

–É, acho que sou sim, participei de duas guerras, todos os deuses conspiram contra mim e estou vivo – Percy riu lembrando-se de tudo o que passou desde o dia em que descobriu ser um semideus. – No meu primeiro dia como semideus também enfrentei um minotauro, consegui vencê-lo sozinho.

– Isso foi uma indireta? Você parecia ser mais humilde de boca fechada. Odeio pessoas exibidas — Donna Jo perguntou irritada. Seus olhos ficaram escuros, como se o mar estivesse se revoltando.

– Não, claro que não, não foi essa a minha intenção Don... –Percy é interrompido.

– Olha, enquanto você e aquele menino bode não apareceram na minha vida estava tudo bem.

– Donna Jo, você não entendeu, não quis ofende-la!

– Não foi o que pareceu! Só porque venceu duas guerras, e no seu primeiro dia conseguiu vencer um minotauro sozinho, não quer dizer que seja o melhor. Se não fosse por sua causa, Emily não estaria machucada agora. Estaríamos em casa, seguras! E meu Deus, minha mãe deve estar louca de preocupação. Tudo culpa sua. Que raiva, Perseus Jackson. Por que teve que aparecer na minha vida?

– Se você esta de TPM não desconte em mim ok? Não tenho culpa de você ter nascido semideusa. Ninguém escolhe por isso. Acha que adoro o fato de sempre estar em batalhas?

– Fez de novo.

– FIZ O QUE?

– FICA SE EXIBINDO. – Rebate Dj.

– Não estou me exibindo, você que es... Ei, volte aqui, estou falando com você. – Percy diz saindo atrás da garota que começou a correr em direção ao pavilhão. – Eu entendo que esteja irritada por causa de tudo que esta acontecendo, mas não precisa agir assim.

O som que avisava o horário de jantar acabava de tocar. Todos os semideuses já esperavam no pavilhão. Os gritos de Donna Jo e Percy eram ouvidos por todo o acampamento.

Emily e Elena estavam na mesa do chalé de Hermes. Elena tinha um curativo na cabeça, enquanto a mais nova possuía alguns band-aids pelo corpo.

– Eu até agora não entendi porque estamos discutindo. –Disse Percy entrando no pavilhão.

–Claro que não, é mais lerdo que uma porta. – Responde Dj, empurrando o garoto para o lado dando-lhe espaço para passar. – Eu preferia ser esmagada por um minotauro a passar mais algum tempo com você, Perseus.

– Eu só fiz um comentário!

Todos no pavilhão param de conversar e observam a briga. Alguns faziam comentários rápidos. O chalé de Afrodite soltavam murmurinhos que eles dariam um ótimo casal. O chalé de Hermes apostava em quem ganharia.

– Quem você pensa que é para agir assim comigo? – Percy agora sério segurou o braço da menina fazendo-a virar para ele, deixando-os com os rostos bem próximos. – Pare!

– E quem você pensa que é para falar comigo nesse tom, Sr. Eu Venci Duas Guerras? – Dj pergunta se soltando e afastando-se.

Nesse momento, todos os murmúrios somem, o local fica em um silencio mortal. Os campistas se ajoelham em uma reverencia menos Percy, enquanto uma luz esverdeada invadiu o lugar, encaravam o símbolo encima de DJ.

– Seu irmão mais velho. – Ele aponta para cima

Donna olha para onde o garoto apontou e consegue ver o tridente, símbolo do deus do mar em sua cabeça quase desaparecendo.

Notas finais
O que acharam? Por favor, comentem.