Notas iniciais
Olá meu povo e minha lula! **le piadinha sem graça que você provavelmente não entendeu**. Curtam muito a Dona Riponga, eu adoro essa velha kkk.

A Dona Riponga era uma velhinha meio tonta que nunca se lembrava das coisas. Ela tinha uma dificuldade imensa para se lembrar até mesmo do que comeu no almoço.

_Gente, será que eu comi alface? Ou couve? Ah, tudo bem, é tudo a mesma coisa. É tudo verdura!

Mas o pior mesmo era o nome das pessoas. Ela nunca se lembrava do nome de ninguém. Ela não se lembrava nem do nome da sua pobre mãe. Na verdade às vezes ela se esquecia até mesmo do próprio nome e algum desafortunado tinha que orientar a cidadã e dizer-lhe qual era o nome dela.

_Suzana? Raimunda? Cleuza? Qual é o meu nome mesmo?

Um dia a nossa querida Dona Riponga foi a uma loja de CDs. Ela chegou lá, toda pimpona e saltitante com o seu simpático sorriso estampado na cara amassada:

_Ah, homenzinho do CD, você por aqui? – disse a Dona Riponga, alegre ao ver o funcionário da loja.

_Eu trabalho aqui, senhora – disse ele, com frieza.

_Eu quero saber, meu jovem, se você tem aquele CD do... Da... De... Ah, você sabe!

_Como eu vou saber? Qual o cantor, senhora?

_Eu acho que ele é negro, mas não tenho certeza!

_Brasileiro? Americano? Espanhol?

_Eu não sei... Eu esqueci! Eu acho que ele canta em japonês... Não, não! Eu já sei, ele canta em italiano! Não, não é isso também não...

_Senhora, você está zombando da minha cara, é isso? Eu tenho cara de palhaço?

_Não, meu jovem! Você não tem cara de palhaço! Na verdade você se parece mais com uma galinha saindo da piscina em câmera lenta, ninguém nunca te disse isso?

Pobre Dona Riponga... Ela estava ofendendo o pobre do homenzinho do CD e nem mesmo havia se dado conta disso, imaginando que ele tivesse gostado do “elogio”. Claro que ele queria dar um soco na cara daquela mulher, mas não poderia perder as estribeiras, caso contrário iria perder o emprego.

_Tudo bem, eu sou uma galinha... – disse ele, tentando não contrariar a velha esclerosada – Agora me diga, qual o estilo musical desse cantor?

_Rap! Isso, é rap!

_Rap?

_É isso aí! Rap não é aquele treco em que o cara fala tão rápido que a gente não entende porcaria nenhuma do que ele diz? É, eu acho que é isso aí mesmo!

_Mais ou menos... – disse o homenzinho do CD.

_Ah não! – disse a mulher, irritada consigo mesma, enquanto batia na própria testa – Que cabeça a minha! Não é rap! É jazz!

_Jazz? Você é uma pessoa bem culta, digamos.

_Eu? Curta? – disse ela, enfurecida – Eu sou mais alta do que muita gente por aí, meu filho! Você também não é nenhuma girafa, falou?

_Culta! Eu disse culta, senhora! Muito bem, me diga quem é esse cantor de jazz, então.

_Que jazz, meu filho! Quem te disse que o disco que eu quero é de jazz?

O homenzinho do CD apenas soltou um leve suspiro de insatisfação e disse:

_Você mesma falou isso... Você não se lembra?

_Vixi, o homenzinho do CD está tendo delírios! Ele está ouvindo coisas, só pode ser! Como pode, eu nunca disse isso! Toma um remedinho que sara, meu filho!

_Tudo bem... – disse ele, já impaciente – Qual o estilo musical, então?

_Rock n’ Roll, baby! Oh yeah! One, two, three, let’s jam!

_Rock? Mas que tipo de rock? Rock alternativo, rock psicodélico, rock progressivo? Heavy Metal? Grunge?

A cabecinha mísera da Dona Riponga já havia se embaralhado toda àquela altura. A senhorinha nunca tinha ouvido tantos nomes estranhos na sua vida. Ela com certeza não fazia ideia do quanto o rock podia ser complicado.

_Uia, o homenzinho do CD está falando a língua dos ETs? Recitando algum cântico numa língua extinta? Falando mal de mim em tailandês? Ah, eu já sei, você está falando latinha!

_Latinha? – indagou o homenzinho do CD.

_É aquela língua doida lá que o padre fala na missa e ninguém tem a mínima ideia do que o danado tá falando!

_Latim, senhora. Latim! – disse o pobre sujeito, já quase se mordendo de tanta raiva – E se for pra você continuar me enrolando com esse seu papo de doido, eu vou pedir que você se retire!

_Não faça isso, eu já me lembrei do estilo musical!

_E qual é?

_MPB!

_Você tem certeza?

_Não, eu acho que é música gospel... Blues, isso, blues! Não, nada disso... Funk, é isso aí, Funk, cara!

_Então você gosta de Funk, senhora?

_Funk? Você está maluco? Eu por acaso tenho cara de quem gosta de Funk? – disse a Dona Riponga, fuzilando o homenzinho com o seu pior olhar de reprovação.

_Eu não sei... – disse o homenzinho, dando de ombros – Mas Funk é um estilo que eu até gosto...

_Que mau gosto, meu jovem!

_Muita gente já me disse isso...

_E eles estão certos! – disse a velha, dando uma gargalhada escandalosamente doentia, que chamou a atenção de todos os funcionários e clientes da loja. O homenzinho do CD já estava mais constrangido do que cachorro que fez cocô no lugar errado.

_E aí, senhora... – disse o pobre cara do CD – Quem é o cantor então?

_Eu acho que é... Hum... O que você me perguntou mesmo?

O homenzinho do CD já não aguentava mais...

_Qual o nome do cantor? – disse ele, quase gritando.

_Que cantor?

_Você não veio aqui pra comprar o raio do CD de um cantor que eu não sei quem é e agora vem me perguntar que cantor? Você que tem que saber, sua velha #$%@$#@$@$#@%#! – ele realmente perdeu a paciência desta vez.

_Mas que palavreado mais feio, meu filho... A tua mãe não te deu educação não? – a Dona Riponga parecia indignada – Ok, ok, ok... Não se preocupe! Agora eu já me lembrei! Eu já sei por que eu não me lembrava do nome do cantor, que cabeça a minha!

_Por quê? – disse o homenzinho do CD, quase mordendo a velhinha de raiva.

_Eu não vim aqui pra comprar CD nenhum, como eu pude me esquecer? Eu só vim aqui pra perguntar se vocês tinham um banheiro! Você sabe como é... Nós, velhas, sentimos vontade de fazer xixi o tempo todo... Ah, mas não se preocupe, não precisa mais... Eu acho que já fiz nas calçolas quando dei aquela gargalhada maligna uns minutos atrás... Mas de qualquer forma tenha um bom dia, meu jovem, você é um amor! – disse a velha, dando um beijo na bochecha do homenzinho enfurecido.

Ela, então, saiu da loja enquanto cantarolava uma cantiga de roda, feliz da vida.

O dono da loja de CDs apenas chegou perto do funcionário e disse:

_Você está despedido por ter ofendido uma cliente!

_Não se preocupe, senhor! – gritou o homenzinho do CD, jogando o próprio boné com o logotipo da loja no chão – EU ME DEMITO!

E saiu da loja P. da vida, jurando que da próxima vez que encontrasse aquela velha, com certeza ia fazer cozido dela.

Notas finais
The best velha EVER! Mwhahahahahaha! Comentem, por favor, senão as suas vísceras vão virar cozido LOL --'.
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!