A Descoberta - Olivia e Miguel
1 Depois da Descoberta
Notas iniciais
Não sei se eu estava acreditando, na verdade, eu nem sabia o que pensar. Eu só queria sair dalí, daquele quarto, daquela casa, daquelas mentiras. E foi isso que eu fiz sai dos braços de minha mãe e corri desabalada pela fazenda. Não dava pra saber pra onde eu tava indo, na minha cabeça a voz de mainha ecoava: "Santo é teu pai! É o homem que escolhi pra te criá! O ôtro... aquele maldito! É só um bicho!”. E pelos meus olhos se passavam as cenas que eu vivi com meu pai. “Meu pai. Meu pai. Meu pai.” — Eu repetia sem parar, alem dos soluços de minha garganta era a única coisa que eu escutava na minha voz.
Não sabendo aonde eu tava, só parei de correr quando esbarrei com toda força em algo. Senti o choque do esbarrão me jogar pra trás, antes de pensar que ia cair senti algo me segurar e me trazer ao equilíbrio. Não só ao equilíbrio, mas a um abraço, a um aperto. Tão reconfortante, tão acolhedor que senti protegida de tudo, do mundo inteiro. Foi então que senti o cheiro. Era o cheiro dele, era os braços dele, era o abraço dele. Onde eu mais queria está naquele momento. Por isso me agarrei ainda mais ao seu corpo, enquanto ainda soluçava e escutava sua voz e dizendo que tudo ia ficar bem.
A voz dele sussurrava em meu ouvido. A única voz capaz de me acalmar no mundo. A voz do meu irmão. Doeu novamente, como sempre fazia quando eu pensava em Miguel. A palavra irmão nunca se encaixaria nos meus sentimentos por ele. E foi então que me dei conta...
Miguel me abraçava com toda força, enquanto afagava os meus cabelos carinhosamente. Que contraste! Mas ele era assim. E sabia ser assim como ninguém mais. Era aquilo que eu amava nele, a força e a leveza. O leão e o cordeiro no mesmo corpo. Senti meu coração aliviar por um instante, forcei-me a olhá-lo. Ele tinha lágrimas nos olhos, ao mesmo que estes estavam confusos, me perguntava nitidamente o que havia. Eu emergi naquele castanho escuro e me aproximei ainda mais. Sua boca. Nada, absolutamente, nada mais me impedia de alcançar o meu desejo que era latente desde que o vi falar pela primeira vez. E ignorando, as perguntas e o quase desespero em seus olhos eu selei nossas bocas. Sim, eu o beijei, e nesse momento meu coração pareceu parar.
Não sei quanto tempo já tinha se passado horas, minutos ou apenas segundos, mas quando atinei o que fazia, meu primeiro pensamento foi que ele ia me empurra. Mas não, Miguel me trazia pra mais junto dele se é que isso era possível. Me beijava com fervor e loucura e ao perceber que o desejo dele era tão inquietante quanto o meu, não pensei mais em nada e me deixei levar por aquela onde de sensações que eu nunca, em toda minha vida, havia sequer pensado que existia.
As perguntas e as respostas que viriam deixei pra depois. No momento só me concentrei no amor que eu sentia por aquele homem que agora eu podia amar livremente.
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