A Deep Regret Z.M.
8 Capítulo 8 - Crenças.
Crenças (s. f.): ato de crer; confiança; opinião dotada com fé e convicção.
Layna
Libertava uma forte sensação de melancolia. Após cumprimentar a minha avó fechei-me no quarto para que não me sentisse incomodada. Pousei a mochila por cima da secretária e caminhei até à casa de banho para tomar um bom duche e me refrescar ou tentar afastar as imagens contraditórios de hoje.
O meu corpo sentia-se extremamente cansado, não de ter feito um esforço enorme mas debilmente cansado.
Abri os meus livros, que ainda cheiravam a novo, para terminar o que a professora tinha começado na aula e para estudar um pouco.
***
O meu corpo movimentava-se com os ligeiros abanos do autocarro, era noite cerrada e por isso não via qualquer coisa viva na rua. A minha avó já dormia quando a deixei em casa e os trabalhos já estavam completamente feitos. Olhava a linhas perfeitas que as letras desenhavam no livro que requisitara na biblioteca mas não era a história maravilhosa que ele contava que imaginava mas uma outra pessoa, uma outra voz e umas outras falas, falas que se dirigiam a mim, falas que falavam de mim, mas bem de mim da pessoa que mais mal me fala.
Algo sussurrou ao meu ouvido, eu sabia que não tinha sido ninguém, eu sabia que o ouvia através da música e que já imaginava mais dele do que queria. Porque queria eu tanto ouvir a voz de Zayn a esta hora? Porque sorria eu tanto com a mão invisível de Zayn a tocar a minha pele rosada?
A voz dele desaparecera completamente quando a minha paragem chegou. Tinha dificuldade em ver através da escuridão que a noite adorava vestir mas o caminho parecia-me tão familiar, talvez por o traçar tantas vezes.
A pedra batia tão friamente na minha mão mas que me parecia tão viva, tão cheia de si e tão cheia de quem lhe jazia.
Autumn Christine Anderson,
mãe, filha e amiga.
Beijei a pedra como se beijasse a pele quente da minha mãe.
Coloquei as minhas costas sobre a pedra fria e o meu corpo sobre a terra molhada.
— Ajuda-me... — Pedi. — Penso em quem não devo e deixo-me levar por quem temo. Não sei o que fazer... Consegues ajudar-me? — Ri com a ridícula figura que estava a representar. Como poderia eu acreditar que uma estúpida pedra me iria ajudar?
Deitei a minha cabeça sobre a mármore cinza e fechei os meus olhos após suspirar. Sentia-me em casa, sentia-me segura, calma e como se estivesse sentada mesmo do seu lado.
— Conheci um rapaz e conheci o Zayn. — Disse para mim mesma como se falasse com alguém. — É tão estranho como nunca te conheci mas sinto que és a minha melhor amiga. Talvez por estar a falar comigo mesma ou por não ter nenhum. — Sorri e levantei-me abandonando a lápide da minha mãe, furiosa comigo por acreditar que ela algum dia me ouviria.
Vagueei pelas ruelas apertadas das ruas da cidade perto do cemitério onde dormia a minha mãe.
Sabia que tinha que voltar para casa mas não o queria, não agora, não tão cedo ou talvez nunca.
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