A Deep Regret Z.M.

2 Capítulo 2 - Amor.


Amor (nome): sentimento que induz a aproximar, a proteger ou a conservar a pessoa pela qual se sente afeição ou atração; grande afeição ou afinidade forte por outra pessoa.

Layna

— A minha mãe morreu nesse dia, nunca a cheguei a conhecer e hoje faz 17 anos desde que isso aconteceu. — Olhei para a minha professora que tinha lágrimas a formarem-se no olho e pedi para ela me deixar sentar, ela consentiu.

A aula terminou assim que Juliet finalizou a história da vida do seu cão Pushi. Arrumei as minhas coisas na mochila e dirigi-me à porta quando todos já tinham saído, não quero ir contra ninguém e já apanhei esse vício desde que me lembro.
— Layna? — Chamou fazendo sinal para me sentar numa das cadeiras à sua frente. — Layna. Querida... — ela bloqueou, mas eu sei do que ela quer falar.
— Não, eu não preciso de nenhum psicólogo. Eu estou bem e aprendi a viver com isso aliás eu não a conheci por isso... — Levantei-me apressadamente e corri para a casa de banho mais próxima, certifiquei-me que não havia ninguém para me incomodar e a última porta foi a que me serviu e servia desde que sofro de bullying na escola... Debrucei-me sobre a sanita e coloquei dois dedos dentro da minha boca, aprofundei os dedos até sentir uma indisposição na barriga, induzi o vómito.

Limpei a boca, bebi um pouco de água e encostei-me à parede, bati nela apenas duas vezes.
— Por que é que me abandonaste? Porquê? — Sussurrei, olhei para o meu pulso e acariciei as marcas que tenho. Tirei uma pastilha elástica da parte mais pequena da minha mochila e coloquei os fones sobre os ouvidos Lost & Found* soava através deles. Cantarolava baixinho quando vi Zayn passar por mim e colocar a sua mão sobre os meus livros e puxar para que os mesmos caíssem, olhei para ele assim que os livros tombaram no chão e mostrava-se orgulhoso do que acabou de fazer e os seus amigos riam-se com ele.

Apanhei os livros e corri rapidamente para a sala de aula onde vou ter Literatura.

A professora falou sobre livros, Dough mencionou Onze minutos* de Paulo Coelho* e explicou a história do mesmo mas eu não a ouvi pois distrai-me com o desenho que estou a fazer.
— Então se essa história fala sobre prostituição, fala sobre a vida da Layna. — A turma toda ri e eu olho para Andrew que se ri de mim enquanto me olha de lado.
Suspirei e ignorei como sempre fiz.
— Sarah podes, por favor, buscar umas folhas à papelaria assinada pelo meu nome? — Sarah é a delegada de turma. Ela é ruiva e tem cabelos encaracolados que quase lhe chegam à cintura.
Ela chegou rapidamente com as folhas.
— Vamos fazer uma avaliação. — Ouve-se um som de desagrado por parte da maioria da turma.
Nunca fui má aluna, as minhas notas eram quase todas acima de 15.
A professora entregou o enunciado e o silêncio apoderou-se da turma.

Em poucos minutos Abigail acabou e como sempre ela era a primeira a acabar. A maioria acabou quase ao mesmo tempo, fazendo eu parte desse grupo. A professora recolheu os enunciados ao fim dos 5 minutos de aula e quando pegou no último, que era o meu, a campainha soou.

Correu tudo para fora da sala, era a última do dia mas antes que pudessem sair o auscultador do director da escola chiou.
— Esta porcaria não... som? Som? Ah! Já está a dar! — Tossiu para arquear a voz. — Bom dia caros alunos da Middlesbrough High School. Amanhã abrirão as candidaturas para o concurso de talentos da escola. Quem quiser se inscrever deve dirigir-se ao delegado da vossa turma, à directora de turma ou até mim, o vosso director da escola. Obrigado e uma boa continuação de aulas. — A correria nos corredores voltou ao normal.
Senti um pé em frente ao meu e o meu corpo tombar para a frente.

Zayn, o playboy* da minha escola, fez-me uma rasteira.
Zayn andava no Rugby*, o desporto popular da escola fazendo-o assim também popular, as raparigas suspiravam pelo seu calor quando este passava por elas mas eu não o entendia tudo o que exalava de mim perante aquele ser era ódio.

Levantei-me assim que Zayn saiu do colégio, peguei nos meus livros e dirigi-me pelo mesmo caminho que fez ele há momentos.

Notas finais
*Lost & Found: Música do álbum Is your love big enough? de Lianne La Havas. *Onze Minutos: «Era uma vez uma prostituta chamada Maria...» É assim, como um conto de fadas para adultos, que começa este novo romance de Paulo Coelho. Maria, uma mulher oriunda de uma pequena cidade do Brasil, descobre rapidamente o poder que a sua beleza exerce sobre os homens. Desiludida com o amor romântico e desencantada com a paixão, é levada a trabalhar numa boate na Suíça, onde aprende a viver do sexo e a utilizá-lo para satisfazer os outros. Mas à medida que se vai aperfeiçoando e criando o distanciamento necessário entre si e o seu corpo, sente cada vez mais que está a deixar morrer uma parte importante de si. A história de Maria é a história de uma mulher que ousa transgredir e desafiar a estrutura de uma vida banal para descobrir o poder redentor da paixão. O erotismo e a sensibilidade de Onze Minutos constituem uma reflexão profunda sobre a história e a natureza da sexualidade e o papel que desempenha na busca do sagrado. *Paulo Coelho: O escritor brasileiro Paulo Coelho nasceu em 1947, na cidade do Rio de Janeiro. Antes de dedicar-se inteiramente à literatura, trabalhou como director e actor de teatro, compositor e jornalista. *Playboy: Homem, geralmente jovem, rico e extravagante, dado a jogos e a gastos com mulheres bonitas e famosas. *Rugby: É um desporto coletivo Inglês, sendo inicialmente concebido para ser uma variação do futebol. É jogado com os pés e as mãos e cada equipa tem 15 jogadores.