Bella Einar odiava a guerra. Odiava como seus pais negavam pão a quem passava fome, para, no final do mês, terem o que comer. Odiava como o rei e sua corte administravam Batri e guerreavam com Agas fazia dez anos. Odiava como seu reino adoecia e como as semanas de trabalho eram longas. As mãos calejadas não eram privilégios únicos de Bella, todos que tentavam sobreviver as tinham.
A família Einar já estivera em ascensão em um passado não tão distante, mas hoje isso não importava, todos tentavam sobreviver na mesma intensidade. Seus pais e irmãos trabalhavam em uma padaria e Bella ajudava a vender. O que era muito difícil, negar comida para quem não podia pagar era seu maior sacrifício.
Aquele era um dia como todos os outros. Bella acordou, trançou os cabelos, comeu as sobras da noite anterior e foi trabalhar com seus irmãos, Hans e Alec. Chegando perto da padaria, viu dois meninos implicando com um morador de rua.
— Ei, deixem ele em paz!!! — Bella gritou e seus irmãos foram correndo ajudar.
Os meninos fugiram quando viram o tamanho dos irmãos de Bella, um metro e noventa de corpos fortes aterrorizam muitos.
— Você está bem? — Bella virou o menino, era o mais bonito que já tinha visto.
— Sim, obrigado. Desculpa por isso.
— Não foi nada. — Respondeu Alec, ele e Hans foram caminhando trabalhar.
— Passe mais tarde na padaria da vila e te dou os pães que sobrarem. — Bella sussurrou e foi correndo ao encontro dos irmãos.
O dia de trabalho fora tão exaustivo que Bella esquecerá da promessa feita e se assustou quando o menino bateu na janela dos fundos da padaria.
— Ah, oi, esqueci que... você vinha. — e, aparentemente, esquecerá seu nome também. — Como você se chama, mesmo?
— Oi, eu não tinha dito. — Disse sorrindo, dentes perfeitamente brancos, estranho para um morador de rua. — Meu nome é... Milo. — Pronúncias corretas, junto com seu cabelo negro e olhos azuis, Milo era todo surpresas.
— Meu nome é Bella. Já vou aí levar seus pães.
Eles conversaram enquanto Milo devorava a comida. Se identificaram um no outro e concordavam nas mesmas ideias sobre o reino e a guerra.
— Cada ano de guerra corresponde a mais e mais pobreza para o povo, e somente para ele. A corte real não passa o que passamos.
— Mas, Bella, você acha que o príncipe Yrian não se importa com o que acontece? — Perguntou Milo com um tom chateado.
— Claro que não, ele nasceu na corte, vive na corte e não sai dela. Não tem como ele sentir o que sentimos, muito menos pensar alguma solução para essa guerra.
Se despediram e combinaram de se encontrar na semana seguinte para dar sobras para Milo. Bella encontrou nele alguém para confessar tudo que sentia com a crise de Batri, como tinha visto seus amigos passarem fome, seus pais em desespero, vilarejos vizinhos serem destruídos.
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