Notas iniciais
Depois de escutar muiita música folk e da Loreena Mckennitt, me veio a ideia dessa original. É a minha primeira então não sei se ficou boa. Me contem no final xD Dica: Escutem essa música ao lerem. Dá um "tchan" na leitura. ( Beltane Fire Dance) http://www.youtube.com/watch?v=bh3rsLYCtsw

Litha: Marcava o solstício do verão (o dia mais longo do ano). Nesse dia o povo celta e da "antiga religião", comemoravam a época de fartura e celebração que estava por vir. Eles acreditavam que essa Sabá (comemoração) trazia consigo um poder mágico muito grande.

A Dançarina do Solstício

O resplandecente pôr-do-sol estava chegando ao fim no dia mais longo do ano. A clareira, onde todos estavam reunidos, começava a se encher com a cálida luz que provinha da grandiosa fogueira que foi acesa no centro dali. A alegria e a magia daquela noite eram contagiosas.

Gaitas de fole, flautas, alaúdes, tambores e harpas manuseadas com maestria pelos músicos, emitiam as mais belas melodias e todos dançavam entusiasmados em volta da grande fogueira.

A mesa era farta, trazendo a promessa de fertilização e prosperidade para aquele verão. O vinho era doce e saboroso, e eu o saboreava entre conversas e risadas, na companhia dos meus irmãos.

A noite começava a se fazer presente, quando eu a vi.

Parecia que sua presença estava sendo anunciada, pois a música alegre deu lugar a uma melodia lenta e lúbrica, então olhei a roda com atenção.

As mulheres dançavam sorridentes, contudo, aquela criatura misteriosa parecia ofuscá-las, tanto que elas quase me passaram despercebidas. Eu estava hipnotizado.

Lá estava ela. Dançando sozinha mesmo rodeada de pessoas. Parecendo um anjo. Não, não poderia ser um anjo.

Seu vestido contradizia a visão pura que eu tinha de um anjo.

Ela usava um longo vestido de gaze que contrastava sensualmente com suas curvas. Aqueles olhos negros e profundos que por várias vezes eu podia jurar que eram direcionados a mim.

Ela se mexia de acordo com a música, segurando a barra do vestido, subindo-a e deixando-a escorregar lentamente pela pele que brilhava pelo efeito das chamas. Eu não era o único a observa-la com atenção. Os burburinhos cessavam ao poucos e os olhares eram direcionados para a dançarina.

A expressão em seu rosto.. Como descrever? Ela parecia sentir cada nota da melodia e suspirava de satisfação, como faz uma mulher quando chega no limite do prazer. Ela girava e dançava em volta da fogueira, balançando os delicados braços de uma maneira fascinante.

Pela Deusa! Jamais vi uma mulher como aquela.

De repente a música lenta parou e deu lugar a uma melodia alegre e vibrante fazendo a roda se encher novamente. Então ela se afastou. Todavia, antes de sumir, parou por alguns segundos, olhou na minha direção, como num convite silencioso e sem esperar resposta seguiu para o bosque. E eu, evidentemente a segui. Quem era ela, que tinha o poder de fazer meu sangue ferver e me ludibriava? Por que me tenta assim?

Ela dançava de costas para o seu destino, enquanto gesticulava sensualmente com as mãos. Um sorriso matreiro dançava em seus lábios.

Um coelho indo de bom grado para as garras do caçador, era exatamente assim que eu me sentia. Mas eu me importava? Não.

Ela continuava a atrair-me, até que, sabendo ou não que existia uma arvore atrás de si, ela encostou-se ao tronco. Ali ela se acalmou esperando eu me aproximar, como uma corça encurralada.

Agora frente a frente, eu posso vê-la com mais clareza. Uma mulher com uma beleza tão majestosa era surreal. No entanto ela estava ali, aguardando o meu toque.

O perfume que emanava dela, me deixava à beira da insanidade. E finalmente ela esta ao meu alcance, parecia que esse momento nunca chegaria.

Minhas mãos pareciam famintas. Eu a toco nos braços, nas coxas, quase sem nenhum pudor. Aproximo meu nariz do seu fino pescoço, aspirando seu perfume com voracidade.

Tentação. Pecado. Profano. Luxúria.

Aquela criatura que nada tinha de inocente apenas arfava e se deliciava em gargalhadas.

Olhos nos olhos.

Lentamente vou me aproximando daqueles lábios vermelhos como morangos, que me atraiam como um imã. Eu podia sentir o doce ressoar de sua respiração em minha face. Fecho lentamente os olhos e quando vou acabar com a distância que separa nossas bocas, ela desaparece.

Ao abrir os olhos, eu me deparo com um véu de fumaça me rodeando. Ainda pude ouvir o eco de sua gostosa gargalhada.

Minha doce alucinação se foi. A fogosa dançarina se esvaiu como o vento. Assim, como magia.

Será que foi mesmo apenas alucinação? Reza a lenda, que na noite de “Litha” , criaturas mágicas andam pelos campos e florestas. Uma delas poderia ter vindo prestigiar a nossa comemoração e dever ter achado divertido ludibriar um pobre mortal.

Mas para esse mortal não foi só isso. Foi algo divino, algo que ele jamais esqueceria e que ultrapassou os limites das crenças dele.

Daquele dia em diante o Solstício de Verão nunca seria o mesmo. Talvez um dia aquela mulher apareça novamente, e dance pra mim. Pelo menos uma última vez.

Notas finais
E então, o que acharam? Kiss ;33
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!