Gina acordou cedo aquele dia e ainda não havia se recuperado do trauma passado no dia anterior. Ela se sentou na sua cama antiga, notou que o lugar não tinha o mesmo cheiro da época em que ela ali morava. Trocou de roupa e desceu as escadas da casa.

Encontrou Rony escrevendo decidido uma carta. Decidiu ignora-lo. Sentou-se na mesa e mordiscou uma torrada.

– Ah, olá, não te vi — Rony lhe disse ainda focado.

– Olá, você sabe onde está o Harry?

Ele levantou os olhos e pareceu refletir sobre o paradeiro do amigo a primeira vez aquele dia.

– Está dormindo, eu acho.

Gina largou sua torrada meio comida e subiu até o quarto do irmão. Harry estava suando e tremia. Ela prontamente o sacudiu se esforçando para acorda-lo.

– Harry! Harry!

O jovem acordou alarmado e desesperado. Assim que percebeu que era Gina quem o acordava ele a abraçou obviamente aliviado.

– Ei, calma — sussurou ela — o que houve?

– Eu sonhei com ele. Sonhei que ele tinha voltado. Tinha ganhado e dessa vez ele vencia.

Gina não sabia como lidar com todo aquele desespero.

– Precisamos acabar com isso logo! Não aguento mais!

– Vai ficar tudo bem

A ruiva o acariciou. Ontem, depois de serem encurralados quem estava desesperada era ela e agora ela que consolava o namorado. Irônico.

Ela o manteve em seus braços por alguns instantes e depois o deixou para que ele pudesse trocar de roupa. Depois de Harry ter trocado de roupa, ele se sentou na cama de Rony ao lado de Gina.

– Harry, você está melhor? – perguntou Gina.

– É, mas esse pesadelo ainda flutua por minha mente. – disse Harry fechando os olhos – Eu ainda consigo ver seu corpo imóvel no chão, pálido.

– Oh, Harry pare de se torturar... – disse Gina. – Pare de pensar nisso. Não vai te fazer bem.

– Tudo bem. – ele disse, calidamente. – Precisamos saber se ainda tem algum comensal lá fora...

– Sim, mas primeiro coma alguma coisa. – disse Gina, fazendo com que Harry saísse do quarto e descesse a escada.

Entrando na cozinha, viram Rony, que continuava a escrever uma carta. Gina se sentou em uma cadeira e Harry do seu lado. Sra. Weasley estava arrumando os outros cômodos da casa, e sr. Weasley estava junto com ela, ele havia faltado o trabalho hoje a mando de Kingsley, que achou que seria melhor ele ficar em casa por conta do comensal.

– Então, Rony, está escrevendo a carta para a Hermione não é? – perguntou Harry.

– Sim, sim. Eu não sei se estou indo bem... Sabe que não sou muito bom nisso.

Harry pegou uma torrada deu uma mordida, e a pôs de volta a mesa, enquanto pegava um copo de leite, e Gina terminava de comer sua torrada.

– Quer que eu dê uma olhada, Rony? – perguntou Harry.

– Sim, quero sim. – Rony passou a Harry o pergaminho, e Gina se levantou e foi até a janela, enquanto Harry observava o pergaminho.

Gina olhou para o quintal atentamente, tentando ver se encontrava algum comensal por ali. Nada achou, então percorreu seu olhar pelo céu, que estava muito bonito. Estava com nuvens fofinhas, que davam vontade de apertar e o sol não muito forte, o vento batia nas poucas flores espalhadas pelo quintal.

Até que Gina viu, um bruxo encapuzado, na vassoura, pairava sobre o quintal, ele estava bem distante, e não havia notado Gina na janela. Depois de alguns minutos ele pousou, na parte mais distante. Gina estava prestes a chamar Harry quando mais um bruxo encapuzado pousou no mesmo lugar que o anterior.

– Harry. – Gina chamou.

– Sim. – ele respondeu com os olhos no pergaminho.

– Venha aqui. – disse Gina, não querendo transparecer preocupação. Harry se levantou e foi até a janela.

– Está vendo aquela parte mais distante do quintal? – perguntou Gina.

– Sim.

– Acabaram de pousar dois comensais lá.

– Sério?! Precisamos avisar ao sr. e sra. Weasley. Rony avise a seus pais que tem dois comensais lá fora, ou talvez mais.

– Quando é que teremos paz? Não se pode nem mais escrever uma carta que um comensal aparece pra atrapalhar. – resmungou Rony.

Rony, que estava com o pergaminho na mão, subiu a escada e foi atrás de seus pais lhe contar sobre os comensais. Ele estava mais irritado por terem interrompido sua carta do que por serem comensais da morte.

– Gina, acho que está na hora de intervirmos, eles não podem ficar nos acuando.

– Harry, eu acho melhor pensarmos bem antes de atacar, porque eles são comensais! E não sabemos se há mais deles lá. – disse Gina.

– Harry, Gina, o que está acontecendo? Rony disse que tem comensais lá fora. – disse sr. Weasley que descia as escadas, seguido pela sra. Weasley e Rony.

– Sim, sr. Weasley. Eles não atacaram nem nada, mas eu acho que não podemos deixa-los nos acuando.

– Harry, acho melhor pensarmos bem antes de atacar, vai ser bom ter o elemento surpresa. – disse sr. Weasley.

– Pensando assim. – disse Harry.

– Eu acho que é melhor voltarmos para casa, naturalmente, e vermos no que vai dar... Eu acredito que eles não vão atacar agora. – disse Gina.

– É, Gina tem razão. – disse sra. Weasley. – Não quero brigas agora.

– Tudo bem. Mas, Rony não esqueça de enviar a carta para Hermione. – disse Harry.

– Sim, sim, eu já enviei. Quando fui chamar meus pais, eu enviei. – respondeu Rony. – Espero que tenha ficado bom.

Gina e Harry se dirigiram a porta, sra. Weasley os abraçou fortemente, e sr. Weasley se despediu. Sra. Weasley ficou olhando para Rony, esperando que ele fizesse algo, mas o menino nem se mecheu.

– Rony, não vai se despedir? – ela perguntou.

– Pra quê? Eles não vão morrer hoje... esses dois ai vão demorar u bom tempo pra partir pra uma melhor! – disse Rony brincalhão, enquanto abraçava-os.

Gina e Harry saíram da casa, acenaram e aparataram para o Largo Grimauld, sem nenhuma interferência dos comensais.

Mas, Gina, que estava um pouco assustada com tudo aquilo, tinha uma sensação ruim, como se algo pior estivesse por vir, que isso era apenas um pequeno aperitivo... tinha a sensação de que tudo ainda está começando.