A Dança Das Sombras - Der Tanz Der Schatten
2 Capítulo 2
Montada em seu cavalo e galopando o mais rápido que o chão irregular da floresta permitia, Emma não tirava da mente o rosto que havia visto dormindo no castelo de Lilith. Tinha certeza de quem se tratava, ainda que o nome dado pela amiga fosse outro. Será que sua mãe sabia da verdade e estaria escondendo propositalmente? Já havia escondido o nome, a loira nem sabia que a Rainha Má tinha um nome, o que era meio óbvio. Sendo assim, poderia haver mais coisas que também lhe estariam sendo ocultadas.
No palácio de Snow White, seguiu imediatamente para a biblioteca, onde passaria mais algumas horas pesquisando, sempre chegando ao mesmo beco sem saída: páginas arrancadas, buracos de queimaduras. Nenhuma informação parecia haver restado salva e isto era um grande perigo, pois era como se a Rainha Má nunca tivesse existido, fosse só uma lenda para criancinhas mal educadas irem dormir.
Enquanto isso, na Fortaleza Proibida, Regina se sentava sobre a superfície de pedra, derrubando algumas das flores ao seu redor. Olhava o ambiente, levou alguns instantes para suas memórias viessem por completo à tona: ela fora buscar a Maldição das Trevas com Malévola, as duas lutaram, havia um fuso de fiar, e apenas isso. Sua mente só conseguia ir até este ponto. Olhou para si própria, branco definitivamente não era a sua cor, então, com um aceno, mudou as mesmas vestes para o seu habitual negro.
Só então deixou aquele ambiente, descendo pelas escadarias da torre. Conhecia a Fortaleza tão bem quanto o seu próprio castelo, muitos dias e noites passados entre aquelas paredes, sabia exatamente o caminho que precisava percorrer para chegar onde queria. Em poucos minutos já estava diante da porta os aposentos de Malévola. Abriu a porta silenciosamente, sem esperar qualquer convite, ao que se embrenhou para dentro do covil do dragão de maneira sorrateira.
Algumas coisas haviam mudado desde sua última visita, uma das quais apenas inflamava sua raiva. Ela viu a dragoa sentada numa suntuosa poltrona diante da lareira, parecia em transe ao contemplar as chamas que dançavam sem parar, mas a visão não estaria completa sem a mesa ao lado, sobre a qual estavam uma garrafa de vinho vazia, além do frasco de líquido preto, a infusão de Maldição do Sono. Regina não entendia porque isso estaria acontecendo, mas tinha os seus palpites. Sem qualquer noção de quanto tempo havia se passado desde a última vez que se viram, foi caminhando para a luz, até se colocar numa posição em que a loira poderia vê-la.
— Decepcionante — a Rainha falou.
Lentamente, Malévola foi se virando, voltando o rosto para a morena, ao que disse numa voz lânguida e perdida:
— Dessa vez realmente devo ter abusado na dose — e tornou a mirar o fogo na lareira. — Regina jamais se importaria.
Incomodada, a Rainha avançou, se inclinando diante da dragoa, um joelho na poltrona, a mão direita no pescoço da loira, apertando as unhas contra a pele alva. Certamente despertou os instintos de Malévola.
— Isso não é uma das suas viagens — Regina falou com a voz áspera, ao que exigia. — Eu quero a Maldição das Trevas!
Com a ordem, a loira começou a rir, mas ela ria sem parar, o que irritava a Rainha, forçada a largá-la e se afastar alguns passos.
— Qual a graça? — A morena perguntou.
— Que eu não sei como você acordou, mas sei que certamente não foi graças a mim — e finalmente conseguia ficar mais séria. — Você está atrasada vinte anos nesta demanda. Eu já a destruí.
— Como pôde?! — Regina explodiu em raiva. — Aquela era a minha chance de acabar com a felicidade de Snow White!
— Oh, querida, Snow está bem estabelecida onde está, todos nós estamos. Dificilmente a Maldição das Trevas acabaria com qualquer um de nós agora — a dragoa fazia surgir mais uma taça de vinho para si. — Todo mundo seguiu com a vida.
Mas esta frase era uma grande mentira, no mínimo com relação a si própria, porém iria servir para sua pretenção.
— Entendo… — A Rainha não se deixava convencer. — Essa agulha ao lado me conta uma história totalmente diferente.
Dito isso, a morena foi se aproximando mais uma vez, ficando perigosamente perto, até os rostos terem poucos centímetros de distância. Sentia o hálito quente da dragoa contra a sua pele, a respiração quase ofegante devido a proximidade. Era isso o que queria. Moveu-se rápido, para tentar enfiar a mão no peito da loira, mas não foi o bastante. Ainda que Malévola estivesse parcialmente drogada e bastante distraída pelo maravilhoso corpo à sua frente, era uma criatura mitológica com poderes extraordinários, o que também lhe dava super velocidade e incríveis reflexos. Devido a esta habilidade, segurou o pulso da Rainha e a impediu de avançar, sem sequer tocar a sua pele. Com uma voz baixa e profunda, disse de uma maneira quase sensual:
— Vai ter que fazer melhor do que isso.
A provocação fizera efeito. Regina se afastou imediatamente, abrindo a palma da mão e preparando uma bola de fogo. Ela exibia um sorriso maníaco, de quem estava ali para lutar até a morte, ao que Malévola parecia cansada ao se levantar de sua poltrona.
— Precisamos mesmo fazer isso? — Perguntou entediada.
Uma vez que as chamas cresciam e eram atiradas pela Rainha, a dragoa desviava e, com a mão aberta, trazia para si o cajado de dragão, que dissipava uma segunda bola de fogo atirada em sua direção.
— Dessa vez, eu não vou lutar com você — Malévola disse bastante decidida.
— Então morra! — Regina respondeu com toda a sua raiva, lançando um novo feitiço.
A loira desviou, fazendo com que atingisse a parede, rachando as rochas atrás de si. Sabia que aquilo era um embate fatal e, ainda assim, depois de tantos anos nos quais esperara que a morena acordasse, não se via capaz de feri-la. Preferia a morte a machucá-la novamente. Esse foi o seu erro. Quando um novo ataque veio, tentou pará-lo mais uma vez com o cajado, porém este partiu ao meio ao ser atingido, ao que a mulher foi jogada no chão com força. A Rainha se aproveitou daquele momento de vantagem e se aproximou rapidamente, colocando o pé sobre a traquéia da dragoa, o salto pronto para perfurar a carótida.
— Você acabou com minha última chance de alcançar a felicidade — a morena disse. — Agora eu acabo com a sua.
Malévola apenas fechou os olhos. Se era para deixar aquele mundo, depois de tantos milênios vivendo entre humanos, fugindo de caçadores, namorando donzelas, que ao menos partisse junto a alguém que amava, nem que fosse pelas suas mãos ou, no caso, pé.
Regina, por sua vez, estava tão pronta, tão focada em asfixiar a loira que nem notou que não estavam mais sozinhas. Um gigante vulto negro adentrou o ambiente e derrubou-a, lançando a Rainha contra a parede. A segunda dragoa abriu as asas, dominando quase todo o ambiente até o teto, ao que rugiu de maneira intimidadora. Aquilo era um aviso, o que deixava a Rainha sem reação, enquanto se levantava do chão. Derrotar um dragão adulto não estava em seus planos, era uma façanha praticamente impossível sem magia branca. Se ergueu com certa dificuldade, estava um pouco dolorida, mas não deixaria de lutar se fosse necessário.
— Não a machuque! — A voz de Malévola ecoou distante, ao que se levantava do chão, uma das mãos no pescoço, sobre o pequeno corte que o salto fizera. — Não a machuque…
Olhava de uma para a outra, o que tornava difícil de saber de quem estava falando. Ainda assim, a loira insistia, parando ao lado da dragoa:
— Pare, Lily! Ela é sua mãe!
Imediatamente, o dragão foi envolvido em fumaça negra, carregada de magia, ao que desapareceu e, em seu lugar, surgiu a moça de longos cabelos negros e pele amorenada. Ela olhava para Malévola, mas Regina olhava para a jovem como para um espelho. Não reagiu, não de imediato, mas Lilith sim, elevando a voz para a outra dragoa:
— Ela tentou te matar! — E apontava para a Rainha. — Eu não ligo se ela é minha mãe, ela deveria estar dormindo, não tentando te matar!
— Espere! — Regina recuperava as forças e, embora segurasse um braço que sangrava com um corte, se aproximou das outras duas mulheres. — Que história é essa? Quem é você? — Se referia à mais nova.
Poderia estar confusa, mas algo gritava dentro de sua mente, apertando o seu peito. Nunca vira aquela moça, mas conhecia aquela face, tão parecida com a dela própria. Talvez tivesse visto num sonho, ou em uma das lembranças de sua turbulenta vida antes de se tornar a Rainha Má, ou talvez simplesmente reconhecesse a si própria, pois sangue atrai sangue. Foi por esta razão que Malévola, respirando muito fundo e medindo suas palavras, se voltou para a outra feiticeira e disse:
— Ela é sua filha. Nossa filha.
— Isto é impossível! — Regina negou de imediato. — Impossível, ela tem… — E nem sabia dizer, mas reconhecia que já era velha demais, ela saberia, com certeza lembraria de ter uma filha!
— Vinte — Lily respondeu impaciente. — Eu tenho vinte anos.
Aquele foi um baque intenso, que a Rainha jamais esperara. Andou até a poltrona que antes fora de Malévola e se sentou, precisava ou iria desmaiar. Pegou a taça vazia na mesa ao lado e fez surgir o vinho, tomando um gole atrás do outro até secar. Sua mão tremia, mas os movimentos eram rápidos demais para que alguém percebesse. Malévola então se aproximou, entrando no campo de visão da outra feiticeira.
— Você sabe que estou falando a verdade — ela disse. — Se não acredita, pergunte a ele.
Claro, havia uma única pessoa que jamais mentiria, jamais a trairia. Regina moveu a mão em um círculo no ar, fazendo surgir um bonito espelho em uma intricada moldura de ouro. Olhou diretamente para o vidro, ao que chamou com uma voz grave e imperativa:
— Espelho, Espelho! Venha até mim!
O reflexo desapareceu em um vórtice de fumaça, até que um rosto surgiu, um homem. Ele abriu os olhos lentamente e pareceu se assustar com o que via do outro lado do vidro.
— Minha… Minha Rainha! Você voltou! — Soava aliviado, satisfeito. — Minha Rainha, faz tanto tempo que não a vejo desperta.
— Poupe a conversa, Espelho — ela era fria com ele. — Quanto tempo se passou? Eu não lembro de nada desde… — Sua memória poderia não ser mais tão precisa, logo desconfiava. — Desde quando vim para a Fortaleza Proibida pegar a Maldição das Trevas.
— Sua Majestade esteve dormindo por vinte anos — ele foi direto em responder. — Muita coisa aconteceu desde então.
A imagem no espelho mudava mais uma vez. O rosto sumia e dava vez a Snow White, chegando em seu castelo com o Príncipe David, sendo recebida pela filha, a Princesa Emma, todos se abraçando e muito felizes. A Regina ficou com tanta raiva que atirou o objeto contra a parede, fazendo estourar em infinitos pedacinhos.
— Quebrar um espelho dá sete anos de azar — Malévola falou de maneira displicente, se sentando em outra poltrona, próxima.
— Oh, cale a boca! — A Rainha falou enfurecida. — Vinte anos! — E se voltou para a loira. — Você roubou vinte anos de minha vida!
Finalmente Lilith foi quem decidiu se meter, andando e ficando diante de ambas, a lareira atrás de si. Disse no mesmo tom da mãe:
— Acabou! Eu estou farta de vocês duas! — E, depois de muito respirar ofegante, conseguiu inspirar com força e se acalmar o bastante para perguntar. — O que aconteceu há vinte anos? Eu mereço saber a verdade.
Ela tinha um ponto válido, ao que Regina nada disse, ficando apenas a encarar Malévola, uma sobrancelha erguida de quem estava esperando. Também queria saber qual seria a resposta, a qual aguardava colocando mais vinho para si. A dragoa mis velha, por sua vez, olhava com certa raiva, mas sabia que eram informações que não poderia manter escondidas para sempre, pois a Rainha possuía meios para alcançar a verdade e que mentir seria um fator que poderia afastar Lilith, coisa que não arriscaria. Sendo assim, começou a falar:
— Nós tivemos uma luta, você se lembra? Depois do casamento de Snow White, você veio aqui, nós bebemos bastante. Então você quis roubar de mim a Maldição das Trevas, aquela que eu roubei de Rumpelstiltskin para jamais ser utilizada.
A Rainha assentiu, lembrava de tudo que a outra estava falando, até aí nenhuma novidade. Malévola continuou:
— Você tentou me matar naquele dia, ou eu achei que estava tentando, mas você disse…
— Que você era a minha única amiga — Regina complementou, as palavras saindo com um sabor amargo, especialmente depois de efetivamente ter tentado matar a dragoa.
— Sim — a loira confirmou. — Foi a oportunidade que eu tive. Quando você quebrou o meu cajado para pegar o pergaminho da maldição, eu já esperava que pudesse fazer isso. Assim, eu o protegi e coloquei uma agulha por dentro, embebida em Maldição do Sono.
Ela precisou parar por um instante, seu coração estava acelerado. Nunca havia contado isso para ninguém e agora revelava para as duas pessoas mais importantes de sua vida.
— Minhas Maldições do Sono são perfeitas — ela disse.
— Eu sei, você me ensinou a fazê-las — a Rainha concordou, seus olhos ainda fixos na outra, queria o final da história. — Eu caí na sua armadilha. Você me amaldiçoou e me colocou para dormir todos esses anos. E ela? — Se referia a Lily. — Como…?
Se havia uma coisa que Regina havia estudado bem era dragões. Havia memorizado as únicas duas enciclopédias que existiam sobre o assunto, as mesmas que Malévola guardava como verdadeiros tesouros, relíquias de sua espécie e tributos a seus antepassados. Nenhum humano jamais as havia tocado, exceto a Rainha Má, que os estudara por muitos dias, até saber absolutamente tudo que existia sobre tais criaturas, contado pelos próprios dragões. Logo, a feiticeira tinha pleno conhecimento de processos como reprodução e a forma como esta se dava. Ocorre que, para alguém não humano, era tudo muito mais simples:
— Nós transávamos muito naquela época — foi só o que a dragoa respondeu, de uma maneira muito simples.
Claro que isso não impediu Lilith de fazer um gesto como se fosse vomitar.
— Mãe! — Reclamou.
Ainda assim, a resposta fazia sentido para Regina, que olhava de uma para a outra, sem se importar com pequenos detalhes como palavreado.
— Então ela é mesmo minha filha? — Perguntou com seriedade.
— Certamente tem o seu talento para magia — Malévola respondeu. — E é sua cópia esculpida em Carrara.
Isso era inegável, não havia qualquer traço da loira na jovem, exceto pelo fato de também ser um dragão.
— Ok… — Regina estava lidando com a situação da maneira mais analítica possível. — E…
Mas a outra já sabia qual era a pergunta e se adiantou na resposta:
— Eu não sabia que estava grávida na época, mas, mesmo quando soube, não me arrependi do que fiz nem por um instante.
As palavras eram firmes, não demonstrando qualquer dúvida, mínima que fosse. Ter tido Lily sozinha ainda era melhor do que correr o risco de sofrerem com a Maldição das Trevas, de serem separadas ou, pior, de sua filha ser o sacrifício requerido para lançar a referida maldição. Não, era impensável e se o preço fora colocar Regina em estado vegetativo por anos e anos, aceitaria pagar.
— Certo — a Rainha respondeu. Era outra pessoa que conhecia bem até onde iria pela sua ambição, sua capacidade de passar por cima de tudo e de todos, ao que entendia a atitude da dragoa em priorizar defender sua filha. — Devo dizer, fez um bom serviço — mas não havia real elogio ali, apenas uma constatação.
— Eu sei — por este motivo, Malévola não falava com orgulho, embora se sentisse desta forma pelo resultado da criação de Lilith. — Ela é o melhor dragão que já conheci, tem força e magia para me superar a qualquer momento.
A jovem deixava um sorriso escapar, se aprumando e estufando o peito cheia de si. Embora fosse comum escutar palavras de estímulo vindas de sua mãe, era ainda melhor quando ditas na frente de terceiros, em especial de sua outra mãe, a quem acabara de conhecer.
Mas não deixava Regina inteiramente satisfeita com a conversa. A Rainha girava a taça em sua mão, vendo o vinho dançar no fundo feito de ouro. Estava pensativa, havia uma coisa que não se encaixava em tudo aquilo e que a estava incomodando.
— Eu devo dizer, Malévola, o seu plano era perfeito. Era, pois falhou. Eu deveria ter dormido para todo o sempre, mas estou aqui e isto é o que mais me intriga.
Realmente, este era um ponto que a dragoa vinha refletindo desde que vira a outra acordada, mas não conseguia nem imaginar onde sua maldição poderia ter falhado. O silêncio imperou no ambiente, escutando-se apenas o leve crepitar das chamas, que iam se tornando mais fracas a cada minuto, já tendo consumido quase toda a lenha. A noite caía e as velas iam se acendendo magicamente para clarear o ambiente. Foi um momento de desconforto, no qual Malévola notou que o vestido antes branco agora era negro, como o coração que envolvia.
— Fui eu — Lilith respondeu com firmeza, quebrando o silêncio e atraindo toda a atenção para si. Olhou para a mãe dragoa e seus olhos já pediam desculpas em adiantado. — Me perdoe, por favor. Eu vi, eu vi a ponta do espinho no dedo e achei que era bobagem, coisa minha, eu fui tirar e… Eu acho que foi isso o que aconteceu.
— Você tirou um resto de maldição que estava em contato constante — a loira deduziu, mas não estava irritada ou triste com a filha. — Tudo bem.
Sabia que isso aconteceria em algum momento, não havia como evitar para sempre. Apenas gostaria que tivesse sido de outra forma, que tivesse sido por conta dela própria, que houvesse Amor Verdadeiro.
Cansada de tudo aquilo, Regina finalmente se ergueu da poltrona, tocando sobre sua ferida e fazendo com que cicatrizasse instantaneamente, além se consertar a manga do vestido, retornando à perfeição.
— Não tenho tempo para isso — foi só o que disse, se encaminhando para a saída.
Malévola então também se levantou, voltando-se para a Rainha:
— Aonde vai? Não entendeu? Saia por aquela porta e você não tem mais nada. Não tem mais o seu castelo, seus servos, seu exército, tudo isso se foi — e fazia um apelo, deixando transparecer mais de sua alma do que deveria. — Fique. Aqui temos lugar para você.
Regina nem ao menos olhou para trás. Levantou uma mão e as portas se abriram por magia, fechando com um alto baque depois dela passar.
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