Capítulo 2 – Fanfic Ravenclaw — Hermione

Hermione estava sentada à janela da Sala Comunal da Grifinória. Observava as folhas do Salgueiro Lutador caírem conforme o outono passava, enquanto pensava no que escrever para Rony.
Nos últimos meses tivera flashes constantes da Batalha. Das pedras desabando sob a força dos feitiços, clarões explodindo ao seu redor, corpos caindo pesadamente no chão, poeira toldando a visão e o cheiro de sangue no ar.
Felizmente, conseguira superar boa parte dos traumas e seguira em frente com a vida. Reencontrara seus pais na Austrália e restaurara suas memórias, voltara à Hogwarts para concluir sua educação e engatara um namoro com Rony.
A paisagem alaranjada lembrava-lhe Rony e sua paixão pelos Chudley Cannon, o que só aumentava a saudade do namorado. Sentia muito a falta dele e de Harry, era uma dor quase física. Tentara convencê-los a voltar a Hogwarts com ela, mas os meninos estavam muito ansiosos para começar o treinamento para auror. "Não aguento mais um ano de provas, Mione. Não depois de tudo que aconteceu esse ano." declarara Rony. Ela não tirava a razão dele.
Nenhuma das garotas estava mais lá, nem Parvati, nem Lilá, nem mesmo Gina. O único rosto familiar à Hermione era Luna Lovegood. Ambas, que antes viviam discutindo, se tornaram melhores amigas. Quando não estavam na sala de aula, estavam na biblioteca estudando. Hermione almejava um cargo importante no Departamento para a Regulamentação e Controle das Criaturas Mágicas, o que requeria excelentes notas nos N.I.E.M.'s.
No resto do tempo, a garota sentia-se muito solitária. Não conhecia os outros estudantes, a única pessoa com quem conversava além de Luna era o outro monitor-chefe da Grifinória, Edmund Penderlgast, um menino baixinho de cabelos escuros e pele pálida. Sempre vinham alunos lhe cumprimentar pelo seu desempenho na Batalha de Hogwarts. Davam-lhe tapinhas nas costas, sorriam e acenavam, mas ela se sentia um pouco desconcertada com toda essa atenção.
Enquanto escrevia sua carta, lembrava-se dos acontecimentos que narrava para Rony, como o dia em que a professora McGonagall lhe chamou para ajudar a reparar a Sala Precisa. Recebeu um bilhete com uma caligrafia fina e inclinada, mandando que ela se dirigisse à diretoria no intervalo entre as aulas de Poções e Herbologia. Hermione, um tanto curiosa, arrumou sua mochila e saiu da sala assim que o sinal tocou.

Percorreu os corredores até que parou em frente às duas gárgulas que guardavam a entrada do escritório. As borboletas afloraram no estômago da menina e ela balbuciou a senha “armada”. As gárgulas de mármore se afastaram e ela subiu a escada giratória. Bateu três vezes a porta de McGonagall e escutou um fraco “Entre!”. Entrou.

A professora McGonagall estava sentada à escrivaninha, as mãos cruzadas e os óculos quadrados na ponta do nariz. Hermione olhou nos bondosos olhos verdes da senhora e sentiu-se aquecida por dentro.

–Sente-se, querida – disse a professora, indicando a poltrona de chintz à sua frente.

Hermione sentou-se na ponta da poltrona e esperou McGonagall falar. Então era assim que Harry se sentia todas as vezes que ia falar com Dumbledore. Um pouco nervosa, um pouco animada e um tantinho preocupada, tudo isso dentro dela.

– Eu desejava falar com você há um tempo, mas estava esperando o momento certo de me pronunciar – começou. — Sei que está passando por um momento delicado, sem Potter e Weasley aqui com você. Mas preciso da sua ajuda. Srta. Granger, a senhorita é uma das melhores alunas aqui em Hogwarts e queria que me ajudasse a reconstruir a Sala Precisa. Depois da Batalha, ela ficou muito danificada e dificilmente abrirá para qualquer um. Eu já tentei, mas acho que preciso de um empurrãozinho.

A menina, que até o momento encarava seus joelhos, envergonhada, levantou seus olhos, muito surpresa. A professora sorria e esperava pacientemente a resposta dela.

– E-eu? Mas se a senhora não consegue, o que eu poderia fazer... – Hermione estava atônita.

– Não se ponha para baixo, querida. Nós todos sabemos do seu potencial. Rastrear horcruxes não é um trabalho para qualquer bruxo, muito menos alguém da sua idade – interrompeu-a McGonagall.

Depois de muito insistir, a menina concordou em ajudar na restauração, que ficou marcada para o final de semana. Ás nove horas da manhã de sábado, Hermione se dirigiu ao sétimo andar e esperou a professora McGonagall. Cinco minutos depois, a bruxa mais velha chegou com sua bengala. Ela nunca mais fora a mesma após a batalha.

– Pronta? Concentre-se e peça para entrar – instruiu a professora.

Hermione fechou seus olhos e passou em frente à parede nua três vezes, desejando intensamente “abra-se, por favor, só queremos restaurá-la”. Assim que acabou, uma porta de madeira bastante queimada materializava-se diante dos seus olhos. Ambas olharam estarrecidas e a mulher mais velha segurou a maçaneta de latão, também queimada. Girou-a e a porta cedeu, caindo para dentro da sala.

Hermione ficou estarrecida diante da cena. A Sala Precisa estava totalmente destruída. Os objetos que a entulhavam estavam desintegrados, alguns ainda tinham uma forma distorcida. Lunetas derretidas, armários reduzidos a cinzas, dos livros, sobravam apenas poucas páginas queimadas. Absolutamente tudo fora consumido pelo fogo maldito. Os olhos de Hermione se encheram d’água. Até a professora ficou chocada.

As cenas das reuniões da Armada vieram em sua mente. Ela e Rony praticando juntos feitiços de desarmamento, Luna conjurando sua lebre, Neville progredindo a cada semana, os estudantes fazendo acampamento para se proteger dos irmãos Carrow. Todas aquelas memórias deixaram-na nostálgica e saudosa.

– Bem, vamos começar? – perguntou a professora.

A garota confirmou com a cabeça e sacou sua varinha. As bruxas disseram “Tergeo” em uníssono e as cinzas desapareceram, esvaziando quase toda a sala. Fizeram os objetos danificados desaparecer, conjuraram vassouras, baldes e esfregões. Colocaram-nos para trabalhar e em instantes a sala estava limpa. A professora murmurou mais alguns feitiços para reparar a sala.

– Vamos testá-la?- perguntou a bruxa mais velha. – Peça alguma coisa.

Hermione fechou os olhos e desejou um lugar para sentar e a diretora conjurou um bule de chá e xícaras e um prato de sanduíches para comerem. A sala materializou confortáveis pufes e uma mesinha para colocar a comida. As duas bruxas sentaram-se e comeram. Conversaram descontraidamente e trocaram ideias de como melhorar as restaurações do castelo.

Quando a menina se despediu de McGonagall já era meia-noite. A diretora a dispensara da vigília por essa noite e Hermione andou calmamente pelos corredores que tão bem conhecia. Naquela noite, ela se dirigiu à Torre de Astronomia e observou as estrelas. O céu estava salpicado delas e a brisa fresca da noite bateu em seu rosto. Ela fechou os olhos e sentiu o vento afastar delicadamente os cabelos castanhos de seu rosto. Inspirou profundamente e sentiu-se em paz pela primeira vez desde que voltara à Hogwarts.