A Dança do Corvo
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Helena ficou em silêncio por um momento, as palavras de Jonah ecoando em sua mente como um mantra desconcertante. Ela sentiu uma leve pressão no peito, como se as palavras dele tivessem tocado exatamente no ponto mais sensível, aquele lugar que ela tentava ignorar. Ela se afastou um pouco, tentando encontrar algo para se apoiar. O gelo, frio e imutável sob seus pés, parecia a única coisa sólida no momento.
“Eu... eu não sei,” ela disse finalmente, a voz um pouco tremida. “Eu quero ir para o campeonato. Eu... preciso ir. Mas sempre que penso nisso, vejo tudo o que posso falhar. A pressão de ser perfeita... de não errar.” Ela passou as mãos pelo rosto, afastando os fios de cabelo que insistiam em cair sobre seus olhos. “Eu me sinto... não sei, como se estivesse à beira de cair, e por mais que eu tente, nunca parece ser o suficiente.”
Jonah a observou, como se estivesse esperando aquelas palavras, como se soubesse que a conversa tomaria esse rumo. Ele deu um passo atrás, permitindo que ela respirasse um pouco mais, mas seus olhos ainda estavam fixos nela, atentos a cada gesto, a cada expressão que ela fazia. Era como se ele entendesse o dilema dela sem a necessidade de mais explicações.
“Você acha que se tornar perfeita vai te salvar?” ele perguntou, a voz baixa e suave, mas com uma intensidade que parecia penetrar nas camadas mais profundas dela. “Ou será que você tem medo de ser vista, de não ser boa o suficiente... e, por isso, prefere correr atrás de um ideal impossível?”
Helena sentiu um nó na garganta. A sensação de que ele havia tocado exatamente no ponto que ela mais temia. Ela sempre fora exigente consigo mesma, mais do que qualquer outra pessoa poderia ser. Ela havia se enredado em uma busca incessante por algo que a fazia sentir que, se não fosse perfeita, não seria nada. A patinação, que deveria ser sua válvula de escape, agora se tornava um campo de batalha constante. Não só contra seus rivais, mas contra ela mesma.
“Eu sempre quis ser a melhor,” ela falou, quase em um sussurro, o olhar perdido no vazio. “Desde que comecei, a ideia de ser perfeita foi a única coisa que me manteve no caminho. Mas... eu nunca me senti assim. Nunca senti que fui o suficiente. E sempre que me aproximo do meu limite, sinto que algo dentro de mim vai quebrar. Eu fico... com medo.”
Ela se virou, com as mãos no peito, sentindo uma dor que não sabia como expressar. Ela queria falar mais, mas as palavras pareciam escapar, como se estivessem presas dentro de uma caixa, sem espaço para respirar. Era o medo da falha, a dúvida sobre se conseguiria suportar a pressão, a vontade de ser vista, de ser aceita, e, ao mesmo tempo, a necessidade de se proteger.
Jonah permaneceu em silêncio, observando-a com uma paciência que a desconcertava. Ele não parecia julgar, não parecia oferecer conselhos prontos. Havia algo mais nas suas palavras, algo que a fazia se questionar mais do que simplesmente seguir em frente, buscar mais ou tentar ser perfeita.
“Você acha que precisa ser perfeita para ser vista, Helena? Para ser boa o suficiente?” ele perguntou, a voz agora mais suave, como se tentasse guiá-la para um lugar mais profundo dentro de si mesma.
Ela hesitou por um momento, as palavras se formando na ponta da língua, mas não conseguia pronunciá-las. Era como se uma parte de si mesma estivesse lutando contra a outra, tentando decidir qual caminho seguir.
Foi então que a voz de Jonah ecoou, interrompendo o silêncio que tomara conta da sala.
“Helena,” ele disse, sua voz clara e firme, como uma ancoragem no meio da tempestade. “Se você quer ajuda, eu posso dar. Não vai ser fácil, mas você não precisa carregar todo esse peso sozinha.”
Ela olhou para Jonah, seu olhar se suavizando. Não esperava essa oferta. Não esperava que ele, de todos os lugares e situações, estivesse oferecendo algo que parecia tão simples, mas tão... grande.
Jonah deu um passo à frente, mais tranquilo, como se soubesse exatamente o que ela estava sentindo. “Eu posso te ajudar.
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