A Dama de Ferro
2 II- Enjoy the Moment
Notas iniciais
O que realmente aconteceu foi:
“- A cirurgia foi feita e ela foi muito forte. Sinto muito.”
Todos entraram em choque. Kate simplesmente saiu correndo para fora do hospital.
—Kate! Katherine! Tenho que ir atrás dela.
Quando John saiu Kate não estava ali na frente e sim correndo para o nada. Ele conhecia sua filha e acreditava que ela voltaria com o tempo. Ficaram esperando no hospital até anoitecer. Quando saíram, agora desesperados, encontraram Kate sentada num banco do outro lado da rua. Jhon foi até ela. E sem relutar a trouxe para o carro onde Náthaly já estava dentro.
Kate foi a primeira a entrar e a primeira a subir as escadas. Foi para o antigo quarto de Lana onde ainda permaneciam algumas coisas de sua infância. Ursinhos de pelúcia, cobertores, fotos e pinturas a dedo. Foi até o meio do corredor abalada pela dor de sua perda, ouvir o que Jhon conversava com Náthaly. Só ouviu soluços. Desceu as escadas, os dois enxugaram seus rostos e olharam para Kate.
—Filha, decidimos que iremos fazer hoje mesmo o velório da sua mãe. Aqui. Já chamamos as pessoas, família, amigos, incluindo Luigi e Lara.
Ela tomou banho, colocou a mesma roupa, que somente depois de descer as escadas percebeu as manchas de sangue. Sangue de sua mãe. Pessoas iam e vinham olhando-a com dó, com pena, falando lhe as coisas com cautela. Mas Kate era uma menina forte. Ela aguentaria qualquer coisa desse dia. Somente um tio, Andrew realmente a conhecia e realmente queria confortá-la. Ao longe, na porta de entrada viu uma tia distante repugnante com olhar de desprezo entrar pela porta, tentando encontrar alguém. “Esse alguém deve ser eu”. Logo atrás Luigi e Lara. Entraram sem querer esbarrando na tia repugnante, fazendo a finalmente olhar para Kate.
—Kate! Vamos subir! Queremos conversar com você.- No mesmo instante:
—Kate! Que saudade de você! Onde você estava? Te procuro á muito tempo! Vamos ali conversar.
Kate olhou de um para outro: De sua tia que não tinha o menor interesse de estar ali pois odiava sua mãe, ou seus amigos que a ajudavam todos os dias.
—Desculpe Emmanuele, mas vou com as pessoas que realmente se importam comigo.- Subiu as escadas. Emmanuele queria poder destruir os dois amigos com apenas um olhar.
Na escadas nenhum dos três abriu a boca. Chegaram no quarto sentaram e se entre-olharam. Palavras saltavam da boca de Lara.
—Kate, estamos aqui para te apoiar em qualquer coisa que você precisar. Quero que você melhore, pois essa dor vai passar, e tudo vai se resolver.- Kate começou a soluçar e segurar um nó na garganta torcendo para que ele não se soltasse.
—NÃO QUERO MAIS OUVIR ISSO! QUERO OUVIR PALAVRAS DE CORAÇÃO! ESTOU DESABANDO AQUI E AS PESSOAS ALI EM BAIXO VIERAM PRATICAMENTE ENCHER A BARRIGA E VAZAR! SÃO FALSAS! TODAS ELAS!
—Kate se acalme, todos estão aqui para confortá-la! E não brigue conosco não estamos aqui para julgar!
Kate simplesmente se levantou e saiu do quarto. Saiu da casa, saiu da vida. Pegou um amaço de cigarros de seu pai e levou rua adentro. Parou na frente de uma casa que estava totalmente escura e provavelmente abandonada. Acendeu um cigarro, fazendo várias e várias vezes a fumaça sair pelas suas narinas. Queria ficar sozinha. Pegou o celular, a luz ofuscou seus olhos mas logo se acostumou. Ligou para Jhon.
—Pai, é a Kate, hoje eu ficar fora de casa, não se preocupe comigo, amanhã cedo estarei aí e não procure por mim porque não irá me achar. Bom resto de noite.
—Kate!- O celular desligou.
Em uma momento de loucura, decidiu entrar na casa abandonada. A tal casa era grande, não era uma casa comum. Parecia uma casa de filme de terror. Ela só conseguia ver as coisas pela luzinha do celular e mais nada. Dava para perceber que a casa era antiga até pelo portão, muretas baixas e um portão de meio metro de ferro branco entrelaçado por uma planta escura e seca. Ao abrir o portão, o mesmo rangeu quando os galhos se quebraram. Dava para se perceber que o jardim era grande e que a entrada era na lateral da casa. No interior de Kate, havia uma luta de sentimentos, uns querendo que simplesmente sua vida acabasse e outros querendo que nada disso tivesse acontecido. Uma coisa que Kate nunca tivera sentido antes. Caminhou até ficar de frente à casa. A porta se dividia em duas, feitas de madeira grossa. Kate tentou abrir mas estava trancada. Talvez realmente havia alguém morando ali. A janela que estava do outro lado da casa, tinha um parapeito e nesse parapeito havia um vaso. Era um vaso com uma grande flor amarela, talvez um girassol. Tentou subir no parapeito, mas o mesmo estava no segundo andar. Desistiu e foi para um canto que havia uma casinha de jardinagem. Pelo menos, na luz do celular era o que parecia. Finalmente, a porta da pequena casa estava aberta. Entrou e fechou a mesma. Tinha um interruptor ao lado. Acendeu a luz da casinha e a luz da casa. Olhou em você e enxergou uma cama desarrumada, uma pia vazia e dois armários com duas portas cada um. Abriu e encontrou vestidos pretos e coletes feitos de jeans. Na janela, onde estava o vaso de planta, apareceu um fleche de luz. Saiu da casinha e foi novamente em direção da casa só que desta vez, pegou uma escadinha que estava ao lado da porta. Se apoiou no parapeito e pegou impulso. Não conseguiu se segurar e caiu levando consigo o vaso. Uma chave triscou ao seu lado, devia ter caído de dentro do vaso. Pegou a chave e testou na porta escura. A porta se abriu, com a luz do celular, procurou um interruptor e acendeu a casa. A mesma era antiga, com móveis velhos, sem eletrônicos, uma casa dos anos quarenta. Vasculhando a casa, acabou encontrando um quarto onde havia cinco ursos de pelúcia que ela reconhecera de algum lugar mas não sabia de onde.
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