A Dama Solitária
8 Capítulo 8 - Sua iniciação termina aqui.
Notas iniciais
– NÃO! — Angelo gritou segurando a garota nos braços. A adaga ainda estava lá, e sangue começou a minar da região. Gabriela arfava, mas ainda estava viva. — Mirty, que droga! Gabriela... Eu juro que eu... Eu poderia ficar sem meus poderes!
– Você... Morreria. — Gabriela falou com dificuldade.
Um silêncio brutal pairou no pavilhão, nenhuma das damas apareceu, nem mesmo Serena. Gabriela podia sentir a mesma sensação do parapeito naquele momento, a mesma sensação de estar vivendo algo ilusório, mas havia algo que a impedia de morrer: a presença de Mirty. A força mental de Mirty mantinha a garota acordada, como se a tortura a fizesse sentir a realidade. Angelo a olhava com os olhos ardendo e lágrimas jorravam, mas Gabriela passou a mão em seus olhos.
– Não chore. — ela pediu respirando com dificuldade.
– Você não pode morrer. — Angelo se revoltou, se levantando do chão. No exato momento em que ele largou Gabriela, algo diferente aconteceu: seus olhos transpareceram ao dourado rapidamente, e a aura que ele possuía se fortaleceu sem explicações. Angelo havia ficado muito poderoso, a ponto de faíscas saírem de seus dedos. — Mirty, se ela morrer, vou transformar sua vida num inferno sem fim. Cineres verá a fúria de um anjo rebelado! — ele gritou, sua voz ecoou como um trovão fazendo as estruturas do castelo tremerem.
Do trono, Mirty ouvia cada palavra. Diana, Alanis, Maya e Ashley se arrepiaram com a ameça de Angelo, pois elas sabiam muito bem o que acontecia quando um anjo puro se rebelava — é o que aconteceu com o anjo servo das sombras, foi então que Cineres tornou-se uma maldição. O anjo rebelado amaldiçoou aquela dimensão, e desde esse dia a única esperança para as damas é a profecia que anunciara a escolhida, e essa escolhida tinha grandes chances de ser Gabriela.
– Mirty, diga logo que isso é uma ilusão. Seu teste já foi pavoroso o suficiente. — Maya pediu usando seu charme. A dama da terra possuía esse dom de seu elemento.
– Não ouse me persuadir, Maya. — Mirty disse friamente. — E isso não é uma ilusão.
– Não é uma ilusão? — Maya perguntou incrédula. — Gabriela está mesmo morta?
– Irmãs, acalmem-se. — Diana pediu com receio. — Mirty sabe o que está fazendo.
– Vocês são duas loucas. — uma voz veio do trono de Alanis, que pegava fogo. Então de repente a dama surgiu, suas vestes em chamas assim como seus olhos. Ela tinha uma expressão dura e furiosa, o que fez Diana criar uma barreira de ar invisível ao seu redor por medo de que Alanis fizesse alguma besteira.
– Não seja tão fraca. — Mirty disse com desdém.
– Não vou gastar meu tempo com você e esse seu coração de pedra, irmãzinha querida. — Alanis disse com sarcasmo. — Deixarei que você mesma sofra com sua psicose.
As damas discutiam em seus tronos enquanto Angelo tentava reviver a garota caída no chão do pavilhão escuro. Ele se sentia tentado á amaldiçoar as damas, mas sabia que não poderia fazer isso, pois quando um anjo amaldiçoa alguém, suas palavras podem tornar-se uma realidade obscura.
– Gabriela... — ele se agachou e colocou sua cabeça no colo. As lágrimas do anjo caíam no rosto da garota, cujo corpo estava inerte.
– Eu faria tudo de novo. — ela disse, com os olhos fechados, resistindo á morte de forma inacreditável. — Sabe, nos meus planos de mera mortal não havia nada sobre morrer por um cara... — Gabriela sorriu fracamente — mas é na morte que eu me sinto mais confortável...
– Gabriela, não... — ele pediu com a voz falhada.
– Morrer por você valeu a pena. Agora você tem o poder dos elementos, poderá destruir essa dimensão, seja lá o que isso signifique.– Gabriela repetiu as palavras dele.
– Você vai mesmo morrer? — Angelo perguntou se debulhando em lágrimas salgadas.
– Parece que vou, mas eu não estou sentindo a morte agora. — ela disse, e Angelo franziu as sobrancelhas.
Um longo tempo se passou enquanto os dois ficavam ali, no meio do pavilhão, esperando que ela desse um último suspiro e morresse. Mas isso não aconteceu, Gabriela continuava viva, o que Angelo não compreendeu. Não rapidamente.
Mas Mirty já tinha um plano perfeito em mente há muito tempo.
– A garota é imortal? — Ashley perguntou incrédula.
– É uma ilusão. — Alanis disse, mas Mirty balançou a cabeça. Diana observava tudo já aflita, pois não poderia deixar a provável escolhida simplesmente morrer, mas então a dama mentalista se levantou de seu trono e se aproximou da visão que tinha de Angelo e Gabriela.
Angelo a olhava com curiosidade e medo, enquanto Gabriela perdia seu olhar nos olhos dele.
– Não estou morrendo. — ela disse sentindo sua força voltar. — Como posso não estar morrendo? Era tudo uma ilusão?
– Não era uma ilusão. — Angelo falou encaixando os fatos. Ele entrelaçou suas mãos nas dela, mas quando o fez sentiu uma corrente elétrica passar por todo seu corpo. Gabriela lhe transmitiu uma aura forte que ele logo reconheceu. — Meu Deus.
– O que foi? — Gabriela perguntou.
– Você não está morta, sua vitalidade... Está voltando. — Angelo respondeu mal acreditando nas próprias palavras. A imortalidade era algo fora da realidade, até mesmo em Cineres.
Se bem que... Havia uma única pessoa que possuía o poder sobre a morte em Cineres. Mas essa pessoa era a própria personificação da morte... Freia, a única imortal, a única capaz de tirar ou dar vida a alguém.
Dois dias antes, Gabriela fora marcada por Freia, mas isso jamais significaria que ela recebera o dom da imortalidade, pelo contrário, significava que Freia queria a garota morta. A não ser que Freia tivesse planos para ela.
Planos que ninguém conhecia, ninguém, pois nenhuma pessoa era poderosa o bastante para sondar os pensamentos de Freia.
A não ser alguém que tivesse sido marcado por ela.
– Parece que Freia não quer te matar. — Angelo disse confuso. — Mas por que ela te ajudaria?
Foi então que Mirty e suas irmãs desceram de seus tronos fazendo a arena virar pó e apareceram, as cinco, no pavilhão. Todas elas estavam curiosas, mas Mirty tomou a palavra antes mesmo que Diana entendesse o que realmente se passava ali.
– O teste foi apenas um pretexto. — a mentalista anunciou. — Agora finalmente sabemos o que ocorreu com Gabriela na noite do parapeito. Você, – Mirty apontou para Gabriela — não foi marcada para morrer. Você foi marcada para viver.
– Ela é a imortal... — Diana disse sem acreditar nas próprias palavras. — Isso significa que ela não é a escolhida?
– Ainda não sabemos quem é a escolhida. — Mirty disse. — Sua iniciação termina aqui. — ela se dirigiu á Gabriela. — Você é a Imortal.
Depois de anunciar o que a iniciante era, as damas desapareceram do pavilhão. Angelo estendeu á garota sua mão para levantá-la.
– O que significa ser "a Imortal"?
Angelo olhou para ela perplexo, e então respondeu:
– Significa que você tem poder sobre a morte e a vida. — ele disse.
– Mas a única capaz de fazer isso é Freia. — Gabriela contradisse.
– Ela é a personificação da morte, você não. Você tem o poder, mas não personifica. — Angelo falou.
– E quanto aos elementos? — ela perguntou lembrando de que conseguira usá-los na prova de Alanis. — Espera, eu não passei pelo teste de Diana, e ela é a dama do ar!
– Uma Imortal não precisa passar pelo teste dos elementos. — Angelo disse.
– Por quê?
– Porque uma Imortal tem poder sobre todos eles.
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