A Dama Solitária

10 Capítulo 10 - Um encontro, uma profecia, uma decisão.


O ciclone de fogo veio na direção de Diana com voracidade. A dama foi pega de surpresa, o ar tentando a todo custo protegê-la das chamas que tentavam sugá-la. Em um golpe desesperado, Diana conseguiu dar fim ao ciclone com uma rajada de vento tão forte que Alanis e Mirty foram jogadas uns trinta metros á frente. Livre do ciclone, Diana iniciou seu revanche.

A dama do ar, de repente, adquiriu uma aparência assustadora. Era o que acontecia quando as Damas canalizavam seu poder de verdade. As vestes de Diana se misturavam ao ar que estava ao seu redor, seus olhos ficaram cinzas, da cor de um furacão destruidor. Gabriela olhou para a dama e um calafrio percorreu seu corpo.

"Hora de descobrir o que é ser uma Imortal" ela pensou.

Diana ergueu as mãos e uma corrente elétrica saía delas em forma de raios assustadores. Um deles atingiu Gabriela, que por pouco não morreu eletrocutada. Quer dizer, se fosse possível morrer. A Imortal correu para trás e, quando se virou, não conseguia enxergar nada a não ser uma enorme nuvem negra que a cobria. Não conseguia ver a Dama, que na verdade, estava se misturando aos ventos em forma de energia, tornando qualquer passo de Gabriela um grande risco de ser atingida por uma eletricidade de mais de 200 volts. E ela, definitivamente, não queria ter essa sensação.

Conforme a nuvem acima de Gabriela escurecia mais, raios passavam por entre os ventos. A garota começou a sentir medo do que Diana poderia fazer, quando uma corrente elétrica passou por baixo da Terra e derrubou-a no chão. Quando Gabriela caiu, totalmente cega, a nuvem negra de repente sumiu, e Diana apareceu ao seu lado.

– E então? — ela sorria, orgulhosa — Pensei que a Imortal tinha poder sobre todos os elementos, a morta e a vida, blá blá blá.

Gabriela sentou-se e bateu a poeira da roupa. Ela vestia a mesma armadura dos Bellatore, só que era prateada, e não dourada como a de Serena, Logan e Elizabeth.

– Tá bem, não humilha, né, Diana. — ela reclamou. A Dama ofereceu sua mão num gesto de respeito e Gabriela a pegou. Mas quando a garota segurou a mão de Diana, algo aconteceu. Diana começou a tremer e suas batidas cardíacas foram diminuindo rapidamente. Gabriela soltou sua mão no mesmo momento. — Diana! O que aconteceu?

– Sua... Vadia. — ela xingou entre tomadas de ar. — Trapaceira.

– O que? Mas eu não fiz nada! — Gabriela se defendeu. Mirty veio correndo ao ver que sua irmã não estava bem.

– Diana, levanta. — Mirty a chamou, usando seu poder de persuasão para ajudar a dama. — O que você fez, Gabriela? — seu olhar era feroz, como se fosse matar a garota em um segundo. Definitivamente, Mirty não gostava da garota. Não que ela pudesse gostar de alguém. Quer dizer, era Mirty.

– Eu, não, fiz, nada. — ela respondeu pausadamente. — Mas que droga! Ela me ofereceu a mão para levantar, e eu dei. Depois disso, não faço a mínima ideia do que houve. Juro que eu não estava tentando atingi-la. Diana já havia me vencido.

Diana começava a retomar sua vitalidade, quando Mirty deu um longo suspiro e passou a mão na cabeça em sinal de preocupação.

– Eu acho que sei o que aconteceu. Quando Diana tentou te vencer, você quase morreu eletrocutada, então o seu corpo, seu novo corpo, o que está ligado á Freia, entendeu como uma tentativa de te matar. Você deve ter tentado revidar, sem nem saber.

– Está me defendendo? — perguntei incrédula, mas ela me olhou com desdém.

– Garota, acorda. Você é a Imortal, e se acha que isso é algo bom, é melhor já começar a se desiludir. Ser a dona da imortalidade será como uma maldição. — Mirty falou, ríspida. — Toda vez que tocar em alguém, sugará a vitalidade dessa pessoa. Por que você acha que Freia é o ser mais solitário de todo o universo? Imortais têm uma habilidade chamada absorção. Tudo que você tocar, ou morrerá, ou viverá. No seu caso, parece que morrerá.

Cada palavra de Mirty feriu Gabriela como se ela estivesse recebendo facadas. A garota costumava ser sarcástica e durona, mas ali, ouvindo que sua vida se tornara uma maldição real, de repente lágrimas desceram de seu rosto copiosamente. Ela olhou para Mirty, mas não com raiva, e sim com tristeza. A dama, ao ver que Gabriela tinha ficado realmente mal, mudou sua expressão para confusa. Tudo o que Mirty sabia fazer era machucar as pessoas, psicológica ou fisicamente, mas agora que conseguira, não havia sentido prazer nisso.

Gabriela saiu da Zona correndo. Quando viu, estava tão longe de lá que mal conseguia ouvir som algum. Havia parado num emaranhado de árvores e arbustos negros, que definitivamente não pertenciam á Cineres. Ela deu uma olhada ao redor, e sentiu algo diferente quando deu um passo adiante. A mesma sensação de ter a magia negra tentando invadir sua pele voltou.

Ela havia saído dos limites da Zona. Agora estava no território das Sombras. Acidentalmente, entrara lá. Mas nada aconteceu. Por quê?

Gabriela se preparou para sair daquele lugar sombrio e escuro, quando viu uma sombra correr por entre as árvores á sua frente. Ela se manteve calada, prendendo a respiração cautelosamente, esperando que alguém aparecesse e desferisse um golpe ou algo assim. Alguns minutos se passaram, e ela ouviu um barulho de flecha cortar a floresta e então um pássaro caiu morto aos seus pés. Gabriela deu um grito. Algo do qual ela logo se arrependeu.

A pessoa que caçava na floresta começou a dar passos em sua direção. Gabriela suava frio, com medo do que aconteceria, e contou cinco segundos certeiros. De repente, a pessoa apareceu. Alguns metros á frente, seu corpo levemente coberto por uma árvore galhosa.

Era um garoto. Ele era incrivelmente familiar á Angelo, mas porque era totalmente o contrário dele. O garoto era alto e muito musculoso. Vestia uma blusa vermelho-sangue e calças escuras que se misturavam á escuridão do lugar. Ele tinha um arco-e-flecha ás mãos, e uma capa longa que, ao invés de iluminar, escurecia tudo ao redor. Seus cabelos eram negros, e seus olhos, incrivelmente azuis. Não como os de Angelo, da cor do céu, mas muito mais intensos, perigosamente hipnotizantes.

Gabriela e o garoto, acidentalmente, olharam um para o outro, e ficaram assim por muitos minutos. Os dois totalmente inertes, como se tivessem parados no tempo. Quando ela finalmente saiu de seu transe, tentou, arriscadamente, dar alguns passos para se aproximar dele. Mas quando seus pés deram um passo, o garoto se mexeu, e duas grandes asas negras saíram de suas costas. Ele deu um salto, e de repente sumiu. Sua expressão era confusa, como se ele mesmo não entendesse porque não matou Gabriela.

Quando o garoto sumiu, Gabriela finalmente caiu a ficha.

Ela acabara de encontrar o Anjo das Sombras. O rival de Angelo. Numa terra perigosa. E ele não a matou.

Sem nem pensar, Gabriela começou a correr dali, com a terrível sensação de estar sendo observada. Quando alcançou a Zona, ultrapassou o limite mágico e finalmente pôde respirar. Ela caiu sobre seus joelhos e arfou desesperadamente, enquanto as Damas e os Bellatore vinham em sua direção assustados. Sua cabeça latejava, e seu corpo parecia mole e fraco. Mas tudo o que ela conseguia pensar era no olhar que trocara com aquele anjo. Foi como uma hipnose, para os dois.

Angelo a chamava, mas ela não respondia. O garoto então tocou em Gabriela, mas quando o fez, foi repelido. Sua mão queimou, como se fosse uma ilusão, mas ele, incrivelmente, não se assustou. Por ser um Anjo, Angelo era imune á magia negra. E se sua pele queimara, mas não fisicamente, isso só significava uma coisa.

– Tem magia no corpo dela. — ele disse. — Ela... Ela foi contaminada pelas sombras.

– Mas a Imortal não é imune às sombras? — Serena perguntou, aterrorizada pela ideia de sua amiga ter se tornado uma contaminada.

– Sim. Mas ela não foi contaminada por qualquer servo das sombras. Foi pelo Anjo das Sombras. — Angelo engoliu em seco. — Porém, ela também o contaminou.

– Droga. — Serena xingou, entendendo tudo. — Então eles estão... Ligados?

Mirty ouviu tudo com um terror incompreensível nos olhos. Ashley percebeu o que estava acontecendo com a mentalista, e correu para segurá-la. Mirty estremeceu dos pés á cabeça, e repentinamente seus olhos adquiriram um tom branco. Ashley xingou, e os olhares das damas voltaram-se para Mirty.

– Mirty é a Mentalista. As vezes, as profecias vêm dela mesma. Como agora. — Ashley disse com a testa franzida.

Então Mirty disse a Profecia.

"A sombra e o elemento

Se unirão para por fim á morte

Acontecerá antes mesmo que a Escolhida

Seja entregue á própria sorte

No dia em que o anjo morrer

A Imortal poderá escolher

Salvar o amor da grande dor

Ou terminar o que começou"

Notas finais
Heeeeey! Por favor galera, os leitores fantasmas aí, apareçam gente! Esse capítulo deu início á verdadeira trama da história, então começou, oficialmente, a jornada da nossa Dama Solitária! Rapidex, alguém chuta quem é a Dama Solitária? E a Escolhida? u____u Adios, agora, Alice