A Dama Quase De Ferro
13 Capítulo 13 - Uma molhada e feliz verdade
Notas iniciais
Enquanto descia com a porta do elevador na minha cara, ficava pensando no que ela tinha dito. A última missão. A minha declaração. Pensando melhor, foi até bom o elevador ter quase esmagado o meu rosto, pois não saberia o que iria dizer. Naquele instante apenas pensei que deveria responder algo. Ela estava chorando, mas por que? Nós recém tínhamos nos entendido e voltado a sermos amigos. Por que então das lágrimas?
Para começar, eu primeiro terei de contar algumas coisas que aconteceram antes. Tenho que esclarecer tudo para não parecer um idiota e pervertido como provavelmente a Tsuki relata em quase todos os capítulos. É uma questão de princípios que afeta a minha masculinidade.
Me distanciei dela depois da vingança, mas não sei bem ao certo opor quê. Quase cometi um erro, ela é minha amiga e, apesar disso, eu quase a beijei sem motivos aparentes. Todo aquele clima me deixou meio confuso e, admito, que até pensei na hipótese de que eu estivesse me interessando por aquela desmiolada. Bom... logo imaginei que ela estivesse também confusa, não queria deixar mais uma pessoa apaixonada por mim, um ser incrível e sedutor, iria ser um problema. Brincadeirinhas a parte. Porém, eu não conseguia olhá–la do mesmo jeito, ficava sem jeito, sendo assim, me distanciei e me foquei em Kori, a garota dos meus sonhos que sempre desejei e que está muito perto de ser minha. E Tsuki, a garota que proteger, mesmo de longe, é uma prioridadeestabelecida no momento que foi feita a promessa, mas, também, pelo fato de ser tão tapada.
Para acabar com o esclarecimento, ainda antes do acidente do elevador, eu estava na minha casa, quase dormindo, quando de repente tocou o celular. Era um amigo meu que queria saber como se passava de fase em um jogo de RPG que eu zerei, como sempre. Sim, o viado do meu amigo não entendeu o que eu falei para fazer e me obrigouir para sua casa e ajudar ele no jogo. Depois disso, já sabemos o que acontece depois, não? Tsuki, choros. Última missão.
De volta ao elevador, eu estava preocupado com aquela nanica e pensando no que fazer. Eu deveria escolher entre um amigo (HOMEM) ou a declaração (MULHER). Saindo do prédio, eu liguei para o viado e disse que tinha coisas mais importantes para fazer e então sai correndo para a parada de ônibus. Era estranho, eu sentia medo, mas também estava ansioso pela resposta que ela me daria. Muitas vezes pensei em desistir, mas então lembrei que era homem. Fatos da vida, não é? Peguei o ônibus, que demorou mais que o normal, saindo do mesmo, começou a chover, fazendo com que eu, apavorado, chegasse mais rápido para a cena mais embaraçosa da minha vida.
Já estava escurecendo e fiquei pensando se a Tsuki estava bem em sua casa, ou se ainda estava na frente do elevador, quando a deixei. Será que estou sendo egoísta em pensar apenas nos meus sentimentos? Espero que ela me entenda, bom, é o que os amigos fazem.
Toc-toc.
Bato na porta e depois de alguma agitação de dentro de casa, Kori aparece com um lindo sorriso e com um rosto muito fofo de sono enquanto arruma seu pijama de gatinho.
–Horoíto? — disse surpresa — O que faz aqui? Aconteceu alguma coisa com a Tsuki? — disse esfregando um dos olhos e então percebe que estou molhado e vermelho — Oh! Está todo molhado, irá pegar um resfriado se continuar ai fora. Vamos, entre.
–N-não aconteceu nada com a Tsuki– disse quando sentei em seu sofá, sesecando com uma toalha que cheirava a Kori. Um perfume tão suave e aconchegante — Eu vim aqui porque... preciso dizer uma coisa para você.
–Bom, pode falar, meus pais saíram, vão demorar um pouco — disse ela com o sorriso gentilde sempre. Ela é tão perfeita. Tão doce. Tão... Tão diferente da Tsuki. Quem não se apaixona por alguém como a Kori?
– Ah, bom...– disse automaticamente.
Depois do transe de ver Kori de pijama me encarando enquanto esperava eu dizer alguma coisa, percebi que não sabia como começar. Como poderia dizer? "Kori, eu te amo e quero você desde que bati os olhos". Não. "Kori, eu te amo, fique comigo para sempre!". Não. "Seja minha!". Não! Não consigo achar nenhuma palavra que se encaixe. Estou me sentindo mal. Parece que estou traindo eu mesmo, ou até mentindo. Por que me sinto assim? Eu amo essa garota! Esse é o dia que eu tanto almejei.
–Horoíto? — Sinto um leve cutucar na minha testa franzida — Então, o que você queria falar mesmo? — disse Kori mais próxima de mim.
–Kori... — disse olhando para as minhas pernas — Está muito perto, isso é perigoso — falei baixo, porém ela escutou e logo deu uma distanciada, pensativa.
–Horoíto, por que deveria me distanciar? — disse ela calmamente.
–Por que...! - comecei a falar olhando nervosamente para ela, como se fosse uma coisa óbvia — Porque... — abaixei o tom de voz e olhei para as minhas pernas novamente — Eu gosto de você, sempre gostei.
–Horoíto...
–Não, espera, deixa eu falar tudo primeiro– faço uma pausa cerrando meus punhos frias e suados — Eu sempre quis que você me notasse, sempre esperei por uma resposta sua. As vezes imaginava esse momento, mas nunca sabia o que você diria depois da minha declaração. Eu quero muito saber, mas tenho medo — levantei, olhando para ela — Tinha medo! Mas... eu agora não encontro as palavras certas para dizer apropriadamente o que sinto por você. É muito forte...
–Forte que nem um laço de amizade eterna, não? — disse Kori, me interrompendo. Apenas nesse momento que percebo sua expressão. Que eu vejo de verdade ela. Ela está calma, com as mãos em suas pernas e com um olhar amenizador, profundo e cheio de afeto.
–Sim... Quer dizer, não... É mais forte! Eu...
–Você não consegue. Você sabe que não é verdade, por que mente tão descaradamente para si mesmo, Horoíto?- disse ela, se levantando e pondo suas mãos no meu rosto, delicadamente — Você sente um amor por mim, sim, mas não se compara com o que você sente pela Tsuki. Você sabe que apesar dos defeitos dela, você gosta daquela garota, porém não quer admitir. Horoíto... Você nunca me amou. Descobriu o amor com a Tsuki, eu era apenas uma garota legal.
–Não. Não é verdade! Eu fiz tudo isso por você, Kori! -disse segurando suas mãos.
Ela não entende tudo que eu passei por ela, para que ela sentisse algo por mim. Todas as vezes que tive que ficar horas com a Tsuki reclamando que fazia tudo errado, era por ela...
–Horoíto, você não gosta de mim. Vá atrás de quem você realmente gosta!
–Mas! Eu mudei por você! Não, quem eu realmente gosto é você!
–Mudou por mim? Você não mudou, talvez por fora, mas por dentro, você continua o mesmo garoto tímido e inteligente. Felizmente, consegui ser sua amiga e descobri um garoto legal e querido. Qualquer garota gostaria de ter um namorado como você, mas...– Kori disse enquanto me abraçava — Viu, você não sente nada com o meu toque. Diga, o que você realmente sente quando está perto de mim?
–Eu sinto aconchego, calor.
–Como um toque de uma mãe, de uma amiga, não? — disse me abraçando mais forte. Logo depois me soltou e deu um longo suspiro.
Espera. Será? Parece que tudo se encaixa. Quando fechei meus olhos no abraço, consegui imaginar minha mãequando eu era pequeno e tinha medo,de como ela me abraçava e tudo ficava bem, daquele calor protetor. Então... Eu me enganei pela imagem perfeita de uma garota que todos desejam? Será que a minha garota perfeita é, na verdade, uma garota toda errada? Tsuki...
–Me desculpa, acho que errei o endereço do meu destino, Kori. Obrigado – disse saindo correndo para a rua.
–Não foi nada! — ouvi ela gritando enquanto a chuva me molhava novamente.
Enquanto o ônibus andava que nem uma lesma, a chuva só aumentava e eu ficava imaginando todos os momentos que passei com a Tsuki, principalmente aquele em meu apartamento. Também em todas as noites que observava sua casa antes de dormir, para ter certeza de que ela estava protegida. Como pude ser tão idiota com ela? Eu deixei ela no meu prédio para me declarar para outra. Eu a fiz sofrer, e eu só percebi naquela instante. Por que não reclamou? Por que não disse que não era para ir?
–Eu ficaria com você até que suas lágrimas secassem e se transformasse em um lindo sorriso — era isso que eu iria dizer naquele momento do elevador. Agora me lembro. Tsuki... me perdoe.
Sai do ônibus correndo. Primeiro, fui para o meu prédio e procurei ela no meu andar. Nenhum sinal. Então fui para sua casa. Eu precisava falar com ela, não podia esperar mais.
Quem abre a porta não é a Tsuki, mas sim,sua mãe.
–Olá... O que aconteceu? Está encharcado! Entre logo, vou preparar um chá para você — disse sua mãe toda preocupada ao me ver, parece até a Kori, ela me puxa para uma cadeira, me enrola numa toalha gigante e chama a Tsuki– Vou deixar vocês dois a sós enquanto preparo seu chá. Fique ai, querido.
Depois de alguns minutos sozinho na sala com uma toalha enrolada no corpo, Tsuki apareceu. Sonolenta, sentou–se ao meu lado e pude ver que seus olhos estavam levemente avermelhados.
–Isso foi por minha causa? — me peguei dizendo enquanto apontava para seus olhos.
–Claro que não! Foi alergia!
–Por que está tão irritadinha, anã? — disse tocando no seu rosto.
–P–porque você é um idiota! Já terminou sua missão? Como foi? — disse ela batendo na minha mão, tirando de perto de seu rosto,e olhando para baixo. Ela é tão fofa quando não quer...tão...irresistível.
–Ainda não, mas daqui a pouco eu termino. Primeiro, preciso fazer uma coisa.
Antes dela falar algo, eu a puxei pelo pescoço e beijei–a. Eu não conseguia mais aguentar. Ela me empurrava com força, querendo que eu soltasse–a, mas depois de um tempo, ela acabou se rendendo e me puxou pela blusa, fazendo eu ficar mais junto de seu corpo pequeno. O beijo foi longo, lento, quente e cheio de sentimentos.Toda aquela ansiedade de vê-la, tudo que eu sentia, eu quis passar através do beijo. O beijo foi a minha declaração mais sincera que poderia ter sido feita.Nós dois finalmente estávamos ligados.
Finalmente a alcancei. A minha garota perfeita. A garota que estava esperando por anos. A minha dama de ferro.
Desculpe pela demora.
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