A Dama Quase De Ferro

4 Capítulo 4 - Meu outro lado


Notas iniciais
Demorei um pouquinho para postar, mas estava cheia de trabalhos e provas. Então esse capítulo é mais longuinho que os outros! Tomara que gostem e é isso, beijo e boa leitura!!!!

O Shopping até que não é um lugar tão odiado. Lá tinha jogos, mas antes eu tinha uma missão para realizar: Tentar transformar um ser estranho em um “príncipe”. Então comecei pela parte não tão difícil, o externo de Hiroíto.

Nunca tinha ido para tantas lojas fúteis na minha vida, e o "ser estranho" também não ajudava, estava sempre reclamando das roupas que eu escolhia, mas no final acabou aceitando. Claro. Ele deve ter gastado muito com essas compras, mas era ele que queria ter a Kori, não eu.

– Ta. Acho que chega de comprar roupas né? – disse.

– Ok. Mas é melhor você usar todas elas do jeito que eu te falei!

– Agora vamos para casa?! – disse todo alegre e indo em direção a saída, porem dei um puxão nele.

– Claro que não! Você acha que a transformação exterior é só pela roupa? – disse levando o a força para o cabeleireiro.

– Não! Por Favor! Eu imploro! – tarde de mais, nessa hora a cabeleireira já tinha tirado um pedaço do seu cabelo.

– Cala a boca. Parece até uma criancinha com medo de médico. Enquanto não estiver pronto seu cabelo, eu vou estar em umas lojas aqui que vendem mangas e videogames. Tchau... – sai andando e ouvindo os gritos dele me chamando desesperadamente.

Fiquei lá na loja uma meia hora e quando estava saindo levando minhas compras aparece uma pessoa toda de rosa. É... Já dá para saber quem deve ser não é? Suzuko. Claro.

– Sério que até aqui eu tenho que olhar para sua cara? – disse Suzuko parando na minha frente e me empurrando para trás, fazendo-me cair.

– Acho que ainda não entendeu com quem está lidando não é? – levantei e cheguei mais perto dela, encarando-a – Para de me atordoar e vá com sua futilidade em outro lugar.

– Você acha mesmo que vou deixar assim? Depois de tudo que você e seu “namoradinho” falaram e fizeram para mim? — ela moveu dois dedos de cada mão para ter uma aparência de “”– É melhor ter medo de mim, Dama de Ferro. –– disse, puxando a gola da minha blusa, ficando mais próxima dela.

– Ta, ta, ta. Já acabou? É que eu estou curiosa para ver as coisas que comprei, então, por favor, sai da minha frente, estúpida – peguei sua mão e apertei com força. Ela estremeceu. Depois me virei e segui em direção ao Hiroíto, que nessa hora deveria estar gritando que nem uma menininha querendo saber onde estava.

Quando estava quase chegando ao salão de beleza, algo me puxa para o banheiro do Shopping. Suzuko estava na minha frente me encarando novamente. Por que ela não se cansa disso logo?

– O que você quer agora?

– Isso – ela me jogou para a parede e com um movimento rápido, sua mão subiu e desceu até o meu rosto para me dar um tapa, porem, no ultimo segundo, não consegue, pois eu segurei sua mão. Espera um pouquinho. Quem ela acha que é para vir querer me bater?

– Você está me irritando, garota irritante – disse virando seu braço para suas costas, torcendo-o, e colocando meu joelho em suas costas para imobilizá-la – Você acreditou mesmo que conseguiria me bater? Baka.

– Me solta! – soltei a para não arranjar problemas — Isso foi só um teste para ver como reagiria. Dama de Ferro, você não viu nada ainda. Estou te dizendo... A minha vingança está apenas começando.

– Aham, ta bom. Agora pode parar de me perseguir?

Quando terminei de falar, ela já havia saído do banheiro e estava chamando suas amigas com seu sorriso falso dela.


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–ONDE VOCÊ ESTAVA ESSE TEMPO TODO? FAZ MAIS DE 1 HORA QUE VOCÊ SAIU E NADA DE TER VOLTADO! – gritava Hiroíto e me sacudia que nem um louco.



Dei de ombros.



– Seu cabelo até que ficou bom – disse.


Hoje foi um dia cansativo. Paguei (com o dinheiro dele) o corte de cabelo dele e fomos para a seção de alimentos. Estava morrendo de fome e então comprei dois Hamburgues com bastante queijo, batatas frias e refri para mim. Hiroíto só comprou batata frita. Comi enquanto Hiroíto reclamava de como ele estaria ridículo naquela roupa no colégio, que todos iam ir dele, que seu cabelo estava horrível e bla, bla, bla. Parecia até a Kori-chan de TPM reclamando de tudo. Estou tendo sérias dúvidas com a opção sexual do Nerdoso.

Depois de comermos. Saímos do Shopping e estávamos esperando o ônibus na parada para ir para a casa. De repente avistamos a Suzuko, que estava atravessando a rua com algumas amigas. Quando ela me viu, encarou-me, e eu o mesmo.

– Tsuki... Por que a Suzuko está te olhando assim?

– E você acha que eu sei? Pergunta a ela. Vamos que o ônibus está vindo.

Entramos no ônibus, o clima estava estranho, parecia que ele estava preocupado. Ficamos quietos até chegarmos à nossa rua, então quebrei o clima:

– Ei Gigante! É melhor usar essas roupas e ajeitar seu cabelo para amanha entendeu?

– Tudo pela Kori – sussurrou — Então até amanha Anã!

– Vai te catar!

Abri a porta da minha casa. E encontrei minha mãe sentada no sofá massageando seus pequenos e delicados pés.

– Tadaima!*

– Okaeri!** Ah filha, ainda bem que chegou! – disse minha mãe com um sorriso no rosto.

– Então mãe, encontrou algum emprego?

– Entreguei alguns currículos, mas ainda nada de me telefonarem. Meus pés doem muito, caminhei demais hoje! – choramingava ela.

– Descanse um pouco que eu vou preparar a jantar.

A única pessoa que eu conseguia ser carinhosa era a minha mãe. Devo tudo a ela. Foi ela que me cuidou quando meu pai desapareceu. Foi ela que lutou para sustentar-nos. Eu devia retribuir com a minha vida por tudo que me vez. Por isso minha mãe merecia a minha atenção e carinho, apesar de eu ter crescido, continua querendo me sustentar, mas vejo seu olhar de exaustão, não posso deixá-la se sobrecarregar, com isso, estou sempre trabalhando.

– Está muito frio hoje, cubra-se – disse pegando o cobertor e tapando-a delicadamente – Amanha estou indo trabalhar cedo. Meus dias de folga acabaram só daqui a duas semanas.

– Tsuki, não precisa fazer tudo isso, eu logo arrumarei um emprego fixo.

– Não mãe! Eu gosto de trabalhar, e estou grandinha para sustentar essa casa.

Ela me olhou orgulhosa. Levantou calmamente da cama e com os olhos brilhando me abraçou. Era muito sentimental.

– Ta. Agora vou preparar a janta... E não comece a chorar – disse levando meus dedos indicadores para a ponta de seus lábios e forçando-os a sorrir.

– Ta – disse com lágrimas nos olhos.


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Domingo, é resumido em trabalho. Sai de casa bem cedo. Fiz menos barulho possível para minha mãe não acordar, ela precisava descansar. Cheguei ao trabalho e fiquei até as 10 horas da noite. Meu celular estava sem bateria e eu via a minha morte por estar chegando em casa tarde. Era para eu ter voltado para a casa às 7 horas, estava ferrada.



O problema não é chegar tarde em casa, mas o local onde eu estou indo. A rua onde eu moro é muito perigosa, pois moro entre duas ruas que digamos “tem muitas mulheres da vida”, por isso a minha mãe ficava preocupada. Mas era só eu me cuidar que estava tudo bem.



Chegando à rua do lado da minha, onde o local é bem escuro, ouvi uns passos e cochichos atrás de mim. Comecei a andar mais rápido e os passos desconhecidos também. Comecei a ficar nervosa, iria ser meu fim, minha mãe vai me matar se eu chegar tarde em casa.


– Ei, Gatinha! Eu sei que tu me ouves... Para ai, queremos conversar com você – mais risinhos.

Merda. Preciso chegar logo em casa. Eu apenas preciso chegar em casa. Minha mãe vai me matar! Ela pode ter cara de boazinha, mas vira um monstro quando desobedeço, principalmente nessa hora da tarde.

– Não está me escutando garota? Queremos falar com você – disse com tom de irritação.

Meu Deus, a mãe deve estar arrancando os cabelos dizendo que vai me matar quando eu chegar.

– Garota... Você já está me irritando!

Estava afundada nos meus pensamentos, quando sinto uma mão grande e quente me puxando e me apertando com toda a força o meu braço, fazendo-me virar na direção oposta, onde o dono dessa mão estava. Era alto, porem não conseguia ver seu rosto pela escuridão.

– Finalmente consegui te pegar garotinha. Está perdida? Não quer ir para a minha casa, nessa hora não é bom meninas bonitas ficarem na rua sozinhas sabia? – senti nesse momento um ar de ironia. O que esse cara deu para aparecer justo agora?

Nem respondi. Estava apenas pensando na minha mãe. Virei-me, retirando a mão dele do meu braço, e indo em direção da minha rua.

Ele me apertou com mais força e começou a me arrastar para um canto da rua, muito mais escuro. O que eu faço? O que é tudo isso tão de repente? Hã? No desespero dei um tapa na cara dele e tentei me soltar, mas ele era forte e com raiva me xingou de tudo. Depois me jogou para a parede com tudo.

– Você é uma menina muito má sabia? Vou ter que te dar uma lição – disse com um sorrisinho nojento na boca.

O homem começou a chegar perto de mim. Tentei me soltar, porem ele me puxava contra seu corpo. Esse cara está me tirando né? Acha mesmo que eu vou ser tão fácil assim para deixar ele fazer o que bem entender comigo? NÃO. Que nojo. Para sair dali deveria fazer só uma coisa: uma joelhada no seu amiguinho. Apesar de exausta, ainda tinha energia.

Enquanto ele se contorcia de dor e me chamava de “vadia”, sai correndo. Quando cheguei em frente da minha casa, temi, não queria que a minha mãe me visse toda bagunçada e com alguns pedaços de roupas amassadas e sujas. Droga. Será que a Kori poderia me ajudar? Não... Sua casa é longe e seria perigoso demais ir até lá.

Hiroíto. Pensei no exato momento. Ele deveria estar em casa e é o único que podia contar naquele momento, já que é meu vizinho.

Disse ao porteiro não avisar que a namorada do Hiroíto estava subindo, e que eu iria fazer uma surpresa. O porteiro idiota ainda acreditou ainda para a minha sorte. Subi o mais rápido que podia e quando cheguei na porta de seu apartamento, apertei diversas vezes a campainha. Demorou um pouco, mas o Gigante apareceu com uma blusa azul marinho larga e uma bermuda branca. Seu cabelo estava desarrumado, parecia até um mendigo.

– O que você quer às 11 horas da noite? – disse quase dormindo.

– Vou dormir na sua cama hoje, então vá para o sofá. Também me diz onde fica o telefone da sua casa, já que terei de ligar para a minha mãe.

– Queeeee? Acha que é quem? Tsu- Nem ouvi o que ele disse e já entrei tirando meus sapatos e indo em direção a geladeira, estava morrendo de fome.

– Tsuki! Sai daqui. Onde você acha que está? Na sua casa? SAAAAI! – começou a gritar e me empurrar.

– Eu preciso ficar aqui seu idiota. Hoje não posso voltar para a casa.

– Por quê? – disse com cara de desinteressado.

– Por que sim, pronto. E já está decido. Você não precisa saber de nada, apenas me deixe ficar aqui, seu mentigo.

– Af garota! – suspira irritado – Ok. Apenas não mexa em nada e não me encha.

– Ta. Estou indo ligar para a minha mãe. Boa noite.

Peguei o telefone e disquei para casa. Minha mãe estava uma fúria. Menti, dizendo que estava na casa da Kori, que o pai dela tinha me encontrado na rua e me levado para sua casa já que estava escuro. Fico meia hora dizendo que tinha que ter dito para ela e que estava muito preocupada e que não era para nunca mais fazer isso e bla, bla, bla. Dei boa noite para ela e então desliguei.

Nunca dormi tão bem quanto naquela noite. A cama era macia e espaçosa. Amanha teria aula e eu ali na casa de um garoto estranho da escola que mora num apartamento sozinho e que se tornou meu “namorado” do nada, mas eu me sentia segura ali mesmo assim. Não sei por que, mas estava bem, finalmente.


Notas finais
Tadaima: Cheguei em casa em japonês

Okaeri: Bem-Vindo em japonês

Gostaram do ultimo capítulo? ;3