A Dama E O Mendigo
1 Capítulo 1- A Indiferença
Notas iniciais
Nunca te vi como hoje. Diante de pessoas importantes, quase não te reconheci. Trajava um terno preto clássico, calçava um Ferracini preto. Passei ao seu lado e o cheiro do teu perfume veio com o vento e hoje pela primeira vez entreabriram-se as lousas do meu coração, as batidas foram ficando distantes como se estivesse sonhando.
Voltei ao normal e com um enorme peso dentro do meu peito juntamente com uma enorme angustia invadiram meu ser.
Olhei novamente pra você e vi que agora eu era inferior a ti, agora você era o importante e eu era apenas mais uma mulher. Mas isso não me incomoda mais.
Fechei os olhos e uma brisa suave tocou meu rosto arrepiei e uma lagrima instantaneamente escorreu e pela primeira vez estranhei a minha alma.
_ Lembro-me que a 5 anos atrás enquanto voltava de uma reunião com um dos mais Bilionários banqueiros dos EUA , meu pai o Dr. Horace Greaves.
Estava chovendo muito e a gasolina estava prestes a acabar. Parei para abastecer em um posto que ficava perto a alguns cassinos e strippers de Los Angeles.
Enquanto abastecia ouvi batida no vidro do carro, olhei e vi um mendigo todo molhado, vestia trapos andava descalço, mal podia ver seu rosto de tão encardido.
Pensei... Será um drogado? Ou apenas um pobre faminto?
Abaixei o vidro e prendi a respiração.
“seu cheiro era insuportável”.
_Diga-me senhor oque queres?
Ele disse: _ Pode me dar uns trocados moça?
_ O meu senhor me desculpe, mas dinheiro eu não tenho!
_ Ironia minha dizer q não tenho dinheiro alias isso é oque eu, mas tenho.
Bom mas eu tenho uma coisa aqui q posso lhe dar se for do seu agrado. Abri a bolsa e peguei um dos meus cereais.
_ Toma senhor! _Entreguei um a ele.
Ele: _Mas oque é isso? Dizia furioso
Eu muito ingênua exclamei: _Ora meu senhor é uma barra de cereal!
Ele: Minha senhora tu acha q uma barrinha de cereal vá matar a minha fome? _Ele joga a barra de cereal no chão e vai andando.
Irritei com tanta ingratidão vinda de um homem q nada tinha.
_ Ora oque ele esperava de uma donzela? Uma marmita com uma enorme cocha de frango e uma garrafa de rom dentro da bolsa ??
Sai do carro e fui atrás dele.
_ Hey senhor! Ele parou e se virou diante de mim.
_Quem você pensa que é?
Eu lhe ofereço algo e é assim q agradece? Xingando? Reclamando?
_Ora essa! Você não passa de um drogado, que vaga pelas ruas a noite assaltando as pessoas que lutam por um dinheiro digno. Você não passa de um pobre nojento!
_ E quer saber mais? Eu odeio pobre, são sujos, e ficam tirando a paz das ruas! Ah fora o cheiro de vocês, só de ficar perto de um meu estomago embrulha!
Ele:_ Não me surpreendo senhora, é claro q alguém como você não sabe oque realmente nos somos, oque nos vivemos nessas ruas, levando NÃO, de muitos, poucos são aqueles q nos ajudam! Eu tenho orgulho do que sou, pois eu luto por aquilo que eu quero, nunca tive tudo, mas o pouco que tenho eu dou valor. Nunca tive uma roupa de grife, mas estou satisfeito com os meus trapos, são trapos, mas são dignos. E eu ainda tenho esses trapos e aqueles que nem isso tem? E agradeço a Deus por ter oque eu tenho. Sou pobre sim, mas o pouco que aprendi é que o que é meu é meu e oque não é não é! Agora me diga você: quem é você?
Falou com ironia.
_Enchi-me de orgulho ao responder, mas fui interrompida.
Ele: Não... Não precisa responder!
Ele: Sei muito bem quem tu és! Você é, mas uma patricinha. Que não viveu nada ainda, mal conhece a vida, é do tipo q julga, mas não quer ser julgada. Muito rica eu suponho, linda, inteligente, culta, mas sem caráter!
_O silencio dominava, até q ele solta uma gargalhada irônica.
Ele: Então senhora me diz agora quem é melhor?
Surpreendi-me.
Não havia oque falar, ele tinha razão, eu não passava de uma patricinha que tinha tudo, mas mal havia vivido a vida! Mesmo assim não dei o braço a torcer e falei com todas as letras!
_Ai meu Deus! Não vou perder o meu tempo com um pobre, ainda nas um pobre que se acha.
_Voltei para o carro, mas tudo aquilo q ele havia me dito não saia da minha cabeça, sua palavras martelavam em meus ouvidos.
Chegando em casa, fiquei diante do espelho , pensando em tudo oque o homem havia me dito.
_Pensei
_Acho que fui rude com aquele homem, bom vamos dizer que exagerei com as palavras. Ah, mas ele mereceu!
2- O Reality
Dois anos depois fui convocada para participar de um Reality, onde 20 lindas mulheres teriam que dar o melhor de si para conseguir o papel principal de um filme.
_Muitas mulheres matariam por uma vaga dessas, mas eu nem estou me preocupando. Já sei que vou ganhar!
Encaminharam-me para a sala de espera, junto com as outras 19. Não me satisfez ter que esperar sentada para mostrar todo meu talento! Até porque eu tive sempre tudo na mão, as coisas vinham atrás de mim e não eu ia atrás delas!
Enquanto reclamava silenciosamente o diretor passou no corredor chamando a primeira convocada!
Senhorita Brown! _Gritava ele no corredor
Acompanhe-me até o estúdio!
Passaram 2 horas e nada de me chamarem!
Ah... Minha barriga roncava de fome, pareciam cavalos debandando.
Mas meia hora se passou e nada!
Perguntei a um rapaz que havia saído do estúdio.
_Moço! Hey moço não esta me ouvindo?... Minha voz soava nos corredores!
Levantei e segurei-o pelo braço.
_Sim senhora? Oque deseja?
_Poderia me dizer por que estão demorando tanto para me chamar?
_Ah sim claro! Bom minha senhora... Ele é interrompido
_Ah, por favor, senhora não! Deixa-me muito velha!
_Tudo bem senhorita, bom como ia lhe dizendo, uma das concorrentes passou mal fazendo o teste principal e tiveram que socorre-la !
_Mas como? E eu? Quem ira me avaliar?
_Bom isso eu não posso lhe informar, mas garanto que será avaliada!
_De forma alguma, já esperei demais, ou o produtor me chama agora ou eu vou embora! Diga aos seguranças para me deixarem entrar, vou falar com esse diretor!
_Sinto muito senhorita, mas também não tenho autorização para fazer isso!
_Mas quem vocês pensam que são? Para me deixar esperando aqui? Vou ligar para o meu advogado e denunciar todos vocês!
O produtor escutando toda confusão sai do escritório e vai em direção a ela.
_Senhorita pode me dizer o motivo do tumulto?
_Ah você é o produtor dessa espelunca?
_Bom primeiramente isso não é uma espelunca, isso é onde eu e meus funcionários trabalhamos honestamente! Se a senhorita está insatisfeita com alguma coisa, poderia ter recorrido a central! Não precisava causar um tumulto no meu corredor! Afinal quem é você?
_Vai dizer que não sabe?
_Não!
_Sou Alice Brown filha do Dr. Horace Greaves, e sim não estou nem um pouco satisfeita com o modo de como estão me tratando aqui! Estou esperando a horas neste corredor frio para ser avaliada e descubro que vão demorar para me avaliar porque uma garota passou mal?
_Ah sim! Bom eu sinto muito, mas se não está satisfeita pode se retirar!
_Oque? Eu sou filha de Horace Greaves , você escutou Horace Greaves meu senhor! Ele pode mandar te prender por isso!
_Primeira mente eu não sou surdo muito menos lesado, eu já entendi que você é filha de Horace Greaves, e isso não te torna nem melhor nem pior que ninguém menina, você é como todos nós aqui! E como eu faria com qualquer um que causasse tumulto no meu estabelecimento eu farei com você! Por favor, retire-se!
_Como?
_É isso mesmo que você ouviu!
_Eu vou mandar meu advogado vir falar com você, espero que não fique triste por passar o resto da sua vida vendo o sol nascer quadrado!
_Ótimo, faça isso! Eu esperarei pelo seu advogado!
Furiosa sai batendo as portas dos corredores! Como pode, fui tratada como qualquer uma, fui enxotada, destratada, mas isso não ficará assim, não mesmo!
Voltando para casa vi um barzinho aberto, e resolvi parar! Não sou de beber mas definitivamente não era hora de pensar nisso! Eu acabara de perder a chance da minha vida, mas tudo bem, haverao outras oportunidades!
Entrei no bar, sentei no balcão e pedi um drink. Talvez fizesse relaxar, esquecer o dia cheio, aquelas pessoas feias gritando nos meus ouvidos! Ah droga!
Aqui senhora seu drink !
_Senhora? Por acaso tenho cara de velha?
_Me desculpe!
_Ah tudo bem deixa pra lá, tive um dia cansativo! Me desculpe!
_Tudo bem senhora... ah desculpe-me senhorita!
_Tudo bem, alias traga-me mais um drink!Por favor!
_Claro!
As horas foram passando, e eu já havia tomado 10 drinks! Estava bebada, incapaz de voltar para casa!
_Senhorita estamos fechando, quer que eu chame um taxi para você?
_Ah sim já estou indo embora! Quanto é?
_Ah sao 100 dolares
_Ah tudo bem! Fica com o troco!
Deixei o deinheiro no balcão e fui em direçao ao carro! Minha vista estava embaralhada mal podia ver onde pisava! Cambaleando e tropeçando fui andando, entrei no carro e bati a cabeça no vidro.
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