A Dama Branca
10 Um Sonho Estranho
Notas iniciais

Subaru acelerou seu caminhar. Até que finalmente havia chegado em frente ao prédio, que parecia possuir um sistema de segurança com câmeras e alarmes, e isso era realmente um problema.
A porta de entrada era eletrônica, e parecia liberar a passagem quando acionada por um cartão magnético, ou quando liberada por alguém de uma das salas comerciais. Aquilo parecia um pouco com o sistema de interfone.
Ele voltou a olhar novamente para a estrutura do prédio, e começou a pensar sobre o que ele poderia fazer para entrar lá.
Infelizmente sua rapidez não seria suficiente para que ele subisse até o terraço do edifício. Mas, parecia haver pessoas em algumas salas da estrutura, provavelmente alguém que possuía muito trabalho acumulado, ou simplesmente que deseja receber um retorno financeiro rápido. Talvez por isso estivessem trabalhando até tarde.
Aquelas pessoas o ajudariam a entrar. Subaru começou a contar os andares e em quais deles havia luz, e após isso, digitou a numeração correspondente a um deles.
O interfone começou a chamar, e uma voz masculina rompeu o silêncio que pairava no ambiente.
— Oi... – disse a voz esperando uma resposta.
— Olá... Aqui é o novo segurança noturno do edifício. Creio que não deva me conhecer pois comecei hoje. – disse Subaru firmemente.
— Precisa de alguma coisa? – indagou rispidamente a voz.
— Sim! Eu ouvi uma explosão vindo de uma das ruas e sai correndo do prédio para ver o que era, e na pressa acabei esquecendo o meu cartão de entrada dentro da sala de vigilância. O senhor poderia, por favor, destravar a porta através do seu ramal? – respondeu Subaru seguindo uma linha rápida de pensamento.
— Entendo... tudo bem! Tome mais cuidado da próxima vez. – disse o homem do outro lado da linha.
— Sim, senhor! – assentiu Subaru raspando a garganta na palavra "senhor".
E assim, o homem destravou a porta para que ele entrasse. Subaru abaixou a cabeça, por causa das câmeras e atravessou a porta.
Definitivamente, chamar alguém de senhor incomodava e muito Subaru. Ninguém era superior a ele, e por isso passar por aquela situação havia o deixado com muita raiva.
Mas tudo aquilo valeria a pena, ele descontaria toda essa raiva, e outras passadas, naquele maldito homem que lhe agredira.
O hall de entrada se encontrava mergulhado na escuridão, mas combinava harmonicamente com a estrutura do edifício. Após passar pela porta, podia se ver mais a frente algumas catracas de alumínio, que pareciam controlar o fluxo de pessoas com acesso aos andares superiores. À direita havia algumas poltronas estofadas de cor bege claro, e à esquerda uma bancada de mármore onde os recepcionistas e seguranças ficavam durante o dia.
Subaru esboçou um sorriso leve, saltou sobre as catracas, e se encaminhou para as escadas de saída de emergência. Nos elevadores poderiam haver câmeras, e ele teria que evita-las. Com certeza o hall também possuía, mas a escuridão acobertaria Subaru.
Assim, ele abriu a porta que dava acesso as escadas de emergência e usando sua rapidez subiu os 20 andares em poucos segundos, parando em frente a porta que levaria até o terraço, onde Shiro e aquele homem estariam.
O ambiente estava meio estranho, parecia que a gravidade e a pressão estavam maiores ali. Subaru inspirou forçadamente, e pousou sua mãe sobre o peito. Estava difícil de respirar para ele, mas o que estava causando aquilo?
Com certa dificuldade Subaru abriu a porta, e deu um passo para adentrar-se no terraço.
Ao longe ele podê ver Shiro, que se encontrava de costas para ele e de pé sobre o parapeito do prédio. Seus longos cabelos brancos balançavam vigorosos com as lufadas do vento.
Subaru tentou dar mais um passo, mas não conseguiu. Era extremamente difícil, se não impossível, de se mover ali.
— Então você veio? – disse a garota em um tom frio, mas ainda de costas para Subaru.
— O que pensa que está fazendo? – retrucou Subaru, tentando mover suas pernas com a intenção de andar até ela.
— Eu sabia que seria você que me encontraria... Você é o mais selvagem dentre os outros. – continuou a garota sem se importar com a pergunta.
— O que você disse?! – resmungou ele rangendo os dentes e espremendo as mãos.
— Você ouviu bem... Você é o mais selvagem dentre eles. Por isso possui os sentidos mais aguçados. – respondeu ela.
— Você vai se arre... – gritou Subaru sem terminar sua frase.
Ao ouvir isso, a garota solta um leve riso e se vira para Subaru.
Em seus lábios pairava um sorriso vazio, diferente de um sorriso de quem se diverte com algo ou que se sente feliz, aquele era um sorriso completamente sem emoção.
Ele não conseguiu ver os olhos dela, pois sua cabeça estava voltada para baixo, fazendo com que sua franja ocultasse seus olhos.
— Mais tarde farei você pagar pelo que disse... Mas por agora, só venha comigo. – disse esticando a mão com muito esforço, tentando ser gentil, mas com pouco sucesso.
Ao ouvir isso o sorriso sumiu dos lábios da garota, ela ergueu suas mãos na altura dos seios e começou a olhar para elas.
— Invejo vocês... – murmurou a garota ainda olhando para suas mãos.
— Como assim? – indagou Subaru sem entender; mas mesmo sem entender, a indignação invadia seu ser. – Tsc...Você inveja monstros sugadores de sangue?
— Isso pouco me importa.... O importante é que vocês são frágeis, e eu invejo isso. – respondeu ela voltando novamente a olhar para a cidade. – Estou cansada de tudo isso... Mas não consigo desistir... Até isso conseguiram tirar de mim!
— Não estou entendendo nada! – disse Subaru meio irritado.
Nesse instante ele lembrou do homem, o qual ele daria uma morte lenta e bem dolorosa.
— Onde está aquele homem? – indagou ele.
— Você se refere ao homem que te humilhou e me capturou? – retrucou ela provocando.
— Tsc... Ele não... – resmungou Subaru, mas ele foi interrompido pela garota antes de terminar a frase.
— Pode ficar tranquilo, já lhe vinguei. – disse ela.
— Como assim?! Você o matou? – perguntou ele espantado.
Aquilo deixou Subaru surpreso, como uma garota como ela poderia ter feito algo a ele. Aquele homem estava armado, e era um soldado, com certeza ele possuía um excelente treinamento.
— Isso não importa... é passado! – respondeu ela.
Subaru abaixou a cabeça meio pensativo, a ideia de que ela teria lutado com um homem daqueles atormentava seus pensamentos. O pior não era ela ter vencido o soldado, mas que ele mesmo não pôde fazer isso. Subaru realmente queria se banhar no sangue daquele maldito homem.
— Realmente... é passado! – disse ele assentindo com a cabeça, ele estava um pouco irritado.
— Já que ele não está mas aqui... você vem comigo? – continuou Subaru.
— Não posso. – respondeu ela ainda de costas para ele.
— Por que não?! – perguntou ele confuso.
Subaru não entendia muito bem o porquê daquela resposta. E Shiro estava estranha, estava fria, indiferente e distante. Normalmente ela era doce, um tanto irritante e meio estabanada.
Ele com certeza a levaria dali, com o consentimento dela ou não. E ele usaria a força se necessário. Mas naquele momento a força não era suficiente, ele não conseguia sequer andar, e respirava com certa dificuldade. Subaru decidiu então interromper sua respiração, já que como vampiro ele podia fazer isso quando desejasse. Porém o ato de respirar aumentava seus reflexos, mas parar a respiração seria um incomodo a menos.
Assim, Subaru passou a se concentrar somente em conseguir andar.
— Você não vai conseguir! – afirmou ela ainda de costas para ele.
Ao ouvir isso ele olhou para ela surpreso. Parecia que ela estava lendo seus pensamentos, decifrando suas intenções e ações.
— Você não vai me impedir de tentar realizar meu sonho! – resmungou ela irritada.
A ideia de alguém atrapalhar o sonho dela parecia ser a única coisa que abalavam suas emoções.
Após dizer isso, ela olhou para o céu. A lua que lá pairava foi oculta pelas nuvens escuras e carregadas. O vento soprava forte, fazendo com que os cabelos dela ondulassem conforme o vento soprava.
Algumas gotas de chuva, começaram a cair do céu, molhando as roupas e o corpo de ambos.
— Não podia ser mais perfeito! A chuva chegou no momento mais especial... E isso me faz sentir viva... Ela é a única coisa que me faz sentir viva. – disse ela.
— O céu está chorando, Subaru... E sabe por quem ele chora? – continuou ela terminando com uma pergunta retórica.
E lá continuou ela olhando para o céu, e conforme a chuva ia se intensificando ela foi fechando os olhos, e abrindo lentamente os braços.
As gotas de chuva batiam fortemente contra o corpo deles, e o vento fazia as gotas parecerem lâminas, que cortavam sem deixar marcas ou sangue.
A chuva que escorria pelo rosto dela, fazia parecer que ela estava chorando, seria isso uma das emoções que ela nunca pôde expressar?
Subaru entendeu o que aqueles gestos significavam. Ela era mais idiota do que ele jamais imaginaria. O que ele não conseguia entender é o porquê de tudo aquilo. Tudo que ela dizia era confuso demais, e totalmente sem nexo.
Quando ela abriu completamente seus braços, ela simplesmente deixou seu corpo leve, e se permitiu cair.
Os olhos de Subaru se arregalaram ao ver tal cena. Seria ele incapaz de salvá-la?
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