A Dama Branca
19 Passatempo
Notas iniciais
Oláaa!
Peço desculpas pela demora com o capítulo, pois além do Enem eu tive algumas provas de vestibular, embora eu esteja na universidade infelizmente não curso o que desejo, então eu continuo tentando.(torçam por mim!
O silêncio preencheu o quarto, nenhum de nós dois parecia ter algo a dizer, e muito menos a explicar. O fato de Ayato ter adquirido imunidade ao sol era algo inacreditável e inexplicável, pelo menos até o momento.
— Vou buscar seu uniforme escolar. – disse ele olhando para mim. — Mas...hoje é sábado! – disse alertando-o. — Tsc...eu sei! – retrucou ele meio rude. – Você vai ao shopping com o uniforme, já que é a única roupa que temos para você. Não permitirei que os outros vejam você assim. – continuou ele encarando minhas vestes, e parecendo ver através delas. – Só EU posso vê-las com tais roupas e sem elas, é claro! – concluiu ele piscando o olho direito e com um sorriso travesso nos lábios.O olhar dele, e aquelas palavras me fizeram estremecer, e em uma tentativa de defesa me encolhi sutilmente e cruzei os braços sobre meu tórax.— Calma, calma...Marshmallow... – murmurou ele vindo em minha direção. – Não vou fazer nada como você...agora. – fez uma pausa se aproximando ainda mais de mim, parando com seu rosto a poucos centímetros do meu. – A não ser que você peça... – sussurrou ele com seus olhos verde-esmeralda ardendo em desejo.O rosto de Ayato se encontrava muito próximo ao meu, quando ele proferiu tais palavras, eu pude sentir seu hálito gélido. Aquele hálito e aquelas palavras me fizeram ficar bamba, minhas pernas não ficavam firmes, eu estava completamente imóvel. Pude sentir meu rosto ficar quente e meu coração deu um salto, passando a bater forte.Ao ver a minha reação, os olhos dele cintilaram em diversão, ele realmente gostava de me deixar nesses tipos de situação, e o pior de tudo é que eu não conseguia conter esse tipo de reação.Então após alguns segundos me encarando, ele simplesmente se afastou dando algumas risadinhas sutis. Aquela maldita risadinha de deboche e diversão era realmente irritante! Mas...não deixava de ser charmosa.Que droga eu estava pensando?!Em reação a esse pensamento sacudi levemente minha cabeça a fim de afastar aquele pensamento idiota. —Algum problema, Marshmallow? – indagou ele confuso, me encarando. — N-não... – fiz uma pausa tentando me recuperar de tudo aquilo, inclusive do susto de tal pergunta. – N-nenhum. – respondi gaguejando. Ayato havia me pegado de surpresa com aquela pergunta e isso fez meu coração, que havia se acalmado um pouco, voltar a bater rápido.Porque aquela pergunta do nada?! Será que ele lia mentes?Se ele pudesse realmente fazer isso eu teria problemas. Imagina ele descobrir que pensei nele como sendo charmoso, isso seria realmente trágico! — Volto daqui a pouco. Não saia do quarto vestida assim. – disse ele em tom imperativo caminhando em direção a porta. – Antes que eu esqueça... – fez uma pausa interrompendo seu caminhar. – Tome seu café. Está na bandeja sobre a cama. – concluiu ele voltando a caminhar, abrindo a porta e saindo do quarto. – Até daqui a pouco, Marshmallow. – concluiu ele voltando-se para mim e piscando o olho direito, fechando a porta em seguida.Eu realmente não havia notado que sobre a cama se encontrava uma bandeja. Em virtude disso olhei para a cama e lá estava, na parte inferior da mesma, uma bandeja de prata, contendo algumas guloseimas.Instintivamente, corri na direção da bandeja e saltei sobre a cama, caindo por fim sentada, naquele lugar macio e aconchegante.Sobre a bandeja havia uma xícara de porcelana branca, a qual possuía flores azuis e algumas borboletas pintadas em sua superfície lisa. A xícara se encontrava apoiada sobre um pires, e ao redor da mesma haviam três pratos semelhantes, pequenos pratos de sobremesa. Um deles continha alguns biscoitos caseiros, os quais possuíam em seu centro suculentas cerejas vermelhas. Em outro prato se via algumas torradas cuidadosamente feitas, e no último uma salada de frutas. Havia também um bule de prata, bem refinado e polido, o qual possuía detalhes em alto relevo talhados em sua superfície. E por fim, dando um toque especial à bandeja, uma pequena jarra de cristal contendo Lírios vermelhos.Eu não sentia fome, nem naquele momento, nem nunca. Jamais voltaria a ser como eu era antes, a humanidade realmente já havia me abandonado a muito tempo. Mas eu não poderia fazer desfeita, afinal, Ayato trouxera aquilo com a maior boa vontade, então nada mais que justo do que eu comer, mesmo sem fome. E assim o fiz, começando por separar as cerejas dos biscoitos, afinal deveria deixar o melhor por último. Após isso, comi os biscoitos doces, em seguida a salada de frutas e por último as torradas, e intercalando com os alimentos sólidos, tomei um pouco do chá que havia dentro do bule, o qual possuía sabor de morango. Por fim comi as cerejas, que estavam realmente deliciosas.
Após tomar meu café, voltei a deitar na cama, e pus-me a olhar para a janela. Seria um dia um tanto longo, pois eu passaria o tempo todo presa naquele quarto. Afinal, Ayato pedira, mesmo que em tom de ordem, para que eu ficasse ali. E ele tinha razão, eu não poderia sair com aquelas roupas, ou melhor...com quase ausência delas.Passei um longo tempo somente encarando o teto, felizmente nada vinha a minha mente, meus fantasmas do passado pareciam estar dormindo hoje, para minha sorte. Mudei minha posição, se de deitada passar a ficar sentada. Percorri o quarto com meus olhos, até que notei ao fundo, sobre a lareira um livro.Até que era um bom passatempo ler, embora eu tivesse um pouco de dificuldade visto que naquele lugar não fui completamente ensinada a isso.Assim, saltei da cama, caminhei até o livro, chagando lá o peguei e tornei a voltar para onde eu estava inicialmente.Eu me sentia realmente animada em pegar algo para ler, pois sempre amei histórias. Quando ainda era criança e estava naquele lugar, a Dra. Kanade sempre lia histórias para mim e Misaki. Algumas dessas histórias não acabavam bem, e quanto nos deparávamos com isso a Doutora sempre dizia que a vida era complicada, e que nunca terminava igual aos contos de fadas.“Não existe final feliz!” dizia ela. E com o passar do tempo lá dentro, eu vi que isso era realmente verdade, principalmente após o que aconteceu com Misaki.Me lembrar de tudo isso mostrava que, ao contrário do que eu pensava, meus fantasmas não estavam dormindo, eles estavam esperando somente uma oportunidade para aparecerem.Ao chegar perto da cama, me sentei na mesma de maneira que recortasse minhas costas na cabeceira dela. Assim, tornei a olhar para o livro. Ele possuía uma capa preta de couro e apresentava o título “O Vermelho e o Negro”, o qual era talhado no couro em dourado. E assim comecei a ler o livro, que era bem espesso, por sinal. “O livro contava uma história a qual se passava na época medieval, e era narrada por um homem chamado Klaus. Segundo ele, todos os feudos e reinos menores obedeciam a uma único Imperador, chamado Aerion. Durante a conquista e anexação do território, Aerion exigia que todos os reinos e feudos tomados por ele lhe enviassem um tributo, que consistia em cem crianças e duzentas moedas de ouro, esse tributo seria cobrado de dez em dez anos.Essas crianças eram treinadas desde novas para fazerem parte do exército do Imperador, e Klaus foi uma dessas crianças.Aos poucos durante os combates, Klaus se destacou entre os demais, ele era imbatível nas batalhas, possuía extrema ferocidade além de empalar os derrotados, adquirindo, assim, o título de Empalador. Consequentemente ele conquistou a confiança do Imperador. Porém, os anos se passaram, e a idade chega para todos. Assim, Klaus, o Empalador, já não era tão apto a batalhas, mas graças a seus feitos o Imperador lhe presenteia com um feudo, e além disso, não seria necessário que ele pagasse parte dos tributos, devido aos serviços já prestados. Dessa forma, de dez em dez anos mensageiros do Imperador viriam para coletar somente as duzentas moedas de ouro. Assim, Klaus se casa e sua esposa concebe dois filhos.Aerion vem a óbito, assumindo o trono, seu filho Maegor. Maegor era o melhor amigo de Klaus, mas não mais, pois após tomar o trono ele exige do Empalador que ele entregue as cem crianças, dentre as quais seus dois filhos deveriam estar. Sabendo de tudo que seus filhos iriam passar, e temendo por eles, Klaus recusa a exigência do novo Imperador, e assim uma guerra se inicia.Desesperado, e quase sem esperanças, ele ouve uma história, sobre um monstro que habita uma montanha não muito longe dali. Assim, ele parte em direção a incerteza, quem sabe o que estava lá não serviria de alguma ajuda. Após escalar a montanha, ele encontra quase que em seu topo, uma caverna, e lá dentro uma voz monstruosa ecoa. O ser se apresenta como um Demônio, e questiona Klaus sobre sua busca, ele então explica seu desejo de salvar seus filhos e família. A criatura admira o fato de Klaus a ver como uma salvação e não como uma monstruosidade, e assim propõe um pacto no qual ele beberá o sangue do demônio. Esse sangue lhe daria grandes poderes, mas ao final do quinto dia ele sentiria uma sede incontrolável por sangue, e se chegasse a beber, ele nunca mais pararia, podendo matar até sua própria família.Sem hesitar ele aceita. Diante disso, a criatura corta seu braço, do qual brota um sangue negro e Klaus o bebe. Após isso, o monstro lhe fala que ele deveria morrer, para renascer mais forte do que jamais imaginou.Seguindo o que lhe foi passado, ele sai da caverna extremamente tonto e cai da montanha, por fim se transformando em um ser extremamente poderoso, e com tamanho poder ele retorna ao seu feudo. Exércitos surgem no horizonte, e Klaus parte na direção deles. Ele sozinho dizima mais de cem mil homens, e após isso parte em direção a quem ordenou aqueles soldados. Chegando ao palácio do imperador ele o mata, e assim retorna para seu lar. Porém aquele era o quinto dia, o dia em que ele finalmente poderia festejar com sua família, e o dia em que ele sentira sede, uma sede incontrolável. Fora de controle, ele mata sua mulher e seus dois filhos, e bebe o sangue vermelho deles, transformando-se no que a criatura o alertara.Após tomar consciência do que havia feito, ele imediatamente se isola em um castelo abandonado, no qual passa a eternidade se martirizando pelo que fez.”Ao terminar de ler o livro notei que ele, por inteiro, era escrito a mão, mas que não possuía autor. Procurei pelo nome do escritor, tanto nas páginas iniciais, finais e capa, mas infelizmente não achei. Seria esse um relato de alguém?!O livro possuía trezentos e cinquenta e sete páginas no total, seus relatos e descrição eram extremamente detalhados e profundos, o que aumentava ainda mais minha curiosidade sobre a veracidade de tais fatos. Confesso que fiquei um tanto impressionada por ter lido tão rápido, além disso, aquela dificuldade que eu possuía de ler, havia passado.Assim, fechei o livro e o pousei sobre cama, ao meu lado. Olhei para a janela e notei que o sol já não brilhava com a mesma intensidade de antes. Seu brilho era meio avermelhado, o sol parecia estar fraco, como se durante o tempo em que estivera no céu, suas energias fossem sugadas aos poucos, e após isso ele despareceria no céu. Porém no outro dia lá estava ele novamente radiante, pronto pra ter suas energias sugadas novamente... Isso não deixa de ser uma lição de vida, afinal, todos os dias somos sugados de todas as maneiras possíveis, mas no dia seguinte estamos de pé de novo, prontos para outra.Ao pensar em ser sugada, lembrei de Ayato e instintivamente sorri levemente. Infelizmente eu era um exemplo literal do que eu havia pensado, mas isso não deixava de ter certo humor.Ayato estava realmente demorando, pois segundo minha percepção de tempo o sol já estava para se por. Parecia até que ele estava tecendo o tecido e costurando a roupa! Não consegui me conter e soltei uma leve gargalhada, era realmente cômico o imaginar sentado em uma máquina de costurar, ou, com uma agulha e linha na mão. Será que ele não conseguira arrumar o uniforme? Caso isso se confirmasse teríamos de arrumar uma outra roupa.Imediatamente, Yui me veio à cabeça. Ela poderia me emprestar alguma peça de roupa somente por essa noite, porém eu teria que ir lá pedir, e com essas semi-roupas que estou seria meio complicado. Porém não custava nada tentar, certo?!Eu me sentia com certo medo, tanto por desafiar Ayato, quanto por sair andando pela mansão nesses trajes. Mas eu também sentia uma alegria, pois essa era a minha chance de ficar amiga da Yui.
Notas finais
Bom, é isso...
Espero que tenham gostado, como disse nas notas iniciais, esse capítulo é um intermédio entre os arcos.
E sobre a surpresa, estou planejando escrever um capítulo especial de natal. O que acham disso? Gostaria que deixassem suas opiniões nos comentários *--*
E mais uma vez obrigada tanto pelos favoritos quanto pelos comentários, e novamente desculpem pela demora.
Até a próxima! o/
Fale com o autor