A Dama Branca

21 Luzes de Natal


Notas iniciais
Olááá! o/ Gostaria de desejar a todos um Feliz Natal, muita paz, saúde e sucesso a todos. E que continuem a acompanhar a fic! rsrsrs :3 Bom, aqui está como prometido o capitulo especial de natal, mas ele ficou TÃÃÃO GRANDE que sua continuação será feita nos capítulos normais.(pois é ainda não acabou xD) Sobre a capa...fui eu que fiz, como já disse antes, não sou muito boa com photoshop, então fiz meu melhor, espero que tenham gostado *---* A ideia inicial era colocar os Chibis como se tivessem pendurados, mas alguns também estão posicionados como se estivessem em pé sobre as esferas de natal. Espero que gostem, tanto do capítulo quanto da capa e sim isso é um presente meu pra vcs!

Caminhei seguindo Subaru durante um tempo, conforme caminhávamos, notei que as janelas que anteriormente estavam fechadas agora estavam abertas, mas a iluminação continuava a ser feita pelas mesma lâmpadas laterais. Se via através da janela, que já estava anoitecendo.

Eu reconhecia aquele caminho, estávamos indo na direção do quarto do Ayato. Ao pensar em vê-lo, o pedido de Yui me veio à mente e com isso meu peito voltou a doer, e em reação a essa sensação pousei, novamente, as mão sobre meu peito e as pressionei. Quem sabe isso não ajudaria a amenizar o que eu sentia?

Após alguns minutos de caminhada, chegamos ao nosso destino, para minha infelicidade. Eu realmente não queria encarar o Ayato, não depois do que me foi pedido, afinal eu tinha prometido me afastar.

Subaru já saiu abrindo a porta, sem sequer bater. De repente me senti ser empurrada por ele, para dentro do quarto, e em seguida ele fechou a porta rapidamente. Eu não tive nem tempo de reagir a tudo aquilo, ele tinha agido muito rápido, além de ter sido algo totalmente inesperado para mim.

— Não...espera! – disse tentando influenciá-lo a abrir novamente a porta, mas de nada adiantou.

— Espera o que, Marshmallow? – Indagou uma voz extremamente familiar, quebrando o silêncio que pairava no quarto.

Eu reconhecia tanto aquela voz, quanto o jeito de me chamar. E ao ouvir a voz de Ayato estremeci, não de medo, mas de receio. Eu possuía um misto de desejos estranhos, querer e não querer sair correndo dali.

— Marshmallow! Ande, venha se trocar. – disse ele novamente. – Os outros já devem estar nos esperando. – concluiu Ayato.

Eu me recusava a olhar para ele, e devido a isso eu ainda me encontrava voltada para a porta, de maneira que ficasse de costas para Ayato.

Meu peito ardia em dor cada vez que eu ouvia sua voz, pois sempre que ela soava, a frase “Isso não é uma prova de amor?” e as palavras “Se afaste dele!” vinham a minha mente.

— Por favor...para! – murmurei baixo para mim mesma, colocando minhas mãos sobre o peito.

Repeti isso diversas vezes, quem sabe assim aquilo não ia embora.

Aos poucos percebi que se continuasse ali a dor iria continuar, por isso o mais certo a se fazer era sair rapidamente daquele lugar. Eu realmente tinha que ir para longe de tudo!

Assim, agarrei a maçaneta da porta, e a girei, mas repentinamente uma mão fria se sobrepôs à minha, me pegando completamente de surpresa.

— Tsc... onde pensa que vai?! – perguntou Ayato.

Sem entender o porquê, de meus olhos começaram a brotar lágrimas. Tentei usar minha força para conseguir terminar de girar a maçaneta e finalmente sair dali.

— Ei... estou falando com você! – disse ele em um tom mais alto, tirando minha mão da maçaneta, pousando rapidamente suas mãos em meu ombro, e voltando-me para ele, de forma que eu pudesse encará-lo.

Embora ele tenha me obrigado a fitá-lo eu permaneci de cabeça baixa, pois naquele estado eu era incapaz de fazer isso. Se o fizesse cairia em prantos, e naquele momento, diante dele, era o que eu menos queria.

— Desculpe... não estou me sentindo bem. – disse apertando as mãos que se encontravam em meu peito.

— O que está sentindo, Marshmallow? – indagou ele, e em seu tom de voz pairava certa preocupação.

Ayato estava realmente preocupado comigo, mas eu não podia lhe falar a verdade, então a única coisa que me restou foi mentir.

— Um pouco de dor de cabeça. Mas não é nada com o qual você deva se preocupar muito. – disse mentindo.

Após dizer isso, comecei a me sentir mal, afinal estava mentindo para quem me fazia e queria bem. Mas que escolha eu tinha?!

Repentinamente, senti meu corpo ser puxado para frente e por fim se chocar contra outro corpo, o dele.

Em seguida seus braços me envolveram, era um abraço gélido, mas a verdadeira intenção por trás dele era ser algo quente e aconchegante. E realmente o que importava era a intenção, e creio que por isso, enquanto estava envolvida por ele eu me sentia inegavelmente confortável e segura. A dor em meu interior parara, eu poderia passar o resto da minha eterna e miserável vida ali, em meio ao enlace gélido do Ayato.

Até que um barulho rompeu o silêncio e a calmaria que pairava ali. Ouvi, atrás de mim, uma batida na porta, mas quem seria?

Imediatamente, sai dos braços do Ayato, me afastei dele e tornei a olhar para o quarto, e vi sobre a cama arrumada, meu uniforme. Esse sim era algo que eu poderia chamar de meu, eu acho...

Assim, caminhei até ele, e quando eu me aproximava, uma voz feminina invadiu todo o ambiente. Aquela voz pertencia a Yui.

— Oi... – disse Yui, e em sua voz aparentava que ela estava com certa vergonha.

Na hora em que ouvi a voz da mesma, imediatamente eu estremeci e congelei. Eu não conseguia agir normalmente, mas eu precisava, então continuei meu trajeto até a cama, agarrei o uniforme e os sapatos, que se encontravam no chão, e parti em direção ao banheiro.

Enquanto caminhava, ouvia os dois conversando, embora eu quisesse ser surda naquele momento, pois ouvi-los me torturava ainda mais.

— O que quer, Yui? – Perguntou Ayato de forma seca.

— Bom, os outros já estão de saída para o shopping. Você não vem? – indagou ela de forma doce.

Porém, aparentemente, sua doçura não agradava Ayato.

— Eu vou...mas não agora! – respondeu ele rispidamente.

— Ora, venha comigo. Vamos juntos! – sugeriu ela alegremente.

Finalmente eu tinha chegado no meu destino final. Assim, abri a porta, entrei no banheiro, e por fim fechei a porta. Após isso, eu não ouvi mais nada do que eles falavam, porém o “Vamos juntos!” se repetia várias e incansáveis vezes em minha mente.

Tornei-me a olhar no espelho, e notei que estava sozinha. Seria desse jeito que eu iria ficar...

Incontrolavelmente, as lágrimas começaram a cair, mas eu ainda não entendia o porquê. Porque insistiam em cair? Seria por medo de viver sozinha? Mas eu sempre vivi assim, então porque eu chorava?

Junto com as lágrimas, a dor incessante, persistente e martirizante vinha, porém bem mais forte do que jamais esteve. Então me agachei no chão do banheiro, abracei meus joelhos e pousei minha cabeça sobre meus braços, que estavam agora cruzados. Assim eu fiquei por um tempo.

Durante esse período, várias coisas vinham em minha mente, mas nenhuma delas fazia sentido. Porém depois, tudo ficou emerso em negro, finalmente nada vinha aos meus pensamentos. Felizmente, nenhum fantasma resolveu me atormentar em um momento de fraqueza.

Minha solidão, lágrimas e dor, foram surpreendidas pelo barulho de batida na porta do banheiro. Nesse instante, me lembrei do Shopping. Como eu podia ter esquecido?

O problema era que eu não estava nem um pouco animada para isso, mas eu tinha que ir.

Então rapidamente desabotoei a camisa xadrez, vesti o uniforme, em seguida coloquei as meias e por fim calcei os sapatos. Após isso, me olhei no espelho, dei uns tapas na minha bochecha, na tentativa de disfarçar meu mal estar, e finalmente abri a porta.

Me deparei com Shuu à minha frente. Olhei de relance para o quarto, mas Ayato e Yui não estavam mais ali.

Ele deve ter aceitado o convite dela! E ao pensar nisso senti uma fisgada em meu peito, porém eu já começara a me acostumar com essa dor.

— Porque demorou tanto, Shiro? – disse Shuu com uma voz preguiçosa.

— Desculpa... acabei passando tempo demais penteando meu cabelo. – disse omitindo a verdade.

Novamente eu não podia revelar a verdade, até porque nem mesmo eu entendia a causa, tanto da dor no peito, quanto das lágrimas.

— Certo...então vamos, todos já estão esperando. – disse ele dando as costas para mim e partindo em direção aos outros.

Segui Shuu, e enquanto caminhávamos eu ia ajeitando meu uniforme, que estava meio atrapalhado, pois eu havia vestido com pressa.

Após alguns minutos chegamos na Limusine, que se encontrava parada em frente a porta principal da mansão Sakamaki. Conforme eu me aproximava ouvia o que parecia ser pessoas discutindo.

— Troca de lugar comigo, Subaru! – implorava uma voz que se assemelhava a de Ayato.

— Sai pra lá, Ayato! – exclamava uma voz parecida com a de Subaru.

— Não, Ayato! – soava uma voz feminina, possivelmente da Yui. – Fica aqui! – implorava ela.

— Fiquem quietos! – exclamava outra que aparentava ser Reiji.

Em meio a alguns gritos, se ouvia algumas risadinhas sínicas que eu possuía quase certeza que era Laito.

— Teddy já está cansado de esperar. – dizia Kanato. – Não podemos ir de uma vez? – indagava ele.

Todos já se encontravam acomodados dentro da Limusine. Assim, quanto chegamos até a mesma, Shuu cedeu passagem para mim, que entrei em seguida.

Haviam poltronas largas que ocupavam, verticalmente, o interior da Limusine. Essas poltronas se encontravam tanto na direita quanto na esquerda da mesma, já o centro era livre devido ao teto solar.

Subaru, Ayato, Yui e Laito se encontravam sentados, exatamente nessa ordem, à direita. Já nos assentos da esquerda sentavam, no centro do mesmo, Kanato e Reiji.

Após olhar para todos, abaixei a cabeça e sentei em um lugar vazio ao lado da janela, no assento da esquerda. Mais uma vez, eu senti aquela maldita pontada no peito ao ver Ayato e Yui próximos.

Notei pelo canto da minha visão, que Ayato e Reiji me encaravam, mas suas expressões eram indecifráveis. Yui olhava para Ayato, já Subaru se encontrava voltado para a janela. Shuu estava de olhos fechados, e também próximo a janela, porém na outra extremidade da mesma poltrona que a minha. Dentre todos, Kanato era o que parecia mais distraído, pois ele brincava com Teddy e sussurrava algumas coisas que não consegui entender.

— Agora podemos ir, Hazama. – disse Reiji dando ordens ao motorista.

Assim, saímos da mansão em direção ao Shopping.

Durante o caminho, notei que alguém sentara ao meu lado, porém resolvi não olhar, eu preferia ficar focada somente no que estava além da janela.

Repentinamente, senti uma mão fria pousar sobre meu ombro, e nesse instante me surpreendi, soltando um leve gemido de susto.

— Marshmallow, tenho certeza de que você irá gostar da cidade nessa época do ano. – pronunciou uma voz única que, possuía também, um jeito único de se dirigir a mim.

Ayato...vocês está dificultando as coisas para mim. Estou tentando dar a oportunidade para Yui se redimir com você, mas porque está sendo tão difícil?!

Pensar nisso, me fazia a dor latejar, mas no fundo eu sentia certa felicidade por ele se importar comigo. Porém porque me sentia feliz por isso?

Eram tantas dúvidas que nem eu sabia por onde começar a procurar as respostas.

Mas de uma coisa eu tinha certeza, eu não podia ignorá-lo, pois como diria Reiji, é falta de educação.

— Porque diz isso? – indaguei um pouco curiosa.

Do que ele estava falando? Aliás, em que época do ano estávamos? Realmente, eu havia acordado na mansão, mas não fazia a mínima ideia de tempo e espaço.

— Você verá... – disse Ayato mantendo certo tom de mistério.

Ele agarrou meu maxilar e direcionou meu rosto para a janela, me obrigando a ver o que a mesma transmitia.

Conforme chegávamos na cidade, notei que de longe, sua iluminação parecia mais forte.

Quando chegamos ao centro da mesma, eu não pude acreditar no que via. Haviam luzes por todos os lugares, podia se ver algumas envolvidas em árvores, postes, prédios e residências.

Se via, também, pessoas com diferente tipos de roupas, também circulando pela cidade. Estava tudo tão lindo, brilhante e completamente cheio de vida! As luzes possuíam diversas cores, que as vezes brilhavam ritmadas, ou em forma de cascata. Pareciam até estrelas, mas diferente das do céu, essas podia se ver com exatidão e quem sabe até mesmo tocá-las.

Uma alegria enorme me invadiu, levando para longe, tudo de ruim que eu sentira anteriormente. Essa alegria fazia meu interior se agitar de uma maneira quase incontrolável, era tudo tão magnífico que eu me sentia eufórica. Devido a essa empolgação e euforia levantei-me da poltrona e fiquei de pé, com o rosto próximo a janela e minhas mãos apoiadas no vidro da mesma. Não contive alguns múrmuros de admiração enquanto seguíamos nosso caminho pela cidade.

— É tudo tão lindo! – exclamei, não contendo minha empolgação.

Realmente, eu nunca tinha visto nada igual.

— Olhem, olhem... – disse voltando-me para os Sakamaki. – muito lindo, não é mesmo?! – continuei. – Eu nunca tinha visto nada parecido. É tão brilhante, tão encantador, tão mágico! – exclamei ainda mais animada, voltando-me para a janela a fim de observar as incríveis luzes.

Ao fundo eu podia ouvir algumas risadas, e imediatamente me virei para certificar quem ria da minha felicidade.

Laito, Shuu e Ayato riam da minha empolgação, pois para eles era algo simples. Porém a risada deles não aparentava ser de deboche, mas sim por achar engraçado . Além do que, eu não me importava, pois no fundo eu sabia que estava realmente empolgada e não conseguiria esconder. Assim, mais uma vez me voltei para a janela.

— Que patético... – murmurou Subaru.

— Teddy também gosta do Natal. – disse Kanato me apoiando.

Quando ouvi isso, virei-me rapidamente para Kanato.

— Então isso se chama Natal? – Perguntei a ele.

— Sim! – respondeu Reiji. – Não me diga que desconhecia isso... – concluiu ele me fitando com seus olhos púrpuras.

— Infelizmente não conhecia, não. – disse um pouco desanimada. – Mas agora é diferente... Agora eu conheço e amo o Natal! – exclamei animada erguendo levemente os braços.

— Já ama... sendo que acabou de conhecer. – murmurou Subaru indignado.

— Algum problema, Subaru?! – Indaguei o encarando.

Eu não o deixaria insultar a coisa mais bonita que já vi. Mas, Subaru parecia meio incomodado com tudo aquilo, será que ele não gostava dessa época do ano? Se não gostava eu realmente não conseguia entender o porquê, pois tudo era tão maravilhoso.

Poderia ele ter algum tipo de dor relacionado a isso? Ou algo que aconteceu nesse período?

— Você nem conhece as demais! Então não diga que ama algo que acabou de conhecer. – disse ele me fitando com aqueles olhos vermelhos sangue, semelhantes aos meus.

Enquanto eu e ele debatíamos, os demais pareciam rir.

Dei dois passos na direção do Subaru e parei de pé, na frente dele, que me olhou com certo estranhamento. E antes que ele fizesse algo, me reclinei e delineei, com meus dedos, um sorriso em sua boca.

— Sorria...! – disse, também, sorrindo gentilmente.

Ao esboçar esse sorriso, notei que ele ficava bonito quando sorria. Seu jeito ranzinza era charmoso, mas se ele sorrisse seria muito mais!

Mas que droga eu estava pensando?! Não, ele não era charmoso. Se bem que... só um pouco.

Repentinamente, senti algo envolver minha cintura e me puxar para trás, eu cai por fim no colo de alguém. Olhei para ver quem tinha sido tão audacioso, até que vi que era Ayato. Já era de se esperar... Mas estar no colo dele me causava certa vergonha, além de me sentir totalmente desconfortável com aquela situação.

Tentei me levantar, mas Ayato envolveu seu braço em minha cintura, impedindo que eu fugisse.

— Caiu diretamente no meu colo... me quer tanto assim, Marshmallow? – indagou ele piscando o olho direito e abrindo seu sorriso travesso de sempre.

Em reação a surpresa por ter caído no colo dele, e pelas suas palavras, meu coração deu um salto, e começou a bater descompassado, e eu podia sentir meu rosto começar a ficar quente.

Eu não podia mostrar que sentia vergonha, então tapei meu rosto com minhas mãos.

Enquanto eu tentava afastar aqueles sentimentos e sensações, senti um hálito frio próximo ao meu pescoço.

— Sabe... – sussurrou Ayato. – Estou com fome de Marshmallow... – murmurou ele ao pé do meu ouvido.

Aquelas palavras e aquele hálito gélido me fizeram arrepiar, e após isso um choque forte percorreu meu corpo. Depois de ouvir aquilo, senti uma mão apertar com firmeza minha coxa esquerda, e ao sentir isso estremeci.

Maldito Ayato! Fazendo isso no meio de todos, que vergonha! E por isso não conseguia tirar as mãos do meu rosto, pois caso o fizesse com toda certeza eles veriam que eu estava com o rosto completamente ruborizado.

— Consigo ouvir seu coração e pulsação acelerados... – sussurrou ele novamente. – Está excitada? – murmurou mordendo o lóbulo da minha orelha.

E mais uma vez um choque percorreu meu corpo, fazendo com que eu ficasse ofegante, e, embora eu não quisesse admitir, levemente excitada.

— A-a-aqui não! – murmurei baixo, com a voz abafada pelas mãos.

— Então depois você será toda minha! – sussurrou Ayato novamente ao pé do meu ouvido, e por fim lambendo meu pescoço.

Com essa atitude, ele conseguiu me causar sensações mais fortes do que os sussurros anteriores ou a mordida.

Eu não queria me sentir assim! Ayato seu maldito...sabia muito bem como me deixar desconcertada. Além disso eu precisava sair do colo dele, porém sei que não ia conseguir andar, pois eu podia sentir minhas pernas levemente tremulas e bambas.

Alguns segundos após eu pensar nisso, uma voz masculina grave interrompeu meus pensamentos.

— Chegamos, meus senhores. – informou a voz.

— Muito obrigado, Hazama. – disse Reiji.

Confesso que me surpreendi com a educação do Reiji, em todo o tempo que convivi com ele, mesmo que pouco, eu não havia visto ele agradecer alguém. Pelo menos não me lembro disso.

Mas o mais importante era que o destino me ajudara, ele estava me compensando pelos momentos em que me prejudicou. Isso já era um bom começo!

Assim, saímos do carro um por um, sendo eu a última. Quando sai da Limusine, e mais uma vez, fiquei impressionada com o local. Eu nunca tinha visto um Shopping antes, na verdade em toda minha vida eu nunca tinha visto muita coisa. Mas aquilo era realmente incrível, era uma construção de quatro andares, revestida em seu exterior por vidraças, e do exterior eu podia ver as pessoas andando lá dentro. E como se isso não bastasse, tudo estava também enfeitado de luzes brilhantes que piscavam incansavelmente.

Aquilo me encantou mais ainda, e sem pensar duas vezes saí correndo na direção do mesmo.

— Vamos! Andem logo! – disse animada chamando os Sakamaki.

Assim, corri até me aproximar um pouco da grande construção, até que parei para esperá-los. Embora eu estivesse completamente feliz, eu tinha certo medo, pois tudo aquilo era desconhecido para mim.

Enquanto os aguardava, eu olhava admirada para tudo aquilo.

Após poucos minutos eles passaram por mim, até quando tentei alertá-los sobre a porta.

— Espera! A porta está... – comecei a falar, mas o susto que levei me interrompeu.

A porta tinha se aberto sozinha! Olhei para tudo aquilo atônita, como aquilo aconteceu?

Ao ver minha cara de assustada todos os irmãos inclusive Yui, caíram na gargalhada. Eu não entendi muito bem o porquê, mas acabei começando a rir meio forçadamente, pois era melhor disfarçar, e entrar no joguinho também.

Após o susto e estranhamento, atravessei aquela porta estranha, com certo receio.

Quando entrei naquele lugar, me vi em um paraíso. Era bem mais lindo do que qualquer coisa que eu tinha visto.

Aquela construção, por dentro, era extremamente delicada. Haviam várias galerias de lojas, e no meio das galerias se viam várias decorações de natal, era tudo extremamente bonito e encantador.

Não me contive e saí correndo pela galeria do centro, pois em um ponto dela havia uma grande árvore toda enfeitada, que consegui avistar de longe.

Enquanto corria ouvi, sem querer, algumas coisas que eles falavam.

— Parece até uma criança descobrindo o mundo. – disse Subaru.

— Eu estou de saída, me recuso a andar perto dessa aí! Estou passando é vergonha. – dizia Reiji.

Eu não me importava com esses comentários, afinal eu estava mesmo focada era em guardar memorias sobre aquele lindo lugar.

Durante meu trajeto até a árvore de natal, parei várias vezes, à frente de várias vitrines, pois cada uma chamava mais a atenção do que a outra. E em algumas delas eu pousava minhas mãos sobre o vidro e ficava a admirando durante um tempo.

— Tão lindo! – murmurei encantada.

Enquanto estava parada à frente da vitrine de uma loja de ursos de pelúcia, voltei-me para olhar onde estavam todos. Quando notei que somente Laito e Subaru vinham na minha direção, então caminhei até eles. Me perguntando onde os outros foram.

— Onde está todo mundo? – perguntei meio confusa, olhando para os lados na tentativa de avistá-los.

— Podemos dizer que, todos eles saíram para não passar vergonha! – disse Subaru rispidamente. – Afinal, vocês está chamando muita atenção. – concluiu ele me fitando com a expressão séria.

Mas eu não estava fazendo nada de mais, ou estava?

Olhei ao meu redor e notei que realmente, muitas pessoas olhavam na nossa direção. Ao ver que todos aqueles olhares estavam focados em mim senti uma vergonha extrema, e abaixei a cabeça.

— Desculpa... não foi minha intenção. – disse tentando me redimir.

— Bitch-chan, porque saiu correndo na nossa frente? – indagou Laito, com seu costume estranho de me chamar.

— Bem... eu estava indo em direção a aquela árvore ali. – disse apontando.

— Então vamos até lá, querida Bitch-chan. – disse Laito, me fitando com seus olhos verde esmeralda.

Quando me preparava para sair correndo na direção dela, uma mão agarrou meu ombro, me fazendo saltar de susto.

— Vamos andando até lá... – afirmou Subaru, destacando com sua voz a palavra andando.

E assim, caminhamos até chegar árvore. Ela era gigantesca, e chegava quase a tocar o teto do shopping. Haviam vários enfeites espalhados por ela toda, além de muitas luzes. Os diversos enfeites variavam desde bengalas doces, até bonecos de neve e esferas coloridas. Quando cheguei perto da mesma, mais uma vez não contive minha empolgação. Dei uma volta completa sobre meu próprio eixo, com os braços erguidos, e parei bem diante da árvore.

— Uau! É realmente enorme, e tão linda! – disse para mim mesma.

Nesse momento tive vontade de levar parte dela comigo, para guardar de lembrança, pois aquele estava sendo o momento mais feliz de toda a minha miserável existência.

Assim, estiquei minha mão para pegar um dos bonequinhos de neve que estava ao meu alcance. Quando repentinamente, uma mão agarrou a minha.

— O que pensa que está fazendo? – indagou Subaru aparentando estar irritado.

— Vou pegar o bonequinho de neve para mim. – disse apontando para o que eu ia pegar.

— Mas você não pode, isso é roubo! – advertiu ele.

Eu realmente desconhecia isso, mas já que não podia eu entendi. Infelizmente não poderia, eu teria que guardar aquilo somente em minhas memórias mesmo.

— Entendo... me desculpe. – disse arrependida.

Atrás de Subaru vi Laito fazer um sinal de positivo, como se quisesse que eu pegasse o enfeite. Mas olhei na direção dele e balancei a cabeça em sinal de negação. Eu realmente não podia pegar aquilo para mim.

Mais uma vez virei-me pra árvore e depois tornei a encarar Laito e Subaru.

— Muito obrigada, por esses momentos... são os melhores que já vivi em toda minha existência. – disse agradecendo com um largo sorriso. – Obrigada mesmo!

Após ouvirem isso, eles me encararam de forma indefinida, eu realmente não conseguia supor o que eles pensavam até que Subaru se manifestou.

— Daqui a pouco volto. – disse ele dando as costas para mim e Laito, e caminhando na direção da qual viemos.

Olhei para Laito um pouco confusa, mas ele parecia tão confuso quanto eu.

— Então, acho que acabou sobrando para mim. – disse ele suspirando. – Serei eu que irei nas lojas com você, Bitch-chan. – concluiu ele.

Meu interior se agitou ao ouvir essas palavras, eu iria entrar naquelas lojas lindas. E ao pensar nisso soltei uma leve comemoração.

— Mas... – continuou ele. – nada de sair correndo, ou rodar, ou esfregar a cara nas vitrines. – advertiu Laito, se aproximando de mim, abaixando-se levemente de maneira que seu rosto ficasse frente ao meu. – Caso contrário irei puni-la... Entendeu bem?! – concluiu ele com um sorriso malicioso.

Eu havia entendido muito bem o tipo de punição que ele iria aplicar. Era do tipo que eu detestava e que ele e os outros adoravam!

Assim, Laito me acompanhou na compra das minhas roupas. Na verdade era ele que estava comprando, eu somente as experimentava, e me sentia péssima por estar dando gastos e trabalho.

Passamos em várias lojas, e eu sempre apontava e gritava para ele em qual devíamos entrar, pois sempre tinha algo que me chamava a atenção, eu realmente não conseguia esconder minha empolgação com tudo aquilo. Já Laito me ajudava a escolher quais roupas ficavam boas ou ruins, mas o gosto dele era duvidoso, pois sempre preferia coisas indecentes. Ele não passava de um pervertido, isso sim!

Após entrarmos em várias lojas, finalmente chegamos no que parecia ser a última na qual entraríamos. Eu e ele nos encontrávamos com as mãos cheias de bolsas, eu me sentia feliz mas um pouco receosa devido aos gastos.

Aquela loja era um loja bem grande, e vendia roupas de diversos tipos, e para ambos os sexos.

Quando entramos um rapaz nos abordou, ele trajava uma camisa social branca, um calça preta também social e sapatos que combinavam com todo o conjunto. O mesmo possuía cabelos curtos verdes, e seus olhos possuíam a mesma coloração dos cabelos. Era um rapaz bem bonito.

— Olá, meu nome é Kaname. – disse o rapaz de apresentando. – Posso ajudá-los em alguma coisa? – perguntou ele de forma cortês.

— Sim! – disse Laito. – Poderia nos levar até a área de lingeries? – indagou ele voltando seu olhar para mim e soltando um leve risinho.

As palavras e aquela situação me fizeram ficar com certa vergonha, pois o vendedor iria ficar pensando coisas indevidas, e era isso o que me envergonhava.

— Me sigam... – sugeriu o vendedor.

Assim, o seguimos, até que ele nos levou até a seção que Laito havia pedido. Instintivamente, me defendi.

— Ele falou isso brincando... – disse olhando para suas vestes a procura de um crachá com seu nome, até que finalmente achei, acoplado ao bolso direito da camisa social. – Kaname.

Eu gostava desse nome, era um nome familiar, mas o Kaname que eu conhecia havia morrido, se não me engano.

— Desculpem, foi falha minha. – disse ele se redimindo e se curvando levemente.

Olhei para Laito com um olhar de repreensão. Coitado do rapaz, havíamos o enganado, e eu me sentia culpada por isso, pois a vergonha não me deixou interceptá-lo enquanto íamos para dita por Laito. Para me redimir decidi pegar algumas peças dali mesmo.

— Bom já que estamos aqui... – disse pegando algumas peças que me chamavam mais a atenção.

Assim, peguei uns três conjuntos, dentre eles um biquíni, e os coloquei sobre meu braço. Enquanto fazia isso, ouvia Laito soltar alguns múrmuros, parecidos com “Hum...”

— Teria algum lugar para eu provar, Kaname? – perguntei a Kaname, apontando para as lingeries.

Eu me sentia um tanto desconfortável de chamá-lo pelo nome, mas já que tinha se apresentado.

— Claro, venha comigo. – disse ele gentil.

— Já volto, Laito. – disse começando a seguir o vendedor.

Segui Kaname até o canto direito da loja, e nessa área haviam vários provadores, além disso, muitas pessoas transitavam por essa área. Os provadores eram divididos, uns dos outros, por divisórias de madeira branca. Já a entrada era coberta por um pano preto expeço, impedindo assim, que pessoas do exterior vissem quem se troca no interior.

— Esses daqui estão livres – disse ele me indicando com a mão.

— Certo! Muito obrigada. – disse abrindo um sorriso gentil.

— Caso precise de algo é só chamar. – sugeriu ele.

Assenti com a cabeça, entrei no trocador, e puxei o tecido negro, de maneira que eu me trocasse de maneira privada.

Experimentei os dois primeiros conjuntos, com certo receio, pois me sentia estranha de fazer isso ali. O primeiro conjunto, consistia em uma calcinha e sutiã bancos de renda de mesma cor. Já o segundo era de tecido listrado de azul claro e branco, restando somente o biquíni.

No fundo eu sabia que nunca iria usar aquilo, até porque os Sakamaki nunca iriam poder ir até a praia durante o dia, mas existia a possibilidade de ir à noite. Verdade... era até uma boa ideia.

Vesti o biquíni, ele era vermelho e possuía alguns pequenos babados, ficara até bem em mim, afinal combinava com meus olhos. Me olhei durante alguns segundos no espelho, meu corpo era um tanto normal, exceto pelos seios que fartos. Felizmente, a maioria das roupas que eu usava não realçava isso.

— Olhando bem... – fiz uma pausa analisando meu corpo. – parece que eles estão em harmonia com meu corpo. – murmurei para mim mesma, tornando a olhar para os mesmos.

— Concordo! – disse uma voz familiar.

Ao ouvir isso dei uma salto, e soltei um leve gemido de susto, mas antes que esse gemido se tornasse audível aos outros, quem pronunciou aquela palavra veio para cima de mim, tapou minha boca e me prensou contra a divisória de madeira. Nesse momento notei quem dissera aquilo, era Laito. Mas o que ele fazia ali?

Tentei falar para ele me soltar, mas minha boca ainda se encontrava tapada.

Laito se encontrava extremamente próximo a mim, nossos corpos se encontravam colados, e uma de suas pernas se encontrava no meio das minhas, esbarrando em minha intimidade.

Sua mão esquerda tapava minha boca, e seu rosto se encontrava a poucos centímetros do meu.

Toda aquela situação me deixou aflita, desesperada, com vergonha e medo. E esses sentimentos fizeram com que meu coração acelerasse e junto com ele minha respiração. Meu rosto começava a ficar quente, de tanta vergonha. Eu estava somente de biquíni!

— Vejam só... – murmurou ele baixo. – Cheguei em boa hora. – concluiu Laito olhando para meu corpo, e passando suavemente sua outra mão na boca.

Comecei a bater minhas mãos em suas costas, na tentativa de me soltar, mas de nada adiantou.

Como ele tinha entrado ali? Sei que esse pano não deteria ninguém, mas iriam ver. Nesse instante me lembrei da velocidade que os Sakamaki possuíam. E tenho quase certeza que ele usara isso. Quando pensei nessa possibilidade a aflição, o desespero, a vergonha e o medo, disputavam espaço com a indignação. E eu achando que o destino estava me ajudando...

— Assim que eu gosto... – disse ele. – adoro te ver desse jeito... desesperada... – continuou ele aproximando seu rosto do meu. – Isso me excita tanto. – murmurou ele por fim, encaminhando sua mão livre até minha nuca.

Agarrei sua mão tentando detê-la, mas ele ainda conseguia a mover normalmente, como se não houvesse nenhum empecilho. Maldita força sobre humana!

Senti Laito começar a desfazer o laço que prendia a parte de cima do biquíni, e isso fez o meu desespero aumentar ainda mais, tanto que em meus olhos começaram a brotar lágrimas. Eu balançava a cabeça em forma de negação repetidas vezes, mas ele insistia em finalizar o que havia começado.

Enquanto ele desfazia o laço, seu rosto se aproximava do lado esquerdo do meu colo. Ele passou suavemente seus caninos em minha pele, e ao sentir isso um arrepio percorreu meu corpo, eu já sabia o que ia acontecer.

Repentinamente, seus dentes cravaram em minha pele, e conforme suas presas iam afundando em minha carne, mais dor eu sentia. Até que a dor aumentou quando Laito começou a sugar meu sangue. Eu sentia que parte dele escorria pela minha pele, até meus seios.

Laito finalmente conseguira desfazer o laço, para meu desespero. Mas somente um dos lados da parte superior do biquíni caiu, expondo meu seio nu. O outro lado, o direito, foi detido pela mão de Laito, que começou a apertar suavemente meu seio.

Eu não acreditava naquilo, ele estava conseguindo me excitar. Eu não queria, mas era mais forte do que eu. Novamente tentei falar para ele parar, mas minha voz saía tão abafada que não dava sequer para entender.

Eu podia sentir meu sangue escorrer até o bico do meu seio, e sabia que parte desse sangue também sujava as roupas do Laito.

De repente, suas presas descravaram da minha carne, mas eu sentia sua boca em contato com o local onde ele mordera.

— Tão macio... – sussurrou ele, apertando com mais intensidade meu seio direito. – e esse sangue é extremamente viciante. – murmurou Laito por fim.

Eu sentia o hálito gélido dele em contato com minha pele, e o choque de temperaturas me fez estremecer.

Lentamente ele começou a lamber a ferida que havia feito, e dela ele começou a descer, seguindo o trajeto do sangue que vazara. Eu sabia onde aquilo ia parar, então comecei a me debater, quem sabe alguém não notaria.

Sei que era algo praticamente impossível, mas não custava tentar.

Ouvi uma voz vindo por de trás dos panos, mas não consegui entender direito o que dissera.

Então tentei pedir ajuda, do jeito mais alto que eu podia, até que ouvi a voz de Kaname.

— Senhorita, precisa de ajuda?! – perguntou ele, por de trás do pano negro.

Mais uma vez tentei gritar por ajuda. Até que vi uma mão arredar levemente o pano.

— Com licença... – disse ele, anunciando que ia entrar.

Imediatamente, Laito olhou para o lado e sumiu, seu movimento rápido pra atravessar o tecido, fez com que o mesmo inflasse, seguindo o trajeto que ele fazia, e devido a isso o vendedor me viu com os seios à mostra. Imediatamente soltei um gemido de susto, me encolhi no chão, e eu não sairia dali tão cedo. Kaname me pediu desculpas diversas e incontáveis vezes, e eu sempre dizia que estava tudo bem.

Notas finais
Bom, como eu disse nas notas iniciais o capítulo ia ficar grande, e ficou um pouco, por isso dividi. Espero que tenha gostado, e espero também que eu tenha conseguido passar com sucesso a empolgação e felicidade da Shiro ao ver as luzes do natal. :D Gostaria de saber a opinião de vocês nos comentários, se não for incomodo, claro! Bom é isso, Como sempre... obrigada a todos por lerem, comentarem e acompanharem a fic!