A Dama Branca

17 Fragmentos de um Passado


Notas iniciais
Oláaa! Pois é, os trabalhos se encerraram parcialmente, mas as provas substituíram eles, por isso o motivo do atraso do cap. Prometo me esforçar mais e postar com mais frequência *..* Bom, para quem estava curioso sobre o passado de Shiro, aqui está um pouco dele ~Uhuuul~ Mais uma vez trouxe pra vocês junto com o capítulo, uma música pra ser ouvida, enquanto vocês leem: https://www.youtube.com/watch?v=dWv60nrVuYw Caso a música acabe antes de terminarem de ler o cap, é só repetir xD Espero que gostem, Boa leitura a todos...

Fiquei durante alguns minutos abraçada com Ayato, chorando de alegria. Após algum tempo minhas lágrimas cessaram e a felicidade que eu sentia, foi sendo substituída, gradativamente, por vergonha. Droga! Eu não devia ter feito aquilo. Me deixei ser completamente levada pela emoção de vê-lo bem. Aos poucos, pude sentir meu rosto ficar quente e um frio estranho começou a pairar sobre meu interior.

Deixei de envolver Ayato em meus braços, de forma a pousá-lo sobre meu colo, e olhei fixamente para ele, levemente ruborizada.

— V-você está bem? – indaguei com certa vergonha, mas esboçando um leve sorriso.

— Estou sim... – respondeu ele meio receoso e desviando o olhar.

— Que bom! Fico feliz ao ouvir isso. – disse abrindo meu sorriso.

Eu realmente estava feliz por vê-lo bem, só não sei o que eu sentiria se aquele Homem obtivesse êxito no que pretendia. Pensar naquele Homem e relembrar aqueles momentos me causava uma dor no peito que eu não conseguia explicar, embora eu realmente desejasse saber o porquê. E devido a dor que vinha com as lembranças, resolvi afastar aquilo dos meus pensamentos, afinal tudo acabara bem.

— Consegue se levantar? – indaguei preocupada.

— Claro! – exclamou ele um pouco surpreso com minha pergunta. – Aquele homem não ia conseguir me deixar incapacitado tão facilmente. – concluiu ele orgulhoso.

No olhar de Ayato pairava um misto de orgulho e raiva. Apesar de ele ter ficado inconsciente após todos aqueles golpes, ele realmente não admitiria que o Homem de Chapéu era superior a ele em muitos quesitos. Afinal, além de possessivo Ayato era orgulhoso e extremante teimoso.

Após dizer isso, Ayato se levantou, com certa dificuldade. Me levantei rapidamente na tentativa de ajudá-lo, mas ele fez um sinal com a mão indicando que não queria ajuda.

— Não preciso de ajuda. – disse ele em um tom seco.

Aquelas palavras me feriram de certa forma, pois, eu queria cuidar dele o máximo que eu podia, na tentativa de me redimir pelo que eu havia feito. Ainda que fosse o Homem que o feriu, eu sabia que possuía uma parcela de culpa em tudo aquilo.

— Entendo... – disse assentindo com a cabeça. – Vou tomar um banho então. Afinal, não me encontro em um estado muito agradável. – Conclui dando de ombros, e olhando para a enorme mancha carmesim, que se encontrava encrustada em minha camisa.

— Tudo bem... – respondeu ele rispidamente, encarando a camisa que ele trajava.

Eu não o condenava pelo tom seco e rígido, afinal ele parecia chateado e decepcionado consigo mesmo, creio que pelo fato de ele ter sido incapaz de se equiparar ao Homem Misterioso. Seu ego parecia severamente ferido, e eu me sentia realmente culpada por isso.

— Obrigada, Ayato... – agradeci me curvando levemente. – Obrigada por me proteger.

Ele tornou a olhar para mim parecendo estar confuso e surpreso.

— Tsc... eu não fiz aquilo por você! – disse ele com seu tom de orgulhoso.

Apesar do tom de orgulho mesclado com desdém, eu sabia que ele nunca admitiria ter feito aquilo para me proteger ou me poupar de lembranças e sensações ruins.

— Mesmo assim, muito obrigada... Na próxima eu protegerei você. – disse esboçando um sorriso sincero.

Eu sabia que não possuía nenhum dom extraordinário como os Sakamaki, mas daria o melhor de mim. Pensando bem, minha regeneração era algo extraordinário, e me ajudaria muito quando fosse necessário. Embora, em toda minha existência eu a visse como uma maldição que impossibilitasse por um ponto final em minha vida.

— Até parece que precisarei da sua proteção! – retrucou ele de maneira teimosa.

— Certo...certo! – disse ignorando parcialmente aquelas palavras.

Novamente, Ayato exibia seu orgulho e teimosia, mas eu não me importava, embora seja difícil de admitir, eu gostava daquele jeito dele.

Droga! No que eu estava pensando?! Eu não tenho que gostar do jeito dele.... não mesmo!

Virei-me na direção da porta que levava ao banheiro, de forma a ficar de costas para ele. Então caminhei na direção da mesma. Ao chegar perto dela, tornei a olhar novamente para Ayato, que não se encontrava mais de pé, e sim sentado à beira da cama de casal. Ele olhava para baixo, e estava reclinado para a frente com seus antebraços pousados sobre suas coxas. Ayato parecia estar pensando, remoendo ou refletindo sobre algo.

Por um instante eu queria poder invadir sua mente, e descobrir o que estava o incomodando tanto, embora eu possuísse uma suspeita. Nesse momento, desejei poder ler ou ouvir os pensamentos das pessoas que me cercam, mesmo sendo uma tremenda invasão de privacidade. Após pensar no termo invasão, voltei-me novamente para a porta, a abri, acendi a luz, e entrei no banheiro.

Passada toda aquela tensão, nada melhor do que um banho. Novamente peguei uma toalha na cuba de madeira branca que se encontrava abaixo da pia, e coloquei a toalha sobre a última. Caminhei na direção da banheira, chegando próximo a mesma me debrucei e abri a torneira que correspondia a água quente. Enquanto a banheira enchia, comecei a desabotoar a camisa encrustada de sangue, meu sangue.

Ver aquela mancha me trazia lembranças desconfortáveis e dolorosas. Após tirar completamente a camisa, pude ver a superfície de minha pele suavemente suja de vermelho rubi. Pousei minha mão sobre meu abdómen, era ali que aquele Homem perfurara, porém nenhuma cicatriz restou da ferida, mas o que não marcara minha pele marcou minhas lembranças.

A banheira já se encontrava no ponto certo para meu banho, então peguei a toalha que eu havia deixado sobre a pia, e voltei para a banheira, mas antes de entrar a coloquei dentro do cesto que estava próximo a mim.

A água quente era realmente reconfortante, assim que submergi meu corpo na água, ela começou a se manchar levemente de sangue e aquela imagem trouxe algumas lembranças à tona. Eu realmente não me lembrava de quase nada a respeito da minha infância e de meus pais, o que eu realmente possuo são fragmentos de lembranças.

Recordo-me de como era dura a vida nas ruas, principalmente para um criança. Eu sentia fome, sede, solidão e no inverno, frio. Por diversas vezes me perguntava o porquê de eu estar ali, porque diferente de outras crianças eu não possuía um lar ou quem cuidasse de mim. Aquelas águas de tom vermelho fraco, me recordavam das pessoas que já feri, muitas fatalmente.

Sempre odiei ver outras pessoas sorrindo enquanto eu chorava, além disso eu me odiava, por viver daquele jeito miserável, e ser incapaz de sequer deixar de existir.

Aos poucos fui me acostumando com aquela vida dura e sofrida, com o tempo meu corpo se acostumou com a fome, sede, dor e solidão. E junto com minha humanidade, meus sentimentos se foram, me tornei uma pessoa extremamente fria e decepcionada com a vida. Após isso, deixei de possuir necessidades humanas, como comer, beber e dormir, afinal já que eu era incapaz de morrer, já que não era mais humana, então porque ter tais hábitos?! O único que mantive, por costume, foi dormir.

A única coisa que me alegrava naqueles tempos miseráveis eram os doces, porém o que me trazia um pouco de felicidade me levou a ruína. Em um dia chuvoso, um Homem caridoso veio até mim com doces, alegando que queria me adotar, e cuidar de mim. Porém, aquelas palavras e promessas não se passavam de mentiras, assim eu e mais seis crianças fomos adotadas. Mas a real verdade é que ele nos usaria para futuros experimentos, com isso viramos vítimas da crueldade desse Homem e de seus subordinados.

Foi lá que conheci Kaname e Misaki. Kaname era também um garoto de rua, porém bem mais velho, ele possuía cabelos verdes de comprimento médio, e era chamado pelos homens daquele lugar de Número 02. Nunca cheguei a encarar Kaname nos olhos, pois seus cabelos os encobriam. Já Misaki, era uma meiga garota de olhos azuis e cabelos curtos de tom rosa claro, ela era frágil e delicada e além disso era minha melhor amiga, pois no final do dia de experimento era ela que ficava ao meu lado, ela era chamada pelos homens de Número 05.

Eu era vítima de diversos experimentos diários, desde cirurgias ainda consciente e sem anestesia, até a resistência a temperaturas extremas. E foi em um desses experimentos que perdi a Misaki, a única pessoa que eu tinha sido capaz de me apegar em toda a minha medíocre vida, ela havia me ensinado o que é cuidar e proteger alguém. Não lembro com exatidão o que houve, mas me recordo dos tubos de água extremamente gelada em que nos encontrávamos, eu em um e ela em outro. Eu me encontrava completamente nua, acorrentada, desesperada e com medo, e por isso me debatia, eu realmente queria sair dali! E na tentativa de me acalmar ela disse para mim “Ficará tudo bem, isso logo vai acabar!”, eu entendi essas palavras gentis através de leitura labial, mas eu não esperava por aquilo... Eles colocaram fios de alta tensão nos tanques com água, eu a vi morrer diante dos meus olhos, sem poder fazer nada. Aquele homens malditos, tiraram de mim a pessoa mais preciosa que eu possuía, e eu jamais os perdoaria isso!

Desse dia em diante as dores pararam, eu não sentia mais os experimentos que realizavam em mim. E devido a isso eu não possuo muitas lembranças, não sei quanto tempo se passou, ou quanto tempo fiquei aprisionada naquele lugar, era como se eu tivesse passado todo esse tempo dormindo e só despertado agora.

Sempre desejei que tudo aquilo fosse só um sonho, mas a marca que se encontrava em meu colo, e que tinha sido feita pelas pessoas que eu mais odiava na vida, era o que me mostrava que tudo aquilo tinha sido real.

Depois de certo tempo na banheira revirando minhas lembranças e memórias, decidi por um basta naquilo, afinal eu havia conseguido me libertar daquele lugar, não sei como, mas eu estava livre. Assim, dei meu banho por encerrado, lancei minha mão na direção da toalha, a agarrei, me levantei, destampei o ralo da banheira; permitindo que se iniciasse o escoamento da água e comecei a secar meu corpo. Tendo meu corpo parcialmente seco, saí da banheira, me enrolei na toalha e caminhei na direção da pia. Fiquei alguns minutos me olhando no espelho, com a mente completamente em branco.

Após esse tempo, olhei novamente para todo o banheiro, e nesse momento me dei conta de que não havia trago nada para eu vestir. Como fui lerda! Agora eu teria que sair de toalha e ir até Ayato pedir por alguma roupa, e isso era extremamente arriscado. Só de imaginar o risco que eu corria, meu coração começou a bater mais rápido, e meu corpo começou a ficar levemente trêmulo.

Parei em frente porta que levava ao quarto e inspirei fundo, na tentativa de tomar coragem para poder ir até ele e pedir algo para vestir. Infelizmente a coragem não vinha, mas mesmo assim decidi abrir a porta e encarar a situação. Assim, abri a porta e vi Ayato de pé em frente à janela. Ele parecia olhar para as árvores que cercavam a mansão, ou então podia estar admirando a chuva, embora isso não fizesse muito o estilo dele.

Antes que ele voltasse sua atenção para mim, apressei meu caminhar na direção do guarda-roupas que se encontrava próximo ás poltronas, o abri e peguei uma camisa, sem sequer pedir.

Eu realmente não queria que ele me notasse então depois eu pediria, embora já fosse tarde, aquele não era o momento para demonstrar educação, era o momento para ser sorrateira.

Vesti a camisa por cima da toalha mesmo, a abotoei e puxei a última por baixo da camisa, de forma que não fosse necessário eu ficar completamente nua para que vestisse aquela roupa. Coloquei a toalha dobrada ao meio sobre uma das poltronas, onde já se encontrava outra também usada por mim.

Pois é, eu tive tanta pressa em ir tomar banho que acabei esquecendo que eu já havia pegado uma toalha, eu realmente estava lerda depois de tudo que aconteceu.

Imediatamente após pousar a mesma sobre a poltrona, me encaminhei para a cama, de maneira furtiva. Eu realmente tinha que abdicar do lado lerdo e incorporar o Ninja, quando pensei nisso abri um leve sorriso, e assim fui furtivamente até a cama e deitei sobre a mesma. Aos poucos o sono foi tomando conta de meus sentidos, e após um tempo, adormeci.

Notas finais
Bom... é isso, espero que tenham gostado e que não fiquem chateados com a demora :/ O próximo capítulo se encontra parcialmente pronto, então devo postar ele em breve. Mais uma vez, muito obrigada a todos que comentaram, que favoritaram, e que acompanham a fic! Muito obrigada, mesmo.