A Dama Assassina
1 Capítulo I
Notas iniciais
Espero que gostem!
A jovem olhava-se no espelho. Dentro de algumas horas conheceria a pessoa que seria seu marido. “Pelo menos você vai ter opção” ou “você ainda vai poder exercer sua profissão depois do noivado” eram frases frequentes quando a ouviam reclamando desse casamento. “Hum, opção seria se eu não tivesse que me casar”.
O quarto onde estava extremamente belo. A cama dossel era tão grande que quatro pessoas dormiriam ali sem nem notar a presença umas das outras, a seda que ficava nas madeiras eram tão caras que nem se junta o salario de três gerações de plebeus conseguiria comprar dois metros. A tapeçaria que cobria as paredes e o chão era de alta classe também. Na parede contraria a cama ficava a porta de madeira com maçanetas douradas, a jovem se sentia tão pequena ao chegar perto que se perguntava se era essa a intenção de seu pai ao coloca-la lá. Ao lado ficava a lareira, a estante cheia de livros e uma poltrona vermelha com pés dourados. Na parede direita havia uma porta de vidro com varias janela em volt que levava para a sacada e ao seu lado um espelho de corpo com moldura dourada e uma medira circular com uns 10 centímetros de altura coberta com um tecido aveludado roxo cobrindo-a em sua frente. Ainda havia uma penteadeira na parede esquerda, era onde a dama se encontrava.
Sentada na cadeira, a moça encarava seu reflexo. Seus cachos abertos loiro escuro quase marrom caiam sobre seus ombros e iam até a metade das costas. Seus olhos azuis se destacavam na pele bronzeada. Vestia uma camisola que era feita com os tecidos mais finos do reino. Era muito dinheiro gasto em uma garota de apenas 16 anos, a jovem até concordaria se não fosse ela que trabalhava para ter esses luxos.
Seu nome era Letha Killzer, a primogênita de seu clã. Os Killzer eram um clã rico e famoso de assassinos, não que a guarda não tivesse tentado prende-los na sua ascensão, mas seus esforços foram em vão. Por fim, tinham se tornados tão poderosos que eram praticamente senhores feudais, claro, se existisse senhores feudais no século dezessete.
Podiam pedir qualquer preço, nunca falhavam, alguns boatos até diziam que um deles valia a mil guerreiros. A primogênita, claro, estava dentre eles. Não apenas isso, como sua habilidade com adagas era de invejar o guerreiro mais experiente.
Ouviu uma batida na porta, virou a cabeça em direção a ela e disse:
-Entre!
Da porta saiu Kaline, sua escrava, não que Letha aprovasse a escravidão, mas quando ainda era criança seu pai havia recebido um trabalho para matar, Konor Swit um comerciante muito rico, porem quando descobriu isso mandou uma carta onde havia escrito o seguinte:
Senhor Tayn Killzer, líder do clã,
Ouvi boatos que há uma proposta para o senhor me matar, porem se você recusar lhe darei minha própria filha para ser sua escrava.
Além disso, se você matar a pessoa que quer me ver morto, lhe pagarei o dobro que ela te pagará.
Aguardo sua resposta,
Konor Swit.
Não culpava tanto seu pai e sim o comerciante. Esse tipo de pessoa era oque Letha mais odiava, eles eram piores que assassinos, mandavam seus próprios familiares para uma vida cheia de sofrimento. Os Killzer nunca matariam aqueles de seu clã e matavam suas vitimas de forma rápida, a menos que eles tivessem algum ressentimento pessoal, ai nesse caso a pessoa morria de forma lenta e dolorosa.
Kaline era muito bela, poderia facilmente ter se tornado uma lady muito desejada pelos lordes se não tivesse acabado com esse destino trágico. Ela tinha a pele mulata, olhos pretos assim como seu cabelo que era bem cacheado. Usava um vestido simples marrom com um avental branco por cima. Seus cabelos estavam presos em um coque desarrumado e frouxo.
Ela e a primogênita eram muito amigas. Uma das condições inclusive para que assassina não cortasse a garganta de seus pretendentes era libertar a amiga após o casamento.
A escrava levava um vestido em suas mãos. Letha se levantou e foi até o espelho de corpo, tirou a camisola ficando com apenas de roupas intimas. Kaline a ajudou a vestir o vestido apertando o espartilho até não conseguir respirar mais, prendeu seu cabelo com um coque alto e colocou varias joias nela.
-Você esta linda. –disse a escrava
-Obrigada.
Letha realmente estava linda, o vestido que ela vestia era cinza com detalhes espirais brancos, o decote, a barra do vestido, as extremidades das mangas e alguns detalhes do espartilho e da saia tinham babados.
-Melhor eu ir – disse a assassina
A primogênita seguiu caminho até parar em uma sala onde havia seus pais, sua irmã caçula e alguns serviçais.
A sala tinha paredes cor caqui, varias pintura com molduras feitas de ouro, um sofá e cadeiras azuis com fios de ouro bordando o tecido, também tinha uma grande porta que dava para o salão central, onde estavam os pretendentes.
Seu pai, o senhor Tayn Killzer, estava sentado em uma das cadeiras. Seus cabelos ondulados cortados de forma um pouco curta, assim como seus olhos e sua pele tinham a mesma cor de sua filha. Embora tivesse 41 anos poderia facilmente enganar os outros dizendo que tinha 29. Ele usava calças e um casaco azul escuro, uma camisa branca e uma gravata que formava um laço dourada, típicas roupas de um rei que era.
Os Killzer eram reis de uma ilha entre a Espanha e a Irlanda chamada Ilanfog, a capital, a cidade em que moravam era Highlancity. Há cerca de três gerações atrás o clã havia se tornado tão poderoso que invadiram a capital matando toda a família real e seus soldados tornando-se rei do local.
Sua mãe, a rainha Akella Nesdertan Killzer. Seus cabelos castanhos escuro estavam presos em um coque baixo, seu vestido era vermelho com detalhes bordados por fios de ouro, usava varias joias. Apesar de ser 10 anos mais nova que o marido, podia ser facilmente confundida com um lady em idade de casamento. Por já ter passado pela mesma situação da filha fazia de tudo para ameniza-la, a ideia de ter cinco pretendentes e que Letha escolheria entre eles.
Akella e Tayn quando ela tinha 14, ele se apaixonou e cuidou para que ela fosse sua. No mesmo ano se casaram e após um ano Letha veio ao mundo.
Por fim havia sua irmã caçula, Ayka, toda vez que Letha a olhava sentia nojo de si mesma por terem o mesmo sangue. A assassina acreditava que cada um tinha uma missão em vida e que ao forçar o casamento com uma mulher a impedia de cumpri-la, mas nem para isso servia. A caçula era mimada e nojentinha, não era difícil vê-la agredindo os empregados, não era forte que nem os seus antepassados e por isso não servia para ser assassina, também não tinha perfil para ser uma boa sacerdotisa ou esposa, por mais que a primogênita odiasse ter que admitir talvez a missão de vida da mulher fosse ser ter herdeiros. Porém a mais velha já tinha conversado a com seu pai e tinha descoberto que no ano seguinte levaria sua irmã para um castelo distante para ensina-la “modos”. Outra condição para não matar seus pretendentes era que ela escolheria o marido de sua irmã.
Ayka tinha os cabelos e olhos castanhos e a pele clara de sua mãe, porém seus cabelos eram ondulados que nem seu pai.
-Você esta linda, minha filha. – disse a mãe – Esta nervosa?
- Quem não estaria? –respondeu
Tayn fez um sinal com a cabeça para os serviçais abrirem a porta e assim obedeceram.
Fale com o autor