A Dama

10 Capítulo 10: Perseguição.


Dereck dava olhadas constantes para o espelho retrovisor. Ele vê Clarice se erguer com dificuldade e se sentar. Os cabelos da loira estavam sujos de sangue e o nariz dela sangrava. Dereck ri olhando para ela. Ver Clarice daquele jeito o divertia.
Ela o olhava com raiva. A mente de Clarice trabalhava, pensando no que ela faria para sair daquela situação. Ela pedia aos céus que a amizade de George por ela não fosse tanta ao ponto dele resolver se arriscar e vir atrás dela. Esperava que ninguém fizesse mal a ele, que George fosse embora para qualquer lugar no mundo e estivesse a salvo. O pensamento da loira viaja até Robert. Ela pensa no seu esposo, o homem que ela roubara o coração com apenas um sorriso e que devotava a ela carinho e cuidado. Pensava em como ela o enganara todos esses anos, o fazendo crer que ela era uma mulher perfeita, ao invés de uma assassina.
"Será que se Bob soubesse me perdoaria?"
Pensou em seus pais, em como será que tinham sido mortos, se haviam sido levados assim como ela, amarrados e impotentes para que os excutassem. Talvez tivessem sido torturados antes de sua morte. Pensava em como eles foram meros peões num jogo de xadrez de poderosos hipócritas.
Dereck estende a mão para trás e puxa a fita dos lábios de Clarice, fazendo ela sentir dor. Ele a olha mais uma vez pelo espelho e debocha:
_A invunerável Dama... Parece que não era tão invulnerável assim não?
_Só me pegou porque tinha uma arma e eu não seu covarde!
_Pode ser... Admito! Num mano a mano com você, eu teria apanhado feio. Nunca conheci uma mulher que soubesse bater como um homem. — Ele solta uma risadinha debochada. — O que falta em masculinidade a George, tem em você.
_Olha quem fala.
_Sou hetero! Nunca dormir com ele se quer saber. Beijos por beijos é facil fingir... Tenho nojo de gente como George! — Clary estava mortificada. — Mas no nosso trabalho, falsidade faz parte. Não é loira?
_Espera que eu acredite? — responde ela "ligando o botão do sarcasmo".
_Tive que fingir Clarice! — explica-se com uma nota de nervosismo na voz que Clarice percebe. — Tudo, somente para pegar você!
_Pra mim você é uma bixa enrustida! Admita... Estava gostando de beijar o George e das mãos dele em cima de você! Eu via a sua cara de felicidade! Feito criança que ganhou aquela bicicleta vermelha do Papai Noel. — fala ela esboçando um sorriso debochado. — No seu caso seria rosa e com muito gliter!
_Calada Ethelvyse! — manda Dereck com raiva.
_Senão foi pra cama com George, garanto que estava doidinho para tal coisa. — fala ela com ironia. — Imaginem só! O macho fingindo que era gay, mas com o desejo de ter Collins fazendo o que quisesse com ele.
_CALA A BOCA! — grita ele colocando a arma na cabeça de Clarice e a vendo cair na gargalhada.
_Você não vai me matar Dereck! Não se quiser cinco milhões em sua conta. E talvez, outro moreno gostoso em sua cama. — Dereck freia o carro, destrava a pistola e encosta o cano na testa de Clarice que ri mais ainda. — Bem, se está se doendo tanto, deve ser porque eu disse a verdade, não?
O ruivo a olha com fúria nos olhos e procura o pedaço de fita adesiva que tirara da boca de Clarice e com um tapa, que quase quebra um dente da loira, a amordaça novamente.
_Assim você fica muda, vaca! — Ele se volta para frente e gira a chave no contato, saindo a toda.

Robert olhava George enquanto ele dirigia de olho hora na via expressa, hora no GPS, a procura da Ferrari dele. Nunca, desde que o conhecera há quase um ano, Robert o vira tão zangado e preocupado. George deixava passar a impressão de que era o homem mais calmo e desligado do universo. O executivo sentia ciúmes pelo zelo que a esposa tinha por ele e vice-versa e agora descobrira o motivo para tanto. Afinal, George a conhecia como ninguém mais nessa vida.
George avista a Ferrari preta ao longe, quase não acreditando e abre um sorriso.
_Eu meteria uma bala nele senão tivesse risco de acertar um tiro em Clarice. — disse George fazendo Robert levar um susto.
_Encontrou?
_Sim... — Robert olha para frente e vê a Ferrari preta que ia a cem por hora pela via. — Adoraria ter a mira da Clary nessas horas!
_Ela atira bem?
_Acertaria uma mosca em pleno voo, se me permite o exagero.
_Nossa! Porque ela não reage George?
_Com certeza deve estar amarrada. — fala ele olhando os cabelos loiros da amiga.
_George, você a conhece tão bem... Me bateu uma inveja de você agora. — George olha Robert pelo canto do olho. — Eu a amo... Apesar do deslize na Rússia, a amo e gostaria de conhecer a Clary como você a conhece.
_Fico feliz que a ame o suficiente para não ligar para o pequeno detalhe dela ser uma assassina profissional. Você vai ter bastante tempo para conhecê-la. Se ela sair viva dessa e não matar você, vai conhecer. Vai ver que sua dama educada é um "moleque" que fala palavrão, arrota alto quando bebe coca-cola e ainda fala: "Faz melhor Collins!" Que ama comer porcaria, principalmente hamburguer.
_Está sendo irônico cara! Clarice é super educada e não come nada além de salada e peixe grelhado.
_Na sua frente! — foi categórico. — Sempre que vai almoçar com você, passa no Burguer King na volta e compra dois hamburgueres triplos e come sozinha! E ai de mim se tento beliscar algum, ela me dá cada tapa na mão... — George suspira — Espero que aquele desgraçado não tenha nos visto... Tenho medo do que ele possa fazer a ela Robert.
_Você a ama muito, não?
_Sim. Clary é a única mulher que meu coração ousa amar. Ela é a minha família, minha irmã, minha melhor amiga. Faria qualquer coisa por ela... A seguiria onde quer que ela fosse, somente para garantir que ela está bem.

Dereck dirigia e continuava a dar olhadas constantes em Clarice pelo retrovisor. Ele mira o espelho da esquerda e fica abobado, pois vira o Bugatti de George vir a toda ao longe.
_MERDA! — brada ele batendo no volante e enfiando o pé no acelerador.
Clarice olha para trás e solta um resmungo de surpresa. Não só George estava vindo atrás dela, como tinha Robert sentado no banco do passageiro.
"Juro que se eu sair dessa viva, mato Collins por envolver Robert em tudo isso!" — pensou ela
_ Confesso! Nunca pensei que George tivesse peito pra vir atrás de você. Jurava que ele colocaria alguém para fazer isso.
"Pra você ver seu desgraçado que George consegue ser mais homem do que você!" — rebateu mentalmente.
Dereck pisa mais no acelerador, indo a quase trezentos por hora na via expressa. George percebe que ele acelerara e pisa fundo também.
_Ele viu a gente! — disse a Robert
Dereck entra numa saída, indo para a cidade e George vai atrás a toda. O ruivo quase atropela um casal que tentava atravessar a rua e George passa a toda atras dele. Robert segurava como conseguia no carro, com o fuzil entre as pernas dele. Dereck vai com tudo em cima do portão de um prédio que estava sendo construido e entra no terreno. Ele freia o carro, sai e puxa Clarice pra fora. Ela bate dolorosamente no chão e é arrastada pelas pedrinhas de construção, rasgando os cotovelos dela e as batatas de suas pernas devido ela estar de saia. Dereck a põe de pé e coloca a pistola na cabeça de Clary, aguardando por George. O secretário para na esquina e se volta para Robert.
_Sai do carro Robert! — pede ele o empurrando.
_Mas...
_Mas nada! Vê a cerca de madeira? Se esconda atrás dela! — ordena George entregando o fuzil a Robert e fechando a porta em seguida.

Dereck olhava o portão arrebentado esperando que George chegasse, afinal de contas, um Bugatti era quase tão rapido quanto uma Ferrari. George entra no terreno e para o carro há mais ou menos três metros dos dois. Ele sai do carro, bate a porta e o contorna se aproximando um pouco de Dereck.
_Ora, ora... Nunca imaginaria que você tivesse o peito de vir atrás da Ethelvyse. — começa Dereck. Robert agora observava a cena de um buraco na cerca de tapumes e vigas.
_Larga ela Dereck!
_Nossa amor, como descobriu meu nome? — pergunta Dereck de deboche.
_Seu pai me contou depois que eu meti uma bala na cabeça da puta da sua mãe.
_Desgraçado! — diz Dereck apontando a pistola para George e disparando dois tiros no peito dele, que cai no chão.
Clarice deu um grito que nunca saiu por causa da mordaça e acertou uma cabeçada em Dereck, quebrando o nariz dele, o fazendo soltá-la. Clary desaba no chão. Mesmo com os olhos repletos de lágrimas devido a cabeçada, Dereck aponta a arma para a cabeça de Clarice. Ela fecha os olhos e ouve-se um disparo. A loira sempre imaginou que a morte deveria ser rápida, ainda mais com um tiro na cabeça. Imaginou-se pegando numa especie de sono, porém muito mais depressa. Com tudo a sua volta ficando escuro e silencioso...