A Dama

1 Capítulo 1: Clarice e George


O ano era 1999. Via-se um desengonçado jovem de vinte anos que iniciaria seu terceiro ano de física e fazia cursos de ciência da computação caminhar pelo campus da universidade de Oxford. Algumas jovens patricinhas o chamavam maldosamente de sorriso brilhante, devido ao aparelho que ele usava. Pra completar o visual do rapaz, ele tinha seus cabelos castanhos caindo pelos ombros, usava óculos e uma camisa do U2 sob outra quadriculada. Seu nickname dos jogos de internet podia ser visto em sua mochila jeans surrada escrito a caneta: "BigLoser172"
George Collins quase sempre fazia os deveres de casa do time de hóquei com medo de que eles batessem nele e de quebra, das meninas bonitinhas e burras da torcida, por medo de levar uma surra do time. O rapaz caminhava com uma pilha de livros e derruba tudo ao esbarrar numa jovem de dezoito anos, loira, muito bem vestida, a ensopando com a água que ela própria bebia.
_Me perdoe... Sinceramente, me perdoe... — pedia ele insistentemente achando que a loira fosse dar um ataque por ele a tê-la ensopado. Porém, ele vê a jovem se abaixar e o ajudar a pegar seus pertences.
_Foi um acidente. Carregando tantas coisas, como poderia ver-me. Clarice Ethelvyse.
_George Richard Collins. — diz ele organizando os livros ainda abaixado.
_Sabe me dizer pra que lado fica meu alojamento? — perguntou ela gentilmente entregando um pedaço de papel a George. Ele lê e após uma olhada pelo campus, aponta para Clarice a direção e ela segue o dedo dele com seus olhos verdes até um prédio mais adiante. — Se importaria em me acompanhar?
_Não. — diz ele se pondo de pé rapidamente e caminhando ao lado de Clarice.
_Você não se parece com as garotas daqui.
_E como são as garotas daqui?
_Em sua maioria? Acham que são melhores do que todos por serem "filhas de alguém". E também, você não me parece ser inglesa.
_Sou americana.
_Ahá! — exclama ele.
_Já você é um inglês "americanizado" eu diria.
_Touché! — concorda ele.
Os dois caminhavam até o prédio, mas Clarice se desvia para apreciar o campus e sua aquitetura conservada desde o século II. George ia contando a ela sobre história, sobre a arquitetura e lendas que envolviam o lugar, o que deixava Clarice fascinada, o que surpreendeu muito George, pois as garotas em sua maioria ou o deixavam falando sozinho ou o mandavam calar a boca aos gritos, dizendo que ele era um nerd irritante.
_Collins...
_George por favor.
_Perdão... George — fala ela com um enorme sorriso. — Adorei a companhia. Espero ver-te em breve para conversarmos mais.
_Como amigos certo? — ela se surpreende. — Não! Não quero ofender nem nada. — começa ele. — Mas é que eu...
_Você é gay! — afirmou ela categoricamente com um sorriso gentil nos lábios, o fazendo boquiabrir-se. — E nem adianta negar... Sou muito observadora com as pessoas e acredite, o motivo principal de pedir sua ajuda, foi esse. Obrigada George.
Clarice entra no prédio enquanto um aparvalhado George a olhava caminhar de modo elegante através das portas.

"Seria tão óbvio assim a qualquer um? — perguntava-se George mentalmente enquanto mordia o lápis e mirava as estrelas pela janela do quarto-sala onde residia enquanto estava estudando, já que toda sua família, seus pais e uma irmã, residiam no do interior do Reino Unido — Talvez não, ou todos aqueles acéfalos do time de Hóquei já teriam descoberto."
O rapaz abaixa os olhos para os trabalhos de trigonometria a frente dele. Teria que terminar tudo aquilo antes de dormir para entregar ao capitão da equipe de hóquei no dia seguinte. O rapaz sempre dizia a George, que esses favores evitava que ele ou qualquer outro do time, partisse a cara de George. Saía mais barato gastar os neurônios com os deveres alheios, do que em curativos e médicos. Ele resolvia mais uma sequencia de contas e anexava uma folha com um grampeador a folha de exercícios.
E num dormitório particular na universidade, Clarice tinha o laptop preto nos joelhos e observava um site que muito a interessava, porém, ela vê uma notificação de email na barra de tarefas. Email este desconhecido a ela. A loira se intriga e o abre.

"Querida Clary,
Aqui é seu pai, Clarck Ethelvyse.
Se você recebeu esse email é porque sua mãe e eu estamos mortos."
Mortos... Isso tinha de ser uma brincadeira de muito mal gosto! Ela havia falado com os pais há duas noites. Jantado com eles, se divertido com eles, porém ela sabia muito bem em que sua família estava envolvida. Que a Ethelvyse S. A., a empresa de publicidade mais requisitada de Manhattan não era a única ocupação de seus pais. Na verdade, ela enganava a si mesma a cada dia, pois sabia que era questão de tempo, até que recebesse a notícia da morte de ambos.
Ela certa vez fugiu do colégio e os questionou, há três anos, sobre o motivo deles a enfiarem em colégios internos fora dos Estados Unidos e quase nunca manterem contato com ela pessoalmente ou se recusarem terminantemente a aparecer ao lado da filha, ou divulgar fotos de família com os três, era como se só existissem Clarck e Marise Ethelvyse. E a resposta de seus pais a fizera desmaiar no tapete persa da mansão Ethelvyse em Los Angeles. O casal era um par de assassinos a mando do presidente dos Estados Unidos. Eliminavam os inimigos dos E. U. A. há mais de uma década, evitando assim, derramamento de sangue de soldados, já que os atiçadores das guerras estavam a sete palmos abaixo da terra. Contudo, Marise revelara a filha que tinha certeza de que eles também eram buchas de canhão e um dia, seriam descartados sem mais nem menos, coisa que o pai dela desacreditava. Mulheres e sua intuição, estava correta Marise, não?
Com a permissão de sua mãe e pai, a garota, na época com quinze anos, aprendeu a lutar e atirar e atuar sempre sob o conselho de sua mãe: "Seja um anjo minha querida, perante a sociedade. Deixem achar que você é ingênua. Que não sabe sobre nós, sobre o que fazemos." E assim, ela o fez!
A jovem percebe que o email tinha dois anexos, mas os mesmos estavam criptografados por um gerador automático de senhas que mudava as cinco senhas de segurança a cada hora. Aparelho esse, que ela infelizmente não possuía. Era possível descobrir sem o dispositivo, mas ela precisaria fazer calculos intermináveis, calculos matemáticos e de física que ela jamais sonharia em conseguir concluir em menos de uma hora para abrir tal arquivo, contudo, ela não podia confiar em ninguém para ajudá-la. Teria que arrumar o tal aparelho para saber o restante da mensagem.
Clarice fecha o email com raiva e volta a admirar a AR-15 com mira de longo alcance que estava aberta na tela do laptop da loira, enquanto as lágrimas pingavam no teclado.