A Cólera Dos Deuses

12 Capítulo 12 REDEMPTIÓNEM AMOR! (O resgate do amor)


Notas iniciais
Bem, esse é último capítulo e ficou imenso, mas não é o fim da saga. Haverá, assim como na série em que me inspirei, uma terceira e última temporada que se chamará "Amantes de sangue". Agradeço o carinho de todas, essa coisa boa que é receber comentários, mas também a energia e a amizade cada uma! Sintam-se beijadas, abraçadas e afofadas com muito amor!!! Adoro vocês! Tenha um excelente fim de semana e feliz dia das Mães!! ( afofem bem a de vocês, viram?)

A fumaça e a confusão haviam dado o toque final em todo o plano. Corpos empilhados eram vistos fora da arena, mas mesmo assim a multidão continuava a deixar o local, instigados pelo instinto de sobrevivência, ignorando aqueles que viviam para servir Roma e que agora jaziam mortos pela espada dos gladiadores.

Após a saída da multidão da arena, Máscara da Morte voltou para junto de Milo, vendo-o apontar a espada para Hades.

— Mate-o logo e vamos embora! – disse o moreno.

— Vá com os outros e saia de Roma. Eu tenho um assunto particular, com o nobre cônsul, para resolver, mas logo alcançarei vocês. – falou Milo.

— O que está dizendo Scorpionis? Já arriscamos demais ficando aqui! Embora tenhamos exterminado a guarda pretoriana, ainda existem romanos leais ao imperador.

— Eu sei... Mas, eu e o cônsul vamos dar uma volta.

Máscara franziu o cenho. Milo era teimoso e, embora tivesse engendrado um plano insanamente perfeito, ainda assim pecaria pelo excesso de confiança. Porque não matar aquele filho da puta do Hades de uma vez e deixar Roma?

— Você é quem sabe. – falou Máscara dando de ombros.

— Não vou demorar, eu prometo. O cônsul e eu vamos terminar a nossa conversa em outro lugar. – disse Milo.

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Titus deixou a arena e seu cenho franziu ao ver a pilha de corpos. Homens que haviam vencido batalhas importantes e que o tinham protegido ali estavam... mortos! Ignorando-o, Afrodite seguia com Shun quando Titus o chamou:

— Eu não posso ignorar o que seu amigo gladiador fez. Ele afrontou o poder de Roma, dizimou a guarda pretoriana e tocou num cônsul! Não posso fechar os olhos a isso e assim que reestruturar meus homens, vou caçá-lo e exterminá-lo! Mas... se deixar esse grupo, fingirei que nunca esteve com eles e cuidarei para que seu irmão se junte a você em um lugar seguro e confortável em alguma pequena vila perto de Roma.

Um sorriso debochado curvou os belos lábios de Afrodite.

— Continue fazendo o que faz de melhor, César! Ignore que um dia teve filhos e permaneça detentor do poder que tanto almejou. Quem sou eu para fazê-lo mudar seu modus operandi de fingir que nada de importante acontece fora da ciranda de escravidão e morte que mantém Roma? Mil vezes continuar ao lado de um homem capaz de foder o próprio Júpiter em nome do amor que junto de um covarde. Agora, se me dá licença, tenho mais o que fazer!

— Segure a sua língua, meu rapaz! Não pode me culpar pelo passado, Afrodite.

— Não? É mesmo! Sabe, chego a acreditar que os deuses são caprichosos e muito filhos da puta... Que Júpiter Optimus Maximus me perdoe por dizer isso, mas... Imagine que eles me fazem agradecer ter sido escravizado ao invés de acolhido e cuidado por minha própria família. Adeus, imperador! – disse o loiro tomando Shun pela mão e, sem olhar para trás, deixou Titus parado e sem chão.

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Quando Hades lançou-se contra Milo, encontrou um olhar insano e uma força física sobre-humana do gladiador que lutara por horas a fio e, ainda assim, brincava com ele.

O gladiador o obrigara a ir até a domus. Chegando lá, dissera que lhe daria a chance de se defender. Apesar de tudo, vou dar-lhe a chance de fazer o que tanto tentou, nobre cônsul! Pegue a sua espada e me ataque! Não usarei minha espada e sim, apenas esta faca... Digamos que é uma bela chance para alguém como você! Dissera o gladiador, enquanto ordenava que os escravos se posicionassem para assistir. Se tiver alguém disposto a lutar por seu senhor, se apresente agora! Mas já devo ir avisando que não vou ter piedade de tal imbecil! No entanto, podem assistir e testemunhar que estou dando ao filho da puta a chance de se defender, algo que, sinceramente, é muito para o homem vil, que ele é!

Sua espada não conseguia penetrar na defesa do gladiador e Hades constatou que Milo era capaz de defender seus golpes violentos, apenas com uma faca longa e a bainha, desta. Maldito! Mil vezes Maldito! Pensava enquanto usava de toda a sua habilidade, porém em vão.

Por instantes muito tensos, Milo brincou com Hades como um gato brinca com um rato. Hades começou a suar e ofegar com o esforço supremo e Milo abriu mão do silêncio para provocar o cônsul.

— Apesar de ser um filho da puta, também, Minos lutava melhor que você. Não esperava que o responsável pela Ludus Maxima e braço direito do imperador fosse tão fraco... Acho que só sabe foder os outros, não é mesmo, nobre cônsul?

Foi então que a atitude mais insana prevaleceu. Hades cerrou os dentes e lançou-se, sobre Milo. O gladiador abriu a guarda, oferecendo o corpo para a espada que já marchava em direção ao seu coração. Entretanto, no último instante, Milo girou o corpo, prendendo a espada na axila, enquanto enfiava a faca na articulação do ombro de Hades.

O cônsul gritou e Milo retirou a faca, enfiando-a, agora, no peito dele, um pouco abaixo do esterno, na junção exata das costelas. A ponta encaixou-se no osso e Milo girou o pulso, enterrando-a, de forma que Hades sentisse a dor lancinante, mas que não fosse fundo o suficiente para matá-lo, nem para deixá-lo inconsciente.

Milo sorriu e seus olhos adquiriram um brilho intenso e perverso. Manteve Hades seguro, enquanto movia a faca, devagar, arrancando gemidos abafados do outro.

— Sente isso? Esse golpe imobilizador me foi ensinado por Manigoldo... Meu Doctore e meu amigo! Isso não mata na hora, mas a dor... a dor é foda! Ah, mas você deve estar gostando, não? Sempre gostou de impingir dor aos outros... Como é senti-la na própria pele, nobre cônsul?

Hades sentiu o corpo estremecer. A cada golpe, Milo infringia mais dor e, mesmo assim, ele permanecia consciente e se recusava a se entregar.

Sentados em lugares que jamais teriam permissão, os escravos de Hades assistiam a cena dantesca de Milo arrancando pedaços da carne de seu senhor como se estivesse descascando uma fruta sem ter coragem, nem vontade de interferir. O cônsul gemia, esforçando-se para não gritar, mas quando a lâmina passeou pela sua virilha e arrancou parte de seus testículos, ele gritou.

Foi um grito horripilante que fez um dos criados mais jovens gelar e sentir uma forte náusea, enquanto Milo emitia um som gutural, semelhante ao rugido de um animal selvagem e encharcava-se com o sangue de Hades.

Com os olhos abertos e embaçados pela dor, agora insuportável, Hades começou a tremer e a hemorragia, antes lenta, agora fazia seu sangue jorrar, aos borbotões pelas lacerações. Com um fio de voz, ele pediu:

— M-Me...m-mate... de uma vez, maldito!...

Milo olhou-o bem... Sorriu... E sussurrou junto à face agonizante de Hades, contraída com o sofrimento excruciante de toda aquela mutilação.

— Está me pedindo para matá-lo?

— A-Acabe... Com... Isso... De uma vez!

Estalando os lábios e balançando a cabeça, Milo afastou-se do cônsul e falou:

— Eu desejei muito matá-lo, mas depois do que fez ao Camus, eu mudei de ideia... Você o torturou e agora vai sofrer o mesmo! Eu vou te cortar pedacinho por pedacinho... Sua carne nobre vai alimentar os cães! Se bem que os pobres animais podem morrer envenenados... Melhor não!

Sangrando, Hades caiu. Os escravos jamais imaginavam ver aquela cena, seu domini estava reduzido a uma massa sangrenta e mutilada, o poder de outrora se esvaindo junto com a sua vida...

O mesmo criado que tinha se apiedado de seu senhor fez menção de ir até Milo e pedir para que acabasse com o sofrimento do outro, porém, os demais o seguraram.

— Deixe! Não é da nossa conta. Lembre-se de tudo o que ele fez conosco.

— M-mas... Isso é...

— Isso é entre os dois! Vamos tratar de deixar essa casa. – disse um dos escravos mais velhos.

Entretanto o jovem Crisius insistiu e permaneceu ali.

Hades foi deixado ao chão e Milo o viu se arrastar com um só braço, deixando um rastro de sangue pelo piso de mármore.

— Você quer morrer? Então seja homem e acabe você mesmo com todo esse sofrimento... Não peça que um reles escravo dê cabo da sua nobre e miserável vida! – disse Milo atirando a faca ensanguentada bem próxima à Hades.

O cônsul olhou para o objeto, mas não tinha como pegá-lo. Um dos seus braços pendia, desarticulado, e o outro estava fraco, uma consequência do corpo, gravemente, despedaçado. O sangue, agora, afluía à sua boca, fazendo-o engasgar e, ainda assim, tudo permanecia claro e doloroso.

Milo olhou para Hades e depois para o escravo que os olhava com uma expressão piedosa.

— Está com pena?— perguntou o gladiador. — Dê a ele a morte que tanto deseja, então. Não vou impedi-lo...

O jovem agradeceu com um gesto de cabeça e olhou para Hades. O brilho gélido dos olhos do cônsul havia sido substituído por um olhar febril de dor e sofrimento.

Domini...— balbuciou o escravo se aproximando e tomando-o nos braços.

— M-Mate- me... – gemeu Hades em um último esforço.

O escravo pegou a faca com as mãos trêmulas. Aproximou-se, ainda mais do cônsul com o olhar contrito. Hades era seu senhor e muitas vezes o tinha fodido com violência. No entanto, havia uma noite em que o tratara com consideração e o amara devagar, acariciando-o com paixão. Naquela noite, ele usara uma máscara e Hades, ao gozar, o chamara de Minos. Foi a única vez que se sentira um ser humano, quando seu domini o possuiu como um igual.

Milo olhava a cena sem um pingo de misericórdia nos olhos profundos e azuis. Para ele, Hades recebia o merecido por ter a covardia de levar a sua vingança contra aqueles que não tinham nada a ver com a história. Se o cônsul tivesse concentrado sua fúria, somente nele, sua reação teria sido outra.

— Bem, meu caro nobre... Como eu disse antes, na merda e na morte, todos nós somos iguais. Está para receber piedade de um reles escravo... – disse Milo saboreando cada palavra.

Hades tremia, seu corpo sofrendo estertores dolorosos, mas ainda distantes de um final rápido. A dor, ainda era imensa e foi com uma rara gratidão que ele mirou nos olhos do escravo, enquanto este enfiou fundo o punhal até perfurar-lhe o coração.

O cônsul gemeu baixo e foi acolhido pela morte que encerrava o ciclo de sofrimento...

Minos... Estou voltando para você... Pensou ele quando tudo ficou gélido e escuro, seu olhos abertos e vítreos recebendo a visão do mundo e do amante pela última vez.

— Agora que já fez o seu ato de caridade, pegue seus pertences, se os tiver, e saia desta casa! – disse Milo para o jovem escravo.

— O-O que vai fazer domini?— perguntou o rapaz.

— Em primeiro lugar, não sou senhor de ninguém. Em segundo, vou apenas terminar o que vim fazer.

Crisius desviou o olhar para o corpo de Hades.

Domini não pode ficar exposto assim. Deixe-me cuidar do corpo.

— Não força garoto! Eu já disse prá sair! E não se preocupe, o corpo do seu amado domini terá o túmulo merecido, sua própria domus!— falou Milo com um tom grave e autoritário.

O jovem não ousou questionar, obedeceu e saiu. Milo pegou um archote que ardia nas paredes suntuosas e aproximou das cortinas púrpuras que cobriam as janelas. Chamas amareladas formaram-se no tecido, espalhando-se pela domus com muita rapidez.

Passados alguns minutos, podia-se ver uma grande nuvem de fogo envolta em fumaça negra elevando-se da domus do cônsul. Milo olhou para o que acabara de fazer e sua mente se reportou para a Casa de Gemini. Também ela ardera e fora o cenário de atos cheios de barbárie. Por alguns instantes, Milo pareceu ter visto uma figura sorridente e feminina sorrindo em meio ao negror que serpenteava rumo ao céu. Saudou em pensamento àquela que um dia chegara a odiar e deixou a domus sem olhar para trás.

Que esteja festejando no pós-vida, domina! Tá certo que a senhora não valia muita coisa, mas no fim, sei que permaneceu fiel ao homem que me libertou e isso teve o seu valor!

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Shun entrou na domus com um aperto no coração, mas, ao mesmo tempo, uma excitação crescente. Afrodite o convidara para integrar o grupo e isso mexera consigo. Talvez em outro momento, recusasse, mas agora, em vista do desfecho dos acontecimentos, temia não encontrar-se mais dentro da tradicional estrutura social romana. Além disso, havia Hyoga e toda a gama de sensações que ele havia lhe despertado...

As sombras continuavam a fazer parte daquele ambiente. Desde a perda de June que Abeona deixava a domus imersa em penumbras acinzentadas, um convite à escuridão reconfortante para não enxergar a dura realidade.

— Vó? – chamou Shun ao ver uma silhueta sentada no divã, segurando uma taça de vinho nas mãos encarquilhadas.

— Aproxime-se, meu neto... – disse ela com a voz baixa e grave.

Shun obedeceu e sentou-se ao lado dela, tomando-lhe as mãos magras e frias entre as suas.

— Aconteceram muitas coisas, vó. Hades está nas mãos de um gladiador que perseguiu e prejudicou. Creio que há essa hora ele já deve estar morto. E eu... Eu estou seguindo com Afrodite e o grupo ao qual esse mesmo gladiador pertence.

Um discreto sorriso insinuou-se nos lábios ressequidos e Abeona olhou para o neto com os olhos semicerrados.

— Faz bem, Shun... Aprenderá a ser um homem entre homens. Houve tempo em que eu achava natural a diferença entre os seres. Senhores e escravos... eu gostava disso! Que ironia, não é? No final, somos todos feitos do mesmo barro e apodrecemos da mesma forma. Leve esta caixa que jaz bem aí, ao seu lado. Nela está todo o dinheiro que guardei todos estes anos. Construa uma vida nova e aprenda a diferenciar amigos de inimigos... Agora vá, meu pequeno e não se preocupe... Finalmente, tudo voltou aos eixos e posso adentrar o Além Vida de cabeça erguida.

Sem saber o porquê, Shun sentiu um soluço prender-se em sua garganta. Talvez fosse pelo tom de voz de sua vó, ela parecia tão cansada e frágil...

— Não posso levar todo o seu dinheiro, vó. Mesmo assim eu...

— Deixe de besteira, garoto! Leve e saia logo daqui. Fique seguro e eu ficarei bem. – disse Abeona.

— Sua vó tem razão, Shun... – disse Afrodite adentrando a domus.— Não podemos ficar muito tempo aqui.

— Cuide dele, seu loiro safado... Você conhece a vida e suas artimanhas. Proteja o meu neto e eu lhe serei grata nesta e no Além Vida.— disse a velha encarando Afrodite.

— Eu cuidarei, domina.— respondeu Afrodite.

Shun beijou o rosto da avó e deixou a domus. Quando ficou sozinha, Abeona elevou os olhos e duas lágrimas escorreram pelo rosto enrugado. Ela sorriu e recostou-se, lentamente, no divã. Aos poucos, seu corpo foi entrando em um estado letárgico e ela sentiu um leve tremor. Fechou os olhos e deixou-se levar...

Filha... Você veio buscar essa velha! Pensou Abeona, ao ver uma silhueta emergir das sombras estendendo-lhe a mão, enquanto seu coração batia pela última vez...

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Camus abriu os olhos, estava dentro de uma carroça coberta junto com todo o grupo, exceto El Cid que conduzia, Kanon, Aiolia e Mu que estavam à cavalo e Milo que ficara para trás. Sentia dores no corpo e estava confuso, porém a imagem do amante estava vívida e ele o procurou entre os demais.

— Milo... – sussurrou ele e Afrodite se aproximou tocando-lhe a mão.

— Ele está vindo. Está tudo bem, Camus. Acabou. – falou Afrodite.

Hyoga se aproximou sorrindo.

— Irmão, eu estou aqui! Finalmente nos reencontramos! – disse o rapaz.

Tentando levantar-se, Camus gemeu de dor e Afrodite tocou-lhe a fronte.

— Não force. Temos muito chão pela frente. Deite-se e fique quietinho.

Ao término da fala de Afrodite, a carroça parou de repente e logo a porta se abriu, revelando certo gladiador.

— Milo! Que susto! – falou Afrodite.

Milo, que tinha pegado um cavalo emprestado, nada disse. Ao chegar perto da carroça, deixara o animal e saltara em cima dela indo logo indo para junto de Camus e tomando-o nos braços com uma saudade desesperada.

— Estou aqui, ruivo... – disse ele com o olhar que misturava amor, angústia, alívio e todas as emoções juntas.

Camus sorriu e tocou o rosto suado do gladiador.

— Que bom... – respondeu o ruivo e ambos permaneceram abraçados, enquanto a carroça seguia viagem pela noite escura.

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Imóvel como uma bela escultura apolínea, Saga apoiava-se num joelho no topo do templo em ruínas. Olhava na distância em meio à bruma que pairava nas montanhas e logo Albafica se aproximou dele oferecendo um cobertor de lã para que colocasse sobre os ombros.

— Está muito frio aqui e não podemos ver nada além da bruma. Sei que se sente bem melhor, mas não deve abusar. Acho melhor voltarmos, domini.

— Ainda não se acostumou a chamar-me, apenas, de Saga, Albafica?

O jovem sorriu, sentindo o ar frio da madrugada tocar-lhe o rosto.

— Muito tempo chamando-o assim. Custo a vê-lo de forma diferente.

Também sorrindo, Saga fechou os olhos e inspirou fundo, o ar gélido preenchendo seus pulmões arrancando um ofego extasiado.

— Acordei com a nítida sensação de ter Kanon junto a mim. Aconteceu o mesmo quando ele voltou daquela maldita campanha militar que durou dezesseis anos. Eu sonhei e, horas depois, ele surgia pela porta da domus com aquela expressão grave e familiar capaz de fazer meu sangue ferver.

— Acha que estão vindo? Por isso veio até aqui? – perguntou o jovem.

— Eu não acho, sei que eles estão. – respondeu Saga.

Os minutos se transformaram em horas e logo, formas escuras em movimento subiram pela encosta íngreme que levava ao antigo Templo de Baco, deus do vinho e das orgias sagradas.

El Cid conduzia com maestria, porém o caminho tornava-se difícil para o veículo. Kanon, Aiolia e Mu levavam vantagem por estarem a cavalo e logo avistaram dois pequenos pontos no alto. Kanon bateu com os calcanhares na barriga de seu cavalo e subiu, sentindo o coração disparado. Aiolia e Mu o seguiram e logo estavam junto às ruínas onde Saga e Albafica os esperava.

— Saga! – falou Kanon, desmontando do cavalo com habilidade.

— Kanon... Eu sabia! – disse Saga com as faces coradas pelo frio e um brilho de contentamento nos olhos verdes.

Abraçaram-se tocando as testas. O ar quente que saía das bocas criando vapores transparentes...

— Perdoe-me... Eu não devia tê-lo deixado. Eu... — disse o general.

— Você é um general, Kanon. Fez o que deveria fazer, assim como eu também fiz o que achava certo. Como veio parar aqui?

— Mu procurou-me, colocando toda a situação. Deixei meu posto, deixei tudo, Saga. Nada é mais importante que você.

Saga tomou o rosto de Kanon entre as mãos e o beijou. O cheiro de seu corpo, o gosto dos seus lábios e o suave roçar dos pelos da barba que irrompiam em sua pele bronzeada foi direto para a sua cabeça como se ele tivesse experimentado o vinho sagrado de Baco. Um beijo longo e saudoso os uniu e os dois esqueceram-se de tudo...

— Hã... Alguém aí pode nos orientar? – falou El Cid surgindo com a carroça.

— Cid! – exclamou Albafica sorrindo e, em seguida, vendo a porta da carroça se abrir e Afrodite mostrar-se crítico e radiante, como sempre.

— Deixem prá matar a saudade depois! Temos alguém aqui precisando de cuidados e todos precisando de um belo banho! – disse o loiro.

Milo desceu da carroça carregando Camus nos braços sem muito esforço. Apesar de ter quase a mesma estatura, o ruivo estava magro e debilitado pela tortura, facilitando o acesso do gladiador.

— Venham por aqui! Estamos em uma pequena vila, logo após o templo. – disse Albafica após abraçar o amante e Afrodite.

A propriedade situava-se em um platô fortemente murado. Era uma pequena vila formada por uma pars urbana, uma pars rustica e a pars frumentaria. A primeira era destinada à acomodação do proprietário e a sua família. Era em tudo semelhante à habitação urbana dos cidadãos abastados da cidade de Roma. As paredes eram pintadas com motivos decorativos e possuía um belo senso estético que exaltava a beleza campestre e cenas de caça. Também possuía água corrente, graças a um sistema de canalizações e de um hipocausto, sistema de aquecimento central em que o ar era aquecido sob o pavimento devido às lareiras dispostas de forma a dissipar o calor pela propriedade. A segunda se relacionava à acomodação dos escravos e animais e, por último, a terceira, era onde ficava os celeiros e despensas com vinho e provisões.

Quando Albafica chegara com Saga, não imaginava que a propriedade cedida por Aida fosse uma vila. Ali encontraram um velho caseiro, seu belo filho Misty e mais algumas mulheres e crianças que pareciam ocupar o lugar devido à bondade do velho chamado Eleutério. Aida lhes tinha dado o selo de sua casa e uma carta apresentando-os como novos senhores por tempo indeterminado.

— É aqui. – disse Albafica.

Afrodite e os outros ficaram boquiabertos com o lugar. Mesmo sendo uma pequena vila era surpreendentemente ampla e movimentada. Tudo parecia vivo, colorido e cheio de vida.

— Por Júpiter Optimus Maximus... Como conseguiram esse lugar? – perguntou Afrodite.

— Devemos tudo à amiga de Milo. Essa propriedade nos foi cedida por ela e nos deixa bastante afastados de Roma até decidirmos o nosso destino. – falou Saga.

Milo ouvia tudo, mas sua preocupação era Camus que ora estava consciente, ora caía em um estado febril e se ausentava como se estivesse em transe.

— Vamos colocar Camus lá dentro, Milo. Depois, deixem-me cuidar dele às sós. – falou Albafica.

Camus foi acomodado em uma cama macia e logo Albafica examinou-o, tomando o cuidado de ir limpando a pele com água e panos limpos. Devagar, o jovem foi visualizando os hematomas e picadas. Perguntou algumas coisas e descobriu outras. Administrou um tônico para combater a febre e serviu uma sopa nutritiva em pequenas doses. Logo, Camus adormeceu e seu estado físico tornou-se mais estável, assim como a sua respiração.

— Ele precisa de descanso e boa alimentação. – disse Albafica, após deixar o quarto.

Milo soltou o ar e, junto com ele, a angústia que o tomava. Tivera Camus em seus braços e o sentira frio, distante, mesmo quando retribuía o seu abraço. Ele só precisa de descanso e tratamento. Disse para si mesmo, enquanto acompanhava os demais para uma terma existente na vila.

— Ah... Um bom banho! É tudo o que precisamos! – falou Afrodite.

Rindo, todos se dirigiram para o banho, enquanto Camus mergulhava em um sono profundo e sem sonhos...

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Os dias se sucederam e todos embarcaram em uma rotina de trabalhos de manutenção da vila e treinos que os gladiadores não deixavam de empreender.

Camus já deixara o leito e, aos poucos, voltava à rotina de ajudar Saga que resolvera instruir as crianças e mulheres que permaneciam ali. Milo, Máscara da Morte, El Cid, Mu, Aiolia, Kanon e Hyoga faziam treinamentos entre si e cuidavam sempre da segurança, fazendo rondas para perceber qualquer movimentação fora do normal.

Afrodite, Shun e Albafica preparavam um banquete festivo para comemorar que todos, sem exceção, estavam curados e bem. Isto é, quase todos...

— Você não vai me contar? – perguntou Afrodite à queima-roupa para Albafica.

— Contar o quê? – devolveu Albafica.

Afrodite suspirou e revirou os belos olhos azuis.

— Eu notei que o Camus e o Milo não estão dormindo juntos. Aliás, estou achando tudo muito estranho...

Albafica encarou o irmão com o olhar sério. Depois continuou a organizar o cardápio que seria apresentado no jantar. Shun deixou os dois às sós, porque não se sentia à vontade especulando sobre a vida alheia.

— Isso é entre os dois, Afrodite.

— Como? Que espécie de irmão e amigo é você, Alba?

Mais um suspiro seguido de silêncio e Afrodite resolveu apelar.

— Escuta aqui! Milo e Camus são meus amigos e eu quero vê-los bem. O que aconteceu que agora que tudo acabou, os dois estão distantes um do outro e nenhum deles fala sobre isso?

— Eu não posso falar, Afrodite. Por favor, agora me deixe cuidar de tudo aqui. Me ajude ou me deixe trabalhar.

O loiro bufou, encarou e, finalmente, deixou a cozinha. Viu o som de espadas no pátio e próximo, escondido atrás de uma coluna, estava Camus. Afrodite percebeu que ele olhava a luta de Milo com El Cid.

Os dois arrancavam faíscas dos gládios sob o aplauso e riso das crianças e mulheres. Bem, se eu quero saber o que está acontecendo vou ter que por o ruivo contra a parede... Pensou ao mesmo tempo em que erguia a cabeça e ia ao encontro do ruivo.

— Olá Camus! – disse o loiro como quem não quer nada.

— Olá, Afrodite. Como estão os encaminhamentos para o jantar? – perguntou o ruivo.

— Perfeitos! Albafica é mesmo hábil em organizar eventos. Shun, apesar de jovem viveu na nobreza e sabe de algumas coisas. Mas... e você, o que está fazendo escondido aqui? – lançou Afrodite.

— Não estou escondido, estou observando. – respondeu Camus franzindo o cenho.

— Não? Olha Camus, vou ser bem direto. O que está acontecendo entre você e o Milo?

Camus olhou para o amigo e Afrodite assustou-se com a expressão dolorida dos olhos rubros.

— Camus... O que aconteceu, meu amigo? — perguntou o loiro com verdadeira preocupação.

— Hades conseguiu Afrodite. Não importa que tenha morrido. No final, ele conseguiu a sua vingança. – respondeu o ruivo.

— O que está dizendo, Camus? – falou Afrodite segurando-o pelos ombros.

Camus olhou para Milo que terminava a luta e recebia um odre com vinho de um belo jovem chamado Misty. O rapaz se insinuava com olhares e sorrisos fazendo o ruivo cerrar os dentes, mas disfarçar e tornar a olhar para Afrodite.

— Eu não consigo deixar que ninguém me toque. Nem mesmo... o homem que eu amo. Quando eu acordei, pensei que tudo seria como antes, mas... algo dentro de mim quebrou. É como se meu corpo não pertencesse mais a mim. Quando Milo se aproxima eu desejo abraçá-lo, beijá-lo, mas... quando vou fazê-lo eu não consigo.

— Você conversou sobre isso com ele?

— Eu disse que precisava de um tempo. Eu não posso dizer a ele que não suporto que me toque... Ele enfrentou o imperador por mim, Afrodite e eu o amo! Só que está acima da minha vontade... Minha mente paralisa o meu corpo e eu não consigo evitar!

— E porque não foi sincero comigo, Camus? – perguntou Milo juntando-se aos dois.

Camus encarou os olhos azuis e furiosos do amante. Milo tinha bebido, porém não estava, totalmente, ébrio. Podia-se notar que sofria e procurava entender aquele que amava.

— Milo... Eu...

Afrodite aproveitou a chance e saiu de fininho. Milo pegou Camus pelo braço e disse:

— Vem comigo!

O lugar era bonito e tranquilo. Um riacho serpenteava entre as pedras produzindo sons que acalmavam a mente. Estavam fora da vila e Camus olhava para a água até Milo elevar seu queixo e obrigá-lo a olhá-lo nos olhos.

— Sou assim tão bruto aos seus olhos que acha melhor esconder-se de mim? Acha que não posso compreender tudo o que passou?

— Você desafiou tudo por mim, Milo. Eu devia agradecer e...

— Devia o caralho! Acha que eu quero gratidão por amar você? Acha que me deve? — gritou Milo sacudindo Camus pelos ombros.

— Milo... Eu amo você mais que tudo, mas algo em mim... está destruído. Eu tento, eu quero, mas... mas cada vez que sinto desejo, meu corpo reage com dor e repulsa. Não posso querer que você me espere até isso passar, porque, sinceramente, eu não sei se vai passar, entende?! – gritou Camus entre soluços e, pela primeira vez, lágrimas caíram dos olhos rubros.

— Eu matei meio mundo para tirá-lo do jugo de Hades. Eu acabei com o maldito e o faria de novo e de novo pelo que ele fez a você! Agora, acha que fiz isso apenas porque gosto de foder o seu rabo? Acha que se não tivermos sexo por um tempo eu vou deixar de amá-lo? Porra, Camus! A gente é mais que isso!

Camus encarou-o e tocou o rosto contraído de Milo.

— Você é tão cheio de vida, Milo... Merece alguém que possa amá-lo por inteiro e não pela metade. – respondeu Camus.

O gladiador fitou os olhos úmidos do amado. Seu peito sentiu dor e aflição, mas o ruivo erguia uma barreira entre eles. Então deu às costas e saiu, deixando Camus vazio e triste.

À noite, um delicioso banquete foi servido e todos estavam alegres e sorridentes ou ao menos, se esforçavam para tal. As mesas estavam fartas com frutas, carnes e pães. As tochas iluminavam o interior da domus criando um ambiente festivo e acolhedor.

Milo e Máscara da Morte bebiam e gargalhavam ouvindo as piadas de Afrodite. Albafica colocava uvas na boca de El Cid, enquanto Saga e Kanon trocavam beijos curtos e dividiam uma só taça de vinho.

Mu e Aiolia conversavam ao pé do ouvido, Camus conversava com o caseiro, Shun e Hyoga riam e entretinham as crianças com jogos e brincadeiras. O restante os observava, atentos, principalmente Misty e grande parte das mulheres.

— Pelos deuses... Aquele Milo é uma perdição, não é mesmo? – dizia uma morena de longos cabelos, cuidadosamente, trançados.

— É verdade, mas dizem que ele e o ruivo são amantes... – falou Laeta, uma bela jovem de cabelos acobreados e olhos de gato.

— Pelo que eu tenho visto não é bem assim... – disse Misty. – O gladiador tem passado as noites sozinho ou... acompanhado por um odre de vinho.

— E você louco prá confortá-lo, não é? – disse Laeta rindo com malícia.

— Eu teria muito prazer em aquecer as noites daquele homem... – respondeu o jovem sorrindo, enquanto sorvia um gole de vinho.

— Ora, e por que não tenta?

Misty olhou na direção de Milo e passou a língua nos lábios. É... Porque não? Pensou, enquanto sentia uma fisgada no baixo ventre.

— Então, se acertaram? – perguntou Afrodite se aproximando de Camus.

O ruivo fitou-o e sorriu triste.

— Creio que Milo rendeu-se à realidade. — disse Camus vendo Milo rir e beber. — Melhor assim.

— Não acredito nisso! Camus, você vai entregar o Milo de bandeja assim? – perguntou Afrodite.

— Não há nada que eu possa fazer, Afrodite. E quer saber? Cansei dessa festa. Vou me retirar. – falou Camus levantando-se.

Misty percebeu a movimentação e aproveitou para ter com Milo. Sorrateiro e sedutor, serviu mais uma taça de vinho ao gladiador e se aproximou do ouvido dele, sussurrando:

— Meus lábios ficariam honrados em fechar-se ao redor do seu pau, gladiador... Depois disso, saberá o que é, realmente, sentir prazer.

Milo olhou para o rapaz, franziu o cenho e sorriu.

— Não duvido... Mas, foi-se o tempo em que eu fodia com qualquer um! Agora vá e me deixe em paz! – disse o gladiador dando uma palmada nas nádegas de Misty.

Máscara da Morte, que também já tinha bebido bastante, soltou uma gargalhada. O restante olhou e voltou ao que fazia. Misty retirou-se fazendo bico e tendo de aguentar a risadinha das mulheres...

Camus foi até o pátio e olhou para o céu estrelado. A lua cheia se elevava atrás das elevações rochosas e a visão o fez estancar e deixar-se tomar pela dor. Seus olhos se encheram de lágrimas e ele os apertou, lembrando-se da cena que não compartilhara com ninguém, mas que sabia ter sido descoberto por Albafica.

Sim, fora violentado. Brutalmente estuprado pelo gladiador conhecido como Minotauro, instantes antes dele adentrar a arena. Não bastasse a tortura, o abuso, Hades finalizara com chave de ouro ordenando que o brutamontes o possuísse com violência antes que o colocassem na cruz. Não durara mais que minutos, mas ainda assim ele o machucara além do físico e o ato contribuíra para despertar dentro de si um terror incontrolável, que nem seu autocontrole pode dar conta...

— Tome! – disse uma voz grave, seguida de um baque surdo que interrompeu as lembranças de Camus e o fez perceber ser uma espada que caíra ao chão perto dos seus pés.

Virando a cabeça, o ruivo viu a figura de Milo. O gladiador estava bêbado, mas ainda assim o olhava com tanta intensidade que fez seu coração disparar.

— O que significa isso? – perguntou Camus olhando para o gládio junto dos seus pés.

— Antes de eu responder, me diga, Camus... Apesar de tudo, você me ama?

— Amo. – respondeu o ruivo sem hesitar.

Milo sorriu e Camus ficou ainda mais confuso com tudo aquilo.

— Então... Até que se sinta à vontade para fazer amor comigo, novamente, partilharemos outro de meus prazeres...

Camus franziu o cenho e pegou o gládio, olhando-o com cuidado e depois retornando pra o rosto de Milo.

— Está me dizendo para lutar com você?

— Estou.

— Mas eu... eu não sou o tipo de homem que...

— Você é homem! Ou será que estou diante de uma donzela que vai se encolher e murchar sem lutar? – provocou Milo.

Camus não respondeu e Milo sorriu dizendo:

— Amanhã, aqui neste pátio, antes do alvorecer! Estarei esperando.

Pela primeira vez sem saber o que dizer, Camus ficou olhando para o gládio em sua mão. Milo deixou-o e dirigiu-se para os aposentos que ocupava sozinho. Misty observava tudo e, teimoso como era, resolveu tentar, mais uma vez...

Milo atirou-se na cama com um odre de vinho na mão. Aquela era a sua rotina desde que Camus se recuperara, fisicamente, mas recusara voltar para os seus braços. Sabia que algo estava errado desde que o resgatara, porém tudo ficara mais claro, depois. Camus o evitava com a desculpa que tinha algo para fazer ou alguém para auxiliar... Mas ele o amava. Então, era hora de resgatar a integridade deste amor.

— Trouxe mais vinho... – disse uma voz melodiosa que Milo reconheceu, elevando a sobrancelha.

— Você de novo! – falou o gladiador.

Misty despiu-se, mostrando o corpo esguio e perfeito. Seu olhar recaiu sobre Milo de forma intensa e sedutora. Seus lábios se abriram e ele colocou o dedo indicador na boca, sugando-o de forma provocadora. Milo sorriu e levantou-se da cama meio cambaleante. Aproximou-se do jovem, pegando-o pelo braço.

— Vá chupar alguém que queira foder com você! – disse empurrando-o para fora do quarto.

O jovem saiu com o cenho franzido e os lábios apertados. Quem aquele homem achava que era para desprezá-lo? Gladiador estúpido!

— Um dia vai me querer e aí será tarde! – disse o rapaz juntando as roupas.

Milo voltou a jogar-se na cama e olhou para si próprio. Com um sorriso amargo, fechou os olhos e deixou-se tragar pelo sono forçado pelo excesso de vinho.

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O amanhecer era sempre frio e brumoso, criando uma atmosfera mais densa na montanha. Alongando os músculos, Milo esperava Camus e sorriu quando ele surgiu com o gládio na mão.

— Preparado? – perguntou olhando para o ruivo.

— Eu estou, mas você parece de ressaca. – alfinetou Camus.

— Pois é... A bebida também faz parte dos meus prazeres. – falou o gladiador.

Camus ficou em silêncio, olhando para o gládio na mão do amante. Geralmente, para quem não estava acostumado a manejar a espada, exercitavam com espadas de madeira. No entanto, Milo lhe dera um gládio de aço e também empunhava um.

— Vamos lutar com gládios de verdade? – perguntou Camus.

— Se eu bem me lembro, quando nos conhecemos você disse que seu pai o iniciou nas armas.

— É verdade, mas eu era uma criança.

— Uma vez usada a espada, seu corpo jamais esquece. Uma espada é como uma lembrança... boa ou ruim, ela persiste até que dê vazão à ela. – falou Milo.

Sem saber o que fazer, Camus apertou o cabo da espada e Milo virou-se, fitando o ruivo bem dentro dos olhos. Em seguida, o gladiador sorriu e Camus viu descer a lâmina sobre si, defendendo na base do instinto.

— E-Ei! – disse Camus ao ser atacado com força e constância. – Eu não sei defender muito bem!

— Sabe sim, e se não sabe, vai aprender! – disse Milo, continuando a atacar sem dó.

Camus não falou mais e ocupou-se em defender os ataques de Milo. O gladiador dosava a força, mas não economizava nos ataques. Logo, Camus ofegava e suava como nunca. Milo percebeu e girou a espada, interrompendo a luta, mas não deixando de mirar os olhos do amante.

— Por hoje é só. Retornamos, no mesmo horário, amanhã. – disse Milo dando as costas.

— Milo... – chamou o ruivo, mas o gladiador fingiu não ouvir e seguiu em frente.

Nas semanas que se seguiram, Milo e Camus haviam criado uma rotina e se enfrentavam todas as manhãs. Era o único momento em que conviviam e isso estava deixando Camus intrigado. Cada vez que se aproximava do gladiador, ele o ouvia, conversava, mas em seguida o deixava, causando um imenso vácuo em sua vida.

Uma noite ele cansara de se sentir assim e procurara Milo. O gladiador dormia sozinho e via-se que tinha bebido bastante. Camus se aproximou e tocou o rosto adormecido, percebendo mudanças na própria mão que agora exibia calos pelo manejo da espada.

Sem pensar no que fazia, deitou-se ao lado de Milo e o abraçou, sentindo seu cheiro e o movimento do tórax forte com a respiração ritmada. Fechou os olhos e adormeceu, despertando horas depois quando Milo se remexeu na cama. Levantou-se e deixou o quarto para depois reencontrar Milo no pátio de treinamento.

Quando amanheceu, Camus já estava esperando, porém Milo não veio sozinho. Hyoga vinha com ele e sorriu ao ver o irmão. Camus também sorriu, mas sentiu uma pontinha de decepção por dividir aquele momento com outra pessoa, embora amasse o irmão e gostasse de estar na sua companhia jovial. Aquela, era a única hora em que desfrutava da companhia de Milo. Lutavam à exaustão e depois, o gladiador sumia de vista, arranjando coisas para fazer.

Hyoga lutou com cuidado, até Milo intervir e atacar Camus com força, sem poupá-lo ou facilitar.

— Não trate o seu irmão como uma mulherzinha, Hyoga! Tem de atacá-lo prá valer! — gritou Milo, sabendo que deixar Camus mais forte o ajudaria a superar a sensação de vulnerabilidade que podia ser tão ou mais destrutiva que um ferimento ou doença do corpo.

Camus correspondia e aplicava-se com esmero em todas as lições, mesmo as mais duras. Seu corpo começara a mudar, sua musculatura desenvolvia-se, rapidamente, com os exercícios e o manejo do gládio. E, melhor que isso, a sensação de fragilidade e fragmentação começava a evanescer, embora ele ainda não tivesse consciência disso.

Milo pegou-se, observando com certa vaidade, o homem que amava, evoluir. Seus olhos azuis fixavam-se em Camus, vendo-o flexionar os músculos ao erguer a espada e enfrentá-lo com golpes fortes e bem finalizados. As pernas movimentando-se, determinadas e fincadas no chão, mas sem perder a leveza. A expressão fleumática sendo substituída por uma firmeza de propósito.

— Por hoje chega! – disse Milo já dando as costas quando Camus o pegou pelo braço.

— Milo, por favor...

O loiro fitou-o e esperou. Camus não sabia como começar, mas sentia o desejo retornar com força, queria Milo, precisava dele...

— Não vá, fique comigo. – sussurrou, baixo.

— Ainda não. – disse Milo tocando-o no rosto.

— Por que não? – questionou Camus.

— Porque não dividiu seus fantasmas comigo.

Camus baixou os olhos e depois tornou a elevá-los.

— Tem razão. Está na hora de acabar com isso. Eu não fui, somente, torturado. Hades mandou me violentar antes de colocar-me na cruz. Antes disso, ordenou que abusassem do meu corpo de um jeito cruel que me fragmentou por dentro. Mas, você me resgatou... Não sei o que seria de mim sem o seu amor, Milo. Eu...

Milo tocou nos lábios de Camus com os dedos, impedindo-o de continuar. Seu olhar comungava do sofrimento do ruivo, antes de roçar-lhe os lábios entreabertos. Então, antes de tomar-lhe a boca num beijo profundo e sôfrego, Milo encarou-o com firmeza e disse rente aos lábios do amante:

— Meu amor por você jamais acabará, Camus. Nem mesmo depois que eu me for deste mundo. Eu esperaria o tempo que fosse necessário para tê-lo em meus braços.

Camus sentiu as lágrimas encherem seus olhos e os fechou no mesmo instante em que a língua de Milo tocava a sua e o corpo forte o estreitava junto a si. Quando Milo deixou suas mãos descerem pelas costelas do ruivo e o segurou com força pela cintura, Camus deu um pequeno suspiro. Era um suspiro de alívio, porque ao sentir as mãos de Milo em seu corpo, a reação fora outra. Estava excitado, terrivelmente, excitado. Ansiava por mais, queria o amante com o mesmo ou até mais ardor que antes.

Afrodite espiou-os e sorriu, sentindo um conforto no coração em vê-los juntos e apaixonados como devia ser.

Quando chegaram ao quarto, os dois caíram na cama sedentos de saudade e desejo. Camus virou o rosto para o lado e recebeu a boca ávida de Milo na sua, lambendo e mordendo, enquanto as mãos fortes passeavam possessivas pelo seu tórax. Sorriu ao sentir o membro intumescido pressionado contra as suas nádegas e esfregou-se nele, iniciando aquela batalha tão conhecida...

Os dedos longos e talentosos do gladiador exploravam a curva das axilas, apertavam os quadris e deslizavam sobre os mamilos rijos, enquanto seus lábios, língua e dentes provocavam a carne sensível e ardente de Camus fazendo-o entreabrir os lábios e gemer, agarrando-se a ele com desespero.

O ruivo havia esquecido o quanto aquela boca sabia provocar prazer. Desde os beijos profundos, em que a língua dele mergulhava quase em fúria, buscando a sua, até agora em que ele a deslizava por todos os centímetros de sua pele num lento e tortuoso assalto ao seu corpo, arrancando tremores, deixando rastros, fazendo-o arder e gemer alto.

A boca de Milo continuou a explorá-lo cada vez mais profundamente, até chegar ao falo, tomando-o por inteiro e levando-o às profundezas de sua garganta.

Camus sentiu as mãos fortes agarrando as suas nádegas em concha e erguendo-o na direção da boca exigente, quente e úmida que executava movimentos de vai e vem, num ritmo lento e alucinante. Com um gemido de prazer, viu Milo abandonar o falo e mordiscar a parte interna de sua virilha, chupando e lambendo todo o seu baixo ventre, insinuando a língua em sua entrada, fazendo-o contorcer os quadris.

Seus calcanhares se fincaram nas costas de Milo quando ele inseriu um, depois dois dedos dentro de si e aumentou a intensidade e a velocidade dos movimentos com a boca, sugando o falo com força, enquanto penetrava-o com aqueles dedos experientes.

A forma como Milo o tomava, cada toque sensual e demorado com a língua era por demais alucinante e Camus não conseguiu suportar mais, cedendo àquela varredura erótica que vinha crescendo dentro dele como um fogo líquido embrenhando-se pelas veias. Seu corpo tremeu e foi sacudido com violência pelo clímax rápido e intenso. Ele agarrou-se a Milo, cravando com força, seus dedos nas costas largas.

— M-Milo! – gritou, enquanto o gladiador colhia aquele orgasmo em sua boca e sorvia com gosto, orgulhoso de deixá-lo, naquele estado.

De olhos fechados, Camus arfava e tentava normalizar a sua respiração.

— Pelos deuses... Isso foi...

— Só o começo! – emendou Milo, invadindo a boca de Camus com a língua ainda impregnada com o seu prazer, deixando-o sem fôlego.

Com aquele beijo, não precisou de muito tempo para Camus recuperar-se e acolher Milo entre as suas pernas, olhando-o febril, seus lábios abrindo-se num sorriso lascivo que fez o falo do gladiador pulsar, dolorido e desejoso pela penetração.

— Vem... — disse o ruivo.

Milo ficou sério, o olhar fixo nos olhos rubros de Camus. Queria muito enterrar-se dentro do amante, mas percebia que abrir mão do ato, poderia ajudar seu amado a superar ainda mais o que acontecera. Sorriu com malícia e sussurrou-lhe ao ouvido:

— Esta na hora de aprender outra lição comigo...

Camus franziu o cenho, tentando entender a proposta de Milo. Então, quando ele deslizou para o lado e puxou-o para cima de seu corpo, o ruivo compreendeu.

— Você... Você quer que eu...

— Transformei-o num lutador, não foi? Agora vou ensiná-lo como foder um gladiador. – falou Milo rindo e mordiscando o lábio inferior de Camus.

Camus hesitou por um instante, mas a proposta era tentadora e inusitada. Milo jogou a cabeça para trás, mas manteve o olhar fixo no dele, guiando-o para dentro de si...

Com cuidado, Camus penetrou-o devagar, arrancando um gemido abafado do gladiador. No entanto, mesmo nunca tendo sido passivo, Milo ignorou a dor inicial e começou a movimentar os quadris, estimulando Camus a mover-se dentro dele e deixar escapar um gemido de puro êxtase em sentir-se tão apertado e quente.

Arquejando e pressionando todo o seu corpo contra o de Camus, Milo abriu mais as pernas, fazendo com que ele entrasse cada vez mais fundo, mais rápido e mais intenso dentro de si. O rosto afogueado de Camus e o brilho aquoso nos olhos rubros mostravam o prazer que ele sentia em apossar-se daquele corpo que sempre o enlouquecia e despertava em si um amor raro e infinito, capaz de curá-lo de todas as dores, de fazer emergir quem ele era...

Moveu-se com força para sentir melhor o calor úmido que emanava de Milo e, enquanto movia-se dentro dele, sentia a pulsação furiosa do sangue em seu pescoço, coração e falo. Todas as células do corpo inundando-se de uma luxúria possante, ao ponto de fazê-lo arfar descontrolado e sentir a aproximação do gozo eletrizando até o último fio dos seus cabelos avermelhados.

Olhou para Milo que fechara os olhos e estocou com mais força, vendo-o cerrar os dentes e arquear o corpo. Ambos estremeceram convulsos, quase ao mesmo tempo, os gemidos intensos vibrando na carne quente, o suor vertendo por todos os poros...

Camus grunhiu ao alcançar o orgasmo e puxou Milo para si, afundando-se mais dentro dele, esgotando cada gota de seu prazer na cavidade quente que, contraía-se e o apertava mais forte. Neste momento, Milo gemeu e abriu os olhos em meio aos espasmos de seu corpo, derramando-se no tórax de Camus e sentindo o sêmen dele derramando-se dentro de si.

Ficaram abraçados, durante um tempo. Milo sorriu sentindo o coração de Camus batendo tão forte que parecia ecoar por todo o corpo. Encostou os lábios em seu pescoço e falou com voz rouca:

— Se eu soubesse que era tão bom assim, tinha feito essa proposta há mais tempo.

Camus sorriu, ainda ofegante e beijou-o nos lábios.

— Eu te amo tanto, Milo... Tanto!

O gladiador acariciou a face corada do amante.

— Eu também te amo, ruivo. Mais do que possa imaginar... – falou Milo puxando Camus para si e tornando a beijá-lo de forma apaixonada.

Instantes mais tarde, tomado por um sentimento forte, Camus olhou bem dentro dos olhos de Milo e levou a mão do gladiador ao seu falo... Pulsante e dura, a ereção formara-se, novamente, ao simples olhar amoroso do gladiador. Fora extasiante possuir o homem que amava, mas gostava de ser dele, de entregar-se à possessão forte e apaixonada que o fazia sentir-se completo.

— Amei possuí-lo... Mas ainda quero você em mim. Preciso senti-lo... – disse Camus.

O gladiador sorriu, ainda afogueado, mas também com uma enorme ereção entre as pernas. Recostou-se na parede e puxou Camus para o seu colo, beijando-o e lambendo-o. O ruivo foi, correspondendo às exigências da boca sedenta de Milo e roçando o falo no do amante, sentindo o estremecer prazeroso do contato entre as carnes pulsantes.

Levantando um pouco do colo do loiro, Camus permitiu ser acariciado internamente e fechou os olhos, deliciando-se com a invasão cuidadosa.

Introduzindo os dedos devagar, Milo os movia de forma circular, preparando-o, fazendo-o antever o que viria. O gladiador usava a língua para brincar com os mamilos túrgidos, encaixando-se na sua entrada, gemendo deliciado com os movimentos sensuais que Camus fazia com os quadris e os sons que emitia, buscando-o, aceitando-o em seu interior...

Enquanto roçava os lábios na pele alva, Milo o fazia descer pela sua ereção, penetrando-o devagar, fazendo-o sentar em seu colo e sentindo a cavidade estreita abrir-se aos poucos à penetração. À medida que Camus, vencia a dor inicial e baixava seu corpo sobre o membro, gemendo, e agarrando-se com força aos seus ombros, Milo enfiava a língua dentro da boca arfante até que estivessem em um beijo tão forte que ambos não podiam respirar direito. Fazia-o saber com as carícias e olhares intensos que o amava mais que a própria vida e que seria seu, somente seu pelo tempo em que vivessem sobre a terra.

Camus começou a se mover sobre ele, a despeito da dor e desconforto que sentia. Empurrava o corpo para frente e para trás num ritmo que permitia ter o seu falo bem próximo do corpo de Milo. Aos poucos, ia intensificando o movimento, atingindo um ponto dentro de si que o fazia gemer mais alto e extasiar-se com a sensação prazerosa de sentir o falo de Milo totalmente mergulhado em seu interior. Aumentou o ritmo e sua respiração tornou-se mais rápida. Sentiu a mão de Milo segurá-lo, começando a parar os movimentos até que eles se tornassem lentos e profundos, sem pressa alguma...

O ruivo grunhiu um protesto contra a interrupção de Milo que o segurava forte pelos quadris, limitando os seus movimentos. Um prazer angustiante tomou conta de todo o seu corpo e ele gemeu num ritmo entrecortado, desejoso de mover-se mais rápido, deixar o gozo abraçar o seu corpo com toda a sua intensidade.

— Milo... — gemeu, quase implorando.

— Vou te deixar gozar... Mas antes quero sentir você me apertando desse jeito. Amo estar dentro do seu corpo, Camus... — sussurrou Milo, enquanto beijava o lóbulo da orelha e o pescoço de Camus, dando leves mordidas e chupões que deixavam marcas avermelhadas, fazendo-o se arrepiar e apertá-lo, trazendo-o para junto de si.

Segurando-o forte e continuando com a deliciosa tortura, Milo moveu seus quadris lentamente descendo uma das mãos para a coxa de Camus na parte de trás, enquanto com a outra, acariciava o falo dele, preso entre os corpos, agarrando firme e masturbando-o na mesma lentidão delirante que o fazia rebolar sobre si.

Camus gemia, arfava e perdia o controle, os olhos fechados ansiando pelo clímax, os braços em volta do pescoço de Milo, apertando-o, tremendo convulso sem conseguir mais aguentar...

—Milo...! — gritou Camus, invadido por um tremor intenso e frenético que o fez sua mente esvaziar-se e o consumiu por completo, fazendo-o vivenciar o terceiro orgasmo daquele encontro.

Milo puxou-o para si, gemendo rouco ao sentir o sêmen quente projetar-se entre os corpos e investiu numa última estocada, sentindo a cavidade estreita contrair-se ao redor do seu falo, fazendo-o gozar, quase no mesmo instante.

Derramou-se dentro de Camus, acolhido na paixão ardente que mais uma vez vencera tudo e agora se fortalecia em meio aos suores, gemidos e sêmen.

Tremendo, os dois permaneceram abraçados, inertes e saciados. Ambos sentiam a respiração alterada, o coração retumbando no peito, na pele, em todo o corpo...

Camus mal conseguia raciocinar e Milo sentia a nudez e a languidez dele em seu corpo como o mais precioso dos presentes... Abraçaram-se com força e despencaram por entre os lençóis amarrotados.

O amor vencera e nesta batalha, ambos haviam sido vencedores. Dormiram quase de imediato, enquanto a rotina diária retornava à vila e a cumplicidade que os unia resgatava o forte e insano amor que jamais se extinguiria...

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Titus mandara chamar Shura e agora o olhava sério e incisivo. Já fazia três meses que Milo e os outros haviam deixado Roma. Como imperador, seu dever era caçá-los e ele o faria. No entanto, propositalmente, deixara aquele assunto arquivado até que houvesse uma chance de comunicar-se com seus filhos e fazer com que escapassem do terrível destino que seria aplicado aos fugitivos.

Shura apresentou-se e Titus sondou-lhe o olhar.

— Vou direto ao assunto, centurião. Todos foram mortos e você foi poupado. Por que julga que tal fato aconteceu? – perguntou o imperador.

— O general Kanon, César! Ele pediu pela minha vida aos gladiadores que pertenceram ao seu irmão. Creio que foi uma forma de se redimir por transformar-se em um traidor.

O imperador franziu o cenho e levou a mão ao queixo como se estivesse pensando.

— Bem, as tropas que estavam em Cápua estão voltando, enquanto outras se encaminham para Jerusalém. Quando a tropa de Cápua chegar, quero que a lidere uma para caçar esses gladiadores e os traga para serem julgados. Já que foi poupado, vamos usar isso para infiltrá-lo. Você fingirá deixar-nos para juntar-se a eles. Fui claro?

— Sim, César!

— Agora, retire-se! Preciso receber a prima de Hades. – disse o imperador, suspirando.

Shura obedeceu e logo Pandora entrou toda vestida de negro.

César!— disse ela saudando Titus com uma reverência.

— Aproxime-se, minha cara. Chegou até mim que desejava falar-me.

— Peço perdão pela insolência, César! Mas, após a morte de meu primo tornei-me quase um pária. Sabe que uma mulher sozinha e sem marido não é reconhecida, nem amparada. Hades provinha meu sustento e agora... Agora que ele foi, brutalmente, assassinado, também eu estou à deriva.

— E o que deseja que eu faça?

— Deixe-me servi-lo, grande César e pedir por justiça! Posso ajudar sua esposa e também, ajudar a educar a sua pequena filha... – disse Pandora ajoelhando-se perante o imperador.

Titus observou a jovem que se curvava. Ela era mais bonita que sua esposa e, segundo os comentários, era voluptuosa e hábil na cama. Podia dispor dos serviços dela e assim honrar a memória do cônsul que cuidara da sua Ludus.

— Levante-se, minha jovem. Hades foi um grande amigo e um grande homem. Terei grande prazer em ampará-la.

Pandora levantou e, sorrindo internamente, mostrou-se com os olhos lacrimosos e o decote generoso. Tinha seios pequenos, mas a pele alva e os longos cabelos negros emolduravam sua face de modo que podia parecer angelical ou lasciva, conforme lhe era conveniente.

— Obrigada, César! — disse ela beijando a mão do imperador.

Titus tomou-a pelos ombros, detendo-se nos lábios rosados e pequenos.

— Não me agradeça, ainda. Agradeça quando eu colocar a cabeça de todos aqueles homens em uma estaca, principalmente a de Scorpionis, o principal líder dessa revolta.

Sorrindo, timidamente, Pandora deixou-se guiar para o salão onde Titus a apresentaria à sua esposa. No caminho, olhou para as paredes suntuosas e pensou: Ah, Hades... Que falta você me faz! No entanto, farei de tudo para honrar sua memória, pegar seu assassino e me tornar amante do imperador.


Fim...?



Notas finais
*****A continuação da saga mostrará o desfecho de todos os acontecimentos, assim como a convivência entre os casais. Veremos um Camus inteligente, mas que agora se torna hábil com a espada. Esse fato muda o cenário e a relação com Milo atinge um patamar de cumplicidade e amor profundo e indestrutível. Titus empreende sua caçada contra Milo, ao mesmo tempo em que Saga tem seu sonho de uma comunidade livre e instruída concretizado na vila em que se escondeu. Isso e mais algumas surpresinhas que serão reveladas na postagem dia 7 de julho! Bjs e eu ficarei muito feliz se desejarem me acompanhar! ***** Agradecimentos muito especiais para: Kao, Mililika, Doce Amarga, LucyStar83, Sion Neblina, hinatailove, Kemylly, Aghata Marie, nane yagami, Saturno, Angelique, Shall, CiçaDF, Mel Dark, Persefone_san, Fnanda, Hitsujikai Atsuya e todas que de alguma maneira leram, favoritaram, recomendaram, se emocionaram, silenciaram. Muito obrigada MESMO!!! XD
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!