A Curucaca e o Mar
1 A Curucaca e o Mar
Notas iniciais
Mar, Marina. Ela não cuida de barcos, ela cuida de vidas. O poema em seu nome e em suas escolhas trouxeram experiências marcantes de dor e amor. Cada pedacinho de luz que se apagava em suas mãos a tornava mais forte para conseguir salvar os próximos. E a vida lhe deu outra oportunidade.
Joana, doce ave dos céus. Desastrada, na tempestade caiu. Seus pais não souberam. Perderam as esperanças, mas Deus permite que boas almas salvem sua luz. Ferida, com pequenos hematomas. Como sobreviveu caindo da araucária? A queda foi tamanha que apenas a tristeza havia sobrevivido com ela.
A boa alma a levou para perto do Mar, que a recebeu com cuidado, mas triste, pois nem sempre a esperança ajuda os fortes. Quantas luzes já se passaram em suas mãos, para especialmente o destino confiar a ela outra chama que poderia se apagar. Mas a vida é feita de tentativas e experiência.
A pequena, ferida, parou de caminhar. Em um exame mostrou as consequências do desastre. Tão jovem. Tão meiga. Mas sua pata quebrada poderia impedi-la de viver. Aos cuidados do Mar, ela resistiu! E assim como o Mar a acolheu ela acolheu o Mar. Gratidão formou laços que apenas uma mãe entende ao olhar seu filhote.
Caminhava com dificuldade, mas persistia em cada passo. As penas se tornavam mais brilhosas e seu bico longo já fuçava a terra em busca de insetos. E orgulhosa olhava para sua nova mãe. Mas seu pé ainda estava prejudicado. Era de partir o coração vê-la daquele jeito. Tentava, insistia, mas cansava. Muito nova para passar por tamanha provação. A mãe natureza nem sempre é generosa.
Os dias se passavam e em nenhum momento Marina pensou em desistir. Com cautela e amor cuidava da perninha que já estava a perder a delicadeza da infância e se tornando adulta. As noites contavam as esperanças de uma jovem médica com o coração cheio de amor pelos seus.
Joana significa graça divina. Indicativo de pessoas que após passarem por uma grande tribulação se tornaram mais fortes. Esta era Joana.
No corredor de voo arriscava saltos e batia as asas exercitando-as. Mesmo com as dificuldades e sua pata que ainda incomodava tentava! Não somente sobreviver, mas viver e voar livremente pelos céus. Sonhava com o dia que daria rasantes na água. O dia que desfilaria pelo campo com suas penas radiantes ao sol. Joana tinha esperanças.
Em dias de tempestade ainda fugia para o Mar, se escondia dos seus medos e receios. Será que aguentaria outra tempestade. Tinha pesadelo com quedas infinitas! Acordava ofegante e grunhia, chorava. A pequena ainda não tinha forças para seguir seu destino.
O sonho distante aproximava-se da realização. O vento estava bom. O sol ameno de um dia agradável. Todos devem sair do ninho um dia. Com o olhar de uma mãe que vê seu filho partir para seus próprios caminhos o Mar se abriu em ondas suaves e viu o voo mais gracioso. O vento batia em suas asas e ela esquivava-se das correntes de ar.
No seu momento de liberdade voou. Voou para tão longe que o sol ofuscou os olhos dos espectadores que comemoravam a soltura da pequena que conquistou corações. Joana agradeceu seus cuidadores com belos rasantes. E parou de frente a sua mãe. E como uma reverencia, partiu para o topo das árvores.
Joana virou liberdade. Joana virou esperança.
Fale com o autor