A Cura
10 Capítulo 10 - A Cura: a mentira.
Notas iniciais
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Três meses se passam. Jordana e Victor decidiram esquecer a cidade onde perderam as pessoas mais importantes de suas vidas. Compraram uma casa em uma cidade litorânea e lá refizeram sua vida. Ela está bem agora. Seu transtorno de personalidade está totalmente controlado e seu cabelo cresceu. Exames preventivos contra o câncer, ela não faz, pois pensa que, nessa doença, quanto mais se mexe mais piora. Ou seja, prefere morrer de uma vez sem saber o motivo do que ir sofrendo e morrer aos poucos. Pelo menos é o que diz para Victor. Ele trabalha em uma escola mais bem estruturada, seu salário é maior e sua carga horária menor. O casal pensa em adotar uma menina, apesar da presença de Luís ser insubstituível. Talvez, por sua falta, eles não são tão felizes como mereciam ser.
De manhã, enquanto Victor fazia relatórios de seu novo emprego, Jordana diz:
– Victor, hoje é o dia da viagem.
– Para onde?
– Você se esqueceu? Semana que vem é o casamento de Alan e Diana e nós somos padrinhos.
– Já comprou as passagens?
Ela não responde, apenas mostra dois bilhetes de avião em sua mão.
Eles embarcam as 08h20 na classe econômica. O avião é de porte médio, e está pouco cheio. No momento em que sentam, são surpreendidos por um jovem aparentemente gótico, de roupas negras e com o rosto cheio de piercings. Ele olha no olho de cada passageiro e diz:
– Estão prontos para morrer? Esse avião irá cair. Eu previ o futuro. Se vocês querem viver, saiam agora.
O jovem sai da aeronave, deixando os passageiros espantados. Apesar do aviso, ninguém o segue. Victor olha para a Jordana e pergunta:
– Você acha que...
– Não. – Ela interrompe.
O avião começa a subir, e em poucos minutos já está no ar. Depois de algum tempo, as luzes dele começam a piscar e ele começa a tremer fortemente. As pessoas enlouquecem e começam a gritar. Jordana está bastante tranquila, apenas firmando suas mãos no banco, e Victor a olha desconfiado meio a tremedeira. De repente, as luzes se acendem e a aeronave se estabiliza novamente. Victor, portanto, decide fazer a pergunta que lhe sucumbia à cabeça:
– Como você sabia que nada iria acontecer com o avião?
– Aquele moço não estava preocupado. Ele queria nos passar medo. Não era verdadeiro. Isso foi só uma turbulência comum.
A viagem dura aproximadamente uma duas horas e meia. Eles desembarcam no aeroporto e ela liga para o celular de Alan.
– Alô, Alan? Adivinha quem é?
– Jordana? É você?
– Sim.
– Vocês vêm para o nosso casamento, né?
– Pois é. Nós já estamos aqui. Esqueceu?
– Sério?
– Nós combinamos que eu iria chegar hoje há mais de um mês. Como pode ter se esquecido?
– Jordana, me desculpe. O pior é que eu não preparei nada para receber vocês!
– Não se preocupe, vamos nos encontrar em algum restaurante.
– O quê? Não acredito! É claro, aonde vamos nos encontrar?
– Que tal no restaurante Alpes Suíços?
– Você nunca se esquece da comida de lá, né? Já vamos então.
Seu telefone é daqueles antigos que abrem e fecham. Ela não aperta o botão vermelho para desligar a chamada, apenas fecha o celular e sorri. Eles chegam ao restaurante exatamente ao mesmo tempo. Esse restaurante se localiza abaixo da luxuosa torre de vidro onde está o escritório do especialista Dr. Daniel Oliveira, que tratou do transtorno de Jordana. Eles entram no restaurante, escolhem uma mesa próxima a saída e fazem o pedido. Alan e Diana sentam-se de costas para a janela, e Jordana e Victor de frente, possibilitando a vista da rua.
– Diana, você mudou o corte de cabelo.
– Que bom que você percebeu, Jordana.
– Está horrível. – Ela diz rindo.
– Sabe o que eu gosto em você? É verdadeira e não bajuladora como aquela Alice.
– Como diria Lúcia, honestidade acima de tudo.
– Claro que sim. Isso é uma virtude!
– Estão ansiosos para o casamento?
– Não vejo a hora. Querida, meu vestido é um ar-ra-so! – Ela soletra. – Digno de uma diva como eu.
– Não se acha nem um pouco, né? – Diz Victor.
– Claro que não, baby. Nós merecemos o melhor, né Alan?
– Claro que sim. – Alan responde. – Conta para eles da festa.
– Gente, a festa simplesmente vai bombar. – Diz Diana. – Vai ser uma explosão! O salão estará dividido em duas áreas. Uma para os plebeus e os interesseiros, como aqueles famosos que trabalham comigo, e outra para nós da high society, ou seja, os nossos verdadeiros amigos, como vocês.
– Nossa. – Diz Jordana. – Obrigada pelo elogio.
– Não para por aí. Alan foi contratado para escrever a nova novela do STI.
– Sério Alan? – Pergunta Victor.
– Não a próxima, pois não dá tempo de escrever, mas é a depois da próxima. E também quero minha queridinha na novela.
– Farei uma atuação digna. – Diz Diana.
– Como sempre, né? – Responde Alan.
Eles comem tranquilamente. Cada um delicia o gosto de sua comida favorita. Tudo corria bem, até que a visionária vê um homem andando pela rua. Ele lhe parece familiar. Está entrando no prédio. Ela lembra quem ele é e decide avisar a Alan.
– Alan! – Ela diz rapidamente.
– O que foi Jordana?
– Olhe para trás! Aquele homem, aquele homem entrando no prédio.
Ele observa de olhos semiabertos, então se assusta.
– Me dá licença, gente. Vamos lá, Jordana.
Os dois saem do restaurante e, andando rapidamente, começam a seguir esse homem, que entra no edifício. Eles estão a poucos metros de distancia. Quando Alan iria gritar para chama-lo, um grupo de pessoas, com alguns jovens e alguns adultos, tumultua o local ao segurarem outro jovem tenso que tenta sair do edifício. Ela não consegue ver quem está nesse grupo, pois está centrada no homem, mas o perdem de vista. Ele provavelmente entrou no elevador. Jordana, desconfiada, pergunta para um dos porteiros sobre a confusão.
– Você sabe o que foi isso?
– Parece que esse garoto roubou um pequeno diamante da empresa de tecnologia que ocupa os dois últimos andares e a cobertura. A polícia já foi chamada.
– Jovens...
Enquanto isso, ainda no restaurante, Victor diz para Diana:
– Eu vou atrás deles.
– Não Victor, espera aqui. – Ela responde.
Ele não obedece. Também entra no edifício, mas não os acha. Portanto, decide subir ao 19º andar, supondo que eles estariam indo atrás de Dr. Daniel. Eles não fizeram isso. Jordana e Alan subiram as escadas até o saguão do segundo andar, e acharam um mapa.
– Um mapa do edifício. – Diz Jordana.
– Aqui está! Ele só pode ter ido à... Sede da Serra Helicópteros, 18º andar! É isso. Vamos lá.
Os dois entram no elevador e vão a esse andar. Eles estão bastante tensos, e sentem-se como se tudo o que fizeram não adiantou nada. Quando a porta se abre, eles se encontram com o homem que estavam seguindo. Esse homem olha para os dois, assustado, e diz:
– Alan? Você por aqui?
– Vinícius... Você estava vivo esse tempo todo e não nos procurou?
– Por qual motivo eu deveria te procurar?
Jordana se impressiona pelo fato de ele não saber de tudo o que eles passaram, então questiona:
– Você não soube o que aconteceu? Todos os sobreviventes do acidente da torre Yin Yang estavam morrendo um por um!
– Gente, eu não morri. – Responde com um sorriso estranhado.
– Você era o último... Você pilotou o helicóptero que atingiu a torre! Você descia de paraquedas com Alan e era atingido pelos destroços da explosão! Nós dois fomos dados como mortos no memorial. Achei que a minha parte tivesse sido um engano, mas a sua? Você está vivo e deveria ter nos procurado.
– Mas porque isso é tão importante para vocês?
– Vinícius, escute aqui. – Diz Alan. – Você pode até achar que estamos mentindo, mas a única forma de acabar com a morte é salvando todos os sobreviventes que ainda estavam vivos! E achamos que tínhamos salvados! Faltava você!
– Gente, isso é bobeira.
De repente, surge um barulho de explosão bem alto e muitos gritos. Os três olham para o lado direito, onde estão as janelas, mas não veem nada. Isso os deixa intrigados, então Jordana pergunta a outro segurança, desta vez, do andar.
– Que barulho foi esse?
– Ocorreu a explosão de uma bomba no último andar, mas não entre em pânico. Continue no prédio. Não é aconselhável passar pela portaria. Podem haver mais bombas.
– Bomba? Bombas? Diamante? Tem alguma coisa errada... Alan!
A explosão no último andar fez que formasse uma bola de fogo no céu. Cinco andares abaixo foram totalmente destruídos e incendiados e, além disso, o fogo começa a se espalhar pelos outros andares. De repente, o edifício está rodeado de emissoras de televisão e pessoas curiosas. A mensagem que os repórteres passam para os telespectadores é a mesma: a polícia irá investigar e os bombeiros já foram chamados. Até agora, não há nenhum sinal deles.
Victor não havia encontrado Dr. Daniel em seu escritório e, por isso, entrou no elevador. Foi a pior escolha de sua vida. A explosão ocorreu no momento que ele entrou e fez com que todas as cordas se arrebentassem. A cabina caiu absurdos 19 andares em uma velocidade impressionante. Esperando pela morte, ele não sabe que o motivo disso tudo foi a negligência de Vinícius. Ele gritou até não poder mais. Quando a cabina atingiu o chão, a velocidade fez com que ela quebrasse. Victor, que já estava com praticamente todos os ossos quebrados, e consequentemente morto, ainda foi empalado por vários pedaços de metais da cabina quebrada. Por fim, as pesadas cordas de metal caíram em cima dele, ferindo sua pele morta.
Diana está totalmente preocupada com as pessoas que estão lá. Alan está lá. Ela se porque vê poucas pessoas saindo do prédio, então decide entrar. Ela tenta chamar o elevador, mas vê que ele está estragado. Logo, decide subir pelas as escadas. Essas escadas são de metal. Enquanto ela sobe, o barulho de cada passe é ouvido. Na medida em que anda, suas pernas doem e sua respiração descontrola. De andar em andar, tromba com uma ou duas pessoas que descem desesperadamente. Quando chega ao sétimo andar, algo inusitado acontece. Até então ela estava com o sentimento de determinação, mas, nesse instante, o medo tomou conta de seus pensamentos. Ela escutou outro barulho altíssimo. De explosão. Diana se assusta e coloca os braços na frente do seu rosto, como se estivesse tentando proteger-se de alguma coisa e só diz uma palavra:
– Não!
Em um milésimo de segundo, a parede que estava a sua direita a esmaga contra a parede da esquerda. Todo o seu corpo é prensado e achatado. Suas vísceras se misturam com o vidro e concreto. Ao mesmo tempo, essas paredes são jogadas para fora do prédio. Em seguida, só é possível ver escombros e fogo. Outra bomba explodiu. Dessa vez, no sétimo andar. Um andar acima e um abaixo são engolidos pela explosão. Em consequência, todo o prédio acima se inclina para a direita, e o fogo se espalha ainda mais.
– Está confirmado. É um ataque terrorista. – Diz um repórter para a câmera. – Já foram enviados helicópteros de resgate para as vítimas. As chances de o prédio desabar agora são máximas. Mais informações daqui a pouco. Repórter Benedito para o Sistema Televisivo Internacional.
Com a inclinação, muitas pessoas que estavam nos andares superiores, inclusive Vinícius, desequilibraram, escorregaram e bateram nas janelas de vidro, que quebraram. Assim elas caíram. Jordana, para não cair, agarrou-se em uma pilastra. Alan, em uma mesa de concreto colada ao chão. Nesse momento de pânico, pensando em uma estratégia para saírem, ele diz:
– Tenta levantar. Agente tem que chegar até a escada.
– Não dá!
– Claro que dá. Força!
Ela agarra na pilastra com força, força seus músculos e começa a puxar para tentar levantar-se.
– Aaaaah! – Grita.
Seus músculos parecem que vão sair do braço. Suas veias, por pouco, não estouram. Entretanto, ela consegue ficar em pé e vai, andando devagar, para o outro lado da pilastra. Alan passa por debaixo da mesa de granito (agora estão somente os suportes colados ao chão, pois, com a inclinação, a pedra caiu) e consegue se levantar. Andando devagar e segurando na parede, eles conseguem chegar até as escadas.
– Nós precisamos descer rápido. Isso aqui vai desabar em poucos minutos. – Diz Alan.
– São dezoito andares!
– Foda-se!
Eles começam a correr. Correr contra o tempo, contra o vento nesse momento. Em alguns andares, encontram alguns sortudos que conseguiram chegar à escada. Todos machucados. Descer uma escada que está 15 graus inclinada para a direita não é nada fácil. As pessoas descem correm sem parar. Algumas tropeçam. A maioria grita:
– Vamos, vamos!
Esse som ecoa por todo o ambiente.
Eles se aproximam do nono andar. Um obstáculo enorme agora os atrapalha: a fumaça. Ela está muito densa, fazendo-os tossir. Além disso, atrapalha na visão. O ambiente está todo destruído. Não há mais escada. Eles têm que descer pelos montes de concreto e há um vão enorme nas paredes causado pela explosão. Alan pisa cuidadosamente em cada pedaço de concreto queimado para não correr o risco de cair. Segurando na mão de Jordana, ele anda, passo por passo, desviando-se do fogo.
Há um buraco enorme no chão que separa o sétimo do sexto andar. Está tudo queimando em chamas. Mais da metade do piso que separa esses dois andares foi jogado para fora pela explosão. O pedaço que restou está incendiando. Eles conseguem ver alguns corpos queimados e totalmente destroçados. O medo de andar por esse lugar os faz andar com cuidado e devagar, mas o medo do prédio desabar os preocupa e os faz andar e pensar rápido.
– Nós vamos ter que pular. – Diz Alan.
– São mais de três metros! – Grita Jordana.
– É o único jeito.
– A gente vai morrer se pular aqui.
– A gente morre se esperar também. O prédio vai desabar, Jordana! – Grita.
Ela fica em silêncio. Após esperar alguns segundos, como se estivesse que tomar uma decisão, ela responde, calando Alan:
– Não. A gente não vai morrer. – Faz uma pausa e suspira. — Eu vou morrer.
Essa reação o assusta. Sem pensar, ele responde:
– Não, não vai!
– Alan, eu vou te contar uma coisa que só eu sei. – Ela começa a andar, devagar, de um lado para o outro. — Sabe aqueles exames que mostraram que eu estava curada do câncer? Aqueles exames que me fizeram ir naquela maldita torre? Aqueles exames que acabaram com minha vida? – Ela diz chorando.
– Sei, mas o que tem a ver?
– Eles estavam errados. Eles foram trocados. Acidentalmente. Eu recebi um telefonema do médico, do Dr. Irineu. Não contei nada ao Victor. Se eu soubesse a verdade, talvez eu estivesse mais feliz do que estou agora. Se eu soubesse a verdade...
– Jordana... Qual é a verdade?
– Eu não... Eu... – Faz uma pausa enquanto as lágrimas escorrem por todo o seu rosto. – Eu não consegui...
– Não conseguiu o quê?
– A cura.
Ele se espanta. Alan nunca esperou por isso. Se não fossem os exames trocados, se ela soubesse que realmente não estava curada, nada disso teria acontecido. A vida de todos estaria correndo normalmente. Muitas pessoas poderiam estar vivas. Ele sabe que não pode jogar a culpa toda nesse exame, pois ainda sente um remorso. Ele quis perder o medo de andar de helicóptero justamente nesse dia, nessa hora. Pensa que não deveria ter feito isso e que a culpa é sua.
Seus pensamentos são interrompidos por uma fala de sua prima.
– Por você, por Victor, pela Diana, por Robert, por Paulo, por Alice. Por Lúcia e por Luís. Por todos que sofreram por minha causa.
Ela anda para uma região em que ainda resta um pedaço do chão do sétimo andar, que está bastante frágil e pegando fogo. Olhando para Alan, pisa nesse lugar e se entrega às chamas. Nesse momento, todo seu corpo arde. Essa dor característica, ao contrário das piores doenças, em que a sensação é semelhante a vários parasitas comendo seu corpo por dentro, é exatamente contrária: seu corpo parece estar sendo comido de fora para dentro. Consumido pelo fogo. Jordana não grita, não chora. Apenas se esforça para não expressar reação alguma. Apesar disso tudo, seu sofrimento é visível. Seu rosto treme bastante e seus olhos se fecham com força. Ela inala a fumaça. Seus pulmões ardem como a pele. Agora, parece não resistir mais à morte. Ela se entrega. Está livre. Seu corpo cai.
O fogo parece se apagar pouco a pouco. Com o peso e o impacto do corpo nesse pedaço de chão que ainda restava, ele desaba, formando um monte de concreto. Jordana salvou a pele de Alan. Agora ele pode descer tranquilamente por esse monte e tentar sair do prédio.
Alan se aproxima dela, que está morta e totalmente queimada. Ele se ajoelha triste. A dor de perder uma pessoa que ama é maior do que qualquer dor física. Nesse momento, a saudade bate como uma dura pedra em sua cabeça. Ele parece chorar, o que raramente acontece. Apesar de não haver tempo, esse momento serviu como um pequeno tributo para uma pessoa que merece respeito.
Quando olha para o chão, outra coisa o surpreende: um pedaço da jaqueta de Diana queimado. É inconfundível. Ele percebe que ela foi tentar avisá-lo, até mesmo salvá-lo, mas sabe que ela está morta. A tristeza aumenta ainda mais. Entretanto, também sabe que não pode ficar mais lá. O prédio irá desabar. Nem sabe se dará tempo de chegar até o térreo e escapar. A única coisa que sabe é que deve tentar fazer isso, pois não pode deixar a morte de Jordana ter sido em vão. Ele começa a correr pelas escadas. Agora está mais fácil, o prédio não está inclinado abaixo do sétimo andar. Com facilidade, ele corre. O maior obstáculo que enfrenta é a tristeza.
Quando finalmente chega ao segundo andar, escuta um barulho altíssimo. A estrutura começa a romper. O prédio inteiro começa a desabar. Todos os andares começam a ir em direção à estrutura rompida do sétimo andar. Alan corre ainda mais, e finalmente chega ao primeiro andar. Ele enxerga a rua e vê bastante poeira. Ele corre como nunca havia corrido antes e consegue sair. Momento de glória e tensão ao mesmo tempo. Muitas pessoas na rua estão gritando, todas chocadas. Alan se afasta da torre e vê-a terminar de desabar. Os andares superiores vão atingindo os inferiores numa sequência que se repete até todo o edifício estar tombado no chão.
Alan olha para o prédio, agora um monte de concreto, vidro e fumaça. Balança a cabeça como se estivesse concordando com tudo o que aconteceu e diz:
– Acabou.
Ele simplesmente vira à direção oposta do prédio e começa a andar. Anda até sumir pelas ruas da cidade. Afinal, tudo acabou.
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