A Crônica
1 Capítulo 1
Notas iniciais
Sombrio. Escuro. Vejo vultos, ando em direção a uma ponte velha. Parece um conto de fadas. Ela é de cimento, corrimão verde. Toco. Musgo.
O lugar é úmido, olho em volta, outros vultos. Mas não estão me cercando.
Viro-me, em direção á velha ponte, vejo antigas amigas, uma infância perdida em um passado esquecido.
Ainda estou do outro lado da ponte. A ponte parece firme, mas sei que se eu subir ela cairá.
Os vultos param. Lobos.
Cercam as meninas, elas estão do outro lado da ponte. Não posso atravessar.
Agora, do meu lado da ponte, vejo outro grupo, mais difícil de identificar, meninos, uma velha paixão que o fogo se apagara à muito tempo, aos 13... talvez.
Posso salva-los.
Corro. Chego perto do grupo, um deles estende a mão. – ajuda – Tento alcança-la, mas um dos lobos me empurra.
Estou longe do grupo.
Outro lobo morde a mão do menino. Ele se encolhe. O Lobo ataca. É tudo o que eu posso ver.
Levanto-me, não muito rapidamente para não chamar atenção.
Corro de volta para o grupo.
Estendo a mão. Desta vez outro estende a não, lembro-me do seu rosto doce, era ele. Volto a pensar no que fazer, olho-o: seus olhos demostram dor, medo, susto, FIM. Toco minha mão na dele, seguro seu pulso – está tremeno -. Um lobo o puxa, solto-o.
Tudo fica preto.
Estou no meu quarto, na minha cama. Era um sonho. Estou chorando.
Fecho meus olhos novamente, o sonho volta. Isto da a impressão que aquelas imagens estão pintadas em minhas pálpebras.
Ando até um banheiro. Abro a última gaveta. Lentamente pego um pedaço de vidro.
Dois cortes no pulso.
Dor. Gosto salgado na boca. Milhões de gemidos. Um grito que tranca na garganta, os olhos queimando.
Tudo fica preto.
Ouço um grito, choro. Minha mãe. Sinto, por último, uma lágrima escorrer sob as minhas bochechas quentes.
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