— Hori não resistiu e, em menos de três dias, já não havia mais quem pudesse lutar! — exclamou o rei Terius. — Apenas três dias, foram o suficiente para aniquilar um dos exércitos mais bem treinados de toda a parte leste.

A sala encontrava-se repleta de representantes de reinos aliados, alguns fisicamente, enquanto outros, eram apenas manifestações projetadas em grandes pilares de cristal, cuja magia infundida, encarregava-se de transmitir o debate àqueles que não puderam se ausentar de suas terras.

— Isso é incomum. Eles não deveriam agir de forma tão coordenada assim, a ponto de atacar um reino como Hori e saírem vitoriosos — disse a rainha Soriana. — A não ser que estejam recebendo ordens de um outro lugar.

— O abismo é como uma doença, uma ferida aberta nesta terra, latejando como se estivesse vivo, se é que não está — disse um dos reis, cuja aparência envelhecida o fazia destacar-se dos demais. — Acredito ser pouco provável que seus “filhos” aceitariam acatar ordens de terceiros.

— O selo pode estar enfraquecendo, rachando, permitindo assim que ele retome o elo com suas crias — disse o clérigo. — As pessoas se afastam cada vez mais da Santa Mãe e de seus irmãos. Talvez, se não perdessem a fé, eles continuariam a nos proteger.

— Nos proteger? Não me faça rir.

O clérigo apenas o encarou, diante do desdém da projeção.

— Se você espera que simplesmente sentemos e clamemos pacientemente para que aqueles que já nos viraram as costas venham nos ajudar contra essa nova ameaça, está enganado.

— Apenas Aruna veio ao nosso socorro depois da ruína da Donzela Branca. Os outros deveriam estar muito ocupados com seus assuntos divinos, dos quais somos muito insignificantes para compreender — completou a projeção de outro rei presente, com certo desdém. — E agora você diz que devemos ter fé? Nem mesmo você acredita em suas palavras.

— Não deixe que sua petulância se torne sua ruína, vossa majestade.

— Minha petulância? Meu caro amigo, até onde sei, não sou eu nem meu povo que se autodenominam “iluminados”, seres superiores e transcendidos.

O clérigo calou-se, limitando-se a lançar-lhe um olhar de julgamento.

— Senhores, por favor, este não é o momento para cultivarmos desavenças — ponderou a rainha Soriana. — Algo me diz que tempos sombrios se aproximam. Devemos nos manter unidos e preparados.

— A senhora está certa. Precisamos nos preparar. Não podemos deixar que o que aconteceu em Hori se repita conosco — disse a rainha Ada.

O debate seguia de forma intensa. Ideias e planos eram lançados ao ar, à espera de uma solução para conter os ataques inimigos.

— Deveríamos organizar uma expedição até o selo, enviar alguns magos apenas para garantir sua integridade — disse uma das projeções.

— Creio que essa seja uma hipótese pouco provável — disse o rei Terius, tomando um pouco de água de sua taça. — Além do mais, esse seria um assunto para as Damas; caberia a elas tomarem as devidas providências.

— De toda forma, não vamos encontrar respostas se ficarmos aqui sentados.

Atrás das grandes portas do salão de reuniões, uma jovem tentava, sem muito sucesso, descobrir sobre o que estavam discutindo.

— Não deveria fazer isso. Se te pegarem, estará encrencada — disse uma voz atrás da garota.

A jovem se virou assustada, apenas para se deparar com seu irmão mais velho, Hilius.

— Não me assuste dessa maneira! Você não deveria estar em alguma aula de diplomacia ou de gestão, ao invés de estar aqui me dando sermão — disse a jovem, colocando a mão sobre o peito, tentando acalmar seu coração acelerado.

— A dama Rosela está à sua procura e parece impaciente. O que você fez dessa vez? — perguntou o príncipe, já se retirando.

— Pare de fugir das suas obrigações, Helis, e não seja teimosa — completou seu irmão, adentrando um dos vários corredores do imenso palácio.

Notas finais
Gostaria de te agradecer, por dedicar alguns momentos do seu tempo para ler essa história. Isso significa muito para mim. Feedbacks e opiniões educadas são sempre muito bem vindas ʕ•́ᴥ•̀?”っ