A Cruzada Carmesim: Lágrimas de Sangue
4 Capítulo 3.
Miranda andava apressada pelos corredores, carregando em suas mãos uma torre de livros empilhados. Tamanha era sua pressa que nem chegou a notar Hugo saindo do quarto, fazendo-a quase esbarrar no rapaz.
— Perdoe-me, meu príncipe, eu não o vi abrindo a porta — disse a jovem, com o olhar baixo e um pouco ofegante.
— Está tudo bem, Miranda — respondeu Hugo, sorrindo. — Onde vai com tanta pressa?
— Estou indo devolver esses livros que a princesa havia pegado na biblioteca há algumas semanas — respondeu a jovem dama. — Antes que ela decida ler durante o banho novamente. O curador não ficou muito feliz com o estado em que o livro ficou da última vez.
— É, posso bem imaginar.
— Desculpe, mas o senhor está com umas marquinhas vermelhas no pescoço. Talvez um inseto o tenha picado, ou quem sabe uma alergia aos lençóis. Posso trazer-lhe uma pomada, se o senhor quiser… — A jovem calou-se bruscamente ao ver Dante também saindo do quarto.
— Bom dia! — disse o belo rapaz, cumprimentando-os.
Miranda correu os olhos entre os dois homens, notando marcas semelhantes em Dante. Sentiu suas bochechas ficarem coradas e baixou o rosto.
— Eu preciso ir, já me demorei demais. Com licença, vossa alteza — disse, saindo apressada.
— Ah, tudo bem. E não se preocupe, não será necessário a pomada, obrigado! — exclamou o príncipe, enquanto a jovem já se virava em direção ao próximo corredor.
— Pomada? Que pomada? — indagou Dante.
— Não é nada, deixe isso de lado — falou o príncipe, colocando a mão em seu pescoço.
— Eu preciso resolver algumas coisas, tenho obrigações a cumprir agora. Mas vou pedir para Helis te fazer companhia; ela vai garantir que não se sinta entediado e muito menos sozinho. — Hugo aproximou-se de Dante, dando-lhe um beijo na testa antes de sair.
— Está bem, te vejo depois — disse Dante, com um suspiro.
***
— Vamos, depressa, está quase na hora do treino dos rapazes, não podemos nos atrasar — disse Helis com entusiasmo. — Hoje deve ser dia de treino com espadas.
— Não sabia que se interessava por treinamento militar. Pensei que seu estilo fosse mais de "princesinha delicada" — provocou Dante, enquanto Helis o puxava pelo braço através dos jardins.
— Não o culpo. Sei que esse meu "rostinho angelical" passa essa impressão, mas uma coisa não tem nada a ver com a outra — rebateu a princesa.
— Ah, nossa, já ia me esquecendo — completou, pegando seu colar de borboleta e o colocando. — Agora sim. Um colar de glamour, presente do meu irmãozinho do coração.
— Por que não estou surpreso que isso seja obra dele? — disse Dante, franzindo a testa.
Ao chegarem ao local de treinamento, acomodaram-se à sombra de um velho carvalho. À frente, o general Citrius instruía e corrigia as posturas de seus alunos, demonstrando técnicas de ataque e bloqueio com a espada. Era rigoroso, mas atencioso e extremamente talentoso.
— Ele luta com firmeza e impõe muita força à espada. Isso pode ser bom, mas faz com que ele se canse mais rápido, além de deixá-lo mais imóvel, menos ágil — pontuou Dante.
— Sou a favor da agilidade e leveza. Movimentos rápidos e precisos tendem a ser mais eficazes, pelo menos na maioria dos casos.
— Espere um momento, não me diga que você também sabe lutar? — perguntou Helis, olhando-o com certo encanto nos olhos.
— Talvez...?
— Por favor, me mostre, faça uma demonstração. Pode ser algo simples — implorou a jovem com entusiasmo.
— Está bem... — concordou Dante, se levantando e arrumando suas roupas.
O rapaz afastou-se, mantendo uma distância relativa da princesa. Abriu os braços, e então, duas espadas gêmeas, em tonalidades de verde esmeralda, surgiram das palmas de suas mãos. As lâminas possuíam pequenos padrões semelhantes aos encontrados nas folhas de plantas. O cabo era adornado com vinhas delicadas que se enrolavam pelo pomo, cuja extremidade possuía um adorno em formato de um pequeno botão de rosa semiaberto.
— Quantas coisas maravilhosas ainda não descobri sobre você? — disse Helis, boquiaberta.
— Digamos que ainda restam algumas — falou o jovem, com um sorriso maroto.
Assumindo uma postura de combate, Dante alinhou os pomos das espadas com os cotovelos e então disparou. Ele golpeava o ar ao redor com movimentos firmes e precisos, mas ao mesmo tempo elegantes, como se dançasse com um oponente imaginário. Seus punhos, fortemente cerrados, mantinham as espadas firmes. Por fim, ele saltou, rodopiando no ar e atirando as lâminas que se fincaram no gramado. Instantes depois de tocarem o chão, as espadas dissolveram-se em um amontoado de pétalas murchas.
— Você é fantástico com a espada!
— O Hugo disse essas mesmas palavras — falou Dante, dando um sorriso tímido e desviando o olhar. — Quando lutamos juntos contra uma dessas criaturas da noite.
— Acho que agora entendo por que meu irmão gosta tanto de você — disse Helis, ainda impressionada.
— E por qual motivo seria? — perguntou Dante, tirando o cabelo do rosto.
— Você é uma caixinha de surpresas. Além disso, é uma companhia muito agradável e simpática. Vocês devem formar uma bela dupla — disse Helis com entusiasmo.
— É, talvez seja isso mesmo. Acho que você tem razão — concordou Dante, dando um sorriso meigo, enquanto uma lembrança calorosa invadia sua mente.
— Olá? Terra para Dante, tem alguém em casa?
— Desculpe, o que disse? — perguntou o jovem, voltando sua atenção para a princesa.
— Perguntei se gostaria de me acompanhar até a casa de uma amiga. Já faz algum tempo que não a vejo, e acho que ela ia gostar de te conhecer.
— Claro, tudo bem, podemos ir sim.
— Perfeito! Ela mora um pouco mais afastada, mas não é muito longe — falou a jovem animada.
Andaram por alguns minutos, seguindo por caminhos feitos de basalto, até se distanciarem consideravelmente do campo de treino. Ao adentrarem uma área onde a vegetação se tornava ainda mais abundante, passaram por jardins e amoreiras, e cruzaram uma ponte sobre um riacho de águas cristalinas. Era um local extremamente agradável. As frondosas árvores projetavam sombras frescas sobre as casas, que pareciam se integrar à paisagem. Crianças brincavam em uma parte gramada e aberta, próxima ao riacho. Passaram por algumas garotinhas sentadas em um balanço de madeira, entretidas com suas bonecas feitas de tricô.
Finalmente, chegaram a uma casa com um imenso ipê rosa na entrada. Mais adiante, dentro da propriedade, estava uma jovem, com um delicado vestido cor pêssego. Seus longos cabelos loiros reluziam sob o sol, presos por uma fita azul-claro. Em suas mãos, segurava belos crisântemos amarelos, recém-colhidos de seu jardim particular.
Helis aproximou-se do muro baixo que se estendia ao redor do terreno cultivado com flores.
— Corina? — chamou-a.
A jovem se virou, encarando os dois visitantes com seus lindos olhos cor de âmbar. Seu rosto, delicado como uma flor recém-desabrochada, expressava uma leve curiosidade.
— Sim, sou eu. Posso ajudá-los em algo? — respondeu.
— Pode sim, eu gostaria de um delicioso pedaço da sua torta de amora, por favor.
— Desculpe? Eu os conheço? — perguntou a jovem, confusa.
— É claro que conhece — disse a princesa, removendo o colar que a camuflava. — E agora, se lembra de mim?
— Sua danadinha, sempre me esqueço desse seu colar. O que aconteceu dessa vez, de quem está se escondendo? — provocou Corina, se aproximando.
— Assim você me ofende! De ninguém, estou apenas dando um passeio com meu novo amigo, Dante — retrucou Helis.
— Ah, olá! Muito prazer, eu sou Corina — disse a jovem, estendendo a mão em cumprimento.
— O prazer é meu — disse o rapaz, com um sorriso cordial.
— Você não me parece ser daqui, estou certa? — perguntou Corina.
— Não, ele veio junto com o Hugo. Ambos chegaram ontem — respondeu Helis.
— Entendi. Bem que eu me lembraria se já tivesse te visto por aqui. Não sou de esquecer um rosto tão facilmente, ainda mais... — As garotas se entreolharam, como se fossem capazes de se comunicar apenas com olhares.
— Bem, vamos entrar. Me deem dois minutinhos e eu preparo um chá de maracujá com maçã que vocês vão adorar — disse Corina com um sorriso caloroso, virando-se para o interior da casa.
Os dois convidados se acomodavam nas cadeiras acolchoadas, enquanto o suave perfume dos girassóis sobre a mesa se misturava ao ar tranquilo da casa. O arranjo contrastava vividamente com o tom arroxeado da madeira polida da mesa, que refletia levemente a luz dourada que invadia o ambiente pelas janelas. As almofadas bordadas nas cadeiras afundavam suavemente sob o peso de seus corpos, proporcionando um conforto quase familiar.
Dante passou os dedos pela superfície da mesa, sentindo o frio da madeira que parecia guardar segredos de longas conversas e momentos passados. Seus olhos percorreram o ambiente, até se fixarem em um quadro pendurado na parede próxima.
O homem retratado, com seu cavanhaque e pele castanho-avermelhada, ostentava um semblante acolhedor, enquanto seus longos cabelos negros caíam pesadamente sobre os ombros. Ao seu lado, uma mulher de olhos cor de âmbar observava serena, com os traços de seu rosto suavemente moldados como se fossem de porcelana. Entre as figuras, no centro da pintura, uma garotinha de sorriso encantador, com um vestido florido e esvoaçante, irradiava uma alegria inocente que iluminava toda a pintura.
O aroma do chá fresco começou a preencher o ambiente, com notas doces de maçã e a leve acidez do maracujá se misturando ao ar.
— Está pronto — disse a anfitriã, trazendo o bule e servindo o chá em um jogo de xícaras de porcelana. — Vou ficar devendo a torta, não imaginei que teria visitas hoje.
— Não se preocupe com isso, só o chá está ótimo — respondeu Helis, soprando o vapor quente de sua xícara.
— Vou ser sincero, não esperava que essa combinação fosse tão perfeita. — Dante tomou mais um gole de seu chá, apreciando o sabor.
— Obrigada, é o meu preferido desde a infância. Minha mãe sempre o preparava para mim. — A jovem voltou o olhar para a pintura, encarando-a com um leve sorriso nostálgico.
— Aquela mulher é a sua mãe? — perguntou Dante, acompanhando o olhar da anfitriã.
— Sim, ela mesma. E o homem ao lado dela é meu pai — respondeu Corina, fixando o olhar na figura do quadro.
— E sim, antes que você diga alguma coisa, sei que não me pareço em nada com ele — disse a jovem em um tom descontraído. — Mas, por outro lado, todos dizem que sou idêntica à minha mãe. E o mais engraçado é que meu tio diz que ela era a cara do meu avô. Não posso afirmar isso, já que não cheguei a conhecê-lo.
— Eu não te disse, Dante? A família dela descobriu como se clonar! — brincou Helis, arregalando os olhos com um toque teatral. — Primeiro veio o avô, depois a mãe, e agora a Corina, que é um clone perfeito dos dois!
— Você tem cada ideia nessa sua cabecinha, senhora Helis — comentou a jovem, revirando os olhos.
— Mas e você, vossa alteza? O que tem feito de interessante? — perguntou Corina, olhando para Helis com curiosidade.
— Nada de mais, apenas as mesmas obrigações chatas de princesa, sabem como é. E, claro, sempre tem os: "Helis, não faça isso! Helis, não faça aquilo!" — respondeu a princesa, gesticulando exageradamente com as mãos.
— Como é difícil sua vida, pobrezinha — desdenhou Corina.
— Você tem razão, é muito exaustivo ser eu — comentou ela, após um gole de chá. — Nós vimos o seu tio quando estávamos vindo para cá. Ele estava treinando alguns homens
— O seu tio é o general? — perguntou Dante, intrigado.
— Isso mesmo. General Citrius, o maior comandante de tropas que o reino já teve — respondeu Corina com uma voz caricata, imitando o tom reverente com o qual as pessoas se referiam a ele.
— E você, Dante? Está aqui no reino de passagem ou pretende ficar? — indagou Corina, pousando sua xícara vazia com cuidado sobre a mesa.
— Sinceramente, ainda não tenho certeza. Há motivos fortes para eu ficar, mas ainda não me decidi — respondeu o jovem, distraidamente passando o dedo sobre a borda da xícara.
— Você e Hugo se conhecem há muito tempo? — perguntou ela, com uma curiosidade genuína.
— Não, deve ter por volta de um ano, mais ou menos. Eu estava em uma situação complicada. Fui capturado por alguns bárbaros e, de maneira completamente inesperada, ele apareceu... como uma luz na escuridão, e me salvou — explicou Dante, com seus olhos fixos na superfície do chá, como se revivesse a cena no reflexo. — Serei eternamente grato a ele.
— Unidos pelo acaso. As melhores e mais duradouras amizades surgem assim, totalmente por acidente — disse Corina, sorrindo gentilmente.
— Acho que você está certa — concordou Dante, franzindo levemente os lábios.
— Bem, foi ótimo te rever, Corina, mas está ficando tarde. É melhor irmos antes que sintam minha falta — disse Helis, pulando rapidamente de sua cadeira.
— Foi um prazer te conhecer, Corina. O chá estava delicioso — disse Dante, levantando-se também e oferecendo um sorriso cordial.
— O prazer foi todo meu! E obrigada pela visita, Helis — disse Corina, abraçando a amiga com carinho. — Voltem mais vezes. Na próxima, prometo que haverá uma torta para acompanhar o chá.
— Vou me lembrar disso — disse a princesa.
— Ah! Helis, diga ao Hugo que, qualquer dia desses, irei ao palácio para acertarmos os preparativos do noivado — acrescentou Corina, rindo alto. — Não pense que eu me esqueci.
Dante franziu a testa, ao que seu rosto assumiu uma expressão séria, diante das palavras da jovem.
— Está bem, sua interesseira — respondeu Helis, devolvendo a provocação, enquanto seguiam de volta pelo caminho de basalto.
***
— Ela parece ser uma boa pessoa — comentou Dante, enquanto se aproximavam do imponente palácio, com os sons suaves de seus passos ecoando pelo caminho de pedra.
— A Corina é incrível — respondeu Helis. — A família dela era muito próxima à nossa. Além de seu tio, sua mãe também frequentava bastante o palácio. Ela era excelente na fabricação de remédios, com um vasto conhecimento sobre plantas e ervas. Costumava trazer a Corina para brincar conosco no jardim, mas depois que o marido dela morreu, se afastou e, de repente, sumiu. Nunca mais soubemos nada dela.
— Parece que ela passou por muitas perdas, desde muito jovem — disse Dante, com um tom de compaixão.
— Sim, você tem razão — completou Helis, enquanto seus olhos seguiam as nuvens flutuando lentamente. — Minha mãe gostava muito da Corina. Lembro-me dela ter voltado algumas vezes, junto ao tio. Ela chegou a ficar conosco por algumas semanas enquanto ele estava em batalha.
— Entendi — respondeu o jovem, com a voz distante e levemente ríspida.
— Você está bem? — perguntou a jovem, parando ao seu lado. — Está um pouco… diferente.
— Sim, estou bem, me desculpe — respondeu Dante, tentando disfarçar o que o incomodava. — Acho que ainda estou pensando naquele chá. Estava divino.
— Ah, então é isso. Concordo, o chá estava realmente maravilhoso — disse Helis, saltitando até as imponentes portas do palácio. — Você não vem?
— Acho que vou ficar um pouco aqui no jardim, aproveitar o sol. É um lugar tão agradável — disse Dante, caminhando em direção a um banco próximo ao lago.
— Está bem, te vejo depois então — disse a jovem, seguindo alegremente pelo caminho de pedra.
Dante se sentou por alguns minutos, observando os cisnes deslizando suavemente pela água tranquila do lago. Ao seu redor, o som melódico das folhas ao vento e o canto distante dos pássaros criavam uma atmosfera serena.
Depois de olhar ao redor e garantir que estava sozinho, ele desabotoou o colete e retirou a camisa, ficando de pé com os braços abertos sob o sol. Fechou os olhos, permitindo que os raios de luz o envolvessem, aquecendo sua pele como se absorvesse a energia vital do ambiente.
Tamanha era sua imersão naquele momento, que ele não percebeu a figura que se aproximava silenciosamente.
— Eu devia imaginar que salada de beterraba e batatas não seriam suficientes para você — brincou uma voz familiar, vinda das sombras do grande carvalho.
Dante se virou abruptamente, apenas para ver Hugo recostado à árvore, com um sorriso brincalhão no rosto.
— Você me assustou — disse Dante, rapidamente pegando suas roupas e começando a se vestir.
— Desculpe, não consegui resistir — confessou Hugo, ainda sorrindo. — Tome mais cuidado, principalmente com os olhares curiosos.
Dante riu de leve, mas ainda um pouco desconcertado.
— Desculpe, como você mesmo disse, beterrabas e batatas não são suficientes. Eu só precisava de um pouco de sol.
— Tudo bem, só procure um lugar um pouco mais discreto da próxima vez. — Hugo se aproximou, abotoando a camisa de Dante com cuidado, o toque de seus dedos passando pelo tecido de forma tênue.
— Como foi o seu dia? — perguntou Dante, observando os gestos do príncipe.
— Cansativo — suspirou Hugo. — Ficar trancado em uma sala, cercado por pilhas de livros velhos, não é tão emocionante quanto parece. Eu preferia estar passando mais tempo com você.
— Está tudo bem. Sei que você tem muitas obrigações agora. — Dante sorriu, ainda sentindo o calor residual do sol.
Ele levantou a mão, tocando levemente o rosto de Hugo, traçando uma linha gentil com o dedo, um gesto que continha mais palavras do que poderia expressar.
— E você? — perguntou Hugo, inclinando-se levemente ao toque. — Como foi o seu dia? Onde a Helis te levou?
— Bom, visitamos o campo de treinamento dos novos soldados, e depois fomos ver uma amiga dela, a Corina.
— Faz tanto tempo que não a vejo — disse Hugo, pensativo. — Foi antes da minha última viagem. Como ela está?
Dante desviou o olhar para o lago, observando o reflexo ondulado que a água formava.
— Ela parece estar bem... Disse que virá te ver em breve.
Hugo observou o semblante de Dante, notando uma ligeira mudança.
— Vem cá — disse Hugo suavemente, colocando a mão no rosto de Dante e se aproximando ainda mais. — Você parece ansioso. Que tal eu tentar dar uma escapadinha das minhas tarefas? Assim podemos passar um tempo juntos, o que acha?
— Seria ótimo! — respondeu Dante, levemente animado.
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