A Criança do Labirinto
17 Acordos selados
Notas iniciais
Quando saíram do outro lado da passagem se depararam com uma galeria completamente diferente. Pequenas quedas d’água caíam de diferentes pontos das paredes de rocha escura e lodosa. Piscinas se formavam na rocha e havia uma luminescência natural vinda de insetos que voavam ou se seguravam nas pedras.
Desceram até uma laje de pedra que ficava mais afastada da água. Sem saber para onde seguir além, permaneceram quietos, esperando. Desesperada com tudo o que estava acontecendo, Helen ergueu o rosto e gritou:
—Eu quero meu filho de volta!
Sua voz fez eco e depois só o som das águas em movimento foi ouvido. Lágrimas de frustração queimaram o rosto dela:
—Por favor... Devolva meu bebê...
Nisso, um chiado longo e baixo ecoou pela galeria. De uma abertura na rocha, à frente e a poucos metros dele, uma criatura amorfa esticou-se e ficou dependurada no ar, balançando-se como um pêndulo. Albert tomou a espada da mão de Helen e apontou, mas a jovem mãe segurou o braço dele e falou:
—Não...
Albert baixou a arma e recuou um passou, sendo imitado por Hoogle. Helen avançou devagar:
—Você é a criatura do Labirinto... Daquela noite...
A coisa se contorce e se estica para o chão, para em seguida erguer-se como uma serpente:
—Ssssimm... Nós sofremos muito sofre ainda muito. Nossa forma corpo perdida, nossa mente confusa sim, muito confusa e dolorida. O Rei goblin cruel fez mal a nósss e vingamos, sssim, vingamos!
Helen suspira:
—Meu... Filho está com vocês? Ele está... Vivo?
—Oh, ssiiimm... Pequeno muito forte... Especial pra nóss... Deu muita energia pra nós tomarmos esse lugar. O pequeno gostou de brincar de esconde-esconde com o Rei cruel...
Helen enxugou as lágrimas que teimavam em cair:
—Onde... Onde ele está agora?
Então a criatura amorfa se contorce e muda de forma, assumindo um contorno arredondado e volumoso. Helen cobre a boca para sufocar o grito ao ver surgir daquela mistura escura e gosmenta, a forma frágil e pálida de seu filho:
—Veja, mulher, como seu pequeno gosssta aprecia ficar conosco... Nósss exploramos todo esse lugar juntosss... Cada cantinho mesmo...
O corpo do bebê parecia misturado à forma negra e repulsiva. Olhos saltados surgiam da gosma grudada à cabeça da criança, enquanto tentáculos assomavam das costas do menino. Helen analisou o rosto de seu filho enquanto a criatura falava e desesperou-se ao notar que os olhos dele estavam completamente negros, evidenciando a profundidade daquela simbiose.
Helen segura o pingente em seu pescoço e fecha os olhos. Com voz suave e doce ela fala:
—Meu filhinho querido? Mamãe voltou para levar você pra casa...
O corpo da criança se contorce e a criatura fica agitada. Helen continua:
—Vem, meu amorzinho. Mamãe vai te esquentar num abraço bem gostoso... E vai cantar pra você dormir todas as noites... É só você vir pra mim...
A criança olha para a mãe e uma voz infantil ecoa na caverna:
—M-mamãe? Me busca, mamãe?
—Sim, meu amor... Só vim por você...
O bebê estica os bracinhos roliços e tentáculos negros tentam segurar seu corpinho miúdo, mas a impressão é que a pele do pequeno parece escorregadia ao contato e o ser amorfo começa a perder seu controle sobre ele.
Diante do trio, a criatura começa a descer para o chão, enquanto o bebê flutua, se libertando do contato. Os olhos negros dão lugar aos olhos azul e verde e a gosma negra se separa totalmente da pele alva. Helen se ajoelha e ergue os braços, sorrindo entre lágrimas:
—Vem, meu amor... Mamãe sentiu tanto medo e tanta saudade!
A criança flutua até a mulher e é recebida nos braços dela, enquanto a criatura se contorce no chão:
—Nãooo... Não é justo com nósss! Ele era nossso pra sempre sim pra sempre! O que deu errado? O que nósss fez de errado?
Helen beija o rosto do filho e se levanta:
—Acabou... Eu vou fazer um acordo com você e vou sugerir que aceite... Para o seu bem, espero que me ouça...
A criatura se recompõe e fica frente a frente com Helen:
—Um acordo com a mulher?
—O Rei goblin te devolve ao normal e você deixa minha família em paz pra sempre...
O silêncio da criatura dura alguns segundos. Os olhos saltados em meio à matéria escura e pegajosa parecem analisar a Jovem e sua proposta. Então a criatura se curva devagar e diz:
—Nóss aceitamos proposta... Se formos recuperados sim recuperarmos nosso corpo, estaremos em dívida com a mulher pra sempre sempre.
—Não me deverão nada se respeitarem nosso acordo.
Então uma coruja branca pousa na rocha acima deles. Todos se voltam para ela e a criatura rastejante chia e se encolhe contra a parede de pedra. Diante deles, Jareth assume sua forma humana e caminha na direção da criatura. Helen barra seu caminho e o encara:
—Chega desse pesadelo sem fim! Depois de tudo que aconteceu, isso tudo tem que parar!
Jareth fecha o semblante para ela:
—Só acaba quando eu disser que...
—Eu fiz um acordo com essa coisa. Prometi que você vai devolver o corpo dela como era antes e...
Jareth se enfurece:
—Fez um acordo em meu nome? Como ousa...
Helen se aproxima e deposita o filho nos braços do Rei goblin. Este recebe a criança surpreso e encara a mulher:
—Veja o nosso pequeno... Ele está bem e a salvo... Não o quero cercado de ódio e medo. Quero que ele cresça sem ter receio de conhecer esse mundo porque se sente ameaçado ou proibido... Quero que ele sinta orgulho do pai, o Rei goblin, por seu coração generoso e piedoso com cada criatura do reino.
Jareth sente o corpo estremecer, mas o olhar de Helen se mantém firme no dele, suplicante. Ele suspira e fecha os olhos. O calor do corpo miúdo em seu colo é mais do que suficiente para que ele tome uma decisão.
Helen está pensativa quando a voz grave e baixa de Jareth a desperta:
—Eu farei o que me pede...
Ela ergue os olhos para o rei e ele sorri:
—Por um beijo apaixonado.
Albert e Hoogle se encaram e depois Helen. Ela sente o rosto aquecer e recua devagar:
—Oh, certo! Isso não é um jogo e...
—Eu não disse que era...
Ela olha a criatura aninhada na rocha, como um cão doente, uma confusão de gosma, tentáculos e olhos, então se aproxima de Jareth e fecha os olhos, beijando o Rei goblin. Ele retribui com suavidade e se afasta dela com um sorriso vitorioso:
—Está feito...
Helen abre os olhos e atrás dela, a criatura que conheceu no Labirinto se levanta, completa e recuperada. O ser se aproxima da jovem mulher e se inclina, encostando as duas cabeças na barriga de Helen:
—Nóss em dívida com a mulher... Eterna gratidão nós prometemos sim prometemos...
Helen recua devagar:
—Oh... Não! Não me devem nada... Apenas... Fiquem longe de problemas, está bem? Acho que é o melhor pra todos...
O ser vira as cabeças unidas na direção do Rei goblin:
—Mestre foi sábio em ouvir a mulher... Somos gratos...
Jareth acena com a cabeça, mas nada diz. A criatura se afasta dali e entra numa das aberturas da rocha, desaparecendo da vista deles. Hoogle cai sentado no chão e Albert olha ao redor:
—Acho que sair daqui é uma boa ideia depois de tudo isso...
Jareth ergue a mão e um portal se forma frente a eles, trazendo alívio para Hoogle que acreditou ter que atravessar todas aquelas galerias até chegar à saída. Pouco depois, na segurança do castelo, Maria recebe o neto em seus braços e sorri entre lágrimas:
—Oh, céus! O dia que esse pequeno foi levado, achei que fosse morrer!
Helen sorri ao ver o carinho da mulher para com seu filho e recebe um beijo dela na testa:
—Você é uma mulher excepcional, querida! Seria uma rainha e tanto para o...
Então Maria se cala, percebendo o que havia acabado de dizer. Jareth, Albert e Hoogle encaram a mulher e esta baixa o olhar para o bebê:
—Ora vejam! Acho que vou dar um banho nesse pequeno! Sua aventura no labirinto deixou ele sujinho, sujinho! Me ajuda, Maddy?
A serva acompanha sua senhora e Helen as observa se afastarem. Hoogle coça a nuca e fala:
—Bem, acho que preciso de uma soneca...
Helen se aproxima e beija a testa dele:
—Obrigada, meu amigo!
Albert se inclina e fala:
—Senhora...
—Obrigada por tudo, Albert. Você é um verdadeiro cavalheiro!
Ele sorri e sai do salão do trono, deixando Jareth e Helen sozinhos. A jovem vai até a janela e respira fundo:
— Eu... Senti saudades dessa visão.
Jareth a observa. Ela estava suja de terra, o ombro machucado, mas estava tranquila. A certeza de ter salvado o filho trouxe calma para o semblante da jovem mulher. Apenas a voz dela tinha um tom de desalento que o deixava incomodado:
—Certo. Quando vou retornar ao meu mundo?
—Fique aqui essa noite, limpe-se e cuide de seus ferimentos. Acho que o meu herd... Que seu filho vai querer a presença da mãe um pouco mais...
E sai dali deixando Helen confusa e cheia de impressões diversas. Um pouco mais tarde, ajudada por suas amigas Bedra e Bone, Helen tomou banho, trocou de roupa e teve o ombro cuidado. Em seu antigo quarto, recebeu a companhia de seu filho e dormiu com ele, aninhado em seus braços.
Naquela noite, Jareth foi ao aposento de sua mãe e sentou-se ao lado dela. Ela tocou os cabelos dele e sorriu:
—De repente, meu filho parece mais velho que eu... Que pensamentos te tiram o sono dessa vez?
Ele baixa o olhar e fala:
—Quando você me despertou e fui atrás de Helen, eu... Não tinha notado a dimensão que tudo isso tomou em meu reino. Eu não imaginava que... As coisas correriam dessa forma e fico pensando se... Eu tivesse convencido Sarah Williams a ficar, teria dado errado.
—Porque acha isso, meu filho?
—Éramos como crianças naquela época... Nenhum estava realmente pronto pra assumir algo... Eu não fazia ideia que...
—Então admite que foi imaturo?
Jareth sorri e respira fundo:
—Como você sempre pensou... Então movido por minha raiva, dor e orgulho, eu quis me vingar... E arrastei Helen McVeigh para essa loucura, sem me dar conta do que ela ia sentir ou pensar.
—Então o que pretende fazer agora?
—Vou... Libertá-la...
—Como assim?
—Vou deixar Helen partir com nosso filho... Será um modo de compensar o que fiz a ela. Ela será feliz e será uma boa mãe para o meu herdeiro.
Maria sente tristeza ao ouvir o filho falar daquela maneira. Apesar da atitude altruísta, Jareth ainda não tinha percebido que podia fazer diferente e melhor. Ela abraçou-o:
—E quando vai dizer isso a ela?
—Amanhã...
Maria observa o filho sair do quarto e Albert se aproxima:
—Não vai tentar mudar a opinião dele sobre essa decisão?
—Não, meu amor. Cada vez que Jareth dá um passo à frente, retrocede em dois. Suas decisões precisam amadurecer de verdade. Protegê-lo não vai ajudar em nada. Ele precisa descobrir sozinho sobre seus verdadeiros sentimentos e como lidar com eles.
—Mesmo que isso lhe traga dor e solidão?
—Se isso o tornar uma pessoa melhor e mais humana, sim.
Albert abraça a mulher e afaga suas costas com carinho:
—Entendo.
O Rei goblin seguiu até o aposento de Helen. Entrou e observou a mulher adormecida com o filho nos braços. Era uma cena que tocou seu coração e o fez desejar estar ali, junto deles, dividindo o calor que emanava dos dois, mas algo dentro dele o afastava do contato estreito. Uma força gritava em seu interior que aquilo não fazia parte dele, de sua posição como o Rei do Labirinto, dos goblins e dos duendes. Seu reino dependia de seu poder e ele não podia ser menos do que isso. Aquilo era humano demais.
Aquilo que o fazia se sentir fraco e vulnerável, confuso e angustiado precisava ser contido. A herança de sua mãe, seu lado humano, seu coração humano. Se afastasse todas as fontes de sofrimento, voltaria a ser o Rei goblin que todos conheceram no passado. Talvez Maria não concordasse com isso, mas ele era o rei e suas decisões não precisavam ser questionadas.
A claridade da manhã colheu o rei ali no quarto, sentado numa cadeira ao lado da cama. Helen abriu os olhos e viu seu filho ao lado. Ela sorriu e afagou-lhe os cabelos sedosos. Então sentiu a presença de Jareth e voltou-se para ele:
—Oh! Bom dia...
Ele ergueu o olhar para ela:
—Como se sente hoje?
—Melhor. Um pouco dolorida da queda, mas tudo bem... Ele dormiu a noite toda. Devia estar exausto de tanta emoção e...
Jareth se levanta e aproxima-se da cama. Ele se inclina e segura as mãos de Helen:
—Vai partir ainda hoje e levar nosso filho com você. É uma mulher surpreendente e será a melhor mãe para o meu herdeiro. Quero que ele seja como você. Se um dia ele quiser vir aqui e ser meu sucessor, deixe-o decidir. Não vou obrigá-lo a nada. Eu não... Fui justo com você e peço perdão por tê-la arrastado para meu mundo.
Helen sente o coração acelerar e os olhos se enchem de lágrimas:
—O que...
—Adeus, Helen McVeigh.
De repente, a realidade ao redor da mulher e seu filho se modifica. O portal de Jareth os envolve e quando dá por si, Helen está em seu quarto, em sua cama ao lado do filho ainda adormecido. Ela se inclina sobre a criança e beija-lhe a fronte suave. Cobre o rosto com as mãos e chora. As palavras de Jareth continham toda a dor e sentimento que os dominava.
Já entardecia quando Helen acordou em seu quarto. O som do ressonar de seu filho a trouxe de volta à realidade. Estava no mundo humano e seu bebê veio consigo. Quando olhou para a janela, notou um pequeno saco de tecido grosseiro no chão, apoiado na parede. Foi até ele e o abriu, revelando moedas de ouro antigas e algumas pedras preciosas.
Helen fechou os olhos e suspirou. Era a forma de Jareth garantir o bem estar do filho e ela sussurrou um agradecimento. Guardou o tesouro na gaveta do criado mudo e ligou para Manoela. Precisava da amiga para resolver coisas relacionadas ao filho.
Eram 22 horas e Manoela olhava em silêncio para o menino aninhado ao colo de Helen. A enfermeira abriu e fechou a boca diversas vezes, mas não conseguiu se manifestar como queria. Helen sorriu e falou:
—Eu disse que havia uma criança.
Manoela passou a mãos nos cabelos e suspirou:
—Santa Madre de Dios! Un hijo!
A jovem olhou a mulher e riu:
—Falar espanhol não vale!
—Certo. Bem! Pra regularizar o registro do seu filho, precisamos de alguns documentos seus. Podemos alegar que o parto foi no interior do estado e você não tinha condições de vir ao centro. O desaparecimento do pai pode ser usado para dar veracidade ao fato, então só tardiamente você pode registrar a criança.
Helen ouve tudo e concorda. No dia seguinte, teria muitos assuntos para resolver, assim dormiu cedo após se despedir de Manoela.
De manhã, Helen despertou e tomou banho junto do filho, amamentou-o e recebeu Manoela na sala. A enfermeira trazia roupas de bebê e Helen sorriu, encantada:
—Oh, Manu! Elas são lindas!
—Foram do meu filho, Ramon. A avó dele bordou todos os detalhes e fez isso pra cada neto. Acho que seu menino vai ficar bem nelas.
Helen entrega o filho nas mãos da amiga que sorri e fala:
—Mas que olhos bonitos você tem, meu pequeno! Como conseguiu olhos assim?
A jovem mãe sorri:
—O pai dele tem... Tinha olhos diferentes também. Deve ser de família. Vou me vestir e já saímos, ok?
Manoela senta-se no sofá com a criança nos braços e sorri:
—Então você existe mesmo! Muito prazer! Meu nome é Manoela e sou a melhor amiga de sua mãe. Quer ser meu amigo também?
O bebê encara Manoela e sorri, agitando as mãozinhas na direção do rosto dela. Naquele momento, a enfermeira sente que deveria proteger o menino e beija os dedinhos roliços dele:
—Vocês vão ficar bem...
Maria caminhava aflita pelos corredores do castelo. Desde a partida de Helen que o Rei goblin passou a ficar recluso, evitando os servos e familiares. Mesmo quando executava suas funções reais, sempre o fazia rápido e silenciosamente, para em seguida desaparecer de vista. Hoogle informou à mãe do rei que ele frequentava a torre norte vez ou outra, mas também ia muito ao Labirinto ao anoitecer.
Maria subiu as escadas estreitas e viu a porta semicerrada. Lá dentro, Jareth estava sentado frente a um quadro pintado por um de seus servos e na imagem, alguém parecido com Helen McVeigh. O rei não olhava para ele, mas permanecia ali, quieto e reflexivo. Ao se sentir observado, falou em voz baixa:
—Não precisamos falar sobre isso.
—Também sinto falta dela... E do pequeno mestre.
Jareth olhou para a mãe e ela sorriu:
—Não fique envergonhado por sentir, meu filho. Não somos feitos de pedra ou madeira. Não é um crime ter emoções.
Jareth se levanta da cadeira:
—Sinto meu poder desequilibrado, enfraquecido... Se tudo o que aconteceu muda o que sou, então preciso anular isso.
—O que... Do que está falando?
Os olhos de Jareth estão felinos e sombrios:
—O Rei coruja era poderoso por uma razão, mãe... Ele não se distraía por nada, não tinhas sentimentos contraditórios ou dúvidas quanto ao que queria e precisava fazer no reino...
Maria se aborrece:
—Em outras palavras, aquela criatura não tinha um coração!
Então as feições de Jareth parecem mudar e ele encara a mãe com um brilho no olhar:
—Sim.
Ele segue até a janela e salta dela, voando em seguida como uma coruja. Maria sai dali e corre até seus aposentos, chamando pelo companheiro:
—Albert! Albert!
O falso conde aparece do quarto e recebe a mulher nos braços:
—O que houve?
—Jareth! Ele... Vai fazer algo impensado! Oh, céus! Pra onde ele foi?
Albert reúne diversos servos do castelo e partem por uma busca ao Rei Jareth. Cada canto do castelo e da região ao redor. Seres alados sobrevoavam o Labirinto, mas nenhum sinal dele. Hoogle falou com Maria:
—Acho que sei pra onde ele foi...
Continua...
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