Notas iniciais
Espero que gostem! Boa leitura!

Logo depois do vai e volta a procura de um compartimento livre para que finalmente pudessem esperar a chegada de Hogwarts, Alvo e Rose arriscaram adentrar uma outra cabine na esperança de que fossem recebidos por alguém simpático dessa vez.

Alvo abre a porta e os dois encontram um garotinho loiro e solitário sentado ao lado de uma pilha de doces. Assim como Rose, ele já estava usando os trajes de Hogwarts. O garoto ao os ver, se endireitou, deu um sorriso tímido com a cabeça levemente inclinada para o lado e cumprimentou.

— Olá.

— Oi. Esse compartimento está...? – Começou Alvo, mas com animação o garoto acabou o interrompendo.

— Sim. – Respondeu rapidamente. – Está sim. Só eu estou aqui.

— Ótimo. Então... nós podemos entrar? Por um tempo, se estiver tudo bem, é claro. – Perguntou Alvo.

— Claro que sim. Podem sim. – Respondeu. — Meu nome é Scorpius. Scorpius Malfoy. – Ele continuou em um tom de timidez falando mais rápido do que ele mesmo conseguia ouvir.

— Al... Me chamo Alvo. – Alvo começou a caminhar para poder se sentar à frente de Scorpius, mas sentiu Rose puxando sua blusa para ele continuar onde estava. Ele olhou para a garota sem entender.

— A-Ah. – Scorpius coçou a garganta e continuou. — Desculpe. Aceitam um pouco das minhas Fantasias Debilitantes? Podem pegar! Por favor, minha mãe disse que isso é ótimo para ajudar a se fazer amigos.

— Não, obrigada... Acabei de tomar café da manhã. – O tom de voz da Rose ficava mais seco e ela se endurecia mais a cada minuto que passava ali.

— Ah... Sim... Eu também tenho um pouco de Choco-choque, diabinhos de pimenta e algumas lesmas gelatinosas. Tudo ideia da minha mãe.

— Eu quero! – Alvo aceitou animadamente. – Minha mãe pega no meu pé quando se trata de doces.

— Bem... É... Eu sou Scorpius. Já disse isso, né? Desculpe. – Disse enquanto olhava timidamente para Rose. — Bem, e você é...?

— Rose. – Respondeu tentando reforçar mais a frieza na voz, mas parecia mais que queria rir do nervosismo de garoto. Alvo percebeu que alguma coisa a impedia de querer se sentar e ficar perto de Scorpius. – Alvo, seria melhor irmos...

— Que? – Alvo olhou para ela e não entendia o porquê de toda a seriedade. Rose começou a agir exatamente como a garota do último compartimento em que entraram. – Claro que não. Por que? Achamos uma cabine perfeita para a gente! Ele é legal!

— É. Seu estômago deve estar satisfeito aqui. – Resmungou Rose.

— Porque está tão chata?

— Ela não está chata... – Disse Scorpius cabisbaixo. – É por minha causa que ela não quer ficar.

Alvo passou seu olhar de Scorpius para Rose.

— Hã?

— Bem... Eu sou um Malfoy. Meu pai é Draco Malfoy. Nossos pais não se davam muito bem.

— Não se davam nada bem. Está suavizando as coisas. – Corrigiu rispidamente o garoto enquanto o encarava e cruzava os braços. – Al... Vamos embora.

— Que? Só por isso? E o que isso tem a ver com a gente? – Alvo já estava sentado na frente de Scorpius e olhava completamente confuso para os dois.

— “Só por isso?”- Repetiu ofendida.- Al! O pai dele era cruel! Além de tudo, os pais dele eram Comensais da Morte! – Rose levantou mais o tom de sua voz e olhou furiosa para Scorpius.

— Só o meu pai... – Disse Scorpius quase que em um sussurro. – Minha mãe não foi.

— Tá. – Alvo estava achando a atitude de Rose um completo absurdo. — Independente do que aconteceu, isso não é problema nosso. Não somos eles.

— Deveríamos sentar em outro lugar. – Rose continuou insistindo chegando perto de Alvo para cutuca-lo.

— Para com isso! Tá me machucando. – Alvo afastou seu braço de perto de Rose já com raiva.

— Vamos, Al!

— Não. – Desviando os olhos dos de Rose, Alvo sorriu simpaticamente para Scorpius. – Estou bem, pode ir.

— Alvo, eu não vou te esperar.

— E eu não espero por isso. Vou ficar aqui. — Disse por fim.

— Certo! – Rose saiu do compartimento batendo os pés.

Os dois se olharam e começaram a rir. A tensão suavemente foi quebrada.

— Desculpe e obrigado por ficar. – Agradeceu e agora estava totalmente animado.

— Não se desculpe. Não fiquei por você, fiquei pelos doces.

Scorpius mais uma vez riu.

— Ela é bem nervosinha.

— Sim. Agora sou eu é quem devo me desculpar.

— Não, eu gosto. – Scorpius parecia completamente confortável com a ignorância de Rose. “Talvez ele também adorasse conhecer a Maya”, pensou Alvo. – Você prefere Alvo ou Al?

Alvo pensou por alguns segundos na resposta. Todo mundo o chamava de Al. Talvez fosse mais conveniente se Scorpius o chamasse de Alvo já que a maioria não chama. Afinal, agora ele se sentia mais animado, disposto e menos preocupado com a seleção das casas por causa de Scorpius. Talvez fosse um bom começo de amizade.

— Alvo. Pode me chamar de Alvo. – Decidiu.

Scorpius sorri e joga dois doces na boca.

— OBRIGADA POR FICAR PELOS MEUS DOCES, ALVO. – Agradeceu enquanto a fumaça saia de suas orelhas.

— Uau! – Disse Alvo enquanto ria. – Bem, não tem de quê!

~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~

Alvo e Scorpius estavam bem mais tranquilos. Passaram o resto da viagem conversando e vendo quais efeitos diferentes e engraçados tinham os doces. Alvo deu uma pausa entre as brincadeiras e foi vestir seus trajes da escola. Pouco tempo depois, chegando a estação de Hogsmeade, os dois saíram do compartimento. Alvo até tentou encontrar sua prima novamente no meio do grande grupo de pessoas que tentavam chegar a saída do Expresso. Ao menos tentar conversar e ver se ela tinha desistido dessa ideia de ser injusta com o Scorpius.

“Não era ela que queria fazer amigos? ”, pensou Alvo.

Sem sucesso, Alvo e Scorpius apenas esperaram todos saírem e em seguida acompanharam o restante do grupo até a saída. Alvo conseguiu avistar de longe Maya, em frente ao compartimento onde ela havia ficado durante a viagem.

— O que foi? – Perguntou Scorpius.

Maya ajeitou o seu uniforme que acabara de trocar e pegou o restante de suas coisas. Seus cabelos estavam bagunçados, mas dessa vez jogados para trás mostrando melhor o seu rosto, o que lhe dava um aspecto mais bonito. Alvo soltou um resmungo e voltou seu olhar para Scorpius.

— Nada.

— Então... Bem, já é a hora. – Disse Scorpius bem ansioso. Ele queria parecer um pouco confiante, mas estava tão nervoso quanto Alvo. — O primeiro dia sempre é horrível. Cheio de expectativas e ansiedade total. – Disse pegando sua bolsa e colocando sobre o ombro.

— Concordo. – Alvo suspirou. – Bom, apenas vamos logo com isso. Quanto mais rápido acabar, melhor. É só uma cerimônia... Só uma cerimônia. – Alvo repetia as últimas palavras mais para si mesmo do que para Scorpius. Sem perceber, começou a andar para fora do trem.

— Sim. É claro. — Scorpius respirou fundo e foi dando passos mais largos para acompanhar Alvo.

Depois de passarem por todos os alunos que estavam indo de um lado para o outro, Alvo deu um grande sorriso ao ver Hagrid.

— Hagrid! – Chamou-o animadamente.

Hagrid, o guarda-caça, como todo ano, estava à espera dos estudantes do primeiro ano para atravessarem o Lago Negro, diferente dos alunos do 2° ao 7° ano que iam de carruagem, os primeiranistas iam em barcos como o pai de Alvo já havia lhe dito. Ele se sentiu aliviado por isso. Não ia aguentar as piadas do seu irmão durante todo o trajeto e já estava tudo indo muito bem, porque Tiago não fez questão de procurar Alvo dentro do trem para encher o seu saco.

—Alvo! Alvo, estou tão feliz em te ver! Seu primeiro ano em Hogwarts! – Alvo deu uma risada nervosa e em seguida fez força para sorrir. — Onde está sua prima?

— Não sei. Me separei dela no trem.

— Certo. – Hagrid esticou mais ainda o seu corpo imenso para olhar em volta. – Todos já estão aqui fora? — Ele olhou em volta. Pouco depois seu olhar caiu sobre Scorpius. – Malfoy?

Scorpius ficou vermelho e se encolheu.

— Olá.

— Parece o Malfoy, mas ao mesmo tempo não parece ele. – Hagrid olhou com seriedade para Scorpius.

— Scorpius Malfoy, senhor. – Scorpius se encolheu um pouco mais e desviou seus olhos.

— “Senhor? ” – Hagrid arregalou seus olhos e Alvo teve a impressão de que seu queixo caiu levemente entre toda aquela barba. — Por Dumbledore, com certeza não é o Draco! Aquele pentelho nunca me respeitaria. Muito menos iria se dirigir a mim com um “senhor”.

— Obviamente, ele teria que ser o filho dele, Hagrid. – Uma voz conhecida que parecia forçar ignorância surgiu por trás de Alvo. — Vamos ver o quanto mais ele se parece com o pai.

Rose estava poucos centímetros de seu primo acompanhada de um grupo de garotas. Ela encarou Scorpius da mesma forma de quando o viu dentro do trem. Elas carregavam bolsas em seus ombros, estavam todas trajadas com o uniforme escolar e cruzavam os braços para se protegerem do frio. Olhavam para Alvo, sussurrando e dando risadinhas.

— Rosie! Está tão parecida com a sua mãe! – Hagrid ria amigavelmente e Rose retribuiu com afeto.

Alvo não entendia. Rose sempre foi bem-humorada, simpática e inteligente demais para se importar com uma coisa ridícula dessas. Por causa de uma velha rixa idiota, ela simplesmente decidiu que preferia tratar o coitado do Scorpius com desconfiança.

—Como vai, Hagrid? — Perguntou ela evitando olhar para Alvo e Scorpius.

—Vou muito bem. E então? Animada para o seu primeiro ano?

—Com toda a certeza! Mal posso esperar para as aulas!

— É mesmo igualzinha à sua mãe! — Hagrid riu. — É como se eu tivesse voltado no tempo. Granger-Weasley e o Potter. — Seus olhos começaram a se encher de lágrimas de emoção. — Ah, Alvo, você se parece tanto com seu pai. Olha só esses olhos! São tão verdes quanto os dele!

Alvo ficou um pouco envergonhado, mas sorriu para Hagrid.

— Não precisa chorar Hagrid. — Disse Rose enquanto dava tapinhas no braço do meio-gigante, o confortando. — E então? Devemos ir até a beira do lago para chegar aos barcos, certo? — Rose transbordava de ansiedade.

—Ah, sim! — Hagrid enxugou as lágrimas e se recompôs. — PRIMEIRANISTAS! POR FAVOR, ME SIGAM ATÉ OS BARCOS PARA INICIARMOS O NOSSO PERCURSO.

Cerca de trinta e seis crianças se reuniram ao redor de Hagrid ansiosos. Todos estavam bem felizes, rindo animadamente, fazendo brincadeiras e já se familiarizavam uns com os outros. Muitos ali olhavam descaradamente para Alvo e cochichavam coisas que ele provavelmente já imaginava o que deveria ser.

—Ele é igualzinho... — Sussurrou uma garota atrás de Alvo.

—Alvo Potter! É ele! — Um garoto falou mais alto.

—É um Potter! — Disse outro garoto mais ao fundo.

Sim, era exatamente o que ele imaginou. Alvo se sentiu um pouco constrangido, mas fingiu não ouvir e fez esforço para prestar atenção em Hagrid.

—Ótimo! Perfeito! Sigam-me! — Ordenou Hagrid. — Vocês terão a primeira visão de Hogwarts em poucos segundos! — Gritou por cima do ombro já andando em passos largos. — Logo depois dessa curva!

Todos seguiram Hagrid. Um caminho estreito se abrira de repente até a margem do enorme lago negro. Ao fundo, houve um coro de empolgação. Alvo e Scorpius permaneceram lado a lado boquiabertos. No alto de um penhasco na margem oposta, as janelas cintilavam ao céu estrelado, havia um imenso castelo com torres e pequenas torres. Todos estavam admirados com aquela visão.

Alvo viu Maya parada sozinha em um canto a poucos metros de sua prima. Todos pararam imediatamente assim que também viram o castelo. Maya e Rose também estavam impressionadas com a visão. Ao chegarem à beira do lago, Hagrid apontou para uma flotilha de barquinhos orientando os estudantes.

— Só quatro pessoas em cada barco!

Hagrid ficaria mais à frente, sozinho, enquanto guiava os alunos. Scorpius e Alvo se acomodaram nos barcos depois de todo mundo.

— Só vamos nós dois? — Perguntou Alvo enquanto via a maioria dos alunos já preenchendo cada barco.

—Não. Tem mais uma. — Respondeu Scorpius, sorrindo timidamente para a garota que já estava praticamente acomodada atrás dos dois.

Alvo se surpreendeu ao ver que era Maya com um olhar distante refletido pela luz do luar, como se nem prestasse atenção na presença dos dois.

— Duas. — Rose surgiu e se sentou bem ao lado de Maya.

— O que faz aqui? — Perguntou Alvo com frieza.

— Atravessando de barco, é óbvio. — Retrucou Rose com a mesma frieza.

— Achei que não quisesse estar por perto.

— Al, deixa de drama. Aqui é um dos únicos barcos vazios. — Rose olhou de canto para Maya, mas ela parecia estar mais interessada no lago do que na discussão dos dois.

— Ou será que foi porque suas "amigas" não estão tão preocupadas em dividir espaço com você. — Alfinetou Alvo.

— Não tem nada a ver com isso! Porque está tão chato?! — Gritou Rose.

— Você é que está chata! — Alvo gritou de volta.

Scorpius queria intervir na discussão. Os dois estavam brigando e ele dizia a si mesmo que era por culpa dele.

— Por favor, vocês dois podem parar? São primos. São família! Eu sei que isso é culpa minha, mas...

— Você não tem o direito de se meter nessa conversa. — Rose interrompeu-o com raiva.

— Não fale assim com ele! — Defendeu Alvo.

— Seja lá qual for o problema de vocês. — Maya finalmente disse algo desviando sua atenção do lago, fixando seus olhos extremamente azuis nos três e mantendo a seriedade de sempre. — Dá pra calarem a boca? Tá todo mundo olhando.

E todos estavam. Os três ficaram vermelhos de tanta vergonha ao verem que todos os alunos, incluindo Hagrid, estavam os encarando espantados e confusos, alguns riam e cochichavam uns com os outros.

Hagrid resolveu mudar o foco e aliviar a tensão.

— Hããã... Bem, estão todos acomodados? — Vendo que ninguém questionou então prosseguiu. — Certo...VAMOS!

A flotilha de barquinhos se soltou toda ao mesmo tempo, deslizando maravilhosamente pelo lago que parecia vidro. Todos permaneceram silenciosos, os olhos fixos no grande castelo e Alvo não pode deixar de notar que até Maya estava encantada com tudo aquilo, mantendo os olhos fixos em cada detalhe da visão que estava tendo de Hogwarts lá no alto, que de fato, era de cair o queixo. A construção ficava maior cada vez mais que se aproximavam do penhasco em que estava situado.

— Abaixem as suas cabeças! — Berrou Hagrid quando os primeiros barcos chegaram no penhasco, todos abaixaram as cabeças e os barcos atravessaram uma cortina de hera que ocultava uma larga abertura bem na frente do penhasco. Foram empurrados por um túnel escuro que parecia que iria leva-los para debaixo do castelo, chegaram em uma espécie de cais subterrâneo. Em seguida, todos desembarcaram, subindo e pisando em pedras e seixos.

Todos ainda estavam em silêncio, impressionados com tudo o que viram. Então, logo em seguida, eles subiram por uma passagem aberta em uma rocha, acompanhados pela lanterna de Hagrid e terminaram em um gramado fofo e úmido a sombra do castelo.

— Estão todos aqui?

Todos olharam para ele e acenaram com a cabeça confirmando. Alvo olhou para Scorpius que agora não parava de sorrir, em seguida, ele deu uma olhada rápida para Rose que olhava de canto para Maya, que estava olhando admirada a grande porta. Quando seu olhar encontrou o de Alvo, ele virou o rosto na mesma hora e resmungou.

Hagrid ergueu seu imenso punho e bateu três vezes na porta do castelo.

****

A porta abriu-se de repente. Alvo ficou entre o nervosismo a flor da pele e o extremo da alegria ao ver quem era. Um bruxo de cabelos castanhos e olhos castanhos esverdeados, usando vestes longas de cor marrom com detalhes avermelhados. Ele sorria gentilmente para todos, mas se alegrou mais ainda ao ver Alvo.

— Alunos do primeiro ano, Prof. Neville Longbottom. – Informou Hagrid sorrindo amigavelmente para o padrinho de Alvo.

— Obrigado, Hagrid. Eu cuido deles a partir de agora. – Agradeceu retribuindo o sorriso.

Logo em seguida, ele fechou a porta e todos puderam contemplar o grande saguão no qual se encontravam. As paredes de pedra estavam iluminadas com tochas elegantes. O teto era alto demais para se ver, e uma grandiosa e bonita escada de mármore a frente levava aos andares superiores.

Eles acompanharam o Prof. Neville por um breve percurso. Os alunos ouviram através de uma porta a direita um murmúrio que parecia ser todo o restante da escola reunida. Porém, antes de seguirem até a grande cerimônia, Prof. Neville levou os alunos do primeiro ano para uma sala vazia ao lado do saguão. Alvo achou que isso provavelmente deveria ser a norma padrão para explicar como tudo realmente funciona em Hogwarts. Eles se agruparam lá dentro, um pouco mais apertados do que o normal, olhando, nervosos, para os lados.

— Bem-vindos a Hogwarts – disse a Prof. Neville. – O banquete de abertura do ano letivo vai começar daqui a pouco, mas antes de se sentarem as mesas, vocês serão selecionados por casas. A Seleção é uma cerimônia muito importante porque, enquanto estiverem aqui, sua casa será uma espécie de família em Hogwarts. Vocês assistirão a aulas com o restante dos alunos de sua casa, dormirão no dormitório da casa e passarão o tempo livre na sala comunal. – Pela cara que o Prof. Neville estava fazendo, parecia que ele havia levado horas para decorar esse discurso. — As quatro casas chamam-se Grifinória, Lufa-Lufa, Corvinal e Sonserina. Cada casa tem sua história, sua honra, orgulho e glória. Cada uma produziu bruxas e bruxos extraordinários! Enquanto estiverem em Hogwarts os seus acertos renderão pontos para sua casa, enquanto os erros a farão perder. No fim do ano, a casa com o maior número de pontos receberá a taça das casas, uma grande honra. Espero que cada um de vocês seja motivo de orgulho para a casa à qual vier a pertencer. – Ele respirou fundo parecendo aliviado por não tropeçar em nenhuma palavra. — A Cerimônia de Seleção vai se iniciar dentro de alguns minutos na presença de toda a escola. Não fiquem nervosos. É bem pior do que parece. – Prof. Neville terminou seu discurso com um grande sorriso. – Estou só brincando!

Todos se encolheram e soltaram risadas nervosas, principalmente Alvo, Scorpius e Rose. A única que parecia estar bem relaxada era a Maya, olhando de forma tranquila para Prof. Neville. Na verdade, ela não parecia estar dando a mínima para todo o aquele discurso sobre as casas. Rose olhava para ela algumas vezes. Scorpius balançava de um lado para o outro, mas parecia aos poucos relaxar.

— Não está mais tão nervoso? – Sussurrou Alvo.

— Bem, eu já imagino para qual casa eu vá, mas as expectativas sempre são altas. Honra, glória e orgulho. Ser um bruxo extraordinário, dedicado e... Fazer amigos. – Scorpius de repente ficou pensativo.

— Ei, você não teve dificuldades nesse último! – Disse Alvo ainda mantendo o tom de voz baixo para que apenas Scorpius o ouvisse.

Scorpius deu um sorriso alegre para Alvo.

— Ainda bem! – Disse Scorpius.

— Bem, deixarei que se aprontem por alguns minutos. Como será em frente a toda escola imagino que queiram respirar um pouco e se ajeitar. Voltarei quando estivermos prontos para receber vocês. – Disse o Prof. Neville. – Por favor, aguardem.- E se retirou da sala sorrindo.

Alvo engoliu em seco. Não estava tão nervoso quanto mais cedo na estação King’s Cross falando com seu pai. Se ele fosse para a Sonserina... Bem, não fazia ideia do que poderia acontecer. Mas agora, estranhamente, se sentia menos desconfortável com a ideia. Ainda assim parecia ser outra coisa... Era exatamente como Scorpius disse: Expectativas. Independente de qual casa fosse, teriam expectativas em cima deles e sentia que entre todos ali, ele é quem mais seria cobrado. Olhou à sua volta, um pouco ansioso e viu que os outros também pareciam bem apavorados. Ninguém falava muito a não ser Rose, que cochichava com algumas garotas e de vez em quando lançava olhares para Maya, provavelmente pensando o porquê de ela não estar nervosa. Algumas pessoas tentavam puxar assunto com a Maya, talvez para tentar livrar a tensão na sala.

— Para qual casa você acha que será selecionada? – Perguntou um garoto de cabelos loiros escuros que não parava de sorrir.

— Não sei. – Respondeu com desinteresse.

O garoto continuou lá. Alvo teve a sensação de que o desgosto dele se misturava com raiva e indignação.

— Seus pais foram selecionados para qual casa? – Uma outra garota perguntou. – Existe uma certa porcentagem de chance de você acabar indo para a casa na qual eles foram selecionados.

Depois dessa pergunta, Maya se distanciou deles sem nem olhar. Sua expressão mudou. O desinteresse se foi e parecia que agora ela estava entre a raiva e a tristeza. O súbito interesse de Alvo em Maya se foi logo depois que ele olhou para Scorpius que parecia agora bem mais tranquilo. Bem diferente quando o viu pela primeira vez no Expresso de Hogwarts.

— Não está mais apavorado? – Perguntou Alvo arqueando uma sobrancelha.

— Claro que sim. Eu estou prestes a ter uma crise horrível com tanto pânico que eu estou sentindo. Não consegue ver? – Disse enquanto sorria mais ainda.

— Parece tranquilo. – Disse Alvo rindo.

— Então estou fingindo bem melhor do que eu poderia imaginar.

Alvo riu mais ainda.

— Porque não ficou assim quando estávamos no trem? Parecia bem tenso e tímido.

— Estava preparando meu psicológico nesse meio tempo. – O bom humor entre eles se foi assim que o Prof. Neville entrou novamente na sala. – E aqui estou eu de novo...

Scorpius começou a se remexer, colocando o peso do seu corpo de um pé para o outro.

— Bem... Prontos? – Todos olharam para o Prof. Neville nervosos e Alvo podia jurar que alguém entre eles soltou um grunhido de dor. – Como eu imaginei. – Prof. Neville riu. – Se acalmem, vai ficar tudo bem. – Disse tentando tranquilizar a sala, mas sem sucesso. — Agora, eu gostaria que vocês fizessem uma fila. Logo depois, me sigam.

Sentindo-se pouco à vontade como se suas pernas tivessem virado chumbo, Alvo entrou na fila atrás de Scorpius e na frente de uma das garotas que tentou falar com Maya. Todos saíram da sala, tornaram a atravessar o saguão e as portas duplas que levavam ao grande salão. Alvo imaginou que fosse algo incrível e maravilhoso, exatamente como seu pai e sua mãe contara, mas ainda assim ficou de queixo caído. Era iluminado por milhares de velas que flutuavam no ar sobre quatro mesas compridas, onde os estudantes mais velhos já se encontravam sentados. As mesas estavam postas com pratos e taças douradas. No outro extremo do salão havia mais uma mesa comprida em que se sentavam os professores. O Prof. Neville levou os alunos de primeiro ano até ali, de modo que eles pararam enfileirados diante dos outros, tendo os professores às suas costas. As centenas de rostos que os contemplavam pareciam lanternas fracas à luz trêmula das velas. Misturados aqui e ali aos estudantes, os fantasmas brilhavam como prata envolta em névoa. Principalmente para evitar os olhares fixos neles, Alvo olhou para cima e viu um teto aveludado e negro salpicado de estrelas. Tudo era como seu pai descreveu para ele por muitas noites antes de dormir. Na verdade, era melhor, muito melhor do que ele imaginava. Scorpius se inclinou para Alvo e cochichou em seu ouvido:

— É incrível, não é? Eu li em “ Hogwarts, uma história”. Enfeitiçaram o teto para aparecer o céu lá fora. Meu pai me disse sobre isso também, mas olhando aqui... Olhando de perto é...

— Sensacional. – Completou Alvo.

Era difícil acreditar que havia um teto ali e que o Salão Principal. Alvo baixou depressa seus olhos quando o Prof. Neville, enquanto sorria para Alvo e o restante dos alunos, levou um banquinho de quatro pernas diante dos alunos do primeiro ano. Em cima do banquinho colocou um chapéu pontudo de bruxo. O chapéu seletor.

Um rasgo junto à aba se abriu como uma boca. Alvo e Scorpius soltaram risadas nervosas junto com outros dez da mesma fileira. E então o chapéu começou a cantar:

Eu tenho feito esse trabalho por muitos e muitos anos

Em todas as cabeças dos estudantes eu me assentei

Dos pensamentos, eu tomo clareza

Eu sou o famoso Chapéu Seletor.

Seleciono os altos, seleciono os baixos

Tenho feito esse trabalho de grosso a fino

Então me coloque e você saberá

Que Casa pertencerá.

O salão inteiro começou a aplaudir quando o chapéu acabou de cantar. Ele fez uma reverência para cada uma das quatro mesas e em seguida ficou quieto mais uma vez. Alvo deu uma olhada para os alunos do seu mesmo ano. Maya parecia ter voltado ao seu estado de desinteresse total. Rose estava como Scorpius, colocando o peso de uma perna para outra e as vezes dando pulinhos nervosos.

O Prof. Longbottom então se adiantou segurando um longo rolo de pergaminho.

— Bom, pessoal! É uma honra estar aqui pela primeira vez tendo o privilégio de realizar a apresentação da seleção das casas, sendo está uma tarefa da vice-diretora Pamona Sprout, eu venho aqui substituí-la por... Razões pessoais. — Neville piscou para Alvo e sorriu. Alvo não acreditava que seu padrinho havia feito questão de fazer a apresentação da seleção das casas só por causa dele. — Enfim, quando eu chamar seus nomes, gostaria que vocês dessem um passo à frente e logo em seguida, deverão se sentar no banquinho. Com isso, irão erguer o Chapéu e pôr em suas cabeças para então ser feita a seleção. – Prof. Neville esperou alguns segundos, sorriu e olhou para Alvo e depois para o restante dos alunos. – Perfeito! CHAPMAN, POLLY.

Uma das garotas que estavam no grupo de amigas da Rose deu um passo à frente. Era uma garota bonita de cabelos castanhos curtos e olhos da mesma cor. Ela tinha um ar confiante e andou até o Chapéu Seletor como se soubesse exatamente em qual casa seria selecionada. Ocorreu uma pausa momentânea...

— GRIFINÓRIA! – Anunciou o Chapéu.

Houve um estrondo de aplausos e vivas da mesa da Grifinória. Ela saiu orgulhosa e estava sem dúvida alguma, na casa na qual tinha certeza de que estava predestinada a ir. Os alunos da Casa a cumprimentaram, Nick Quase-Sem- Cabeça acenava e sorria e enquanto Alvo olhava para a mesa, viu seu irmão o encarando com um sorriso brincalhão, como se estivesse pronto para soltar uma piada no intuito de irrita-lo. Ele virou na mesma hora e bufou. Em seguida, ouviu Prof. Neville gritar o próximo nome.

— JENKINS, KARL.

— SONSERINA! – Anunciou o chapéu outra vez. O garoto também mantinha o mesmo olhar de confiança. Em seguida, foi se juntar a sua mesa, acompanhado de um estrondoso aplauso.

— FREDERICKS, YANN.

— GRIFINÓRIA!

Mais uma vez, a mesa da Grifinória praticamente rugia a cada aluno que era selecionado para sua casa.

— GRANGER-WEASLEY, ROSE.

Ouviam-se alguns assobios e gritos da mesa da Grifinória. Entre eles, era Tiago. Rose saiu correndo até o banquinho, ansiosa, enfiou o chapéu na cabeça.

— GRIFINÓRIA.

Alvo podia jurar que ouviu ela dizendo “Graças a Dumbledore” em meio a tantos gritos da mesa na qual ela foi selecionada.

Scorpius parecia decepcionado. Ficou com um olhar um tanto triste e seu sorriso foi enfraquecendo. Pouco tempo depois, sua moral levantou de alguma forma e parecia que havia se conformado. Já Alvo não esperava menos, era a casa que sua prima mais desejava ir e como seu pai já havia dito, o chapéu também leva a opinião do bruxo em consideração.

Faltava pouca gente agora.

Hans..., Creevey...,Chevalier... depois um garoto chamado Clever Heart, o mesmo que perseguia Maia mais cedo, foi selecionado para a Corvinal. Ele saiu sorrindo e acenando para Maia. Ela revirou os olhos e suspirou. Logo em seguida foram Zabini, Combus, Heart Nott...,Dulcet, White... e então, finalmente...

— MALFOY, SCORPIUS. — Prof. Neville parecia incomodado depois de dizer o nome, como se soubesse o que viria a seguir.

Scorpius, totalmente vermelho, deu um passo à frente. Alvo ficou com medo de que seu amigo acabasse travando no meio do caminho. Ele ouviu um longo suspirou e em seguida, viu Scorpius se distanciar com a cabeça erguida até o banquinho, ele se sentou e pôs o chapéu na cabeça.

— SONSERINA!

Alvo viu claramente em seu rosto que Scorpius já estava esperando por isso. Ele acena para Alvo e dá um meio sorriso enquanto vai em direção até a mesa de sua casa determinada. Haviam estrondosos aplausos enquanto ele se junta aos sonserinos. Nas outras mesas, principalmente a Grifinória, sussurravam sobre Scorpius.

— Bem, já era de se esperar. – Disse Polly Chapman.

— Nenhuma novidade. – Disse Rose.

Ela desviou seu olhar de Scorpius e observou Maya que estava a uma pessoa atrás de Alvo. Rose tinha a esperança de que se Maya fosse para a Grifinória ela teria a chance de se aproximar dela. Rose viu alguma coisa naquela garota que Alvo não entendia. Para tudo ela mostra desinteresse. Alvo começou a pensar que realmente não tinha o direito de julgá-la sem saber nada sobre ela, mas... sério? Custava ser mais simpática quando a idiota da prima dele tentava conversar com ela?

— POTTER, ALVO.

Alvo deu um pulo de susto quando ouviu seu nome. Houve uma agitação por todo o Salão. Ele respirou fundo assim como Scorpius fez e sentiu o olhar de absolutamente todos, incluindo dos professores, sob ele. Deu um passo à frente e fixou seus olhos no banquinho. Com passos largos e ansiosos, sentou-se e colocou o chapéu.

A sala toda começou a cochichar.

— Ele é igualzinho ao pai... – Sussurrou um.

— Você viu os olhos dele? – Disse outra.

— O cabelo! O cabelo é exatamente igual! – Disse mais uma.

Alvo não conseguia se concentrar. Não sentia nada naquele momento. Tentou focar em seus pensamentos.

O chapéu demorou.

“- Difícil. Muito difícil. Como seu pai... – Disse o Chapéu. – Sei que não gosta de ouvir essa comparação, mas não existe melhor forma de te descrever. Bastante coragem, muita lealdade, eu também vejo... Um temperamento ardente. Pode te levar a muitas escolhas precipitadas, mas não vejo uma mente má. Ah, minha nossa, uma sede de se provar levemente indomável... Ora, ora... Isso é interessante. Muito interessante... Então, onde vou colocá-lo? ” — No início, o chapéu parecia meio confuso, mas disse a Alvo qual seria a melhor casa para ele, caso não tivesse objeções.

Alvo não pensou em questionar.

— SONSERINA!

Primeiro, houve um silêncio, um silêncio profundo e perfeito que até fez com que Maya se virasse para os demais olhando-os confusa. Alvo lentamente foi abrindo seus olhos nos quais ele manteve fechado durante toda a seleção para a sua casa. A primeira coisa que Alvo teve o prazer de ver foi seu irmão cuspindo suco de abóbora no rosto de um outro Grifinório que estava a sua frente. Enquanto tossia, ele olhava completamente incrédulo para Alvo. Rose quase caiu para trás como tivesse levado um soco no estômago.

— QUE? – Gritou Tiago se levantando e batendo as mãos na mesa.

— Alvo? Isso está errado. Não deveria ser assim. Deveria? – Rose estava totalmente confusa e levantou-se de uma vez. – Como? Por que?

— Sr. Potter e Srta. Granger-Weasley! Sentem-se imediatamente e façam silêncio! A seleção ainda não finalizou! – Disse a Diretora McGonagall pela primeira vez desde que os novos alunos chegaram. – Por favor, Prof. Longbottom, prossiga. E Sr. Potter, por favor, se junte aos seus companheiros da Sonserina.

Enquanto Alvo ia em direção a mesa de sua casa, como já imaginava, ouviu várias pessoas comentando sobre a decisão.

— Uau. Um Potter? Aqui? Na Sonserina? – Disse Craig Bowker Jr. Um aluno do último ano da Sonserina. – Nunca achei que viveria para ver uma coisa dessas.

— Sonserina? – Mais ao fundo, Polly Chapman também estava espantada com a decisão totalmente inesperada. –Por Merlin... Inacreditável!

Rose balançava a cabeça de um lado para o outro com as mãos no rosto ainda sem acreditar. Ao se virar, Alvo viu primeiro seu padrinho Neville o olhando muito surpreso, mas logo em seguida ele lhe lançou um sorriso de cumplicidade e acenou com a cabeça. Agora Alvo via bem a Mesa Principal. Na extremidade mais próxima sentava-se na mesa Hagrid, cujo olhar encontrou o seu e tudo o que viu dele foi o de total perplexidade.

Alvo olhou para longe, no final da comprida mesa da Sonserina. Viu Scorpius que sorria satisfeito e gritava de felicidade para ele. De imediato, se sentou bem ao lado de seu amigo esperando o restante da seleção ainda com o salão inteiro o olhando e sussurrando.

— Você pode ficar perto de mim! – Disse Scorpius com entusiasmo.

— Sim! – Confirmou com animação.

Logo depois de Alvo, uma garota chamada Eva Chyou foi selecionada para a Corvinal. Todos de sua casa a aplaudiram e a cumprimentaram.

— HARDILY, MAYA. – Chamou Prof. Neville.

Rose ergueu sua cabeça e se endireitou ansiosa. Maya foi até o banquinho, sem hesitar e completamente relaxada. Alvo preferiu prestar atenção no prato vazio pensando na fome que agora sentia. Scorpius começou a perceber que o chapéu estava demorando alguns minutos a mais do que deveria assim como fez com Alvo. Ele olhou para o relógio e começou a prestar mais atenção em Maya. Houve uma tensão se espalhando, mas Alvo parecia pouco preocupado. E o tempo passou.

— Ei...Alvo...– Scorpius tentou dizer algo.

— SONSERINA. – Anunciou o Chapéu.

Alvo sentiu Scorpius o cutucando insistentemente.

— O que foi?

— Alvo. Olha. – Scorpius cutucou-o mais algumas vezes.

Alvo, já nervoso, virou na direção que Scorpius apontava, da mesma forma que seu irmão, acabou engasgando com suco de abóbora e do outro lado ouviu Rose bater a própria cabeça contra a mesa.

— O chapéu permaneceu nela por dois minutos e vinte e oito segundos a mais que você. – Concluiu Scorpius.

— Ela? – Alvo perguntou sem acreditar. – Aqui?

— Alvo. Ela foi uma “Empata Chapéu”. – Explicou Scorpius. — Ficou mais de cinco minutos com o chapéu decidindo.

Alvo olhou com pena para sua prima. Ela estava cabisbaixa. Decepcionada por saber que duas pessoas que ela queria que estivessem ali ao lado estavam na casa “inimiga”.

— Que surpresa.

— E qual casa esperava que ela realmente fosse ser selecionada? – Perguntou Scorpius.

Não conseguiu dar uma resposta. Alvo não pensou em nenhuma casa específica. Não conhecia ela. Não tinha ideia de quem ela era ou de que família ela vinha. Talvez esperasse que ela fosse para a Grifinória, mas apenas por conta da prima que não parava de olhar ansiosa para Maya. Alvo concluiu que talvez Rose queria ser amiga dela porque gostava de um mistério. Viu algo em Maya a ser descoberto.

Para Rose, ela não era apenas uma camada grossa de desinteresse e ignorância que sempre deixava transparecer desde que a viram pela primeira vez. Mas agora parecia que as expectativas de sua prima tinham sido jogadas no fogo. Um ano inteiro de planejamento com grandes amizades (que só seria possível para ela se estivessem na mesma casa), arremessado no lixo. Rose tinha a mania de querer seguir os passos dos pais sempre, talvez porque tio Rony as vezes implantava isso, sem querer, na cabeça de Rose. Com piadas, como fez na estação King’s Cross, sobre a casa da família e quão boa ela seria por ter herdado os talentos da mãe.

Acompanhada por aplausos, Maya foi tranquilamente sentar-se na mesa da Sonserina sem expressar qualquer tipo de emoção. Ela foi para um canto um pouco distante no lado oposto de onde Alvo e Scorpius estavam sentados. Jogou seus cabelos para o lado tirando-os do rosto para poder enxergar melhor e preferiu acompanhar o restante da seleção do que conversar com as duas garotas e um garoto que estavam do seu lado puxando assunto.

— Sua família foi da Sonserina? – Perguntou o primeiro com uma cara tão ameaçadora quanto a de um Pitbull.

— Você é puro-sangue ou mestiça? – Perguntou outra com um olhar desconfiado.

— De qual região você veio? – Novamente perguntou o primeiro.

— Você é bonita. – Veio mais uma outra garota com um sorriso falso. – Hardily, não é? Nunca ouvi falar desse sobrenome antes.

Alvo teve a impressão de que muitos da mesa não colaboravam em melhorar a reputação da Sonserina. Dava a entender que sempre seriam assim: um bando de arrogantes que todos tinham certeza que eram. Maya os olhou com o um sorriso sarcástico.

— O que foi? Porque está sorrindo desse jeito? É maluca? – Rosnou o primeiro garoto que tinha cabelos negros com uma mecha na pequena franja de uma cor próxima a amarelo podre.

— E você é algum tipo de imbecil? – Perguntou Maya calmamente. — Não percebeu até agora que eu não quero falar você?

Alvo e Scorpius ficaram boquiabertos junto com as outras duas últimas garotas que estavam coladas no garoto. Enquanto essa conversa rolava, o restante dos estudantes do primeiro ano estavam quase terminando de serem selecionados.

— Como é? – O garoto levantou a voz com indignação. – Você sabe quem eu sou?

— Não. – Respondeu Maya com sarcasmo. – E nem quero saber.

Alvo notou que seu sotaque parecia ser um pouco diferente. A pronuncia, em especial, parecia ser diferente.

Maya manteve o tempo todo o olhar de tédio e não se sentindo nem um pouco ameaçada pelo garoto. As outras duas, percebendo que estavam atraindo olhares, puxaram o garoto para longe de Maya. Fizeram cara feia e Maya ficou novamente sozinha em seu canto.

Notas finais
Espero que tenham gostado! Obrigada por lerem até aqui!
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.