A Criança e O Raio
1 O Relâmpago Que Cortou O Céu
Notas iniciais
Em uma floresta maldita, bem escondido entre as arvores negras, havia uma cabana velha e assustadora. Lá vivia uma bruxa feia e decrepita, que estava fazendo uma poção para ter o corpo feminino perfeito e para termina-la precisava de um último ingrediente. Uma pessoa de vida curta.
A bruxa invadiu a vila mais próxima e sequestrou uma criança chamada Jin, matando seus pais no processo. Jin era um garoto de 2 anos de pele branca, cabelo preto e olhos azuis. A noite estava nublada e uma grande tempestade estava se formando.
Acima do mundo humano existia a terra dos espíritos, responsáveis por formar e, as vezes, se transformar nos fenômenos da natureza, inclusive os raios. Os espíritos do raio nascem bem antes de se transformarem em um raio. Entre esses espíritos tinha Molniya, que viveu por muito tempo esperando para personificar um raio, mas a fada da chuva, aquela que avisa os espíritos de seu momento, nunca chamou Molniya.
Molniya era um espirito curioso, que observava o mundo humano durante os séculos e sempre ficava surpreso em como tantas pessoas fizeram a diferença nesse mundo, isso o inspirou a fazer a diferença quando virasse um raio, mesmo que fosse para apenas uma pessoa.
Quando hora de Molniya chegou, o espirito conseguiu escutar o pedido de ajuda de Jin vindo da cabana velha e teve a decisão de salvar o garoto da bruxa, focando todas as suas forças em acertar a bruxa.
O relâmpago rasgou os céus de tanta velocidade, atravessando o telhado da cabana e, ao invés de acertar a bruxa, o raio acertou o caldeirão onde a bruxa fazia a poção. Este caldeirão explodiu e o liquido verde e esquisito acabou se espalhando pela cabana, sujando tudo menos o Jin, que estava atrás da bruxa, que foi molhada pela poção gosmenta.
Em seguida, o liquido da poção se moveu até o centro da sala, onde o raio tinha caído, e durante essa movimentação o liquido que estava na bruxa consumiu o corpo dela, derretendo-a aos poucos até não sobrar nada. Quando o liquido se juntou todo no centro da cabana, ele começou a tomar forma de uma mulher adulta e ao se formar por completo o liquido se desfez de cima para baixo.
O desfecho do liquido revelou um corpo feminino, Obviamente parecido com o formato do liquido, só que era totalmente diferente de um corpo de uma mulher comum. Sua pele era completamente azul, seus olhos e cabelos eram amarelos brilhantes e pequenas fagulhas de eletricidade circulavam pelo seu corpo. Essa mulher era Molniya
— O que aconteceu? – Disse ela um pouco confusa após ter consciência. Ela se olha e abre um sorriso. – Eu não posso acreditar! Eu virei uma pessoa, pelo menos algo parecido. Mas eu não entendo como?
Quando olha para o lado, ela vê um livro bastante antigo, aberto na página de instruções e ingredientes de uma poção para ter um corpo de mulher perfeito. Molniya conhecia a língua e percebeu algo no ultimo ingrediente.
— Aaaah, aqui diz que precisa de uma pessoa com um curto tempo de vida, no sentido de alguém velho, não no sentido de alguém recém-nascido. É um erro bastante comum na leitura da língua anciã. Espera um pouco.
Ela olha para o garoto, ele estava assustado, escondido no canto na cabana, deitado de conchinha no chão, começando a chorar. Molniya cria um longo vestido com a mesma energia da qual ela era feita e se aproxima de Jin, contendo os seus poderes ao máximo para não machuca-lo.
— Ei garoto, não tenha medo. Eu não vou te machucar – Ela estende a mão para perto do garoto, ele se enxuga do choro e segura na mão dela – Meu nome é Molniya e eu serei a seu guardião de agora em diante! Quer dizer guardiã, já que fisicamente eu sou uma mulher, nossa isso é confuso.
A leve risada dela acalmou o garoto, ele a abraçou com muita força e disse baixinho no ouvido dela “Obrigado”. Em resposta ela só aceitou o abraço e acariciou o cabelo do garoto. A tempestade acabou, a luz da lua apareceu e iluminou a nova família que nasceu de um único ato, de um único espírito, que salvou a vida de um único garoto, se iniciando um novo capitulo de sonhos e esperanças para os dois.
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