A Criança do Labirinto
20 Epílogo
Notas iniciais
Uma semana se passou no mundo humano. Manoela limpava o quarto de Helen e sentou-se na cama, pesarosa com o sumiço da amiga pela segunda vez. Também sentia falta de Oren, mas nem a polícia soube dar informações satisfatórias. Distraída com seus pensamentos, Manoela não percebeu o espelho do guarda roupa ondular e uma imagem se formar nele.
A voz de Helen despertou a enfermeira:
—Manoela...
A mulher olhou em todas as direções e voltou seu rosto par o espelho, colocando as mãos no rosto:
—Oh, menina? Como... Foi parar aí dentro?
Helen ri e fala:
—Lembra-se de um dia conversarmos sobre sua aposentadoria? Que queria fazer uma viagem incrível pra um lugar que nunca foi antes?
A enfermeira se aproxima do espelho e estica o dedo, testando a superfície que se movia como gelatina. Ela olhou Helen, trajando um vestido pérola cheio de detalhes floridos em bordado delicado e colorido. Uma fina tiara de prata adornava os cabelos da jovem e os cabelos ruivos estavam soltos sobre os ombros em cachos bem cuidados. Manoela percebeu o sorriso viçoso e o rosto corado da jovem, contrastando com a aparência dela meses atrás:
—Helen, querida... O que aconteceu com você?
—É uma longa história que eu queria te contar, mas pra isso, quero que venha para cá...
—E onde está?
—No reino de Jareth, o Rei do Labirinto. Oren sente sua falta...
A mulher olha ao redor. A casa silenciosa não era diferente de seu apartamento. O trabalho era algo que passou a ser uma rotina que não oferecia mais do que ela já conhecia. Talvez estivesse ficando louca ao conversar com a imagem da amiga no espelho, talvez tenha sofrido um enfarto e agora estava vendo o “outro lado”. Sorriu e falou:
—Devo buscar um agasalho?
Helen riu e esticou o braço, agarrando a mão da amiga e confidente e puxando para dentro do espelho. Aquele portal brilhou por mais alguns segundos e fechou-se para sempre.
Fim
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