A Criança do Labirinto

10 A tempestade- parte 02


Notas iniciais
Os servos do castelo se mostram solidários a Helen. Jareth tenta se aproximar da mulher humana, mas sempre há um conflito interno que o faz recuar. Sarah e Edward recebem uma visita inusitada do Rei goblin que percebe-se totalmente excluído dos planos e pensamentos da jovem. Uma conversa entre Jareth e Helen pode mostrar o quanto ambos estão sensíveis ao que sentem.

O Rei goblin viu o nascer do sol pela janela da sala do trono. As nuvens se dissiparam pouco antes do alvorecer no mundo mágico e o calor da manhã foi bem vindo para as criaturas do Labirinto. Ele saiu dali rumo ao aposento de Helen para buscar notícias com a curandeira. Encontrou alguns duendes dormindo na porta do quarto e levantou uma sobrancelha:

—Que está havendo aqui?

Nisso, viu Hoogle passando no corredor seguinte e chamou:

—Hamble!

O anão suspira:

—É Hoogle, senhor...

—Que seja! O que esses idiotas fazem aqui?

—Eles passaram a noite escutando a mulher humana. Ela é uma boa contadora de histórias!

—Histórias, hein? E sobre o que ela falava?

—Sobre o senhor.

Jareth estacou, surpreso com a informação. Abriu a porta, saltando os corpos amontoados na entrada e entrou no quarto às escuras. Num canto, a serva duende dormia sobre uma almofada e na cama, Helen estava encolhida. Ela tinha os olhos levemente inchados e o Rei goblin imaginou que havia chorado novamente. Escutou passos atrás dele e ouviu uma voz rouca e velha:

—Rei goblin... Ela precisa de repouso. Não a desperte.

A curandeira trazia uma bandeja com alimento para Helen e passou por Jareth sem olhar para ele. O Rei falou:

—Não tenho a intenção de acordá-la... Vim ver se está atendendo as necessidades de meu herdeiro como ordenei.

A mulher virou-se e sorriu:

—Seu herdeiro... Sim. Eu escutei uma história noite passada que falava de duas pessoas apaixonadas fazendo planos. E o que vejo agora é uma mulher do mundo humano perdida nesse mundo, sozinha, e esperando o bebê de uma criatura mágica. Acho que ela tem a minha simpatia...

Jareth ri e balança a cabeça:

—De repente a mulher ganhou o coração de todos do meu castelo?

A curandeira não responde e vai até a janela, abrindo-a para que a luz entrasse. Helen moveu-se devagar e tocou a barriga, inconscientemente, o que fez Jareth olhá-la. Surpreso. Ele moveu-se rumo à porta e a curandeira falou:

—Se quer que “seu herdeiro” venha saudável e perfeito, lembre-se que ele depende dela para que isso aconteça.

Jareth sai dali rapidamente, e segue até o salão do quadro de Sarah. Ele afasta as cortinas e olha a imagem estática na grande parede. Os olhos brilhantes e o rosto perfeito que nunca sorriu para ele. Então a imagem de Helen surge em suas lembranças e ele esmurra um móvel próximo, mas isso não alivia suas frustrações. Sua porção humana era sua fraqueza e ele odiava se sentir assim, impotente. Ergueu os olhos para o quadro e falou:

—Você é a culpada por minha inquietação! Por me sentir tão... Ansioso... Tão sozinho... Tão... Humano.

Mas o quadro não responde e a fúria do Rei goblin é carente de um alvo. Lá fora, nuvens escuras assomam no horizonte. Os seres do Labirinto podiam sentir o ar vibrando com a expectativa de nova tempestade.

Helen avisou à curandeira que tomaria café da manhã com Maria e saiu do quarto após a higiene matinal. Uma pequena fada andava com ela pelos corredores, guiando a moça até a ala leste do castelo. Então, num dos corredores que desciam para lá, Helen viu outro corredor e a claridade de uma pequena porta aberta. Ela voltou-se para lá e foi verificar o que era. Para sua surpresa, a porta estava aberta para o labirinto e ela sentiu vontade de sair por ali e tentar fugir. A fada falou, preocupada:

—Por aí, não! É proibido!

—E onde vai dar?

—Num dos corredores externos do grande Labirinto do Rei goblin!

—O labirinto...

Helen pensou em todas as possibilidades e somente um nome veio em sua cabeça para torna-las realidade: _Hoogle_ e voltou para seu corredor rumo ao aposento de Maria onde passou parte da manhã conversando com a mãe do Rei goblin. Maria escutava Helen falar das coisas modernas que existiam no mundo atual, dos avanços tecnológicos e científicos, da política e tudo o mais.

Helen sentia-se bem perto da mulher, que apesar da aparência jovem, possuía séculos de experiência e sabedoria. O conde Albert a ouvia atentamente e lançava olhares curiosos para Maria, que sorria discretamente. Helen sentiu que a estavam avaliando e decidiu terminar a reunião:

—Senhora, quero agradecer o convite. Foi muito agradável conversar com vocês e...

Maria toca a mão dela com delicadeza:

—O prazer foi nosso, querida! Não imagina o quanto ficamos impressionados com tudo o que nos contou sobre o mundo dos homens. Da época em que nasci, deveras muita coisa mudou! Obrigada por partilhar seus conhecimentos conosco! Venha mais vezes, será sempre bem vinda! Quero saber como está lidando com sua gravidez... Espero que me permita ajudar você.

Helen toca a barriga e suspira:

—Estou... Tentando ficar calma por ele. Sempre ouvi dizer que o corpo da mãe transfere muita coisa para o bebê. Não quero causar-lhe nenhum mal.

Maria sorri:

—As coisas vão se ajeitar, você vai ver!

Ambas sorriem, mas Maria sente a tensão no corpo de Helen quando essa caminha para fora do salão. A fada que a trouxe até ali falava animadamente com a jovem, mas esta parecia aérea. Maria suspirou e Albert aproximou-se, abraçando-a por trás:

—Minha querida... Sinto que está apreensiva por Helen.

—Fico pensando se... Essa moça vai ter o mesmo destino que eu quando seu bebê nascer...

Albert pousa os lábios suavemente no pescoço da mulher e ela fecha os olhos. Queria saber as palavras certas para confortar Helen e aconselhar seu filho, Jareth, mas naquele momento nada do que pensava ajudava muito.

Helen pediu à fada que a conduzisse ao jardim de Hoogle, onde começou a limpar o solo das folhas e galhas quebradas pela chuva, arrancar o mato que tomou conta dos canteiros e replantar as mudas sobreviventes. Entretida com aquela tarefa, não percebeu que Jareth a observava próximo dali, silencioso e soturno. Ela estava ajoelhada e movia as mãos com suavidade, visivelmente satisfeita com a distração de cuidar do jardim. Permitiu-se leves sorrisos quando encontrava uma muda adequada e parecia sussurrar alguma ordem ou palavra de consolo para a planta machucada.

O Rei goblin se aproximou devagar e falou:

—Helen.

Ela virou-se e olhou-o, calada. Voltou a remexer a terra com as mãos e ele pigarreou:

—Pensei que esse jardim era do Mamble...

—O nome dele é Hoogle, mas acho que você se diverte em menosprezar seus servos... Algo típico de ditadores e soberanos arrogantes. E sobre o jardim, prometi ajudá-lo.

Ele ri:

—Está mais afiada hoje... O que conversava com Maria?

—Nada de mais. Contei para ela sobre as mudanças no mundo dos homens e tudo o mais.

—Falaram... De mim também?

—Não. Foi um café da manhã agradável!

Jareth começa a rir e Helen não entende. Ele se recompõe e respira fundo:

—Gosto do seu senso de humor. Acho que meus súditos estão apaixonados por você.

Helen abandona as plantas sobre a terra remexida e fala:

—Ouça, Rei goblin... Eu escolhi cuidar dessa criança, independente de sua origem. Não vou permitir que me aborreça e me faça sentir mal, pois isso pode prejudicar o desenvolvimento dele. Então vamos fazer um acordo... Se não tiver nada útil pra me dizer, quero que se mantenha longe de mim!

Jareth sente uma estranha inquietação crescer dentro dele e andou até ela com passos duros:

—Quer que eu fique longe? Quer me dar ordens dentro do meu reino? Ora, vejam só! De repente ficou muito corajosa porque tem a atenção dos meus servos e da minha mãe?

Helen encara o rosto alterado do ser mágico. Os olhos dele brilham de raiva, mas ela sustenta seu olhar e espera. Seu corpo inteiro treme e ela sente suas forças diminuírem, mas não cederia frente a ele.

O Rei goblin para de andar e analisa o rosto dela empalidecer levemente. Ele percebe que excedeu em sua raiva e recua devagar:

—Eu... Acho que deveria voltar para seus aposentos e descansar um pouco...

Helen sente uma leve tonteira e Jareth avança para ela, sustentando-a pelos braços. Ela murmura:

—Não precisa se...

Ele ignora sua recusa e a leva devagar, pelos corredores, até o quarto que a jovem ocupava. As mãos dela estavam sujas de terra e ele apanha um jarro de água:

—Venha... Vamos lavar suas mãos...

Surpresa com a atitude gentil dele, Helen não discute e segue com ele até a janela do quarto. Ela estende as mãos e Jareth despeja a água aos poucos, enquanto ela esfrega entre os dedos para tirar a sujeira. Observando a água se dispersar com o vento, ela olha o Labirinto e ao longe a terra extensa. Sem pensar, ela comenta:

—Deve ser doloroso ser o Rei desse lugar...

As palavras fazem Jareth estremecer e olhar a mulher, mas ela não o olha de volta. Terminada a ação, ele vai tocar o ombro dela, mas Helen fala:

—Estou melhor. A tonteira já passou... Obrigada.

Ele inclina a cabeça e coloca o jarro de volta na mesa do quarto, observando Helen caminhar até a cama e se deitar, de costas para ele. Jareth abre a boca, mas decide não dizer mais nada e sai dali. Seu interior queimava e ele transformou-se em coruja, voando sobre o labirinto e sumindo por entre as árvores da floresta além. Helen encolheu-se na cama e sussurrou:

—Oh, Jarod! Porque você tinha que ser uma mentira?

Ela tocou o colar e tencionou arrancá-lo do pescoço, mas não teve coragem. Ele estava carregado de lembranças e sentimentos que Helen queria preservar em seu coração. As ações gentis de Jareth a deixaram sem palavras e ela não sabia como reagir a isso. A única coisa que fazia sentido estava dentro dela, crescendo devagar, ocupando sua mente e o coração, mostrando que coisas fantásticas podiam acontecer. Era nisso que Helen buscava forças.

Sarah estava parada, lendo o resultado das avaliações finais no mural do corredor. Achou seu nome entre os vinte primeiros colocados e sorriu. Já podia enviar sua inscrição para a bolsa de estudos à New York Film Academy e começar uma carreira nas artes cênicas. Daria a notícia mais tarde para o namorado e festejariam juntos.

Eram quase 18 horas e o tempo esfriava. Sarah colocou o cachecol e seguiu para a saída da escola. Curiosamente, o estacionamento do colégio estava vazio àquela hora e a jovem sentiu-se observada. Olhou ao redor e falou:

—Sei que está aqui...

Um vento diferente fustigou os cabelos de Sarah e a figura exótica e imponente de Jareth surgiu entre as árvores do estacionamento. Ela analisou o rosto do Rei goblin e falou, calma:

—Pensei que não o veria novamente... Dia difícil?

Ele baixa o olhar e sorri. Sarah sente o rosto aquecer. Jareth olha para frente, para o prédio onde ela estudava:

—Nunca entendi a necessidade dos seres humanos de ficarem enfurnados nesses prédios escutando um de vocês falando baboseiras por horas!

Sarah riu:

—Oh, Rei goblin! Não seja injusto! Professores tem um papel importante na sociedade dos homens!

Jareth sorri:

—Você nunca sorriu... Quando estava perto de mim.

—Você me assustava... Eu não sabia o que pensar de você!

—E agora sabe?

—Tenho uma ligeira ideia! Tem alguma coisa... Pesando em seu olhar. Culpa, talvez? Mandou muitos dos duendes para o Labirinto? Brigou de novo com Hoogle?

Jareth ouve aquelas palavras e sente o corpo trêmulo. Talvez devesse contar que havia outra pessoa no lugar de Sarah, esperando um herdeiro para seu reino, mas isso implicaria na seguinte questão:_ Jareth havia esquecido Sarah? Ou ela jogaria em sua cara que agiu movido pela raiva e desespero ao ponto de arrastar para o castelo qualquer mulher que encontrasse no mundo humano, tentando substitui-la?

Tal resposta implicaria noutra situação ainda mais constrangedora, envolvendo mentiras, sedução e sequestro, levando Sarah a crer que ele era realmente um monstro insensível e que a pobre moça era prisioneira do Labirinto e do castelo de Jareth.

Sarah o viu refletir longamente sobre o que falavam e suspirou:

—Sempre um enigma, Rei goblin... Jamais vou entender como funciona sua mente!

—Ainda pode tentar, se quiser...

—Não. Já tive o suficiente do seu mundo.

Nisso, os faróis de um carro iluminam o estacionamento e Sarah sorri ao ver Edward estacionar ali perto. Quando olhou para Jareth, ele estava vestido como um homem da terra, cabelos penteados para trás num rabo de cavalo e trajava um casaco clássico, bem cortado e de cor escura, entre vinho e magenta. Parecia um lorde e Sarah cobriu a boca, misto de riso e surpresa:

—O que pensa que...

—Shhh! Lá vem seu herói...

Edward puxou o capuz sobre os cabelos castanhos cacheados e sorriu para a namorada:

—Oi! Demorei um pouco... Passei no mercado e... Oh! Olá!

Edward encarou Jareth e falou:

—Sarah... Não vai me apresentar ao...

Jareth ergue a mão enluvada e sorri:

—Jarod Crestani.

—Oh! Sou Edward Hayes! Prazer em conhecê-lo! Você é...

—Sou professor de intercâmbio. Conheço Sarah desde que ela tinha... Hum, o quê? Quinze anos?

Sarah fica corada:

—Eh! Mais ou menos isso!

Edward sorri, mas fica tenso com o olhar do “professor” sobre Sarah. A jovem percebe o clima entre eles e desconversa:

—O professor está de viagem marcada. Passou aqui pra ver uns amigos e nos vimos por coincidência! Nossa! Como esfriou! Vamos indo, Ed?

Edward ergue a mão mais uma vez na direção de Jareth:

—Professor.

—Edward. Foi um prazer conhecer o único que conseguiu alcançar o coração dessa menina! Cuidem-se.

Edward sorri, incerto, e olha Sarah, que sorri de volta como se estivesse tudo bem. Abraçados, seguem até o carro, mas quando se viram, o professor já não estava à vista:

—Uau! Pra onde ele foi?

—Normal. Ele tinha a fama de sumir no ar... Figurativamente falando.

O carro sai dali e ganha a avenida. A noite já tomara conta da cidade e Jareth, sentado na mureta do edifício, olha o horizonte. Analisava o modo como Sarah e o rapaz se comportavam juntos, como trocavam olhares de cumplicidade e como Sarah havia crescido como pessoa. Havia um sabor acre em sua boca, uma sensação de afundamento e desalento. De que adiantava seu orgulho se isso não a impressionava em nada. Ela não se deixaria levar, não cederia à vontade dele.

O Rei goblin riu de como permaneceu estagnado pelo que sentia por ela. Ergueu-se e saltou, tornando-se uma grande coruja branca e cinza, cruzando o céu noturno e desaparecendo num portal para seu mundo. No apartamento, com seus pais fora por alguns dias, Edward demonstrou que sentia ciúmes de como o estranho olhava para a namorada.

Sarah abraçou-o e falou que era natural sentir aquilo, mas que o coração dela só precisava do amor dele. Apaixonados, esqueceram-se de tudo ao redor para se entregarem um ao outro e, dessa vez, Sarah havia perdido toda a insegurança, permitindo de Edward, toques, carícias e beijos mais ousados.

Naquela noite, o Rei goblin não usou suas esferas de cristal. Não era preciso para saber que entre ele e Sarah havia um abismo de distância. Sentado em seu trono, no salão escuro, Jareth sentiu o distanciamento do objeto de seu desejo. O céu sobre o Labirinto tornou-se negro de nuvens carregadas e ameaçadoras. Outra tempestade estava prestes a cair sobre o reino tão forte quanto as anteriores.

A curandeira fechou as janelas no quarto de Helen:

—Ora essa! Será que o Rei não percebeu que não vai sobrar nada do reino se continuar com isso?

Deitada entre as cobertas, Helen olha na direção da criatura:

—O que quer dizer?

—Não sabe? Sempre que temos tempestades aqui, são causadas pelo estado de humor dele! Tudo nesse mundo responde ao que ele sente e ultimamente...

Helen se senta na cama:

—Então...

—Porque acha que toda a criatura que vive aqui parece ter sempre cuidado ao lidar com seu Rei? Porque sabem que o equilíbrio de tudo depende disso!

—Oh! Então eu estou...

—Não, não, querida! Você não está causando isso! É outra... Pessoa...

A pequena serva, que Helen descobriu se chamar Bone, pulou sobre a cama e segurou as mãos da moça:

—Vem! Eu mostro quem! Eu mostro!

Sarah desceu do leito, colocou uma manta sobre os ombros e seguiu a pequenina. Andaram pelos corredores iluminados por archotes enquanto ouviam os trovões ao longe. Pouco depois, Sarah entra no salão que Maria já havia mostrado antes. A duende afastou a cortina e Helen mirou novamente o rosto de Sarah. Então ouviram passos atrás dela e uma voz grave e quase sussurrada enche o salão:

—O que faz aqui...

Helen suspira:

—Ela é a causa de tudo isso, não é?

—Você não entenderia...

Helen ergue a mão, mas desiste de tocar o quadro:

—Ela é linda de verdade. Sempre tive curiosidade de saber como é se tornar... O ideal de alguém apaixonado...

—Você... Sente ciúme dela?

Helen se volta e encara o Rei goblin:

—Ciúme? Não... Eu admiro a força de vontade dela por ter conseguido escapar de você, mesmo sendo tão jovem nessa imagem.

Jareth se aproxima de Helen:

—Talvez queira o lugar dela aí...

Helen segue mirando o rosto de seu captor:

—O que eu desejo, não posso ter, Rei goblin... Você não me deu escolha.

Ambos permanecem se encarando em silêncio. Helen buscava alguma coisa no olhar do Rei, alguma humanidade, mas encontrou apenas dor e raiva. Ela baixou o olhar e saiu:

—Nunca ofereça a alguém um peso maior do que ele possa carregar...

—Essa criança... É um fardo pra você?

—Sim... E um presente que esperei por muito tempo. Eu a amo sem conhecê-la ainda e isso me enlouquece às vezes.

Helen volta com a serva, deixando Jareth sozinho com o quadro. Ele ergue o olhar para a imagem e diz:

—Ouviu isso, menina tola? Ela aceitou meu presente...

Jareth sente o rosto queimar e lágrimas escorrem de seus olhos. Ele toca o rosto, surpreso e confuso, pois chorar não era algo que ele tenha feito em quase 300 anos de existência. Fechou a cortina, ocultando a face de Sarah e saiu dali rumo ao seu trono. Os primeiros pingos de chuva vieram com menos força do que os habitantes do Labirinto esperavam. A noite foi embalada por uma chuva mansa e acalmadora.

Continua...

Notas finais
Complicados esses dois, não?