A Criadagem
2 Capitulo 2 - Comemorar não faz mal a ninguém
Alguns minutos e todos já estão fora do castelo. O Boliche Provincial fica a alguns quilômetros daqui, mas decidimos ir caminhando mesmo assim. A alegria não nos deixará sentir dor. Grupos se formam e, poucos passos depois, já não estamos mais tão juntos assim.
Penso em Aaron e na forma como me dispensou. Sei que não significa nada, apenas um compromisso de última hora, mesmo assim meu coração estremece e um mal pressentimento que diz que há algo errado nessa história.
Julian se aproximou de mim, afastando a nuvem negra do meu pensamento, apesar do susto, fiquei aliviada. Junto com ele chegou Luíza, sua namorada. Eu a conheci a poucos meses, assim que começaram a sair juntos. Lembro que Julian estava nervoso feito um adolescente, mas podia ver seus olhos brilhando cada vez que falava dela.
– Tudo bem com você, Hannah?
– É, tudo bem sim. Apesar alguns problemas bobos, Julian. Mas isso não me afeta hoje.
– Você sabe que pode contar com a gente, não é Hannah?
– Agradeço pela preocupação, Luíza, mas consigo resolver isso sozinha.
Eles deram as mãos e se afastaram novamente. Eu estou sozinha, de novo. Sigo assim até chegarmos a nosso destino, numa mistura de ansiedade e alegria extrema. Decido ligar para minha mãe e contar a novidade. Sei que ela deve estar roendo as unhas de curiosidade. Ela grita tanto ao telefone que prefiro o afastar do ouvido.
– Minha filha! Nem acredito! Estou tão feliz por você. – pude sentir as lágrimas pela sua voz.
– Ah, mãe! É maravilhoso, mas ainda não posso dizer que vou pro castelo, saberemos amanhã.
– Eu sei, querida, mas você tem sorte. Olha onde você já chegou! – isso eu não podia negar – Hannah, antes de desligar, você vem assistir as selecionadas com a gente hoje, não é?
Confirmei minha presença e, dessa vez, falar sobre as selecionadas não me afetou. Pensar na minha idade e nas regras que me deixaram de fora do processo não fez nenhuma diferença. Percebi que nada poderia me abalar naquele momento.
Quando vemos o Boliche a nossa frente, corremos como crianças, querendo chegar mais rápido e começar a diversão.
Nunca fui muito boa no boliche. Arrisquei algumas jogadas, mas meu péssimo desempenho fez com que eu desistisse. Eu não iria embora nem que me pagassem. As gargalhadas de meus colegas me faziam bem. Eu não quero ir embora. Não quero que o dia termine.
Em meio a strikes e jogadas falhas pego minha câmera. Fotografar é uma das minhas paixões, apesar de inalcançável como profissão. Cliques e mais cliques capturavam cada passo e cada sentimento. Podia sentir a força que aquele ambiente me trazia. Nada melhor que fotos para guardar o momento incrível.
– Posso ver? — Julian chegou me assustando, já sem a presença de Luíza.
– Pagando bem...
Tiro a câmera do pescoço e mostro minhas fotos, algumas até sem foco perfeito. Ele elogiou minhas fotos. Disse que eu deveria fugir para viver essa arte. Eu sabia que era brincadeira, mas seu jeito me alegrava.
– Agora me fotografe. Você está perdendo de me ter em sua coletânea, querida Hannah. Ou venha jogar. Não é tão divertido assim ver você fotografando sem parar.
– Dispenso o convite, querido Julian. Mas aceito suas fotos, por favor, sem pose, ok?
Ele voltou para o meio da nossa pequena multidão e, seguindo seus conselhos apontei minhas lentes para ele, já dando os primeiros cliques. Assim como eu poderia facilmente ser uma fotógrafa, Julian poderia se tornar modelo em um piscar de olhos. As fotos ficaram lindas. Seus cabelos castanhos caindo levemente sobre os olhos verdes eram a combinação perfeita para qualquer catálogo.
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