A Coruja
1 Capítulo 1
Era tarde da noite na fazenda da família Ribeiro, como sempre todos já estavam dormindo, Danilo em seu quarto sonhava...sonhava com sonhos de verão, brincadeiras com os amigos, risadas e alegrias, e então...depois de uma tarde de brincadeiras e travessuras ia dormir, mas ao se deitar avistou em sua janela, uma coruja! Uma coruja com um olhar fixo nele, uma coruja que o olhava como se estudasse, uma coruja com olhos hipnotizadores. Danilo não conseguia tirar os olhos dela, é como se ela estivesse o chamando com o olhar, hipnotizando e paralisando seu corpo.
Mas de repente....Danilo acordou desesperado, não sabia o porque apenas que seu corpo o fez despertar como se algo horrível estivesse acontecendo, acordou soando e olhou para a janela, não havia nenhuma coruja nela, mas estranhamente ela estava aberta e com as cortinas a balançar por causa do vento. Danilo estranhou isso porque tinha certeza que tinha a fechado e trancado antes de dormir já que a noite estava um pouco fria, ele foi em direção a janela para a fechar, mas antes olhou para fora, a lua estava brilhando cor de prata e o céu estava extremamente estrelado, foi então que ele notou uma das estrelas se mover no horizonte rapidamente e sumir. Seria uma estrela candente ele pensou? Fez um pedido para ela...afinal sua mãe uma vez lhe disse que ao virmos uma estrela cadente deveríamos fazer um pedido que esse pedido se realizaria, mesmo duvidando um pouco que isso era verdade ele em segredo o fez, para que o pai e a mãe que tanto amava paracem de brigar tanto como brigavam.
Danilo fechou a janela e voltou a dormir...voltou a dormir e a sonhar com sonhos de verão, mas a coruja não mais em seus sonhos apareceu. Quando acordou de manhã, com sua mãe lhe chamando para tomar o café, passou pelo pai que estava conversando com o Tio Bento sobre alguma coisa que tinha acontecido em uma fazenda próxima dali...parece que os irmãos Barberis aprontaram outra das suas. Oque não era de se surpreender já que eles viviam aprontando por todas as fazendas da região, pregando peças e tudo o mais, logo Danilo ignorou a conversa e foi fazer seu delicioso café da manhã.
O dia passou rápido para Danilo, como eram férias passou o dia inteiro brincando com os amigos de fazendas vizinhas, correndo pelo mato, caçando insetos e dando risada até dizer chega. Já estava ficando tarde então ele resolveu voltar para casa, ao chegar lá encontrou novamente seus pais brigando feito cão e gato, discutindo, gritando e tudo o mais. Ele não sabia o porque, ele não aguentava mais isso então passou correndo pelos dois ouvindo apenas algumas palavras esparsas. Canalha. Ela. Vadia. Minha. Desejos. Ele entrou rapidamente no quarto e fechou a porta....fechou a porta e deitou em sua cama com o travesseiro envolto nos ouvidos para não ouvir a briga, ele não aguentava mais isso....Não aguentava mais ver seus pais brigando assim, ele chorou...chorou...e chorou e então adormeceu.
De repente ele acordou...novamente com aquela estranha sensação no peito de alerta...de perigo, ele estranhou sua mãe não ter o chamado pra jantar...não ouvia mais seus pais brigando, talvez sua mãe tenha feito a mesma coisa que ele, se trancado no quarto dela e chorado sem parar até dormir como ele já a viu fazer algumas vezes, o pai provavelmente tinha ido para a cidade e só voltava no dia seguinte quando eles brigavam. Foi então que Danilo ouviu um piu, ele olhou para a janela e la estava a coruja de seus sonhos! Ele piscou os olhos e os esfregou...era ela mesma! Igualzinha, olhando para ele com aquele olhar fixo, hipnotizador, apenas soltando alguns sons deves em quando, como se fosse um chamado, como se ela estivesse lhe dizendo ‘’Vem brincar comigo Danilo, vamos voar, vamos flutuar até a lua e as estrelas. Venha! Vamos brincar!’’. Danilo se levantou e foi até a coruja, esticou seu braço e com suas mãos a tocou, ela permanecia imóvel olhando para ele e de repente ele sentiu como se pudesse voar, voar para longe dali, longe da briga dos pais, voar atras da estrela cadente para que ela realizasse seu desejo.
E então ele acordou. Ele estava deitado no chão perto da janela, soando...já era dia, quase hora do almoço! Teria sido tudo um sonho novamente?? Mas...foi tudo tão real...a coruja, a voz doce dela, a sensação de flutuar e poder voar. Danilo se levantou e foi para a cozinha onde a mãe terminava de preparar o almoço, seu olho direito estava roxo, ele perguntou o porque pra mãe mas ela não disse nada, seu pai se sentava na ponta da mesa esperando ser servido. Ele se sentou para almoçar junto, e mãe serviu o almoço, foi quando ela notou estranha marcas em Danilo sua pela nos braços estava vermelha como se tivesse com alguma alergia e havia uma marca, como um corte em forma de X em sua testa perto do olho esquerdo, ele estava suando bastante também. Ela estava prestes a perguntar oque tinha acontecido quando ela se lembrou que ele tinha passo a tarde inteira brincando com os amigos e provavelmente ele tinha batido a cabeça em algum lugar e pelo visto também andaram se aventurando pela mata local outra vez por causa das marcas em seus braços, com certeza não tomou cuidado e esbarrou em alguma urtiga pensou ela.
Danilo não comeu muito, não estava se sentindo muito bem, pediu licença para os pais e foi escovar os dentes, foi quando percebeu o corte em sua testa...estranho pensou ele, ele não se lembrava de ter batido a cabeça, percebeu também a vermelhidão em seus braços e em uma parte de sua barriga, estranhou também porque ele não se lembrava de nenhum inseto o ter picado...talvez ele tenha encostado em urtigas que sua mãe viva dizendo pra tomar cuidado, já que brincou de esconde-esconde com os amigos na floresta. Foi então que ele vomitou, vomitou bastante e até saiu um pouco de sangue, sua mãe ouviu e foi correndo no banheiro ver oque tinha acontecido e ficou extremamente preocupada com o sangue junto ao vomito, chamou o marido e falou pra eles o levarem no médico, seu marido disse que não ia gastar gasolina para levar o menino no hospital na cidade já que ele com certeza deveria ter encostado em alguma urtiga enquanto brincava na floresta, ele que aprendesse com isso a nunca mais brincar lá. E a discussão entre os seus pais novamente começou, ele virou pra mãe e disse que já estava melhor e resolveu ir ler alguns quadrinhos e ouvir um pouco de radio. Quando seus amigos passaram em sua casa para chamar ele pra brincar, ele recusou afinal não estava se sentindo muito bem e passou a trade inteira lendo e ouvindo sua radio Elvis, Beatles e sertanejo. O dia passou a noite chegou, Danilo jantou e logo foi dormir porque ainda não estava muito bem, pediu bença ao seu pai e deu um beijo na bochecha da mãe que disse qualquer coisa era só chamar ela caso não estivesse se sentindo bem. Chegou em seu quarto, abriu a janela para entrar um pouco de vento pois estava com um pouco de febre e deitou...deitou...dormiu e sonhou, com sonhos de verão, risadas e brincadeiras.
Estava feliz brincando com seus amigos no sonho, quando uma sensação de aperto em seu coração o atinge e de súbito ele acorda. Novamente ele esta soando bastante, com aquela estranha sensação de alerta, de perigo, como se todos os sentidos do seu corpo estivessem lhe dizendo para correr ou se esconder. Ele ouviu um piado e olhou para janela e lá estava ela...novamente a mesma coruja parada, imóvel olhando pra ele fixamente, com seus grandes olhos negros. Mais forte do que nunca ele se sentiu que deveria sair correndo dali, mas ao mesmo tempo seu corpo se recusava, ele se sentia atraído pelo olhar fixo da coruja, e o som tão doce e gentil que ela mais uma vez soltava, como se mais uma vez estivesse o chamando...dizendo para ele ‘’Venha Danilo...venha brincar comigo. Venha ser meu amigo, venha flutuar conosco’’. Danilo levantou da cama e foi até a coruja, lhe acariciou e então olhou para fora e viu que na arvore bem em frente ao seu quarto muitas outras corujas de profundos olhos negros olhavam fixamente para ele e piavam, ele sentia como se todas estivessem dizendo ‘’Venha brincar conosco! Venha flutuar conosco! Venha ser nosso amigo!’’.
A coruja em sua janela de repente pulou em seu braço. Danilo fez carinho ela e ela retribuiu...mas então uma ardência e dor começou a tomar conta do seu braço, o braço em que a coruja repousava, ele tentou solta-la mas ela não se movia e a dor só aumentava. E então...Danilo sentiu novamente flutuar e percebeu que a coruja o erguia no ar com uma força descomunal para um simples animal, o erguia e o tirava de seu quarto em direção as outras corujas que o começaram a lhe rodear, e a lhe bicar, e a arranhar, enquanto ele subia cada vez mais alto e alto sem conseguir se mexer rumo a escuridão e as estrelas do céu noturno.
FIM
Notas finais
Espero que gostem!
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