Notas iniciais
E assim chegamos ao quinto capítulo! Nossa, estou realmente muito feliz comigo mesma por ter conseguido cumprir meus horários por enquanto. Bem, okay, eu atrasei um ou dois dias em algumas ocasiões, mas acho que estou no caminho certo XP Espero que gostem do capítulo! Até lá embaixo! PS: Coloquei algumas coisinhas nas notas sobre as quais eu queria opiniões sobre, então... Deem uma olhada se quiserem ;)

Elliot encarou as fichas, ainda sem ter uma ideia clara do que fazer. Dali a alguns dias as selecionadas começariam a chegar e ele, o príncipe, seria encarregado de escolher uma delas para se tornar a futura rainha de Illéa. Não era pouca coisa de modo que o garoto começou a estudar os formulários assim que pode, tentando memorizar os nomes e as aparências o melhor possível, para poder ter algo para dizer no dia que as conhecesse. Felizmente, Stella decidira ajuda-lo naquilo.

– Olha só. – a princesa comentou enquanto erguia uma das fichas. A loira estava confortavelmente jogada sobre a única poltrona que havia no quarto do irmão, com as pernas sobre um dos encostos de braços e as costas no outro – Essa aqui tem cabelo colorido. Acho que vai ser bem fácil de reconhecer.

– Imagino. – Elliot respondeu, sem prestar atenção, enquanto tentava, em vão, gravar o nome da selecionada da ficha que segurava, uma que tinha uma série de letras repetidas e assentos que pareciam desconexos – Como é que se pronuncia isso?

– Deixa eu ver... – Stella saiu do sofá e foi até a escrivaninha do garoto, olhando por cima do ombro do irmão, seu dimon voejando à sua volta, como sempre – Nossa. Acho que você devia perguntar pra mamãe. Pode ser finlandês ou algo assim. Talvez francês. Acho que finlandês não tem tantos assentos.

– Você continua ótima com línguas não é, Tella?

– Não enche.

O príncipe riu, desistindo da ficha que segurava e partindo para outra enquanto Stella tentava, em vão, fazer algum som que soasse minimamente realista para o nome da selecionada. Depois de um tempo, a princesa desistiu, voltando ao seu lugar na poltrona só saindo de lá quando ouviram batidas na porta, indicando o jantar.

Elliot jantou no quarto naquela noite, cansado demais para descer as escadas e encarar os pais, que certamente fariam perguntas sobre os formulários. Se for para ele escolher uma esposa, faria ele mesmo.

– Temos um bom trabalho pela frente. – suspirou o príncipe, encarando sua dimon que o olhou de volta.

– Vamos conseguir. Você vai ver. – Kira murmurou, apoiando a cabeça no colo do humano – Vamos encontrar alguém.

– Encontrar alguém não é o que me preocupa. – Elliot acariciou as orelhas da dimon – O problema é encontrar a alguém.

***

Demorou duas semanas inteiras até as selecionadas finalmente chegarem ao palácio. Era uma manhã de sol em Angeles e Stella decidiu aproveitar a situação para dar uma espiada nas possíveis noivas de seu irmão.

A entrada principal estava uma bagunça. Por todo o lado funcionários do palácio tentavam atender as selecionadas que chegavam, carregando bagagens e levando garotas pelos braços para dentro ou mesmo tempo que tentavam parecer cordiais. A princesa deixou escapar um risinho quando uma das criadas passou murmurando “desculpe” tantas vezes que chegava a parecer uma locomotiva em movimento.

Como Stella pôde notar, a maior parte das criadas parecia tão desesperada para levar as selecionadas para dentro que acabavam por esquecer as recém-chegadas que pareciam mais alheias à situação, sempre se focando nas que se mostravam mais interessadas em tudo. Foi exatamente por isso que a princesa escolheu como primeira vítima uma selecionada em especial que parecia um tanto afastada enquanto anotava algo em um pequeno caderno de capa dura. Havia um lírio delicadamente preso em seu rabo-de-cavalo: a flor de Carolina.

– Com licença? – Stella se aproximou e seu dimon, Yang, pousou em seu ombro – Você é Eleven Swift, não?

Mesmo que nenhuma das selecionadas ainda portasse os broches para identificação, a princesa reconhecera aquela bem rápido. Eleven possuía um rosto pequeno emoldurado uma franja lateral que lhe batia nos olhos. Como Stella pode notar, era bastante magra e poucos centímetros mais baixa que ela o que a tornava mais alta que a maioria das outras meninas. A caçula da Família Real ficou feliz por ainda ser o “topo do mundo feminino”, como costumava dizer.

– Ahn... Sim? – Eleven demorou para erguer os olhos, mas pareceu atordoada quando o fez – Quer dizer... Sim, Alteza.

– Não se preocupe. Não precisa me chamar assim – Stella riu dispensando a reverência que a garota parecia prestes a fazer – Só meu irmão gosta dessas formalidades todas.

– Ele gosta? – a selecionada pareceu confusa por alguns segundos e a princesa abriu um sorriso brincalhão.

– Só estou brincando. Não leve tudo o que eu falo tão a sério. – Stella revirou os olhos de modo exagerado e abanou o rosto com uma das mãos como uma mulher especialmente esnobe – Não quero que acabe me idolatrando demais. Formalidades são algo com qual estamos acostumados. Não é algo que gostamos ou não. Está mais para algo que é necessário de vez em quando.

A princesa deu de ombros e Eleven finalmente sorriu, mesmo que de leve. Não parecia totalmente confortável e seu dimon-gato – que Stella não havia notado até então – permanecia estático sobre a única mala que a garota tinha consigo.

– Também dá para ver que eu falo muitos “algos”, não é mesmo? – Stella riu – Me chame de Stella. Ou de Tella. Ou Princesa Suprema do Universo. Todos são apelidos viáveis.

– É claro. – a selecionada finalmente riu e pareceu que ia acrescentar algum comentário quando as duas foram surpreendidas por uma terceira mulher, que parou logo ao lado da princesa, fuzilando ambas com os olhos.

Julienne.

– Alteza, pensei que fosse permanecer com sua família por hoje. – a responsável pelas selecionadas ergueu a voz e eu dimon, um enorme ganso, ganiu ao seu lado em aprovação. Logo depois ela se virou para Eleven – Querida, queira me acompanhar. Você vai ser uma das últimas a começar a transformação. Não podemos ficar mais atrasadas. Boa tarde, Alteza.

E assim, se foi, obrigando Eleven a segui-la e deixando Stella para trás de cara amarrada.

***

Cassandra nunca se sentira tão perdida em toda sua vida. A princípio, quando ouvira que o Salão das Mulheres seria onde a ajudariam “com a beleza”, não se sentiu preocupada. Imaginou alguns estandes de maquiagem e hidratação de cabelo. Nada a preparara para a visão que teve quando abriram a porta da Biblioteca Newsome.

O máximo que era possível saber era que era um lugar amplo, mas por conta dos milhares de funcionários do palácio que corriam de um lado para o outro, ficava difícil saber o quanto. Por todo o Salão havia cadeiras e araras e de todo o canto era possível ouvir pedidos que iam desde shampoo até uma tesoura nova. Bem no meio do lugar, uma mulher se destacava dos outros por sua postura altiva enquanto dava ordem aqui e ali. Sem dúvida a responsável.

Uma das criadas que carregaram Cassandra para o Salão das Mulheres a instigou a se aproximar da mulher. Demorou alguns segundos para a responsável notar sua presença.

– Ah, sim! Você deve ser a senhorita Headey, não é mesmo? – a mulher abriu um sorriso – Que bom que chegou logo. Estamos tendo algum problema para levar todo mundo para cá. – a responsável fuzilou a criada que se postava ao lado de Cassandra – parece que estou perdendo as mais quietas. Enfim, sou Julienne Newsome. Nos falamos por telefone.

Cassandra assentiu e abriu o melhor sorriso que pôde enquanto apertava a mão de Julienne. Ela se lembrava claramente da voz que ligara tantas vezes durante as duas semanas que haviam se passado.

– Espero que tudo tenha corrido bem. – a responsável olhou por cima dos ombros da selecionada, diretamente para mais duas que chegavam por trás dela – Certo. Carol, leve a senhorita Headey para a estação três. Clarissa, a senhorita Winter vai para a sete. Acabou de vagar. Zoe! Leve a senhorita Clark para a estação cinco! Kile disse que vai vagar daqui a três minutos!

Depois de receber as instruções, Carol, como se chamava a funcionária que carregara Cassandra, a levou para tirar uma foto do “antes” – como a fotógrafa chamara – e logo depois a conduziu em meio a confusão, desviando de vários cinegrafistas que pareciam interessados em documentar o momento. A criada a levou diretamente para um espaço onde outra mulher a esperava, parecendo bem mais simpática que a responsável.

– Sou Iris, prazer. – a criada se apresentou, de modo que Cass logo notou seu sotaque do sul – Vou cuidar da sua transformação. Sente-se, por favor.

Enquanto observava Carol se afastar – provavelmente em busca de outra selecionada – sentiu um calafrio. Em todo o salão havia criadas gritando feito loucas por shampoo ou creme de cabelo enquanto as selecionadas – algumas parecendo confusas, outras, animadas – permaneciam sentadas em suas cadeiras. Algumas estavam tendo o cabelo cortado, tingido ou hidratado, já outras faziam as unhas e as sobrancelhas. Cassandra pode jurar que viu uma que fazia tudo de uma vez, com mais de cinco criadas correndo ao seu redor.

– Não se preocupe. – Iris pareceu ler seus pensamentos – Sua imagem está à salvo. Só precisa me dizer que impressão quer causar e poderei retocar a cor do cabelo e esse tipo de coisa. Percebi que ele também está meio ressecado nas pontas. Um corte simples talvez.

– Impressão? – Cassandra perguntou curiosa.

– Sim, impressão. Quero saber o que você quer. Se quer ser a rebelde ou a alternativa. A interessante ou a diferente. Aparência pode ser muita coisa quando se fala de televisão. – Iris sorriu e depois acrescentou – E de príncipes também.

Cassandra riu e explicou que preferia ser espontânea. Queria parecer consigo mesma. Com uns retoques nas cores do cabelo e nas espinhas, é claro. Mas queria se manter como Cassandra Rose por enquanto.

– Uhmm... Entendi. – Iris assentiu, feliz por se fazer útil – Damon! Katia! Hillary! Temos trabalho por aqui!

***

Quando abriu a porta do quarto, Amelia não pode deixar de soltar uma exclamação. Era o maior que já havia visto em toda uma vida.

– Espero que aproveite a estadia. Foi a princesa em pessoa que cuidou de toda a decoração. – Julienne disse – Qualquer mudança que queira fazer é só falar comigo ou com suas criadas que será atendida em um segundo.

– Não... – Amelia começou, embasbacada – Precisa. Está ótimo como está.

– Que maravilha. – Julienne sorriu e depois olhou para o próprio relógio – Bem, pelo jeito suas criadas estão um pouco atrasadas. Devem chegar num minuto. Irão ajuda-la a se arrumar para o jantar.

– Okay. – Amelia assentiu.

– Então está bem. Boa sorte. – Julienne saiu do quarto depois de um breve aceno com a cabeça, deixando a selecionada sozinha pela primeira vez desde que acordara.

Amelia esperou até que seus passos sumissem no corredor antes de finalmente relaxar.

– AI MEU DEUS! – a garota gritou, observando o lugar à sua volta. Mavi saltou imediatamente para a cama, se aconchegando sobre os lençóis macios – Olhe só para isso!

Todo o quarto era decorado em tons de branco e dourado, desde a cama até o tapete felpudo e as janelas, de modo que a luz parecia fazer com que tudo brilhasse levemente, como em sonho. Não havia muita decoração, já que se tratava de um quarto temporário, mas aquilo já era suficiente para deixar a selecionada sem palavras.

Como Amelia veio a observar, havia uma pequena sacada depois das grandes janelas – que acabaram se revelando como portas de vidro – que dava vista para o jardim. Mesmo sendo no segundo andar, ainda era impossível ver os portões que indicavam o fim da propriedade real.

Dentro do quarto tudo era banhado de luz. Havia uma mesa com três cadeiras em um canto perto da cômoda, um armário de madeira lustrosa – já repleto com os vestidos para noite – e a cama de dossel, de onde Mavi observava sua humana. Depois de uma pequena pesquisa nas gavetas, Amelia conseguiu encontrar alguns materiais de pintura e confecção de colares, algo que a fez agradecer por ter adicionado seu gosto por aquilo no formulário, mesmo que não fizesse parte de sua Casta.

– É bem acolhedor. – ela disse, por fim – Imagino que a Família Real não se preocupe com gastos extras com quartos que não vão usar.

– Seja um pouco mais otimista. – Mavi sacudiu a cabeça de lobo – A princesa tem bom gosto, pelo menos.

Amelia revirou os olhos e se sentou ao lado do dimon, deixando o entusiasmo esvair-se. Ela havia sido uma das últimas a sair do Salão da Mulheres, já que os funcionários pareciam ter cismado com seu cabelo. Agora ele estava mais sedoso e brilhante do que antes, assim como sua pele parecia mais aveludada que o normal. Talvez aquele banho de esfoliantes e óleos tivesse valido a pena.

Mesmo assim ela ainda não estava nada á vontade com aquilo tudo. Claro, ficara feliz por ter a oportunidade de ganhar o dinheiro que precisava, assim como de ver o rosto de sua madrasta ao ouvir seu nome na TV, mas algo na perspectiva de viver no palácio não a deixara em paz desde que saíra de Waverly.

Tomando cuidado para não estraga-la, tirou a pequena prímula do cabelo e depositou-a na mesa de cabeceira, como um pequeno lembrete de casa. Assim que descobrira de sua seleção, sua madrasta tomara providências para se livrar de qualquer vestígio seu do porão, a transferindo imediatamente para o quarto de hóspedes enquanto suas irmãs tiveram de dividir o quarto com Zchary. Isso fizera com que boa parte de seus pertences pessoais, desde roupas até a maioria das fotos que ainda tinha de seu pai, tivessem desaparecido, substituídos pelos vestidos chiques e sapatos luxuosos que Heather comprara para Amelia à contragosto. A mulher simplesmente odiava a ideia de a garota estar finalmente ganhando na vida, mas não podia deixar os funcionários do governo que invadiram sua casa notarem isso.

Por fim, havia o príncipe. Amelia sentia um arrepio toda a vez que pensava em conversar com ele, imagina ter encontros. Ela não gostava de proximidade. Só Zack, Jassy e Zoe tinham aquilo sendo que o primeiro só conseguira por ter sido um bom amigo quando precisara, mesmo sendo anos mais novo. A selecionada tinha consciência que se fosse restrita demais seria eliminada e perderia o dinheiro, mas se abrir também estava fora de cogitação.

Algum tempo depois as três criadas de Amelia finalmente chegaram. Liah, Renné e Jules. Depois de se apresentarem e de algumas poucas formalidades, ajudaram a selecionada a se vestir, trocando o vestido azul-claro que usava por um vermelho-escuro que ia até pouco antes dos joelhos. Mantiveram seu cabelo solto e deixaram que Amelia escolhesse um par de brincos dourados que lhe caíram bem.

Assim que se viu no espelho, deixou escapar um suspiro. Parecia bem mais confiante do que realmente estava. Finalmente calçando os saltos escuros, se dirigiu para o corredor com Mavi em seus calcanhares, ouvindo de longe o tropel de passos das garotas que – dali a somente poucas horas – se tornariam suas concorrentes.

Notas finais
Yaaay! E assim elas chegam ao palácio! Bem, tenho alguns comunicados para fazer, mas tentarei ser breve. Como devem ter percebido, eu estou tentando ao máximo ser verosímil e seguir a ordem de acontecimentos de "A Seleção". Digamos que eu venho me preocupando muito com isso, tanto que estou relendo um livro com papel e caneta do lado. Pareço até uma crítica XD E sim pessoal! Nós temos uma Newsome! Como é explicado em FdU, os universos alternativos (chamados de "mundos" no livro), podem ter semelhanças e diferenças, dependendo de em que momento eles se separam (já que não são realidades completamente paralelas e surgiram de uma que se separou e bla bla bla, é complicado). Desse modo, em algum momento, existiu uma pessoa com sobrenome Newsome. Pode ter sido uma Celeste, pode não ter sido, mas foi importante o bastante para o Salão das Mulheres levar o nome. E, é claro, essa pessoa misteriosa é parenta da nossa querida responsável pelas selecionadas: Julienne Newsome. Hehe. Agora vocês entendem por que alguns personagens tem sobrenome "familiar" ^^ Bem, por último, quero comunicar a todas como eu planejo continuar essa história. Sabe, eu, como muitas de vocês, sou bastante fã de interativa de A Seleção, mas também tenho consciência que elas podem ficar confusas. Assim, decidi que daqui por diante o número de povs por cap vai diminuir bastante, rondando em um e dois. Isso vai servir para poder colocar a história no foco direito e não confundir a cabeça de ninguém (ou pelo menos tentar não confundir). A escolha dos povs será baseada no conteúdo dos comentários, em quantas vezes a selecionada já apareceu e, obviamente, na situação que será apresentada no capítulo. Não se preocupem, todas terão sua vez ^^ Enfim, é isso. Até o próximo cap! Beijooooooos! Bia Valdez