A Coroa
10 Capítulo 9: Morte e dor
Notas iniciais
Narrador: Kriss
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Quando morre alguém, sentimo-nos todos tomados por um sentimento de perda e dor. É natural, gostamos da pessoa e desejamos que continue vivendo conosco. Mas, a morte é a única certeza da vida e está enquadrada nos acontecimentos normais da existência de todo mundo. A todo instante, partem jovens e velhos, sadios e enfermos.
E muitos perguntam, talvez temerosos do momento em que também enfrentarão a circunstância e acerto de contas com D. Morte: ela dói?
O que ensinam os espíritos a respeito?
· A separação da alma e do corpo não é dolorosa.
· O corpo sofre mais durante a vida que no momento da morte;
· Uma vez no chamado outro mundo, conserva plenamente sua individualidade;
· Normalmente reencontra aqueles que partiram antes, se já não reencarnaram;
· A alma se liberta com o rompimento dos laços que a mantinham presa ao corpo;
· No instante da morte, todo homem retorna ao mundo dos espíritos, pátria de origem;
· A consciência de si mesmo vem aos poucos. Passa-se algum tempo de perturbação, convalescente, cujo tempo de duração depende da elevação de cada um;
· A sensação que se experimenta no momento em que se reconhece no mundo dos espíritos depende do que fizeram em vida. Se foram bons, sentirão enorme alegria. Se foram maus, sentirão vergonha.
Compreender antes o assunto exerce grande influência sobre o tempo de perturbação, mas o que realmente alivia a perturbação são a prática do bem e a pureza de consciência.
Não tema a morte. Ela faz parte do processo evolutivo. Viva de maneira prudente, faça o bem que puder e quando soar seu momento, vá sem medo. Mas nunca a busque ou a precipite. Tudo tem seu momento na vida e todos temos algo a fazer num tempo programado. Para aqueles que foram antes, guarde a convicção de breve reencontro e ore pela felicidade deles. Eles receberão a mensagem de seu coração.
Morrer não dói, o que dói é ficar.
Cemitérios me fazem sentir paz e ao mesmo tempo uma grande solidão... há muito tempo eu não comparecia a um local desses com a finalidade de realmente ver alguém que tenha partido, fosse um ente querido meu, ou simplesmente querido de alguém que eu gostasse muito. Não que eu tenha visto alguma coisa neste fim de semana, pois o máximo que consegui ver foram os parentes mortos de pessoas desconhecidas para mim, em pequenas salas separadas, esperando um último adeus de seus amados familiares, como se isto significasse realmente alguma coisa para quem já se foi, como se aquele corpo estendido não fosse apenas um personagem, com máscara e figurino, esperando para sair de cena.
Fúnebre demais para minha cabeça. Mas talvez eu me sinta assim por não estar acostumada com a morte, engraçado, como se tivéssemos algum motivo para não se acostumar com ela. Desde quando nascemos, a única certeza que temos nessa vida é a de que um dia iremos morrer, porém, nos esquecemos disso todos os dias, esquecemos a obviedade desse fato e acabamos por pensar, sem querer, que somos imortais, que isso nunca irá nos acontecer ou àqueles que amamos, porém, um dia qualquer, não importa qual, essa certeza se concretiza e a morte leva sem piedade, a pessoa que mais amamos, dizendo friamente que o nosso tempo, que achávamos ser infinito, acabou. Que aquele carinho deixado pra depois, aquele passeio remarcado milhões de vezes, aquela viagem prorrogada para o próximo ano e aquele jantar que deixamos de fazer juntos, não terão mais como acontecer. Nunca mais.
Apesar de tudo, uma coisa muito simples e obvia me ocorreu hoje. O dia estava lindo, uma tarde ensolarada naquele lugar maravilhoso, cheio de árvores e flores... um dia perfeito se não fosse por toda a dor e sofrimento impressas na paisagem. “Como é possível tanta dor em um lugar tão bonito?”, pensei logo no contraste quando vi as pessoas, reunidas ao redor do túmulo recém preenchido, recebendo os pêsames de quem estava chegando. Deparei-me com a certeza de que eu não sei como me portar nessas ocasiões, nunca passei por isto e nunca precisei consolar ninguém, nunca entendi, portanto, o real significado desse ritual. De repente, aquele grande e forte abraço me fez perceber que existem momentos na vida em que não é preciso pensar em nada, nem mesmo dizer nada, apenas seguir o coração e o nosso mais primitivo instinto altruísta, sem pensar ou dizer nada. Aquele abraço caloroso me fez entrar em contato com o lado mais humano e superior que há em mim, criando sem querer, um momento em que verdadeiramente me conectei com a dor de uma outra pessoa, sentindo uma vontade infinita de roubá-la para mim e deixar no lugar a sensação de alívio que eu desejava vê-lo sentir. Um abraço infinito em poucos segundos em que eu queria engolir aquela pessoa inteira para que o mundo não pudesse machucá-la de novo daquela forma, tão dura, lúcida e cruel. Infelizmente não seria possível.
Infelizmente isso tudo são só sonhos e ilusões. Ou felizmente... Porque a verdade é que a dor faz parte da vida e é com ela que crescemos mais firmes e fortes, prontos para um novo recomeço. Ela é, portanto, necessária. É por meio dela que nascemos para o novo, e como dizia meu querido Steve Jobs, “a morte é provavelmente a melhor invenção da vida, pois ela dá espaço para o novo”. Ele estava mesmo certo em dizer que ninguém quer morrer, nem mesmo as pessoas que desejam ir para o céu querem morrer para chegar lá sábio.
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–Foi horrível ver ela lá deitada, morta.
*Andava em círculos no meio da sala enquanto Dyllan, deitado no sofá, me olhava*.
–Você fez bem indo lá.
*Sorrio entendendo oque ele havia dito*.
–Eu sei... Mas sinto algo aqui dentro.
*Coloco minha mão em cima de meu coração*.
–Isso passa. Você é iniciante, depois melhora. Agora vem cá sua linda.
*Ando até ele, ele se assenta no sofá e eu assento no colo dele e começamos a nos beijar*.
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