A Cor Que Vejo Em Você.
12 Sentimentos estranhos.
Não entendia o fato de todos olharem para ele daquele jeito. Parecia que algo estava errado. Será que havia alguma coisa em seu rosto. Passou a mão pelo local, nada. Será que havia algo em seu cabelo? Passou a mão pelo local, nada. Será que havia algo em sua roupa? Passou a mão pelo local, nada. Deu de ombros. Com certeza aquilo não era com ele, mas ao avistar o rosto de Teshigawara caminhando em sua direção com o jornal da escola, viu que realmente era com ele.
– Bom dia... – Tentou dizer mesmo sabendo que não deveria.
– Sabe o que aquela... Aquela vadia da Akazawa fez? – Ele perguntou, colocando a mão sobre o rosto.
– Não. – Disse Kouichi, parecendo confuso.
– Então olhe. – E o loiro lhe deu um jornal. Tal foi seu espanto ao ver a foto e a notícia.
Com grande destaque, havia uma imagem colorida de uma das ruas próximas a uma lanchonete, que Izumi adorava ir quando ainda namoravam, tendo Teshigawara e Misaki andando de braços dados.
– Um novo romance? – Ele leu o título em negrito. Olhou para o amigo e continuou a leitura ao perceber que este o incentivava. — Quando todos pensavam que realmente não haveria mais o que acontecer, notamos o quanto coisas extraordinárias ou mesmo milagrosas estão sendo executadas ao nosso redor. No final da tarde de ontem, foram flagrados Teshigawara Naoya e Misaki Mei namorando em praça publica. Rumores corriam sobre a proximidade repentina entre ambos e eram extremamente desacreditados, mas tendo em vista as provas foram confirmados. Misaki Mei que aparentemente era alguém tímido e introvertido tem revelado o quanto gosta de romances e conflitos após ser o pivô da separação do casal Sakakibara Kouichi e Akazawa Izumi. – Ele olhou para Naoya, espantado com o que acabara de ler.
– Continua. – Disse o loiro irritadíssimo.
– Isto não poderia ser considerado um milagre? Será mesmo que a garota estranha conseguirá sustentar o relacionamento com o nosso lindo e maravilho Teshigawara? – O menino de cabelos castanhos sentiu a ira lhe tomar, mas seu plano de qual maneira poderia matar sua ex-namorada da forma mais dolorosa e torturante possível, sumiram quando ele viu Mei caminhar em sua direção. Seus olhos estavam vermelhos e ficou claro que era aquele o motivo que fizera Teshigawara quase se transformar por puro ódio.
– Desde que ela chegou, essas pessoas estão lançando piadas de mau gosto. – Disse o loiro extremamente irritado.
– Sinto nojo de todos eles. – Disse Kouichi olhando ao seu redor.
– Ah, se está sentindo nojo agora, não sei o que sentirá quando por os olhos naquela que sabemos ter armado tudo isto. – Sakakibara acompanhou o olhar de Teshigawara e puderam ver Akazawa entrar na escola fingindo total inocência. Sem pensar duas vezes o loiro se dirigiu até lá, mas o amigo quis impedir.
– Não! Espera Naoya! Você está de cabeça quente! – O loiro se desvencilhou do abraço do companheiro.
– Eu sei o que eu estou fazendo! – E caminhou duramente até a direção de Akazawa.
Izumi continuou agindo com a naturalidade de todos os dias. Cumprimentou todas as pessoas e fingiu não notar Teshigawara se aproximando, até que ele a segurasse pelo seu braço de forma que a machucasse.
– O que está acontecendo Teshigawara? – Ela tentou falar, forçando inocência.
– O que pensa que está fazendo? Hein?! Você por acaso enlouqueceu?
– Do que você está falando? – Ele se irritou com a falsidade dela.
– Disto aqui. – E jogou o jornal na cara da garota que ficou imensamente enraivecida. – Você só pode estar louca mesmo e ainda por cima decadente. Tudo isso para ir para a cama com um cara que nem mesmo te ama mais. É tão difícil assim, Izumi? Aceitar a rejeição?
– Oh, claro. Eu me esqueci que você lidou com isso toda sua vida. – Ela sorriu debochada.
– Sim é verdade e tudo o que tenho a dizer agora é Graças ao meu bom Deus, que nunca te fez enxergar o cara maravilhoso que eu sou. E também dou graças por eu ter conseguido enxergar a vadia imunda e miserável que você é. – Izumi ficou séria naquele momento. – Escute, pela ultima vez. Fique longe da Mei.
– Você não pode me dizer o que fazer. – Ela falava agora com raiva e ele apertou o seu braço.
– Vou repetir e é melhor que entenda. Fique longe da Mei, você não terá outro aviso. – E ele soltou o braço da menina, logo após se virou e passou por entre a multidão que nem precisou ouvir alguma palavra dele para lhe dar passagem. Akazawa estava estática. Nunca ninguém havia falado daquela maneira com ela e tudo o que tinha vontade de fazer era matar Naoya.
Demorou muito tempo para perceber, mas todos a estavam olhando, esperando pela reação dela, pelo que ela diria. Ela apenas sorriu e com a maior dissimulação que pode, disse em voz alta.
– Oh, acho que ele está com raiva de mim por eu não amá-lo. – E algumas pessoas riram. As outras, para o desespero da ruiva, fizeram comentários que aos seus ouvidos não eram agradáveis e pouco a pouco foram se retirando, até sobrar apenas a amiga que trabalhava no jornal do colégio para comemorar a matéria.
– Viu?! Foi um sucesso! Obteve realmente a repercussão que você queria...
– Cale essa boca. – Disse a ruiva olhando a cena que via por sobre os ombros da menina.
– O que disse? – A jovem respondeu, parecendo dar uma chance a ela de se redimir.
– Cale essa boca. – A pequena garota a frente se irritou.
– Teshigawara tem razão, você não passa de uma vadia imunda e miserável. Vai acabar ficando sozinha para sempre sua mal agradecida. – E saiu dali, extremamente chateada.
O fato era que ela não podia conversar vendo os dois a quem ela tinha em suas mãos, dedicados ao bem estar de Mei. Kouichi ela sempre suspeitara, mas Teshigawara? Era algo inaceitável e ela jamais iria deixar cair no esquecimento. Era uma questão de orgulho, era assim que deveria ser. Ele deveria ter dito que aquilo era mentira e que ela sabia que ele não poderia amar a Mei, pois seu coração pertenceria à outra pessoa, mas sua reação fora totalmente diferente. Era de se esperar.
O sinal que anunciava o término das aulas encerrou. Só o ouviu tocar porque estava totalmente concentrada na hora em que poderia sair dali. Não entendia o que era aquele sentimento que crescia em seu peito, mas precisava descobrir. Não deu ouvidos as pessoas que a chamavam. Apenas dirigiu-se até a sala de aula daquele que ela queria conversar.
Não era de se espantar o fato dele estar com Mayumi. As mãos na cintura da menina enquanto estava encostado na parede. Ela conversava com ele olhando para baixo e ele apenas sorria enquanto olhava seu rosto.
– Com licença Mayumi, mas preciso conversar a sós com ele. – Disse ao se aproximar do casal.
– Akazawa...
– Você não vai a lugar algum Mayumi, não tenho nada a conversar com essa daí. – Ele disse sem retirar os olhos da menina.
– Mayumi, por favor, eu preciso conversar com Teshigawara. – A menina se espantou. Izumi pedindo algo? Se ela se prestara a fazer isso, com certeza a situação era ruim.
– Não tem problema Naoya, depois nós conversamos. – Disse a morena, pegando a mochila que estava sobre o ombro do rapaz.
– Acontece que eu não tenho interesse em conversar com outra pessoa agora. – Ele disse a encarando.
– Mas eu acho que você deveria. Com certeza ela tem algo importante para te falar. – Disse a menina e depois deu um beijo no rosto do rapaz. – Mais tarde eu te ligo. – Ele concordou com a cabeça e a olhava enquanto caminhava.
– Teshigawara. – Disse Izumi chamando sua atenção. Ele apenas olhou para ela com total desinteresse. – Eu preciso saber o que você sente pela Mei. – Ele ergueu uma sobrancelha, não sabia o que ela queria dizer com aquilo.
– Eu não te devo satisfações sobre meus sentimentos.
– Você está apaixonado por ela, não é?! – A menina indagava, com as mãos na cintura.
– Para que isso? Por acaso é uma entrevista para o jornal de amanhã?
– Não seja idiota e me responda à pergunta! – Ela disse começando a se exaltar.
– Nada que eu sinta ou viva te interessa Akazawa.
– Me interessa sim.
– Não devo explicações a você. – Ele disse pegando a mochila do chão e deu um passo a frente, mas ela pôs a mão sem seu peito e o empurrou a parede, fazendo com que ele olhasse para ela.
– Deve sim. Você sempre foi apaixonado por mim, você sempre esteve aos meus pés e agora nem sequer me olha.
– É tão difícil acreditar que eu já não sinto algo por você? É realmente necessário culpar a Mei por isso? – Ela pareceu nocauteada com aquelas palavras e retirou a mão de seu peito.
– Eu não acredito que do dia para a noite você me esqueceu. – Tentou retomar a pose. Ele sorriu e aproximou o rosto do ouvido da ruiva.
– Entenda de uma vez por todas que você não significa nada para mim. – E saiu da presença da ruiva.
Ela o olhava ir embora. O peito apertou por um momento, vontades que antes nunca foram aceitas agora estavam tomando sua mente. Será mesmo que aquilo estava acontecendo?
– Isso só pode ser brincadeira... – Ela disse, tentando não se convencer do pensamente que passara por sua cabeça.
Notas finais
Beijo e até a próxima.
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