A Cor Que Vejo Em Você.
2 Proximidade.
Notas iniciais
Já era por volta das seis e meia da manhã quando Mei chegou ao colégio. Teshigawara como sempre já estava lá sorridente e brincalhão.
– Bom dia Mei! – Ele disse colocando seu braço em volta da menina.
– Bom dia. – Disse simplesmente.
– Como está hoje? – Teshigawara era sempre assim, acordava todos os dias com vontade de cantar e quando via os amigos queria tornar tudo em uma grande festa.
– Bem.
– Antes que você me pergunte o Sakakibara-kun ainda não chegou e a Akazawa eu ainda não vi... Ops! Já vi.
Mei levantou o olhar e viu Izumi vir em sua direção furiosa. Ela continuou séria, não mostraria temor.
– Onde está o Kouichi!
– Acredito que em casa.
– Me diga agora garota, onde ele está!
O pátio onde eles três estavam parou pelo ultimo grito da riquinha e popular Akazawa. Mei não gostava muito disso e quando se encontravam não se falavam. Para Akazawa aquilo não fazia diferença, pois o que interessava a ela era somente Kouichi.
– Outro escândalo Izumi? – Disse à voz que a menina queria ouvir. Ela se virou e tinha um enorme sorriso debochado no rosto.
– Gostou de passar a noite com sua amante Kouichi? Agora resolveu aparecer? – Ela disse colocando as mãos na cintura.
– Opa! Agora você esta sendo injusta com a Mei... – Tentou falar Teshigawara, mas foi interrompido.
– Cala a sua boca seu projeto de homem, eu não estou falando com você.
Assim como Kouichi, Teshigawara estava se cansando da agressividade da ruiva e ainda com os braços em volta de Mei ele girou e voltou a caminhar com ela.
Kouichi por mais estranho que parecesse viu aquela cena com certo desgosto.
– Olhe para mim Kouichi e diga a verdade! – Ele se esqueceu de que ela estava ali e voltou a fitá-la.
– Pare de gritar.
– Não me diga o que fazer!
– Quando se acalmar nós conversamos. – Ele deixou de olhar em sua direção para procurar por Mei e a encontrou já distante dali ainda tendo em volta de seu pescoço o braço de Teshigawara.
O rapaz de cabelos castanhos correu um pouco para alcançá-la enquanto o loiro que estava com ela falava qualquer coisa sobre segundo andar e escadarias. Ela lhe dava atenção, em sua seriedade habitual. Quando chegou ao seu destino sequer se dirigiu ao rapaz que ali estava.
– Mei, bom dia. Com isso tudo nem deu para falar com você. – Ela o olhou assim como o loiro ao seu lado.
– Não tem problema Kouichi, ela ainda te ama. – Mei o olhou séria.
– Gostaria que parasse com esses comentários. Akazawa já imagina demais e isto não ajuda.
– Mas ela tem que entender que o Kouichi te ama. – Ele disse sorrindo.
– Assim como eu tenho que entender que você a ama. – No mesmo instante Teshigawara ficou sério, mas aquilo era verdade. Ele sempre gostou dela e que, por sua vez, sempre o desdenhou.
– Já disse que não me importo mais com ela. Depois do que ela fez a minha Mei, deixou de existir para mim e quem gosta de grosserias é você. – Ele disse de olhos fechados.
– Ah! Cala a boca. – Disse Kouichi brincando e o abraçando com o braço esquerdo e bagunçando seu cabelo com a mão direita. Aquela também era uma forma de retirar a mão do amigo de cima de Mei. Por algum motivo ele não gostou daquilo.
Mei continuou caminhando ao lado deles. Ela sabia dos sentimentos de Teshigawara, mas desde a calamidade e de Izumi ter começado a namorar Kouichi ele mudara muito sua forma de tratamento com ela, principalmente nos últimos tempos. Mei acreditava que assim como Kouichi, ele estava ficando cansado.
O sinal tocou e todos foram para suas respectivas aulas. Sakakibara estava muito concentrado quando uma mensagem chegou em seu celular: “ Me perdoe meu amor, não queria o aborrecer. Eu te amo.” . Ele revirou os olhos. Estava cansado do fato dela sempre fazer a mesma coisa e sorrir como um anjo para pedir desculpas, depois se tornando um demônio para fazer tudo de novo. O rapaz realmente precisava pensar se era aquilo mesmo que ele queria e só havia uma pessoa que poderia ajudá-lo.
As aulas de Mei acabariam as dez naquele dia, e as de Kouichi ao meio-dia. Quando a menina foi liberada, guardou seus materiais e foi ao banheiro. Lá recebeu uma mensagem: “Estou te esperando em frente à escola. Preciso de você.” Ela mais uma vez já sabia o que era e sabia também que Izumi descobriria e faria outro de seus shows, mas ele era seu amigo e ela não podia deixá-lo na mão. Fez o que tinha de fazer e foi de encontro a ele. Logo o viu e foi em sua direção.
Sakakibara olhou direito para a moça que atravessava a rua. Mei não tinha seios enormes e nem muitas curvas. Ainda era magra, usava cabelo curto, mas conseguiu ficar linda.
– Achei que deveria ter aula. – Ela disse se colocando em frente a ele.
– Ah, eu não estava a fim. Podemos ir para a praça?
– Sim.
Eles foram para o local onde sempre se encontravam quando mais jovens. Quando chegaram, ela sentou-se em um banco e ele ao seu lado.
– Mei, eu acho que devo terminar com a Izumi.
– Se é realmente o que quer... Mas acredito que ela não gostará disso. – Ele suspirou.
– Está vendo! Ela não tem que gostar ou não. Tem que aceitar. – Eles ficaram em silêncio por um tempo e ela o quebrou.
– O que você... Sente por ela? – Ele olhou para o céu.
– Sinto que meu amor por ela diminuiu, ou se desgastou. Talvez tenha morrido. Ah, só sei que antes eu fazia de tudo para estar ao seu lado e agora eu só tenho paz quando estou longe dela. Nós não somos compatíveis, nunca fomos, mas insistimos nisso. Tentamos ir com calma, mas perdemos o controle.
– Entendo. Então tente agir da forma que você se sinta bem.
–Acho que só vou me sentir bem sem ela. – Mei olhava para baixo o tempo todo, não encarava Kouichi, ele a olhou e deu um sorriso.
– Me desculpe por só falar de mim. – Ela o olhou e seus olhos se encontraram.
– Tudo bem, você está com problemas. – Ela disse simplesmente.
– Vamos mudar um pouco de assunto, faz muito tempo que não conversamos em paz. – Disse o rapaz sorrindo.
E era verdade. Por seu ciúme desmedido Akazawa sempre implicava com a amizade que existia entre eles e mesmo que ele lutasse contra isso, o namoro o afastava um pouco dos amigos.
O rapaz continuou um bom tempo olhando para Mei que olhava o chão. Eles ficaram conversando sobre coisas banais e não viram o tempo passar, até que o celular da menina tocou.
– Moshi moshi. Sim. Sim. Na praça. Tudo bem. Até logo. – Ela era uma menina de poucas palavras, mesmo ao telefone. Kouichi ficou um pouco intrigado por saber quem era.
– Quem era Mei? Sua mãe?
– Não, Teshigawara. – Ele levantou uma sobrancelha enquanto ela guardava o celular.
– E o que ele queria? – Estava sendo intrometido demais, mas precisava saber.
– Ele perguntou onde eu estava e perguntou se estava com você porque Akazawa está te procurando por todo colégio. Ele esta vindo para cá, antes que ela venha e tente alguma coisa.
– Ele cuida mesmo de você, não é? – Disse Kouichi, mirando o chão.
– Sim. É um grande amigo.
– Me perdoe por não fazer mais isso Mei.
– Não fale como se tivéssemos ficado longe por muito tempo. Você tem um relacionamento e tem de priorizá-lo. Lembra-se de quantas vezes enfrentou e brigou com Izumi por minha causa? – Ela disse tentando reconfortá-lo. – O que aconteceu foi que Teshigawara e eu, ficamos mais próximos e só isso.
– É. Tomara que seja isso.
Depois de alguns minutos o rapaz chegou. Estava acompanhado de uma menina que se despediu dele e seguiu seu caminho. O rapaz acenou para Mei e Kouichi que apenas levantaram os olhos.
– Se preparem porque ela esta vindo aí. – Disse o menino sentando-se no meio dos dois.
O carro que levava Akazawa para o colégio parou em frente à praça e todos o olharam. A menina desceu seriíssima e trincou os dentes quando viu que realmente Mei e Kouichi estavam juntos. Ela começou a caminhar na direção dos três e Teshigawara começou a falar sobre qualquer coisa. Ela parou e olhou somente para o menino de cabelos castanhos que olhava para ela também.
– Kouichi, nós precisamos conversar.
– Está mais calma?
– Sim. – Ela disse a contragosto. Detestava quando ele falava sobre essas coisas na frente de Mei.
A menina que usava um tapa olho sentiu-se mal por estar ali. Teshigawara percebeu isso e se levantou.
– Mei, vamos caminhando? Eu a levo para casa. – Kouichi olhou para ela que olhava para o loiro a sua frente. Ele queria que ela ficasse, nem que fosse em um banco diferente, mas queria que ela ficasse.
– Vamos. – Ela se levantou e pegou suas coisas. Kouichi segurou sua mão.
– Se não quiser ir tudo bem. – Akazawa trincou os dentes mais uma vez.
– Não é bom que nós fiquemos aqui. Estamos indo. Até amanhã.
– Até amanhã.
– Tchau Izumi, tchau Kouichi. – Disse Teshigawara sorrindo e caminhando, enquanto Mei caminhava ao seu lado.
– Tchau. – O rapaz ficou olhando a cena. Sentia-se estranho com aquilo tudo. Não gostava nem um pouco de ver Mei tão próxima de Teshigawara.
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