A Cor Que Vejo Em Você.
16 Rejeição.
Caiu sentado no sofá. A palavra grávida ecoava fortemente em sua cabeça e ele tentava retomar sua razão. O que ele faria dali para frente com um filho para criar? Seus planos de ir à faculdade, de construir a sua casa todos ficaram parados em segundo plano, por casa da criança que ela gerava.
- Você tem certeza disto Mei? – Ele lhe perguntou ainda com o olhar fixo à frente. Ela simplesmente lhe estendeu o teste, juntamente com as instruções.
Ele analisou cada palavra. Realmente era verdade. Ela estava grávida e agora precisavam decidir sobre seu futuro, sobre o que seria feito de suas vidas.
- O que você fará com esta criança? – Ele perguntou ainda sem pôr os olhos nela. Mei não deixou de se espantar com a pergunta, mas tirou forças da onde não tinha para lhe responder.
- Eu vou assumi-lo, vou criá-lo e amá-lo. Se não quiser assumir esta responsabilidade eu assumirei sozinha. – As palavras foram duras, mas diretas.
Kouichi baixou a cabeça. Ficou assim por um bom tempo até que ela pôde ver que ele chorava. Não sabia o porquê, mas provavelmente era por não querer aquela criança. Mesmo sabendo desta possibilidade ela nunca tomaria outra atitude. Seu filho não tinha culpa.
- Nada disso foi planejado, mas nós deveríamos saber que poderia acontecer. – Ele começou dizendo ainda de cabeça baixa. – Eu não sei se estou preparado para isso Mei... – Ele fez uma pausa que partiu o coração da menina.
Teshigawara já havia alertado e ela também desconfiava. Talvez ele não quisesse esta criança e não a assumiria, ou talvez ele a assumisse. Mas desconfiavam da segunda hipótese pelo que presenciaram naquela manhã.
- Mas eu fico feliz pela sua decisão. – Ele se levantou do sofá e ficou de frente á ela. – Eu vou amar esta criança, tanto quanto eu amo você. – E abriu um sorriso em meio a algumas lágrimas.
A morena não mais se conteve. Jogou-se aos braços do namorado e chorou mais um pouco. Eles se abraçaram fortemente e ela sentiu a segurança que sua esperança alimentava. Esqueceu-se de todos os problemas, sua gravidez era o foco agora.
- Não consigo acreditar Mei. – Ele a soltou do abraço e se ajoelhou frente a ela. Colocou suas duas mãos sobre a barriga e depois a beijou. – Um filho, um filho com o grande amor da minha vida. Não sei o que é isto que está dentro de mim, mas parece que eu vou explodir de felicidade. – Ele se levantou. – Eu nunca vou te abandonar nunca vou te deixar só. Nós seremos muito felizes Mei! – E eles se beijaram mais uma vez entre as lágrimas.
- Misaki... Mei! – Uma voz conhecida pôde ser ouvida e o espanto foi nítido entre o casal naquele recinto. Aquela era a voz de Akazawa e por seu tom, ela estava muito furiosa. – Então era por isso. Era por isso que você não me queria mais por causa dela!
Os olhos de Akazawa estavam em fúria e neste momento os de Kouichi também. O que enfurecia o mais novo pai era o fato de ela não saber o seu lugar e atrapalhar a vida de todos.
- E que história louca é essa de gravidez?!
- Não é uma história Akazawa. Mei está grávida de um filho meu. Eu vou assumi-lo, vou me casar com ela e não adianta tentar outra coisa, porque você não pode nos separar. – A voz dele era dura e automaticamente ele se colocou a frente de Mei para protegê-la.
- Casar? Casar?! Você nunca quis se casar comigo e agora quer se casar com ela? – Izumi estava realmente furiosa.
- Aceite isto e pronto. Nós já terminamos há meses! – Ele também estava irritado.
- Não vou aceitar, porque você é meu! E se não pode ser meu não será de mais ninguém. – Ela começou a dar passos a frente.
- O que acha que vai fazer? – Kouichi caminhou na direção dela.
- Eu vou matá-la, como deveria ter feito há anos atrás!
Izumi avançou em Mei, mas Kouichi a segurou. Ela não era fácil, por isso tentou desvencilhar-se dele de todas as formas possíveis. Vendo que não teria forças, o jogou sobre o sofá e rolou pelo mesmo até que o abajur que estava sobre uma mesa caiu sobre o rosto de Kouichi. Para se proteger, ele usou as mãos, o que a deixou livre.
Ela correu na direção de Mei com todas as suas forças, estava disposta a matá-la se fosse necessário, mas jamais aceitaria o fato dele ser de outra mulher. Não entendia o porquê de estar fazendo aquilo, mas o queria para si de todas as formas.
Mei tentou correr, se desvencilhar. Uma em cada ponta do sofá, até que Izumi colocou um sorriso pervertido no rosto.
- Eu vou te pegar Mei! – E alargou ainda mais. Deu um passo em falso para a direita, mas foi para a esquerda e Mei caiu nessa.
Ela estava bem próxima de pegá-la e quando sua mão ia alcançar os cabelos curtos da menina sentiu-a ser segurada por alguém. Olhou para o lado e viu quem era. Teshigawara.
- O que você pensa que está fazendo?– Ele disse entre os dentes.
- Não se meta Teshigawara ou eu juro que... – Ele apertou o braço da ruiva. – Ai, você está me machucando!
- Eu juro que minha vontade é matar você! – Ele dizia com muita raiva.
- Você não é homem o suficiente para isso! – Ela disse parecendo enojada.
- O que você acha que eu sou? – Ele a segurou pelos ombros. – Sua ridícula! Sua vagabunda!
- Você está me machucando Teshigawara, me solta! — Ela se assustou com a forma que ele falava.
- Suma da vida da Mei, do Kouichi e da minha! Se não eu juro que...
- Jura que o quê?! O que você vai fazer? Você não é capaz de me ferir Teshigawara, porque é meu cachorrinho de estimação. Se eu quiser você lambe os meus pés. – Ela o desafiou, olhando por cima.
- Fique sabendo que eu tenho nojo de você. – Ele disse agora com o rosto bem próximo ao dela, apertando ainda mais seus ombros. – Sua vida de nada vale nesta terra. Você é um ser humano desprezível e sabe disso. De que adianta seu dinheiro se você vai sempre estar sozinha?! Ninguém te ama Akazawa, ninguém te quer por perto. E Kouichi nunca te amou, porque ele sempre amou a Mei!
Aquelas palavras atingiram o coração de Izumi como uma facada. Era uma realidade que ela sempre se negou a enxergar. Por isso sempre teve ciúmes de Misaki, por isso sempre a odiou, porque sabia que no fundo de seu coração, Kouichi a amava. Ele sempre a amou.
- Mesmo que ele não tenha me amado, você me amou. Não negue agora. Você sempre esteve em minhas mãos.
- Sim, mas eu só te amei por uma falta de bom senso. Agora olhe para mim. Eu tenho ao meu lado alguém que me ama, que quer me ver feliz. Não demorei em me restabelecer e segui em frente, sabe por quê?! Não é nada difícil viver sem você.
- Você está mentindo para mim. Você não consegue viver sem mim. – Ele a olhou cheio de repulsa. Perguntou-se como conseguiu amá-la por tanto tempo.
- Eu tenho nojo de você. – E sem mais esperar, ele a puxou pelo braço e a levou para fora da casa.
- O que você está fazendo Naoya?! – Ela gritava. – Solte-me agora! Solte-me seu merda!
Os gritos foram diminuindo o volume à medida que ela era arrastada para o lado de fora da casa. Kouichi já estava ao lado de Mei há bastante tempo e assistia a tudo aquilo. Quando teve a certeza de que ela não mais voltaria baixou a guarda e se virou para sua namorada.
- Está tudo bem com você? – Perguntou preocupado não só com ela, também com seu filho.
- Sim. Ela não me tocou. E você está bem? – Ela perguntou também preocupada.
- Sim, eu estou. – O moreno olhou para a saída da casa. – Mas não tenho certeza se Naoya está.
- Solte-me agora Teshigawara! Solta o meu braço você está me machucando! – Quando enfim chegou à rua ele a soltou e ela tropeçou quase caindo. Rangeu entre os dentes e avançou contra o rapaz, mas ele a bloqueou em cheio e a empurrou novamente para fora da casa de sua amiga.
- Suma da nossa vida. – Ele disse seriamente.
- Eu não vou sumir, Kouichi é meu.
- Suma da nossa vida Izumi e volte para o inferno da onde você nunca deveria ter saído. – Ele deu as costas a ela dando aquela conversa por encerrada.
Izumi ficou ali na rua, apenas observando o rapaz dar-lhe as costas e entrar na casa. Sequer olhou para trás. Foram dois choques de uma só vez. Mei grávida de Kouichi e a realidade das palavras de Teshigawara.
Era uma dor muito grande em seu peito, que ajudou a formar um grande nó em sua garganta. Seus olhos encheram-se de lágrimas e ela sentiu seus joelhos fraquejarem. Caiu no chão e ficou com a cabeça baixa por um tempo.
– Sua vida de nada vale nesta terra. Você é um ser humano desprezível e sabe disso. De que adianta seu dinheiro se você vai sempre estar sozinha?! Ninguém te ama Akazawa, ninguém te quer por perto. E Kouichi nunca te amou, porque ele sempre amou a Mei!
As palavras ainda ecoando em sua mente fizeram doer seu coração e as lágrimas que tentou segurar rolaram por seu rosto. Então seria assim. Ela viveria sempre assim. Sozinha e rejeitada.
Notas finais
Beijo e até a próxima.
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