A Cor Que Vejo Em Você.
6 Insistência.
– E está é a fórmula final. Mas não se esqueça de descrevê-la assim, pois se estiver somente com este resultado, a resposta estará errada. – Mei explicava a Kouichi quando o celular do rapaz tocou anunciando uma nova mensagem
Sem muitas cerimônias a leu e revirou os olhos. Sabia que ela estava calma demais.
– Humpf, parece que ela não me deixará em paz. – Disse jogando o celular na mochila.
– Ela é doente por você, eu a entendo. – Disse Mei ainda fitando os papéis à frente.
Kouichi ficou olhando a moça a sua frente, ele podia jurar que havia mais do que simples palavras ali e decidiu perguntar.
– Como assim? – Disse com seu rosto inocente.
– Ela o ama de tal maneira que não seria capaz de imaginar sua vida sem você ao lado. É como se dependesse da sua existência para respirar. – Como sempre ela foi clara e direta.
– Entendo. Mas não é isso que eu quero. Ela poderia simplesmente dar uma nova chance ao seu coração assim como eu poderia dar ao meu, não acha? – Era uma indireta, mas ela continuou fitando os cadernos.
– Sim. Vocês não são obrigados a estarem juntos. – Disse Mei analisando uma conta que lhe parecia estar errada.
– Será que consigo alguém? – Ele olhava cada expressão da menina.
– Acho que sim. A maioria das meninas de nossa escola são loucas por você. – Ela franziu a testa.
– Acha mesmo? – Ele insistiu.
– Acho assim como acho que esta conta está errada. Eu vou consertá-la... – Sem querer esbarrou na caneta que caiu no chão. Os dois amigos fizeram menção em pegá-la e acabaram tocando a mão um do outro. Ao sentirem-se, eles levantaram os olhos e se encararam por bastante tempo, até que ela já não pode mais com aquilo.
Voltou a seu lugar e ele pegou a caneta, colocando-a sobre a mesa. Mei apenas pegou a caneta e não fez mais comentários. Refez toda a conta e tornou a explicá-la a Kouichi que também fez a mesma conta e acertou.
– Acho que você deveria fazer outras. – Ela sugeriu e ele a olhou.
– Mei posso te pedir uma coisa?
– Sim.
– Fique sem o tapa-olho. Seus olhos são lindos.
Misaki ficou totalmente sem reação, mas acabou cedendo ao pedido de Sakakibara e retirou o tapa-olho e depois fitou seus olhos. Mais uma vez eles ficaram assim por um tempo, até que ele decidiu se aproximar dela.
Mei ficou completamente apavorada, não sabia o que fazer e decidiu se levantar. Ele também se levantou e ficaram parados.
– O que foi? – A voz dele era calma.
– Nada. – Ela disse virando o rosto para o lado, gesto que ele desfez colocando a mão em seu queixo.
– Nada mesmo? – Ela ficou em silêncio e ele continuou a olhá-la até que deu um passo para trás e voltou a sentar-se no chão.
– Vou fazer essas contas. – E ele começou a ler o problema, tentando lembrar-se de como havia resolvido a questão anterior.
A moça foi ao banheiro e olhou-se no espelho. Fechos os olhos e sentiu seu coração acelerado. Respirou fundo. Abriu a torneira e lavou o rosto. Aquilo estava sendo perigoso demais e sentimentos que antes ela havia tentado esquecer estavam quase vindo à tona. Isso não podia acontecer.
Voltou para sala em passos lentos, esperando pela reação do rapaz. Ele continuava fazendo as contas com muita concentração e disposição. Ela decidiu não interferir no processo de raciocínio que ele estava tendo e sentou-se no sofá, apenas o observando.
Passaram longas horas daquela tarde ali, até que ambos decidiram que era hora de parar. O cansaço já havia tomado aos dois.
– Mei, não quer ir comer alguma coisa comigo? — Ele perguntou amigável.
– Acho que Kirika não irá gostar. – Ela disse olhando para baixo.
– Ah, vamos Mei! É aqui perto. – Ele disse com sua voz irresistível.
– Tudo bem. – Ela disse se levantando e colocando seu tapa-olho.
Os dois caminhavam pela rua, lado a lado. Como sempre Mei olhava para baixo e Kouichi com suas duas mãos nos bolsos olhava para cima. Até que o rapaz encontrou uma pizzaria e achou que ali seria um bom lugar para comerem.
– Mei, que tal uma pizza? – Perguntou o rapaz e ela somente concordou com a cabeça. Ele sorriu e a segurou pela mão para entrarem na pizzaria.
Escolheram uma mesa para se sentar e imediatamente foram atendidos.
– Qual sabor deseja pedir? – Perguntou a garçonete.
– Eu gostaria de uma portuguesa, mas se minha amiga não quiser... – Ele disse a garçonete com seu lindo sorriso.
– Pode ser. – Ela disse simplesmente.
– Logo trarei seu pedido. — A moça disse sorrindo pelo que o rapaz falara e que fizera a acompanhante ficar totalmente sem graça.
Quando ficaram a sós Misaki apenas olhava para a janela ao lado, enquanto Kouichi fitava seu rosto. Ele sorriu.
– Você não mudou muito desde quando nos conhecemos, sabia? Continua com seu rostinho de menina e sempre séria. – Ele sorria.
– Obrigada, mas tenho que dizer que você mudou. – Ela disse agora o fitando.
– Como? – Ele realmente parecia interessado na resposta.
– Fica menos envergonhado e é muito mais descontraído. Acho que é sua convivência com Teshigawara. – Ele sorriu de leve, não gostou muito de ela ter tocado no nome do amigo, mas gostou da idéia de que ela reparava nele.
– Ah, então às vezes eu sou inconveniente e extravagante? – Ele perguntou arqueando uma sobrancelha.
– Não. Você consegue ser controlado. – Ela disse deixando um sorriso escapar, ele sorriu junto com ela.
– Ah, fico feliz então. – Disse e depois de alguns minutos olhando nos olhos ele dirigiu sua mão até a dela, estavam sentados um de frente para o outro e assim era possível olhar profundamente. – Muito obrigado Mei.
Ela gelou. Ele tinha uma poder sobre ela que era inevitável. O modo como falava, o jeito que a olhava o tom que usava. Kouichi não era um simples jovem, Kouichi sabia muito bem como se fazer presente e marcante e parecia a todos que ele adorava ser assim quando estava ao lado de Misaki. Por isso ela tinha dito que ele mudara desde o ensino fundamental.
Ficaram assim por algum tempo, até que a porta se abriu e uma enxurrada de garotas entrou. Todas eram conhecidas, todas eram do colégio e a surpresa maior foi ver certa garota de cabelos vermelhos entrarem.
Mei rapidamente retirou a mão do toque de Kouichi e colocou-a sobre seu colo, Akazawa caminhou diretamente até a mesa onde estavam.
– Vejo o motivo por qual não teve a consideração de responder a minha mensagem. – Disse a garota já com as mãos na cintura.
– Não tenho nada a falar com você e, por favor, não seja inconveniente a ponto de fazer escândalos.
– Hum, então já está a proteger a Mei desta maneira? Mal terminamos e já quer assumir outra relação.
Ele se levantou com raiva.
– Izumi... – Mas Mei segurou a mão do rapaz e ele a olhou assim como Akazawa.
– Não vale à pena discutir Kouichi-kun. – Ela já se pôs de pé, para ir embora.
– Tem razão Mei. Não vale a pena. – Ele a pegou pela mão e ambos caminharam para fora do local. Izumi continuou parada. Seus olhos ardiam pelas lágrimas que se formavam, mas ela não choraria. Não ali na frente de todos.
Mayumi estava pendurada no celular trocando mensagens com Naoya e contou a ele o que tinha acontecido.
– Mei me perdoe por isso. – Disse Kouichi muito envergonhado.
– Tudo bem. – Ela disse simplesmente.
– Olha, bem ali tem uma lanchonete. Que tal? – Ele a olhava, realmente queria passar um tempo de descontração com a garota.
– Por mim tudo bem. – A animação voltou aos olhos dele e ele voltou a segurar-lhe a mão e levar-lhe animadamente para a lanchonete.
Em casa, Naoya estava deitado com o celular na mão. Uma nova mensagem estava para ser enviada, mas ele desistiu. Fechou o celular e colocou-o do seu lado na cama. Depois de alguns minutos, suspirou.
– Você é um fraco Teshigawara. – E pegou o celular, enviando a mensagem.
Na lanchonete Izumi ouvir seu celular avisar que uma nova mensagem chegara. Olhou-a e quando viu de quem era fez uma cara de desdém. Imediatamente tratou de responder.
O celular do rapaz vibrou em suas mãos, a resposta havia chegado.
– Vá para o inferno Teshigawara. – Ele a leu em voz alta. – Será sempre assim, não é Izumi?
E ele jogou o celular em qualquer canto, colocou uma musica e fechou os olhos. Só por aquele momento não queria pensar nela.
Notas finais
Beijo e até a próxima.
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