Erick conseguiu levar Lola para casa em segurança. Apesar da dor latente no olho esquerdo ele conseguiu conduzir a moto em segurança.

Na entrada da casa de Lola, Erick estacionou a moto e devido à embriaguez da moça, ele teve que levava para dentro de casa, segurando-a pelo braço.

– Eu estou legal! — disse Lola tentando focar em pé.

– Deixa que eu te ajudo.

E assim o fez. Passou um dos braços da menina em volta do pescoço, segurou-a pela cintura e a conduziu pada dentro da casa.

– Onde está a chave, Lola?

– Esconcidade debaixo do tapete. Aquele velho truque.

Erick se abaixou com dificuldade enquanto aparava Lola e pegou a chave. Quando abriu a porta de casa, Lola fez um pedido ao amigo.

– Me leva até ao quarto? Eu acho que vou...

Lola fez uma careta pois estava com ânsia por ter bebido de mais e ainda por cima estava com a barriga vazia.

Erick encostou a porta e a levou rapidamente para o corredor e a primeira porta que viu era a do quarto de Lúcio, mas Lola não o impediu de levá-lá para lá.

Eles entraram no quarto e Lola correu para o banheiro. Ficou agachada, de quatro enquanto apoiava as mãos no vaso sanitário.

– Eu quero vomitar mas não consigo! — reclamou a menina com os olhos lacrimejando

– Faz força ou enfia o dedo na garganta.

Lola tentava mas o vômito não saía.

Depois da quinta tentativa, Lola desistiu e se levantou com dificuldade do chão do banheiro.

– Lave o rosto. — sugeriu o amigo.

Lola iria jogar água no próprio rosto sem tirar o cabelo que estava atrapalhando, então Erick a ajudou segurando os cabelos.

Lola molhou o rosto e fez gargarejo com antisséptico bucal. Quando ela secou o rosto com a toalha de mão, olhou para o lado e fitou o rosto de Erick, percebendo o olho machucado do amigo.

– Está doendo muito? Foi minha culpa! Me pordoe! Eu vou pegar um gelo para você na cozinha...

Lola tentou dar quatro passos mas deixou transparecer que não estava com condições de andar pois estava muito bêbada.

– Deixa que eu pego! Deita na cama que eu já volto. — disse Erick.

Lola ficou no quarto sozinha e então resolveu tirar o vestido pois estava a encomodando. Quando ela estava vestido somente de calcinha e sutiã o seu amigo havia retornado da cozinha.

Erick estava com um copo d'água e na outra um saco plástico cheio de gelo envolto por um pano de prato. Ele levou um susto ao ver a amiga em vestes íntimas.

– Oque houve, Lola?

– Resolvi trocar de roupa. Esse vestido estava me matando.

Lola ainda puxava o vestido pelas pernas com dificuldade então Erick resolveu intervir.

– Que roupa você quer colocar?

– Pega uma blusa qualquer na gaveta do meu pai.

Erick seguiu oque Lola havia dito e pegou um camisetão cinza estampado por um desenho do Garfield.

– Levanta a mão. — pediu Erick para poder colocar a roupa na amiga.

Lola levantou a mão e ele se esforçou para desviar os olhos do corpo de Lola.

Por fim conseguiu colocar a camiseta na amiga.

– Toma. Beba tudo — Erick ergueu o copo cheio de água para Lola.

– Obrigada, mas na real eu queria um café — Lola levou o copo à boca e bebeu pela metade com pressa pois estava sedenta. — Queria café e talvez um remédio para dor de cabeça.

– Eu te falei para pegar leve com a bebida mas você não quis me escutar...

– E o seu olho? Está melhor com o gelo? — Lola se aproximou do amigo para dar uma olhada.

– Está um pouco melhor.

Lola se jogou na cama e se esticou. Deu um grande bocejo e fechou os olhos enquanto isso, Erick permanecia sentado na beirada da cama com o saco de gelo pressionando no olho.

– Aquele Carlos é um baita de um babaca. Ele mereceu aquele vaso na cabeça — Erick recordou a cena e riu- Você não é mole, hein Lola!

Lola não respondeu, então Erick se virou e olhou para ela, percebendo que havia pego no sono. Erick ficou ao lado dela por mais alguns minutos e depois resolveu ir embora para deixá-lá se recuperar da ressaca, mas antes ele quis ajeitar o corpo dela na cama e a cobrir com cobertor. Enquanto fazia isso, percebeu que ela havia se mexido e quando ele iria embora ele foi surpreendido pela mão da menina o segurando e o impedindo de ir.

– Não vá embora... — sussurrou Lola ainda sonolenta.

– Eu tenho que ir pois já está muito tarde.

– Durma comigo. Não me deixe sozinha! — Lola abriu os olhos mas continuou segurando ele pelo braço. — Por favor!

Ver Lola deitada naquela cama , totalmente desprotegida e entregue à uma mistura de álcool e sonolência, o fez ceder mais uma vez aos pedidos da garota.

Erick deitou na cama ao lado dela. Lola sorriu e o abraçou por trás. Os dois dormiram de conchinha.

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NARRAÇÃO DE ERICK

Eu poderia ter me desvencilhado dos braços dela. Ter levantado da cama e ido embora, para a minha casa pois eu estava exausto e com um dos olhos doloridos, mas a cena em que presenciei me impediu de deixá-lá.

Lola estava indefesa, cansada, solitária e claro, bêbada. Eu sei que no fundo, ela bebeu para tentar tampar o vazio que havia dentro dela. Ela usa bebida como uma forma de escapar da realidade. Não a culpa ou reprimo, cada um tem o seu jeito de se libertar e o meu, por exemplo, é quando ando em minha moto. Me sinto livre, naquele momento eu sinto que sou o dono do mundo e que o tempo havia parado para mim e esqueço dos meus problemas, eu creio que Lola sinta o mesmo que eu.

Tenho certeza que ela beijou o Carlos, não somente para deixar Anna furiosa de ciúmes mas também para causar na festa. Ela ama chamar a atenção, como se os cabelos dela não chamassem por si só. Mas apesar de tudo, eu gosto dela e reconheço que tenha um bom coração. Por mais que ela tente esconder oque sente por trás da armadura, nas roupas pretas e extravagantes. Aquilo tudo sai e a doçura da alma logo aparece. O rosto dela transparece isto.

Por mais que eu tente negar e não nutrir o amor que sinto por ela, não o amor de irmão e sim o amor de um homem para uma mulher, eu ainda guardo a semente dentro de mim mas impeço que floresça.

Agora, deitado ao lado dela, sinto o corpo dela junto ao meu percebo que é ao lado dela que eu quero estar, por mais que ela não me queira eu ainda guardo a esperança de que talvez, em algum dia, ela venha me amar. E quando esse dia chegar, eu serei o homem mais feliz do mundo.

*******

Os dois adormeceram, cada um anestesiados pelas suas dores e sono.

O relógio pendurado na parede do quarto de Lúcio, marcava com os ponteiros 6:30 da manhã.

Os pássaros cantavam lá fora.

Um carro estacionou na entrada da casa de Lola.

Passos largos e precisos foram dados por quem havia descido do carro estacionado. Os mesmos pés pararam em frente à entrada da casa e levou às mãos até a maçaneta da porta. Se surpreendeu ao perceber que a mesma já estava aberta.

Os passos seguiram com cautela para não fazer barulho. Foram até à cozinha, voltaram à sala e foram em direção ao corredor.

A maçaneta da primeira porta do corredor foi girada e a porta foi aberta.

O dono dos passos arregalou os olhos e abriu a boca espantado com oque havia se deparado. O som da sua voz estava com dificuldade para sair. Lutava entre as cordas vocais pois seus olhos não acreditavam no que acabava de ver. Por fim a voz conseguiu sair e conseguiu produzir uma única frase:

– Alguém pode me explicar oque é isso?

O som da voz era tão alto que conseguiu despertar os dois sonolentos. Erick e Lola acordaram espantados e assustados.

Ambos se depararam com Lúcio. Com sua cara fechada, sobrancelhas arqueadas, olhos saltados e braços cruzados.

O coração de Erick batia muito acelerado. Lola sentiu sua cabeça latejar de dor e a única palavra que conseguiu dizer foi:

– Pai?